Something Wicked

1 Capítulo 01 - Erro de Criança


Notas iniciais
Se tiver algo errado no texto, por favor me avisem. Espero que gostem. Valeu!

Era a vez de Irene. A jovem ajeitou seus cabelos loiros e encaracolados e pegou a garrafa firmemente na mão direita. Estava muito nervosa. Ela encontrava-se sentada, numa sala espaçosa. Havia dois sofás perto dela e uma televisão desligada.

– Você não vai girar a garrafa? – perguntou Fabiana, sorrindo. Ela era uma garota alta, de cabelos castanhos claros e olhos bem escuros. Além disso, possuía um nariz arrebitado.

– É! – concordou Marcos. Este era caracterizado pelos cabelos curtos e encaracolados. Usava aparelho nos dentes e um boné verde bem chamativo. Seus tênis brilhavam a luz das velas que iluminavam o lugar.

Além deles, tinham mais três pessoas no lugar. Havia José e Cláudio, dois irmãos muito parecidos. A única diferença era a cor do cabelo. O de José escuro e Cláudio mais clarinho. Tinha até os olhos castanhos, quase verdes em comum. Também estava sentada, mais longe de Irene, uma garota sorridente. Era baixinha, cabelos escuros e ondulados até a cintura. Seu nome? Maíra.

– Tudo bem, calma! – disse Irene com a mão suada.

Ela colocou a garrafa de vidro no chão. Estavam todos em uma rodinha grande, com bom espaço para o objeto girar. Quando eles menos esperavam, as mãos de Irene movimentaram-se velozmente, fazendo a garrafa girar em círculos velozes.

Depois de alguns segundos de pura agonia, perceberam que o objeto parou e uma voz alta soou por toda a sala.

– Parou no José!

Todos sorriram menos Irene. Ela teria que beijar aquele traste de quem odiava. Fabiana caía na gargalhada quando os dois escolhidos se levantaram. José pegou nas mãos dela. Estava louco por aquele momento. Sempre gostou da garota, desde que entraram no colégio juntos, na primeira série.

Ninguém esperava. José aproximou-se com velocidade e começou a beijar a garota. Foi um selinho longo. Enquanto todos riam, Irene fechava os olhos. Estava gostando daquele momento. Pensava que José beijava mal e que era nojento, mas a situação mostrava o contrário. Quando Irene pôs seus braços na nuca do garoto, sentiu alguém a puxando pelas costas.

– Já chega pessoal? – perguntou Marcos, um pouco irritado pela demora de seus amigos. Os dois se desgrudaram e cada um sentou-se no seu respectivo lugar. Irene ficou mandando alguns olhares diferentes para José, que sempre retribuía.

– Quem é o próximo? – perguntou Irene, tentando não sorrir.

– Fabiana – respondeu Cláudio, se ajeitando ao lado do sofá.

Quando Irene percebeu, havia se desligado do grupo. Estava viajando em outro lugar, algo que sua mente havia produzido num sonho. Eram montanhas feitas de chocolate, que tinha várias balas como pedras. Além disso, um homem vinha dirigindo um carrinho feito de queijo. Irene sempre adorou comidas com queijo. A pizza sempre foi sua preferida.

– Ah ê! – gritou Maíra. Irene voltou exatamente neste momento. Cláudio e Fabiana se beijavam.

Depois disso, Cláudio não conseguiu segurar a felicidade. O jovem de treze anos havia namorado uma garota que nem dava bola para ele. Sua única namorada. Tinha ficado muito triste quando a mesma o largou. Então, começou a se interessar por Fabiana e agora ganhava um beijo dela.

– Agora sou eu! – exclamou Marcos sorrindo e pedindo aplausos.

Nenhum som foi ouvido, a não ser o jovem resmungando baixinho e girando a garrafa. Ela foi mais rápida do que nas giradas anteriores. Demorou algum tempo até conseguir parar e indicar que a próxima pessoa era Irene.

Os dois se encontraram. Irene sem processava direito o que acontecia. Quando percebeu, recebeu um beijo de Marcos. Não foi tão legal. Ela apressou-se a sentar em seu lugar, deixando o garoto com uma cara feia, irritado.

– Bem... o que acham de pararmos por aqui? – disse Fabiana, dando uma boa sugestão. Eles haviam feito bastante aquele jogo. No mesmo instante em que se levantaram, o pai de Maíra entrou pela porta da sala. Estava vestido com um terno velho e uma gravata cinza. Além disso, segurava uma maleta preta, cheia de documentos. Ele era advogado e iria para o seu caso mais importante naquela tarde. Foi até os garotos e garotas.

– Tenho que ir, Maíra. Se divirtam e... – falou ele, fazendo um suspense, – ...não façam nada que eu não faria. Marta está no banho. – terminou. Risadinhas puderam ser ouvidas vindas de Fabiana e Irene que agora estavam lado a lado.

