Notas iniciais
enjoy (:

5° capitulo

Danny's POV

Eram como flashs vindo à minha memória, eu lembrava tudo, e sentia mais repulsa de mim a cada instante.

Eu tentei não sentir absolutamente nada naquele beijo. Tentei pensar que o momento fora o motivo de tudo. Tentei culpar as garotas com quem eu saía, por não saberem me satisfazer do jeito que eu quero.

Mas nada era cabível, nem exato, e nenhum argumento conseguiu driblar-me da minha própria culpa em tudo isso.

Nada conseguia tirar a Mariana da minha cabeça!

Era quase como uma blasfêmia enxerga-lá como uma mulher, quando sempre, para mim, ela havia sido só uma amiga.

Era muito mais do que isso, era a melhor, a que eu super-protegia, que me fazia tremer de ciúmes quando algum garoto mostrava interesse repentino, a que sempre era a primeira a ouvir as minhas composições e melodias, a que tinha expressões notáveis e um jeito simpático... Mas não passava disso para mim.

Não, até aquela porra de beijo.

Pisquei os olhos algumas vezes, e resolvi continuar a minha caminhada pelo bairro. Eu já estava furiosamente esgotado de tudo aquilo. Uma semana, uma maldita semana desde o ocorrido, e eu me submetia ao ridículo desejando mais.

Coloquei as mãos geladas nos bolsos da calça. Talvez o frio começasse a dar os primeiros sinais da sua chegada, ou talvez só fosse uma amostra do quanto eu estava nervoso.

Caminhei lentamente, pisando nos intervalos que haviam de um asfalto para o outro. Droga! Aquilo era o que ela fazia, era uma das suas manias. Eu sempre havia achado algo tolo. E agora agia como um idiota.

O celular vibrou sob minha mão esquerda, puxei-o do bolso, e levei-o ao ouvido, sem verificar quem era.

-Alô? — minha voz soou carrancuda até mesmo aos meus próprios ouvidos.

-Danny...- de repente, as minhas mãos começaram a soar, enquanto o meu coração pulsava descompassado. -Sou eu, a Mari... Eu... Bem... Eu... Me desculpa ter te ligado... Mas eu preciso de... Olha Danny esquece tá? Eu me viro... — Ela cuspiu as palavras com uma rapidez nervosa, enquanto eu não emitia som algum. -Acho. -completou, dizendo a ultima palavra num sussurro.

-Calma Mari, o que houve? — consegui formular aquela pergunta, mostrando-me falsamente natural. Alguém precisa me presentear com uma estatueta do Oscar.

-Bom, então... A senhora Donally pediu para que eu alimentasse o gato dela, Nugget, para que ela fizesse uma viagem urgente de três dias. Ela me passou os horários e tudo estava certo. Mas quando eu abri a casa para colocar a primeira refeição do bichano, ele fugiu como uma rajada de vento Danny. — a Mari disse isso com pânico na voz, tive vontade de rir, mas me controlei. -Quando eu aceitei ajudar a senhora Donally, eu achei que cuidaria de um gato, não de um mafioso incorporado. — ri baixinho, achando graça do modo exagerado dela.

-Certo. Onde você está agora? — Perguntei, girando nos calcanhares, indo na direção do prédio em que morávamos.

-Sentada na bancada da cozinha da senhora Donally. — Imaginei se os ombros da Mari haviam sacudido-se, enquanto ela respondia essa frase de forma simples, e sorri.

-Ok, não sai dai.

Desliguei o aparelho, e andei com passadas longas apressadamente para que chegasse rápido ao edifício.

Não houve tempo de pensar em como agir na sua presença. Depois de uma semana de desencontros propositais, finalmente eu ficaria frente-a-frente com a Mariana, e aquilo assustava-me de modo incômodo.

Cheguei ao prédio minutos depois, e tomei o elevador, pressionando o pequeno botão em formato de círculo, que indicava o último andar. Meu coração palpitava à medida que a luz alaranjada acionada por mim pulava de botão em botão.

Calma cara, é a Mari, apenas a Mari lembra? É a sua baixinha!

Comecei a estalar os dedos nervosamente, ouvindo apenas o barulho do meu pé direito que batia compulsivamente no chão, sendo ecoado.

Nono andar... Décimo andar... Puta que pariu! O que ta acontecendo comigo?

Fechei os olhos, e passei as mãos pela extensão dos meus cabelos, bagunçando-os em desleixo. Tentei imaginar o que diria para ela, quando finalmente estivéssemos juntos.

-Oi Mari. -ensaiei de forma entusiasmada, imaginando-a em minha frente enquanto eu sorria. — Não Daniel, muito feliz! -Entortei a boca coçando o queixo enquanto pensava. -Hei baixinha, como você está? — encenei de forma doce. -Não cara, muito gay. — respondi para mim mesmo. -Que tal, Oi Mariana, e ai? — tentei de forma indiferente, percebendo que as portas do elevador começavam a deslizar para lados opostos, abrindo-se lentamente, e revelando o motivo que fazia-me parecer um completo pateta.

