Notas iniciais
Prestem bastante atenção ao lerem esse capítulo, ou vocês podem acabar se perdendo, certo? Enjoy

06° capitulo

A minha melhor amiga sempre havia sido uma pessoa complicada. Entender a Mari não era uma tarefa fácil, mas eu conseguia cumprir essa missão ao pé da letra. No final das contas nos completávamos perfeitamente como um molde de jogo de puzzle.

Eu havia retornado da África, há pouco mais de um mês. E as novidades fresquinhas de Londres ainda mexiam com a minha cabeça.

Saídas, conversas na madrugada, bebidas, risos estrondosos e o principal... Garotos.

Não que na África não existisse aquilo. Acontece que a cultura do país em que eu morava – o Moçambique – era tão preservada quanto suas origens históricas.

Não posso negar, as pessoas de lá tinham um charme sem igual. Sempre sorridentes e receptivas. E as suas praias eram de águas cristalinas, com garotas desfilando biquínis minúsculos em trazeiros estupendos, e garotos de corpos esculturais.

No entanto Londres é único, e não me entendam mal. Passear por suas ruas é como adentrar outro universo. Vislumbrar pessoas de todos os estilos, com a mesma vidinha gostosamente rotineira, o corre-corre, fest-food diário, colesterol alto. Eu adorava aquilo.

Mas querem saber algo que eu simplesmente odeio? A voz do diretor Filtch. Secretamente chamávamos de “Filthy” e queira Deus que ele nunca saiba disso. Acontece que aquele careca asqueroso, costuma aniquilar todos os esforços que nós fazíamos em prol da boa educação. Era um rabugento de mão cheia, que não poupava palavras para reclamar de coisas supérfluas: a decoração interna dos nossos armários, os cadarços coloridos dos nossos tênis, o uso de bonés – caso não fossemos do time de baseball – mascar chiclete na sua presença. Tudo era um motivo para o seu discurso casual:

-A ótima educação de hoje, o futuro brilhante de amanhã!

Blá blá blá... O que um velho ranzinza que usa calças acima do umbigo com a camisa amarrotada por dentro, e dentes centrais exageradamente separados sabe de futuro brilhante? Pro inferno ele e o seu fabuloso futuro brilhante!

Os alto-falantes instalados em cada uma das salas soaram altos, enquanto aquela voz irritante discursava. Bocejei preguiçosamente, coçando os olhos com as costas das mãos. Resolvi não prestar atenção àquele velho ranzinza sem senso de moda. Apanhei o meu estojo, separando as canetas coloridas, para desenhar na ultima folha do meu caderno.

Os meus olhos passearam pela sala, observando os meus colegas entediados, tão interessados no que o senhor Filthy tinha a declarar, quanto eu. Rabisquei um desenho estupidamente tosco, enquanto apoiava a minha cabeça na outra mão. Bocejei outra vez, adivinhando que o discurso do velho chegava aos seus minutos finais:

-... E para operar essa missão, foi convocado um aluno de cada uma das classes. Então por gentileza, senhores Thomas Fletcher, Dougie Poynter, Harold Judd, Daniel Jones e Mike Petterson, e senhoritas Thais Keuffer, Jessyca Ambroglle, Mariana Reis e Soane Campos, dirijam-se a minha sala logo após o sinal do intervalo.

Arregalei os olhos em descrença, enquanto a voz dele ficava distante aos meus ouvidos. Mas para que raios era aquela convocação?

Encarei todos a minha volta surpresa, sentindo os olhares voltados em mim, enquanto recebia sorrisinhos descarados dos meus colegas cretinamente pilantras. Cacete! O que eu havia perdido afinal?

Não martirizei-me demais tentando descobrir no entanto, já que segundos depois o sinal tocou, anunciando o final daquela aula.

Levantei-me apressada, empilhando os livros desajeitadamente no braço esquerdo, e andei rapidamente em direção à porta. Entretanto algo chocou-se fortemente ao meu corpo, e acabei sendo impulsionada para trás, enquanto desequilibrava-me assustada. Por sorte consegui apoiar-me no vão da porta, ou certamente as minhas pernas cederiam, até que eu tivesse um contato direto com o chão.

Respirei profundamente, agarrando os livros com mais força, por conta da surpresa inicial, e encarei a pessoa que parecia igualmente atordoado a mim.

-Me desculpa Soka. — Harry falou com aquele tom de calmaria, que todos já conheciam perfeitamente, rompendo em uma gargalhada em seguida. Tive que rir também. Inacreditável como ele poderia ser atrapalhado, de vez enquando.

-Te desculpo se você me contar o motivo da sua pressa. — Respondi dando-lhe as costas, e caminhando em direção à mesa dos professores, onde encostei-me de forma relaxada. Ele olhou para mim sorrindo, coçando a nuca em ato de timidez.

-Estava procurando por alguém que me explicasse o motivo da convocação na sala do diretor Filthy. Pelo que eu saiba, essa semana ainda não infringimos regra alguma. Ainda! — ele deu ênfase à última palavra e eu ri.

