Já se faziam cinco anos desde que Ino se mudara, tragicamente, da casa de seus pais no Japão. Odiava pensar no assunto, até mesmo agora depois de tanto tempo sentia um arrepio e repugnância ao imaginar a família, e quando ela invadia suas lembranças sem ser convidada sempre arranjava algo para fazer e tirar aquilo da cabeça, mal sabia a moça que quanto mais impedia-se de pensar sobre isso, mais mal fazia a si.
Havia ido morar no Canadá, país à fronteira norte dos Estados Unidos, em Vancouver, onde tinha comprado um apartamento a dez minutos do centro. Tinha guardado uma ótima quantia que extorquira dos cartões de crédito do seu pai, na ultima vez que o vira, e transferiu para varias contas suas em nomes Laranjas** para não atrair suspeitas de quem ela seria.
Teve de mudar seu sobrenome, apenas para manter a segurança, coisa que fez antes de sair de seu país natal para que suas chances de ser encontrada tão longe fossem minimizadas. Ino Yamanaka se tornara Ino Yang, uma jovem empresária de uma pequena rede de lojas de roupas.
Contudo, tinha decidido se mudar para um apartamento maior, mais ao centro e mais seguro, já que seu negócio estava começando a ser reconhecido e ainda lhe restava uma boa quantia em seus cartões.
Com vinte e três anos na semana seguinte a essa, tinha terminado um curso de especialização em administração aproximadamente há um ano, foi mais curto do que esperava já que tinha um conhecimento elevado nesse ramo apenas por escutar conversas sobre negócios em sua antiga casa, mesmo que o lugar lhe parece uma penitenciária, além do fato de que não era tão difícil, à visão de todos os estudantes.
Deixara de lado as antigas amizades para que pudesse viver, em seu real sentido, e com tantas amizades que brotavam aos seus pés, por conta do poder de sua família, esqueceu e talvez nunca aprendeu a fazer amigos, mesmo os poucos que conseguia eram tão falsos e ingênuos, como ela uma vez fora, que se irritou logo e deixou de andar acompanhada. Mesmo assim rapazes era algo que não lhe faltava para aquecer a cama, mas nunca um relacionamento sério e que durasse mais de uma noite, não se permitia, não podia se apegar demais a ninguém e confiar parecia algo tão bobo e insignificante para ela, como uma historia de contos de fada, algo que não fazia qualquer sentido.
Ino sempre foi uma menina alegre e sociável, continuava com essas características mesmo que estivessem enterradas para serem escavadas pelas pessoas certas. Claro que se estivesse alcoolizada ela mesmo escava-as e se permitia ser novamente a garotinha em uma festa qualquer.
–Moça?
–Oi?
–Chegamos.
–Ah! Desculpe, estou um pouco destraida. Quanto ficou?
–17 dólares
–Okay, obrigada, tenha um bom dia.
Pisava na calçada em frente à seu novo prédio, estava tão ansiosa por entrar em sua nova casa, e o fato de todos os seus móveis já estarem em sua pequena propriedade, em algum andar, a animava um pouco; mas só em pensar que teria de organizar suas coisas sozinha sentia-se cansada.

(...)

Após uma loga e cansativa tarde arrumando móveis, Ino decidiu que precisava comer algo, não tinha tido oportunidade de conhecer o bairro ou fazer compras no mercado, o que significa que não tinha comida alguma. Uma alternativa muito bem abracada por ela foi ligar para um pizzaria, porem ainda não sabia o endereço do prédio.
–Porra, porque eu tenho que ser burra assim?
Foi em direção ao corredor, caminhando com passos silencioso pelo carpete do hall, chegou sozinha a sombras de uma má iluminação e chamou pelo elevador. Enquanto esperava, um rapaz alto, extremamente branco e com cabelos tão pretos que nem mesmo com a má iluminação era possível se enganar, surgiu tão silenciosamente quanto ela pensava ter sido.
–Oi? Sem querer ser rude ou algo do tipo mas eu nunca te vi por aqui, você é a nova vizinha do 514-D?
–Ah, sim, sou.
–E porque está descendo para o saguão uma hora dessas?
–Oh – sentia suas bochechas queimarem com a besteira que a trouxera ao elevador no meio da noite — sabe o que é? É que eu acabei de me mudar e acabei esquecendo o endereço para pedir um pizza – explicou-se como pode, tentando não parecer tão envergonhada quanto realmente estava.
O homem proferiu uma breve risada e olhou-a com um sorriso de canto nos lábios, foi só ai que ela pode ver que seus olhos eram tão negros quanto os cabelos. Ele com certeza era de longe um dos homens mais bonitos que já vira.
–Não precisa ficar envergonhada, apesar de eu estar rindo, isso pode ser muito comum, jovem moça.
–Jovem moça?
–Prefere que eu a chame de senhora?
–Prefiro que me chame de Ino, aliás prazer – apresentou-se com um sorriso divertido o encarando com seus olhos azuis-cristal e levantando a mão para que ele a apertasse.
–...Ino, me chamo Sasuke e o prazer é todo meu – apertou sua mão sem tirar os olhos dos dela, não recusou o tom engraçado arqueando as sobrancelhas, se fingindo importante.
Quando o elevador finalmente se abriu, rumaram a conversa para dentro dele.
–Então senhor, o que fazes indo para o saguão uma hora dessas? – decidiu entrar na brincadeira e empinou o nariz.
– Como a senhorita, estou atrás de comida, mas em vez de ser preguiçoso e pedir uma pizza, como uns e outros por ai, vou até a conveniência da esquina.
– Ei dá um tempo, eu nem conheço o lugar! – retrucou, enquanto um biquinho se formava em seus lábio e cruzava os braços.
Chegando ao saguão resolveu acompanhar seu mais novo vizinho e desistiu de pedir uma pizza. Caminharam juntos pelas calçadas conversando e rindo alto, e quem visse podia jurar que eram amigos de longa data.
Em consequência, Ino chegou a conhecer melhor o rapaz que acompanhava, Sasuke tinha vinte e cinco anos e era formado em direito exercendo o papel de advogado, morara naquele lugar apenas durante um ano até o momento, mudou-se assim que se formou e passou em um concurso para exercer advocacia. Descobriu também que era Nova Iorquino e viveu lá desde o dia em que nasceu até o dia em que se mudou para Vancouver.
Quando voltaram Sasuke a chamou para comerem em seu apartamento, já que ele a fez não pedir a pizza, seu plano original. Os dois ficaram conversando durante longas horas até que Ino notou que já eram mais de duas horas da manhã, o que fez ela se despedir e correr para o seu quarto, tinha que trabalhar na manhã seguinte então apenas lavou-se e foi deitar depois desse dia cansativo e agitado.
Antes de dormir, já deitada, lembrou-se que Sasuke comentou sobre uma festa que daria na noite seguinte. Restou a Ino se perguntar se deveria ir, pois não conheceria ninguém além dele, mas já tinha ido a festas onde não conhecia nem uma única pessoa, e conhecer outras pessoas poderia ser muito bom para sua saúde mental.
Seu último pensamento foi se iria se arrepender. E então ela apagou.

**Laranjas—S.m. inv. — Aquele que participa de um ato de contravenção (por vontade própria ou sem saber) fornecendo apenas seus dados pessoais para encobrir pessoas ou procedimentos ilícitos.

Notas finais
E ai? Gostaram? E me desculpem desde ja se tiver com má qualidade de escrita pq eu escrevi isso no meu celular então fica foda neh ;-; Enfim, to esperando comentarios hein?