-Oi -respondi simplesmente, enquanto ela sorria timidamente, olhando para as mãos.

-Oi Danny.

Observei o seu olhar baixo, sob aqueles grandes cílios, graciosamente curvados para cima. As suas bochechas rosadas denunciando o quão envergonhada ela estava. Sorri internamente, reprimindo a grande vontade de tomá-la em meus braços, e afagar-lhe os cabelos macios.

Eu ainda encontrava-me dentro da cabine do elevador, petrificado como uma estátua humana. Resolvi então, tomar uma atitude, forçando as minhas pernas a dar o primeiro passo, em direção a Mari.

O rosto dela ergueu-se, ao perceber a minha presença de repente tão próxima. Os seus olhos brilhavam, prendendo-me tão intimamente, que era quase inevitável fugir. Entretanto, esses não eram os meus planos. Eu não pretendia fugir, eu só queria poder desvendá-los.

Que ironia! A presença da Mariana era tão constante na minha vida, tive tanto tempo para descobrir os seus sonhos e desejos mais íntimos, mas só agora o interesse parecia querer dominar-me.

Apertei as minhas mãos em punho, tentando afastar os meus pensamentos, percebendo que havia ficado tempo demais perdido neles. O olhar de Mariana continuava a espionar-me com interesse. Ao certo ela percebera a minha grandiosa evolução, de enorme pateta para enorme idiota. Bufei baixinho, tomando-lhe a mão esquerda, e puxei-a até a escadaria quase inutilizável, na extremidade leste do prédio.

-Espera Daniel! — Mari paralizou-se no mesmo lugar, prendendo sua mão firmemente na minha. -Eu não vou há lugar algum. Temos que procurar o Nugget Danny.

-Vem comigo Mari, confia em mim baixinha! — ela observou-me por alguns longos segundos, proferindo coisas sem sentindo em seguida, e deixando-me guia-la até as escadas.

Subimos os degraus rapidamente, encontrando-nos em frente àquela porta de uma cor vermelha desbotada — já intimamente conhecida por mim — que havia no final do lance de escadas. Empurrei-a enquanto um rangido da sua antiga ferrugem era ecoado, e dei caminho para que a Mari saísse em minha frente. Ali era a passagem para o terraço. Um lugar particular meu, onde muitas vezes surgiam as grandes inspirações para letras de canções da minha banda.

Já citei que tenho uma banda? Pois bem, eu tenho! E é uma das poucas coisas em que realmente me importo no mundo. Nós ainda não temos nome, nem mesmo temos fãns ou status. Não temos pressa no final das contas. O tempo se encarregará de tudo no seu período exato, e eu creio que ainda brilharemos como os grandes rock stars.

Observei a Mari caminhar com passos curtos, notando a paisagem à sua frente, parecendo completamente encantada. As luzes Londrinas dominavam as ruas e casas que os nossos olhos alcançavam dali, como um espetáculo particular.

Sentei-me em uma pequena elevação cimentada, sentindo algo peludo roçar-me o braço. Olhei para o lado encontrando um Nugget preguiçosamente manhoso, levando a sua pequena pata até a minha mão, passando-a vezes seguidas em pequenas arranhadas, num pedido de carinho.

Sorri e o acariciei na barriga, vendo-o deitasse com as patas para cima, tremendo-as a cada instante em que minha mão fazia círculos no seu pêlo quentinho.

-Então você está ai seu malandro? — A voz da Mari ganhou um tou engraçado enquanto ela tentava parecer séria. O gato rosnou de uma forma fofinha. Que gay! -E não vem querer me dobrar com esse seu jeitinho lindo não. Você trapaceou gato mafioso de uma figa.

Eu ri pegando o pequeno animal no colo, e levantando-me do chão.

-Vou levá-lo para a casa da senhora Donally, e já volto, está bem baixinha?

A Mari assentiu, entregando-me as chaves para que eu trancasse a casa ao sair.

Deixei um Nugget sonolento, totalmente entregue ao calor reconfortante do tapete felpudo, e sai da casa da senhora Donally. No entanto, não subi direto ao terraço. Precisava pegar algo antes, precisava me distrair.

Entrei e sai de casa rapidamente, passando pela sala onde os meus pais assistiam a algum filme de ação, totalmente vidrados. Eles sequer haviam notado a minha presença.

Aposto que se um cometa caísse em um raio de distância de dez metros, eles nem mesmo iriam ouvir! Pensei sacudindo a cabeça, e voltando para o terraço com o meu violão, encontrando a Mariana sentada na pequena elevação, onde minutos antes eu havia estado. Ela virou-se ao notar a minha presença e sorriu.

-Fazia tempo que não te via tocar o carvão. — Carvão! Era estranho o modo como a Mari costumava apelidar coisas supérfluas, como objetos.