-Ao menos eu não sou a única que estou perdida quanto a tal convocação. — dei de ombros. -Mas é estranho que você tenha parado bem desse lado do corredor, ao invés de seguir no outro extremo, onde está a sala do Danny. Eu achei que ele fosse o seu melhor amigo.

-Mas ele é! Acontece que o Danny anda estranho esses dias. Acho que ele precisa de um momento consigo mesmo.

-Então ele também está estranho? — perguntei curiosa.

-Tem mais alguém além dele? — assenti calorosamente tentando raciocinar.

-A Mari. O estranho é que eu não tenho visto os dois juntos como antes. Tem momentos em que eu chego a pensar que eles andam se evitando. Paranóia minha é claro. — sacudi as mãos no ar dando de ombros.

-Então trate de me internar também, já que eu jurei ter notado o mesmo que você.

Encaramo-nos por alguns longos segundos, tentando ter uma análise clara dos fatos.

-Será que...? — Harry não terminou a pergunta, mas eu havia entendido perfeitamente o que ele queria dizer.

-Não! — respondemos em uníssono, rindo nervosamente. Quer dizer, a Mari e o Danny? Não podia ser, julgando que até algum tempo atrás eles eram quase como irmãos.

-Bom, eles são homem e mulher Harry... — observei calmamente.

-É mesmo Soka? Eu nem havia notado! — ele respondeu ironicamente e eu ri. -Que tal uma investigação mais apurada detetive Campos? — ele pegou os livros do meu braço, puxando-me pela mão delicadamente.

-Proposta tentadora Sherlock Judd. — respondi rindo, entrelaçando o meu braço no que ele mantinha desocupado de livros, andando para a tal misteriosa reunião.

Caminhamos até a sala do diretor, combinando de ficarmos alerta, em qualquer pequeno sinal que levássemos a levantar ainda mais a bandeirinha da nossa suspeita.

Estávamos agora parados em frente à porta de madeira escura, onde nós já podíamos ouvir as vozes se misturarem em confusão do lado de dentro. Notei que havíamos conversado por tempo demais, e todos agora já se faziam presentes na sala do velho Filthy. Todos, menos eu e Harry.

Droga, uma bronca antes mesmo do começo da reunião! Pensei entre os meus botões.

Harry porém, parecia não se preocupar muito com isso, já que ele pronunciou-se antes de mim, batendo o seu grande punho fechado, seguidas vezes contra a porta, causando um barulho grave, enquanto todas as vozes dentro da sala calavam-se.

A porta abriu-se de imediato. Passamos por ela com oito pares de olhos voltados contra nós, e nos sentando no pequeno sofá vago, no lado oeste da mesa central, onde o diretor encontrava-se sentado na sua cadeira de couro combinando com a cor da grande porta.

Ele nos encarou, com os dedos entrelaçados em frente ao rosto rechonchudo, fazendo com que a mão ganhasse uma figura de revólver, e ergueu uma das sobrancelhas.

-Me parece que o romance está dominando essa pequena turma aqui, huh? Primeiro o senhor Jones e a senhorita Reis se atrasam, e chegam aqui misteriosamente juntos. — pude notar quando as bochechas da Mari ganharam um tom rosado e o Danny forçava-se para que o pequeno sorriso de canto que ele mantinha, não ganhasse toda a sua face. -E agora você senhorita Campos, e você senhor Judd. Deixo claro que não admito atrasos, pois a ótima educação de hoje o...

-...Futuro brilhante de amanhã! — nove vozes completaram sarcasticamente, rolando os olhos. Tive vontade de gargalhar, e percebi não ser a única.

-Exato! — Filthy continuou, olhando-nos desconfiado. -Bem, vamos tratar então da questão do porquê eu os chamei aqui. Como eu havia dito, vocês foram os sorteados para a campanha que teremos esse ano. Vocês vestirão a camisa dos mensageiros da alegria, e terão como missão entreter crianças com câncer de um hospital da cidade. O projeto vale até o final do ano, e todos vocês receberão nota extra por isso.

-Em que hospital? E quando começa? — Tom perguntou prestando atenção.

-O projeto começa daqui a duas semanas. Nós estamos conversando com o diretor geral de um dos hospitais, o seu pai Reis. — Ele dirigiu o olhar para a Mariana e continuou. -E ao que tudo indica, o projeto será realizado lá.

-Como trabalharemos? — notei Mike no canto da sala com a sua voz baixa, perguntar.

- O grupal seria o correto. Mas em certos casos vocês trabalharão em duplas. — ele respondeu, e percebi o momento em que Mike olhou consideravelmente para Mari. Talvez eu não fosse a única a perceber, já que o sorriso de Daniel, que ficara a mostra até aquele momento, dera lugar a uma máscara séria.

-Como vamos fazer duplas? Estamos em número ímpar diretor. — Harry falou ao meu lado, olhando para o restante de nós.

