Somewhere I Belong
1 Prólogo
Notas iniciais
Espero que gostem.
Uma chamada no Skype. Uma jogada de cabelo dela, um sorriso gostoso. E eu tento retribuir, mas falho. Olho aqueles olhos preocupados, aquela menina tímida pronta pra perguntar, mas só digo:
- Fale amenidades. Não pergunte, não questione, não tente me confortar.
Ela suspira.
- Guilherme pediu pra voltar.
Meu coração aperta, e eu fico nervoso, sinto vontade de chorar. É perfeito pra completar meu dia bosta, e toco a tela do meu computador, fazendo carinho no rosto que eu ainda tenho que esperar um dia pra ver pessoalmente, mas que provavelmente pertencerá a outro.
- Eu não vou voltar com ele, Nael. Eu não gosto dele, ele é grosseiro. – ela respira fundo e faz o que eu temia. – Desculpa, Na, mas eu tenho que perguntar. O que houve?
Eu desabo. Só ela sabe como me fazer falar assim.
- É ela. Eu não sei mais o que fazer. Ela me chamou de Geraldo cinco vezes hoje, e negou que eu fosse filho dela. Ela diz que um ser “miserável” como ela jamais poderia ter concebido uma pessoa tão boa como eu. Pê, não tá dando. Eu não aguento mais. Ela se cortou hoje. E eu já não sei mai— eu provavelmente continuaria falando merda, mas ela me interrompe:
- Natanael, eu te amo. – e me olha séria.
Eu coro. Ela jamais tinha dito com todas as letras.
- Eu te amo, e você não vai se entregar pra depressão. Por mim. Não faz isso comigo. – o lábio dela treme. – Canta pra mim?
- Com uma condição: você canta pra mim depois.
- Canto.
Pego meu violão, dedilho para ver se ele tá afinado, e começo a tocar baixinho. Deixo as notas pairando no ar, pois eu, como o cabeção que sou, escolhi uma música que 70% é rap. Porém logo chego no refrão e canto grave:
- I wanna heal, I wanna feel, what I thought was never real. I wanna let go of the pain I've held so long. – ouço Pê sussurrar “erase all the pain till it's gone” - I wanna heal, I wanna feel, like I'm close to something real, I want to find something I've wanted all along… Somewhere I belong.
Olho pra ela, com vergonha e peço pra ela cantar, já que eu não estava produtivo. Ela, com aquela voz fina e fofa, aquelas bochechas vermelhas, os cachinhos, tudo aquilo, quebrou minha resistência com um refrão.
- Lights will guide you home, and ignite your bones, and I will try to fix you.
Eu me pus a chorar. Simplesmente não deu.
Meu Deus, odeio minha vida.
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