-Hoje então, irei tocar a sua música predileta. — respondi sentando-me ao seu lado, passando a alça do violão sobre minha cabeça, firmando-a ao ombro.

-Aposto que você não sabe qual é! — ela me desafiou com um sorriso nos lábios. A encarei com um sorriso que foi desmanchando-se à medida que eu completava aquela frase:

-Aposto que não existe pessoa no mundo que te conheça mais do que eu.

Nos encaramos por intermináveis segundos, e apenas quando me dei conta do que poderia acontecer em seguida, comecei a dedilhar os acordes da canção favorita da Mari.

She's a good girl, loves her mama

Ela é uma boa garota, ama sua mãe
Loves Jesus and America too

Ama Jesus e a América também


She's a good girl, crazy 'bout Elvis

Ela é uma boa garota, louca pelo Elvis

Loves horses and her boyfriend too

Ama cavalos e o seu namorado também

It's a long day living in Reseda

É um longo dia vivendo em Reseda

There's a freeway runnin' through the yard
Há uma estrada em direção ao pátio

And I'm a bad boy cos I don't even miss her
E eu sou um cara mau porque não senti a falta dela
mesmo

I'm a bad boy for breakin' her heart
Eu sou um cara mau por quebrar o coração dela

Os lábios dela mexiam-se de uma forma convidativa, enquanto ela cantava a canção num sussurro inaudível. Sorri olhando-a, notando o seu rubor quase instantâneo. Ela era a minha boa garota.

And I'm free, free fallin'

E eu estou livre, caindo livremente

Yeah I'm free, free fallin'
Sim eu estou livre, caindo livremente


All the vampires walkin' through the valley

Todos os vampiros caminhando para o vale
Move west down Ventura Boulevard

Indo para o oeste de Ventura Boulevard
And all the bad boys are standing in the shadows

Todos os caras maus estão permanecendo nas sombras
All the good girls are home with broken hearts

Todas as garotas boas estão em casa com seus corações
quebrados

And I'm free, free fallin'

E eu estou livre, caindo livremente

Yeah I'm free, free fallin'
Sim eu estou livre, caindo livremente

I wanna glide down over Mulholland

Eu quero deslizar até Mulholland
I wanna write her name in the sky

Eu quero escrever o nome dela no céu
Gonna free fall out into nothin'

Quero cair livremente pro nada
Gonna leave this world for a while

Quero deixar esse mundo por enquanto



Dedilhei as últimas notas da canção, retirando a alça do ombro, e deixando o violão repousado no meu colo. Mari cruzou as mãos, apoiando o queixo sobre elas, enquanto encarava-me com um sorriso encantador. Peguei uma das mechas do seu cabelo, puxando-a delicadamente em um ato de brincadeira, fazendo-a rir.

-Como você sabia? Digo, que o Nugget estaria aqui?

-O Nugget é um velho parceiro! — sorri passando levemento o dedo indicador, sobre a sexta corda do violão. Ela arqueou a sobrancelha encarando-me e eu ri. -Esquece baixinha! Vem, vamos entrar. Amanhã temos aula. — peguei impulso levantando-me, estendendo a mão em seguida para ajudá-la a ficar de pé.

-Obrigada por me lembrar Daniel. -ela ironizou rindo, passando levemente as mãos na parte de trás da calça, limpando-a. Passei o braço sobre os seus ombros, dando-lhe um beijo estalado na bochecha, e caminhamos lentamente em direção ao prédio.

Eu não era nenhum tipo de medium, mas já podia sentir :amanhã, o dia seria uma merda!

Notas finais
N/A.:Oii pessoinhas (: Como estão vocês amonchitas? (ou amonchitos caso algum garoto leia isso daqui HSUAHSUAUSH)... Bom, eu dei uma sumida daqui certo? Sem motivo algum no final das contas. Acho que é bom da uma escapada as vezes certo? -NNNNNNNNNNNNNNNNOT SHUAHSUAHSUHAUHSUAHUSAUHS'Hoje não estou afim de fazer uma N/A grande (: A única coisa que farei é divulgar uma outra fic minha... Ela só tem 2 capítulos, e está sendo postada nesse link aqui:http://mareeis.zip.net/fic_enchantment.htmlQuero pedir para que POR FAVOR, por favor, caso alguem leia a minha outra fic (a do link) "Enchantment" que COMENTE.Eu preciso saber o que estão achando, PRINCIPALMENTE sobre ela, que é a minha grande fiction bebe-chuchu-amassada!A música do capítulo de hoje se chama free falling do John Mayer (meu grande big master John *-*) qualquer dúvida, é fácil, só digitar no youtube o nome da música e o artista e vai aparecer lá de cara, caso vocês queiram ouvir (aham, estou ensinando como vocês acham um vídeo no youtube ¬¬ mematem HSUAHUSHAUHSASUHUHSU)Sem mais!xx, peas.Maah