- Existe uma outra pessoa, que já trabalha com isso há algum tempo. Ela irá instruir vocês, ajudando-os no que for necessário.

Todos nós assentimos, e recebemos algumas instruções a mais. A reunião durou os dois últimos períodos inteiros, fazendo com que ficássemos zonzos com tantas precauções inúteis que o diretor insistia em transmitir. Estávamos todos completamente cientes de que trabalharíamos com crianças, e não com bonecos marionetes. Mas para dizer a verdade, eu sentia-me preocupada. É claro, eram crianças, com sonhos, inocências, sorrisos doces... Porém se tratavam de crianças mais do que especiais.

E eu tinha receio do que viria a seguir.

O diretor finalmente havia nos liberado daquela tortura sufocante, num sem fim de informações. Caminhamos grupalmente em direção a porta, encontrando um corredor quase vazio, sinal de que havíamos estados confinados naquela pequena sala, por mais tempo do que o necessário. Caminhei ao lado da Mari, conversando coisas sem sentido, logo atrás do Harry e do Danny, que riam de alguma piada de baixo calão. No entanto algo fez com que a Mari parasse de andar.

Observei de canto de olho, a palma da sua mão sendo encoberta por grandes mãos, perfeitamente másculas. Parei de caminhar ao seu lado, e algo no ambiente de repente mudara.

Daniel olhou para trás, percebendo Mike puxando Mari para o canto, onde ficavam localizados os armários. Toda a risada anteriormente ecoada pelo corredor cessou, dando lugar a um silêncio assustador. Os punhos de Daniel fecharam-se ao lado do seu corpo, e pude notar as dobras dos seus dedos brancas, devido a brutalidade da força. Harry e eu acompanhamos a cor avermelhada que fora aos poucos dominando a sua face, causando nele uma expressão intimidadora. Pude mentalizar intimamente a cena de Daniel socando o rosto perfeitamente gracioso de Mike Petterson, enquanto o segundo implorava choroso para que tivesse um pouco de piedade da sua vida.

Não fora o que aconteceu, no entanto. Daniel olhou à distância, o dedo indicador de Mike, deslizando pela lateral do braço direito de Mariana — que eu podia jurar está constrangida com tamanha situação — em movimentos sincronizados num carinho íntimo.

Virou as costas rapidamente, e saiu, sem despedir-se de nós, ou dizer uma só palavra sobre aquilo. Harry e eu ficamos parados nos corredor, acompanhando as enormes passadas de Daniel até a porta flex way, empurrando-a com uma força sinistra, fazendo com que o vai-e-vem dela perdurasse por mais tempo do que o comum. Virei a cabeça rapidamente, olhando para a extremidade oposta à que Danny havia saindo segundos atrás, e notei o semblante da minha amiga, cheio de culpa e mágoa consigo mesma.

Naquele instante Harry e eu desistimos da tentativa de investigar algo relacionado a eles. Não precisávamos, afinal! Aquele episódio para ambos nós fora constrangedor e... esclarecedor.

Notas finais
P.S: Flex way pra quem não sabe, é aqueles tipos de portas flexiveis. Que você empurra, e ela volta. Porta "vai-e-vem".Bom meninas, eu queria poder me desculpar, por todo o tempo em que fiquei sem vir aqui e postar algo. E queria realmente poder dizer que algum fator foi culpado por isso, mas... Eu estaria sendo hipócrita, ridícula e mentirosa. O fato é que nunca mais postei, por não está afim mesmo, não por algum motivo específico.Acontece que a somewhere, so foi escrita até o capítulo 7 (o próximo) e após isso me deu um super bloqueio de idéias. Não consigo sentar, abrir o arquivo e continuar. :/ E isso me deixa frustrada. Tipo, deixar algo interminável. Não, jamais!Só que por agora, não está dando REALMENTE pra escrever. Um dia desses parei para ler a somewhere, e achei ela tão clichê (amo clichês, mas as vezes enxe o saco) e os planos que eu tinha para o futuro da história, deixaria ela um tanto "normal demais". Como aquelas historinhas previsíveis, onde todo mundo sabe de cara o vilão, o mocinho, os casais e o final, num click.É, não quero isso. Quero surpreender. Por isso me dêem um desconto para que eu pense, repense, re-repense, e escreva algo "postável" "tolerável" "amável" e "fodável" algo que agrade ambas as partes: a mim e a vocês, certo? Mil desculpas denovo amores. Aliás, alguem lê isso aqui, a não ser a Jéh? AHAHAHAHAHAHAHAHAHA eu tenho as minhas dúvidas hein? Quem tiver twitter, e quiser conversar comigo: @MaReissJuro que sou legal e não mordo... tecnicamente... Tá legal, eu menti... eu mordo! nhaaaaaccccccc! SHUIAHSIHAISHIUAHISHUIAHSUIHAISHUIAHS dãããã.Fiquem na paz. xx.Maah
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.