Notas iniciais
Um capítulo bem grandinho pra vcs, amores E, como prometido: TRETA IS COOOOMING Fiquem no suspense com esse final tuts tuts

– Posso te pedir uma coisa?

Nico olhava para mim, deitado na cama da enfermaria.

– Pode falar.

Ele se remexeu, inconfortável. Pousou suas mãos em seu colo e respondeu olhando para elas.

– Não aguento mais ficar aqui. Caramba. O céu está azul, o dia está lindo e temos até um lago aqui... mas eu não posso nem ir lá fora. Sabe, conhecer o Acampamento, dar um mergulho, ler à sombra de uma árvore... Será que não posso sair daqui? Quer dizer, meu coração não vai simplesmente parar só porque eu dei um passo.

Dei um sorriso.

– Eu jurava que você queria ficar aqui a vida toda. Sabe... sozinho.

Ele ruborizou.

– E eu quero ficar sozinho... mas não aqui.

Levantei-me, com a intenção de ir até a porta.

– Ok. Vou ver o que posso fazer.

Esboçou um sorriso tímido, agradecido.

Fui em direção à sala do Senhor D., onde imaginei que Quíron estaria.

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Estava à frente da porta. Preparado para bater na madeira e esperar permissão para entrar, parei, quando ouvi uma conversa.

– Não podemos deixar que isso aconteça! Estamos em perigo... novamente. – o homem que eu julguei ser Dioniso bateu, com os punhos, em sua mesa. – Quíron. Será que ao menos você pode me explicar o porquê de estarmos sempre afundados em merda? Basta resolvermos um problema que outro já aparece. Não aguento mais.

– Por favor, Dioniso – advertiu Quíron. – Não se esqueça de Hades. Está colocando as suas prioridades na frente do bem do mundo inteiro... e do Deus.

Ele suspirou. Depois de um tempo, disse:

– Não sei como isso pôde acontecer. O Deus do mundo subterrâneo preso no próprio...

– Um minuto, Quíron – interrompeu Dioniso. – Há alguém na porta.

Passos deslocaram-se em minha direção, e aporta foi escancarada em um repente.

– Percy. O que veio fazer aqui?

Quíron observou-me no alto de seus quase dois metros de comprimento, em sua forma de centauro.

– Eu, ãhn, vim pedir... algo. É sobre Nico.

Ele franziu a testa. Limpei a garganta e continuei.

– Ele quer saber se pode sair da enfermaria. Não digo ter alta, mas poder ir... você sabe... poder sair por algum tempo.

– Compreendo. Verei o que posso fazer quanto ao fato de Nico ter alta. Mas, inicialmente, ele pode dar uma volta pelo Acampamento. Seu quadro melhorou bastante, posso dizer.

Sorri, pronto para dizer obrigado e sair. Então, Quíron falou:

– Mas que seja uma volta rápida, se quiserem caminhar. Ou parem para descansar em curtos períodos de tempo. O veneno da Manticore ainda não foi totalmente curado, você sabe.

– Obrigado, Quíron...

Ele sorriu, mas o sorriso parecia falso. Ele parecia sorrir por obrigação, e não por sinceridade.

– Agora tenho que ir. Cuide-se.

Ele voltou para a sala e fechou a porta atrás de si.

– Perseus é tão burro que nem percebe o quanto de barulho que faz quando tenta passar por despercebido – ouvi Quíron resmungar, e depois rir alto.

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– O que você ainda está fazendo aí? – perguntei, escorado à porta da enfermaria.

Nico virou-se para mim, assustado. Não havia percebido que eu estava ali. Seu rosto assumiu uma expressão confusa.

– Fui falar com Quíron – expliquei. – Ele te liberou para sair desse inferno por um tempo.

– Você está brincando.

– Não. Agora, levante-se, seu preguiçoso.

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– Para onde estamos indo, Perseus?

– Para o bunker. Preciso te apresentar um amigo. Acho que você vai gostar dele.

Ele gelou.

– Não quero conhecer ninguém.

– Mas... – protestei.

–Ninguém, Perseus.

– Mas vai conhecer, sim. Não pode se isolar a vida toda.

– Posso facilmente voltar para aquela cama confortável em segundos – ele disse, ignorando meu argumento anterior.

Dei de ombros, irritado.

– Na verdade, quem sai perdendo é você. – suspirei. – OK. Fique aqui então. Vou dar uma passada no chalé de Hermes. Acho que você já tem idade suficiente para saber que não deve ultrapassar seus limites, já que ainda não está curado e...

