Something Entirely New

19 Stranger in Underground


Notas iniciais
OOII OII quem acompanha essa fic pelo Nyah :3 Vou deixar dois capítulos de uma vez, pelo motivo de: Irei viajar amanhã e só voltarei perto do ano novo xD Então espero que gostem! :*

Chara POV

O despertador tocou, e pela primeira vez, abrir os olhos não foi esforço algum. Minha mente, ao contrário do usual, estava bem acesa, e eu estava tão animada que quase não conseguia me reconhecer.

As lembranças da noite anterior me inundaram de repente, e eu sorri comigo mesma. Um sorriso involuntário e discreto. Completamente disposta, eu levantei da cama de uma só vez, apreciando o contato dos meus pés descalços com o piso, que transmitia uma sensação refrescante.

Caminhei até o banheiro para fazer a higiene matinal, e no momento em que me olhei no espelho, percebi que minhas feições estavam menos cansadas do que em muito tempo... O olhar abatido que eu carregava comigo nas ultimas semanas parecia simplesmente ter desaparecido, e eu estava me achando mais bonita... Seria possível?

De repente, as minhas madeixas curtas já não eram tão ruins assim... Ora, cabelos não precisavam ser necessariamente longos para terem beleza, certo? E olhando bem agora, aquele corte até combinava comigo.

Meu rosto pálido de repente não era um problema tão grande.

— Se eu usar um pouco de maquiagem aqui nas bochechas, o pálido do meu rosto vai deixar tudo ainda mais destacado... – Murmurei comigo mesma, estudando aquelas possibilidades de ser branca demais. E daquela forma, meus olhos vermelhos eram ainda mais destacados. O que era um problema para mim antigamente, hoje tinha se tornado uma vantagem. Ele adorava os meus olhos.

E meu corpo? Me afastei um pouco mais do espelho para ter um vislumbre melhor, dando voltas em torno de mim mesma como uma modelo desfilando na passarela. Sorri quando me dei conta do que estava fazendo, mas nem por isso parei.

Certo, eu era muito magra e não tinha todas as curvas que desejava, porém, era um corpo bonito. Não podia negar. Por que havia reclamado tanto dele? Ainda tinha alguns anos para me desenvolver mais, e de qualquer maneira, não era de todo ruim.

Até as cicatrizes espalhadas pelo meu corpo não pareciam mais tão horríveis assim. Naquele momento, eu conseguia me lembrar de todas as vezes em que Asriel me disse que eu era louca de pensar que aquelas marcas poderiam de alguma forma me deixar feia. Por mais que eu me sentisse insegura a respeito delas, ele nunca pareceu de fato se importar.

“Não posso apagar as marcas do passado, mas posso evitar com que novas se formem”, ele costumava dizer. Sorri comigo mesma ao me lembrar daquilo.

Saí do banheiro já com os cabelos penteados, e decidida a escolher uma roupa razoavelmente bonita para passar o dia. Diferente de sempre, eu não optei pelo primeiro suéter largo que eu encontrava no meu guarda roupas sempre abarrotado. Procurei com cuidado alguma roupa do meu agrado nos cabides, soltando um longo suspiro quando percebi que apesar de ter muitas roupas, parecia que nenhuma delas de fato estava boa.

Parecia uma adolescente mimada. Certo, Chara, pare com isso.

Por fim, optei por uma saia num tom rosa envelhecido, não muito chamativa, mas ainda assim delicada. Combinei a peça com uma blusa branca rendada e sem estampas. Procurei minhas botas de cano curto favorito, mas decidi que naquele dia, uma sapatilha da mesma cor da saia seria mais adequada.

Pensei ainda em amarrar uma fita nos cabelos, mas achei que seria exagero.

Era incrível como um beijo conseguiu me deixar tão radiante, afastando minhas inseguranças sobre mim mesma e me trazendo uma tranquilidade inexplicável, como se eu estivesse vivendo um sonho que alimentei durante tanto tempo. Eu queria ficar bonita para Asriel, apenas isso. E não importava se era exagero da minha parte, nada mais importava a não ser ele.

Abri a porta do quarto por fim, o leve ranger da madeira quebrando o silêncio do longo corredor, mas não tardou para que a porta do quarto de Asriel se abrisse também.

Ele estava vestido como sempre, nada de diferente ou inovador no seu visual. Um jeans escuro, os tênis que ele mais gostava, e uma jaqueta verde claro completamente fechada. Não pude deixar de sentir uma pontada de frustração com aquilo, afinal de contas, não era o nosso primeiro encontro? Não era a primeira vez que iríamos sair juntos naquelas circunstancias? Ele mesmo me mandou uma mensagem pela madrugada, perguntando se eu não queria ir a algum lugar com ele naquele dia. Certo, talvez eu estivesse sofrendo daquelas paranoias de garotas no seu primeiro encontro, nada mais.