Quando o homem careca e alto saiu, levantando a maleta para que Tobi, o cachorro da família, não a mordesse.

– E então o que vamos fazer? – perguntou Irene, vendo que não estava sendo bem vista por José. O mesmo tinha ficado com ciúmes do beijo entre ela e Marcos.

– Sei lá – disse Cláudio.

– Que tal se... contarmos histórias de terror? – indagou Maíra, com um olhar vidrado em seus amigos. As outras garotas afirmaram que não queriam, mas os três meninos concordaram.

– Ah, vamos! Vai ser divertido! – exclamou José, tentando não olhar para Irene.

– Tudo bem... – cedeu a garota, olhando para Fabiana, que ajeitava os cabelos, preocupada.

– Sabe... meu primo estava com seus amigos uma vez... – explicou ela, tendo a atenção de todos, – numa lenda sobre um assassino mascarado. No dia seguinte, invadiram a casa dele e um homem mascarado matou meu primo e minha tia.

Todos ficaram boquiabertos. Ninguém conseguia acreditar na tragédia da família de Fabiana. Será que ela estaria mentindo? Eles não acreditavam nesta possibilidade. A garota com corpo de modelo movimentou-se pela sala. Os raios de sol invadiam o local pela janela. Havia uma escada ali perto, que dava nos quartos e banheiros. A cozinha ficava além da escada.

– Você acha que vai acontecer a mesma coisa com a gente? – riu-se Cláudio, tentando esconder o nervosismo.

– Sinto muito... – sussurrou Maíra, abraçando a amiga do mesmo jeito que Irene – sua família teve muito azar.

Fabiana deixou escapar uma lágrima, mas logo a limpou. Todos ainda estavam paralisados, imaginando o que Fabiana tinha passado quando a mesma concordou em participar da brincadeira. Estava com trauma disso e suas amigas a ajudaram a pensar que tudo tinha sido coincidência. Erro de criança.

Todos se sentaram à mesa. Acenderam velas e apagaram as luzes. Também fecharam as janelas da cozinha. Estavam prontos. Marcos resolveu pegar um copo de água benta que estava num fraco em cima da janela. Fez isso só para gargalhar, enquanto passava a água santa na cabeça de seus amigos, que entravam na brincadeira e faziam o sinal da cruz. Ninguém acreditava nestas coisas de religião.

– Posso começar? – perguntou José, em voz baixa. Todos disseram que sim. Fabiana e Irene se agarraram num casaco que acharam em cima de uma das cadeiras.

Um silêncio tomou a sala. Todos estavam receando que algo acontecesse. Marcos achava graça em ver seus amigos agarrados e tremendo. Ele não acreditava nestas coisas sobrenaturais e demônios. Muita bobagem, para ele.

– Bem... faz mais de cinqüenta anos. Rose era uma mulher carinhosa. Amava seus filhos. Um dia, voltou para casa diferente. Estava com os olhos vidrados. O marido, Clive, achou não ser nada e nem deu bola – começou José, percebendo seus colegas arrepiados – foi quando anoiteceu. Rose continuava naquele estado. Seus dois filhos, uma garota e um garoto da mesma idade, sete anos, começaram a se assustar. A mãe passava roupa com a própria mão. Quando tentaram abraçá-la, se queimaram com a pele de Rose.

Uma pausa foi ouvida e Cláudio bateu na mesa. As três garotas saltaram gritando e até Marcos ameaçou berrar. Fabiana deu um soco no braço do garoto, que gargalhava.

– Continuando... – disse José irritado, – era meia-noite. Todos dormiam. Rose levantou de sua cama e apareceu na porta do quarto dos filhos. Ficou olhando eles durante alguns minutos. Ela estava possuída por um demônio canibal. Ele mata e come suas vítimas. Dava para adivinhar o que Rose fez com os filhos. Comeu o cérebro deles. Sem falar no fígado ao pedaço... com sangue por todos os lados! – exclamou José. Todos saltaram e ficaram apavorados.

– Que história idiota... – disse Marcos. Ele estava começando a ter medo daquilo, como Irene, Fabiana e Maíra. As três abraçavam-se.

– O demônio se alimenta no final da tarde e a noite... – disse José, apontando para uma janela aberta. Todos levantaram a cabeça, mirando a sala de estar. Enxergaram o Sol se pondo. – Todo o dia!

No mesmo instante, berros foram ouvidos. Vinham do banheiro. Os amigos acharam que devia ser brincadeira de alguém, mas quem? Ninguém havia escutado aquilo além deles.

– Nós estamos sozinhas? – perguntou Irene e Fabiana ao mesmo tempo.

– Minha mãe! – gritou Maíra, desesperada.

Todos saíram correndo, escada a cima. Alguma coisa ruim havia acontecido, pois mais berros foram ouvidos.

Notas finais
Espero que Gostem. Reviews?