– Obrigado, papai. Mas eu me viro bem sozinho.

Virou as costas para mim e foi andando em direção ao lago.

Mal-agradecido, pensei. Mas a minha raiva rapidamente se dissolveu em admiração. Aquele garoto me deixava louco.

Claro, Percy. Ele te deixa louco... como amigo, tentei convencer a mim mesmo. Mas aquilo não foi suficiente.

O que está acontecendo com você?! Concentre-se em... Annabeth.

Mas nem Annabeth conseguia me fazer parar de pensar em inúmeras possibilidades que nem eram tão possíveis assim.

– Hey, Percy! O que está fazendo aí?

Virei-me em direção à voz.

– Ahn... oi, Jason. A vista é bonita aqui, não acha? Eu... estava olhando a paisagem.

Ele fez uma careta.

– Um monte de árvores?

– É... sei lá, eu gosto.

– Hum, sei. Só vim aqui pra avisar que hoje de noite vai ter a Fogueira. – ele deu uma piscadela. – Se é que me entende. Annabeth disse que vai estar lá, e, se me permite dizer, ela parecia bastante animadinha.

Sorri, tentando parecer animado – mas, na verdade, eu não estava nem aí.

Vamos lá, cara. É uma chance de esquecer tudo, ao menos por um tempo.

Então, meu sorriso se alargou.

– Jason – disse. – Pode confirmar minha presença.

Ele sorriu, quase tanto quanto eu.

– Até que enfim voltou ao normal! Você estava tão estranho, cara. Enfim, vou lá avisar o chalé de Hermes.

– Não precisa. Eu já estava indo pra lá agora e...

– Que nada. Vá convidar aquele cara novo aqui. Como é o nome dele, mesmo?

Merda. Por que falou nele, Jason?

– Ahn... Nico. Mas, sabe, ele gosta de ficar sozinho, não sei se ele vai querer ir.

Ele riu.

– Ora, quem não gosta de festa? Convide-o mesmo assim. Vai que na hora ele largue a timidez e pegue alguém, hein?

Como não respondi, ele continuou:

– Ok... então eu já estou indo pro chalé de Hermes. Nos vemos depois, e vê se fala com esse garoto sobre a festa, valeu?

Concordei com um aceno de cabeça.

– ... Ok.

Ele saiu em direção aos chalés. O clima, de repente, pareceu congelar uns cinco graus, então botei minhas mãos nos bolsos de minha jaqueta, e saí em direção aos Campos de Morangos. Eu estava certo de que Nico recusaria minha proposta de uma ida à Fogueira.

A Fogueira era, basicamente, a festa que fazíamos três vezes por ano – uma vez, em janeiro, para quem chegava, por causa das férias escolares. Essa era a mais frequentada; a segunda vez era no meio do ano, para quem continuava no Acampamento apesar da escola; e a terceira, em dezembro, era para fechar o ano com chave de ouro.

Todos se animavam para isso, e a semana que antecipava o evento era repleta por pessoas correndo para todos os lados com marshmallows, bebidas, faixas, e até fogos de artifício.

Eu não era uma exceção. Quando falavam sobre a Fogueira, eu já me animava por completo e pensava na noite de curtição que teria – com Annabeth, é claro. Mas agora eu não estava feliz, quanto mais animado.

Estava percorrendo os Campos, e o avistei: Nico estava sentado, no mesmo banco em que eu sempre amava sentar-me, olhando para o horizonte. Eu daria de tudo para saber no que ele estava pensando.

– Nico! – gritei, um pouco longe demais para falar com ele em tom de voz normal. Eu estava com muita preguiça de ir até lá, e imaginei que ele viria até mim. Mas ele não se moveu um centímetro sequer.

Puto da cara por ter que ir até ele, caminhei até o banco e sentei-me ao seu lado.

– Nico... sabe, tem uma festa, todos anos. A gente chama de “Fogueira”. Você poderia ir.

Ainda olhando para longe, ele respondeu:

– Só me responda uma coisa: se eu for, você para de torrar minha paciência com esse negócio de festas e ficar conhecendo pessoas?

– Ok, ok. Eu paro. Mas é estúpido ficar se isolando quando tem tanta gente legal pra conhecer e tudo mais.

Ele revirou os olhos.

– Por que você sempre tem que vir com uma lição de moral pra cima de mim? E, respondendo à sua pergunta... se for assim, eu vou nessa merda de festa, então. Satisfeito?