— Chara... Você está linda. – Ele me fitava de cima a baixo, e eu senti meu rosto esquentar um pouco com esse gesto dele. Tinha algo de diferente no olhar dele, depois de ontem, definitivamente o modo como olhávamos um para o outro havia mudado. Aquilo era assustador e novo, e ao mesmo tempo, excitante. – Desse jeito eu me sinto até culpado por não ter caprichado tanto quanto você.

Não pude deixar de rir com o comentário dele.

— Pelo menos você reconheceu. Só tem sorte que não precisa de muito para ficar lindo, então dessa vez eu vou te perdoar. – As palavras saíram sem que eu percebesse, o calor no meu rosto esquentava a medida que elas eram pronunciadas. Droga, muitas emoções juntas logo pela manhã, e aquilo não estava sendo um problema. Eu definitivamente estava tão perdida.

Ele sorriu e veio em minha direção, passando os braços pela minha cintura e selando nossos lábios longamente, porém, apenas um encostar inocente. Não durou muito, no entanto. Não pude evitar me apertar mais a ele, aprofundando o beijo logo em seguida. Ele não contestou, estremecendo levemente antes de abrir passagem para mim. Um ritmo longo, lento e perturbador, definitivamente nada saudável para nossa sanidade, àquela hora da manhã. Mas afinal, o que importava?

Asriel estremecia em meus braços todas as vezes que nos separávamos em busca de ar. Ele sempre fazia aquilo quando era pego de surpresa. Sorri minimamente, eu devia me lembrar sempre daquela reação adorável dele.

— Chara... – Ele murmurou, nossos rostos minimamente separados. – Eu não acredito que você ainda usa aquela pasta de dentes de morango que mamãe comprava quando éramos crianças.

— Asriel! – Ri alto, empurrando ele de leve para o lado, me libertando de seus braços. – Eu não acredito que você disse isso! Você é tão idiota!

Ele riu junto, me procurando novamente e selando nossos lábios brevemente como que para se desculpar.

— Você sabe como quebrar o clima perfeitamente bem. – Resmunguei, me sentindo perdida e mole onde estava, com o gesto dele.

— Me desculpe, princesa Chara. Aonde quer ir? Sou todo seu por hoje.

— Apenas por hoje? – Provoquei, olhando bem em seus olhos. De repente, não estava mais sendo tão difícil fazer isso.

— Bem, não. – Ele respondeu selando nossos lábios novamente e então segurou minha mão, nos guiando pelo corredor. – Apenas preciso do meu combustível de café antes de qualquer coisa.

— Oh, eu sei bem disso. Sem ele, você só sabe ficar resmungando pelos cantos.

Trocamos mais algumas palavras perdidas e carinhos, e depois da indispensável caneca de café, saímos, deixando para decidir nosso destino quando já estivéssemos fora de casa.

Asriel POV

Chara brincava com um morango em seu prato, a única coisa que havia restado da enorme fatia de bolo de chocolate. Após um longo dia de voltas no centro comercial da Capital, havíamos decidido que nossa ultima parada seria na confeitaria de Muffet em Hotland. Os preços eram um tanto salgados, era verdade, mas a qualidade dos produtos era incontestável.

— No que está pensando, Az? – Ela me perguntou de repente, ainda brincando com o morango, fincando o pequeno garfo nele.

— Estava pensando em como você é linda. – Chara corou com minha resposta, e eu não pude deixar de sorrir. Ela sempre corava daquela maneira quando era pega de surpresa, e aquilo era extremamente adorável. Uma reação que eu devia sempre me lembrar,pensava comigo mesmo.

— Estou falando sério. – Ela protestou, sorrindo torto. Ao mesmo tempo em que ela podia ser extremamente adorável e infantil, Chara também tinha aquele lado autoritário, persuasivo, e era exatamente essa mistura entre eles que a deixava tão única e maravilhosa.

— Estava pensando se você... Bem, se iremos contar aos outros sobre... Você sabe. Sobre nós.

Chara suspirou, por fim levando a boca o morango. Mastigou lentamente, com o olhar perdido em um canto qualquer, depois me fitou, parecendo decidida.

— Eu acho... Que devemos esperar. – Ela disse com cautela. – Não precisamos ter pressa, certo? Vamos levar as coisas no tempo certo, vamos aproveitar cada momento. No mais, nossos pais são maravilhosos, eu não acho que serão contra.

— Agora eu posso te contar... – Hesitei, e ela pareceu curiosa, me fitando. – Bem, a verdade é que nossa mãe já teve essa conversa comigo uma ou duas vezes. Perguntava se o jeito como eu gostava de você era diferente... É claro, isso me deixava completamente desconcertado e eu sempre fugia do assunto ou dava um jeito de me desviar da resposta, mas acho que no fundo ela já sabia... E quando perguntava, não havia um tom de repreensão em sua voz.