Não pude deixar de sorrir.

– Muito.

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– Ajude aqui, fdp! – chamou Patrick.

– Há-há. Vocês nunca se cansam desse trocadilho?

Ele riu.

– Quando temos um amigo como você, vale a pena fazer essa piadinha. Não é sempre que temos alguma frase que tem sentido e que pode substituir a sigla de filho da puta e tudo mais. Mas, se prefere, eu te chamo de Filho De Poseidon mesmo. Só não tem graça.

– Há-há. Vou te chamar de fdh, então.

– Mas que merda! Pare de tentar ser engraçado e me ajude aqui. Você não é filho de Hermes para ser engraçado, entenda. E esse sofá está muito pesado.

Corri para ajuda-lo a levantar o sofá. Posicionamos ele no lugar e saímos.

– Soube que você ia convidar aquele garoto novo e antissocial pra festa – ele disse.

– É. O Jason meio que me obrigou. Sabe como ele é, sempre querendo mandar. Ele se esquece que não está no acampamento dele.

– Sei, sei. Mas... ele vai vir?

– Acredite se quiser, mas vai.

– Ok, eu acredito. Mas vou ter que inventar piadas novas pra aplicar em um cara que nunca ri. Merda.

– Você é filho de Hermes. Querendo ou não, sempre arruma piadas novas... só não sei se ele vai rir.

Ele fez beicinho, fingindo estar triste.

– Está dizendo que é possível não rir na minha presença?

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Entrei na enfermaria. Como sempre, Nico estava vestindo sua blusa preta, seu casaco de aviador e seus jeans escuros. Esperava sentado na cama, vagando em seus próprios pensamentos. Seus coturnos jaziam no chão, intocados. Seu cabelo estava bagunçado, e as olheiras debaixo de seus olhos estavam extremamente profundas. Não sabia o que dizer para avisar que a festa estava prestes a começar. Então, Nico foi mais rápido e respondeu à pergunta que eu nem mesmo havia feito.

– Já estou indo – disse ele, levantando-se da cama e calçando os coturnos. – Se quiser, já pode ir para a festa... acho que sei o caminho.

– Exatamente: você acha. Eu espero, tudo bem.

Mas eu mal tinha acabado de falar, e Nico já estava de pé na minha frente.

– Vamos? – ele disse. – Estou morrendo de fome.

Saímos da enfermaria e caminhamos em direção à área dos chalés, que era onde a fogueira real era acesa. Nós nos sentávamos ao redor dela, e é aí que surgiu o nome da festa.

Tudo corria bem. Annabeth já estava à minha espera, e Jason deu as boas-vindas a Nico. Algumas pessoas olhavam para ele, curiosas. Pensavam em como nunca tinham visto aquele garoto no Acampamento antes.

Como eu disse: tudo corria bem – até aquela hora. Eu estava com Annabeth, quando olhei ao redor para ver se Nico estava se divertindo. Ele conversava com Jason, quando olhou para longe. Ele já era pálido, mas naquela hora ficou tão branco que parecia que iria desaparecer. Seus olhos se arregalaram, e o copo de refrigerante que ele segurava caiu no chão. Ele olhou para mim, e depois começou a correr, desesperado, em direção à floresta.

– Nico!

Desvencilhei-me do abraço de Annabeth e corri, tentando alcança-lo. Quando consegui, nós já estávamos tão longe da festa que não conseguíamos nem mais ouvir as vozes, as risadas e as músicas.

– Nico! O que houve?!

Ele estava ofegante. Escorou-se em uma árvore e, lentamente, foi escorregando até estar agachado, no chão. Pôs a cabeça entre as mãos, e começou a chorar, silenciosamente. Eu queria ajuda-lo, mas não sabia como.

– Eu sabia. EU SABIA! Eu não devia ter vindo, Perseus. Seu filho da puta, por que me fez vir?!

– Calma, Nico...

– Calma? Calma é o caralho! Eu o vi. Eu o vi, Perseus. O cara que destruiu minha vida. O cara que me obrigou a me isolar. E é pra ter calma, porra?!

Eu ia perguntar sobre quem ele estava falando. Mas, de repente, ele não estava mais lá.

Havia desaparecido, bem diante dos meus olhos.

Notas finais
OBS.: Patrick é um personagem original, pra quem ainda não leu hdo :3 Deixem seus reviews, gente