Chara sorriu, ruborizando.

— Az, se você soubesse a quantidade de vezes que Frisk me colocou contra a parede para que eu admitisse...

— Aquela pequena travessa. Eu posso imaginar, Frisk é incansável quando quer saber de alguma coisa. – Ri.

— Somos dois idiotas... Parece que todos a nossa volta já sabiam, com exceção de nós mesmos.

— Bem, mas isso não nos impede de recuperar todo o tempo perdido, certo? Temos uma vida inteira para gastar um com o outro. – Provoquei, e Chara sorriu torto para mim, aquele sorriso torto que só ela sabia dar, e que eu amava mais do que qualquer outra coisa.

Ficamos durante mais algum tempo ali, querendo aproveitar cada segundo que tínhamos sozinhos. Infelizmente, sempre havia sido daquele jeito: O tempo corria muito depressa quando eu estava com Chara. Parecia que as horas nunca eram suficientes, e quando me dava conta, o dia já havia acabado, e já era hora de voltarmos para casa. Parecia que as horas nunca seriam suficientes para que eu matasse toda a vontade que tinha de estar com ela, e ainda mais agora, sabia que jamais seria o suficiente.

— Acho melhor voltarmos, ou então o elevador do Core vai ficar incrivelmente cheio. – Ela resmungou, como quem também não queria sair dali, não queria que o dia acabasse.

— Tem razão. Acho que nosso dia chegou ao fim, vamos indo. – Me levantei, estendendo a mão para ela que sorriu e aceitou, levantando-se também.

— Passou tão rápido. – Oh, era como se ela fosse capaz de ler os meus pensamentos. – Promete que podemos ter mais dias assim, Az?

— Sabe que eu não sei dizer não para você. – E era verdade. Não importava o absurdo que fosse, um pedido de Chara era algo que eu jamais consegui negar.

Já estávamos perto do hotel de Mettaton, onde era o acesso ao elevador para o Core que usávamos para voltar até a Capital, quando o celular de Chara tocou.

Ela rapidamente o procurou em sua bolsa, dando uma olhada rápida na tela antes de atender.

— Oi, Frisk. – Ela disse num tom despreocupado.

O que seguiu foi um enorme silêncio. A expressão serena de Chara foi aos poucos se desvanecendo, dando lugar a um cenho franzido.

— Quando isso aconteceu? – Ela perguntou de repente, e fez-se mais um longo silencio, Frisk provavelmente tinha uma resposta longa para aquela pergunta.

— Quer... Que passemos aí...? – Ela perguntou hesitante, e eu pude notar que a mão dela tremia levemente, lutando para manter o aparelho colado ao ouvido. Sua expressão estava completamente distorcida, mudada, como se a Chara tranquila de minutos atrás houvesse simplesmente desaparecido. – Certo. Nos dê uma hora.

Ela desligou, fitando o chão. Eu esperei o tempo que era necessário até que ela quisesse falar.

— Asriel... – Ela começou, ainda sem me olhar. – Alguém caiu. Está na casa de Frisk em Snowdin.

....................

Em algum canto de minha mente, eu sabia que aquilo tudo não poderia ser apenas coincidência. Queria acreditar, havia tentado, mas era como se desde o inicio eu soubesse que a cama de flores remexida, na entrada das Ruínas, queria dizer algo.

Não era excursão da escola de Frisk, não era nenhuma criança entediada que foi até ali para brincar. Aquilo era um claro sinal de que alguém havia caído exatamente ali.

Agora, o humano estaria assustado demais para se mostrar? Foi corajoso o suficiente para mover-se livremente pelo subsolo após a queda? Aquilo era algo novo. Quando Chara caiu, foi encontrada por mim, ferida e assustada, sem conseguir se mover devido a queda. Quando Frisk caiu, foi encontrada por Sans, também nas mesmas condições. Agora aquilo não havia acontecido. Quem quer que houvesse caído, conseguiu engolir o medo do desconhecido e saído para explorar por conta própria, escondendo-se durante tempo suficiente para que sua presença passasse despercebida.

Desconfiei de que Sans estivesse distraído demais com Frisk em seu posto de vigia para não prestar atenção em nenhuma movimentação diferente naquela floresta.

No entanto, nada podia passar despercebido por muito tempo, e ali estava o novo humano, de alguma forma na casa de Sans, Papyrus e Frisk.

— Você está bem? – Perguntei preocupado. Chara parecia paralisada com a notícia que recebeu de Frisk, uma expressão dura e imutável congelando-se em seu rosto, seu olhar transformado em gelo vermelho. Eu sabia que Chara não lidava muito bem com notícias repentinas que a abalavam, e aquilo realmente parecia tê-la desestruturado completamente.

— Estou bem. – Ela respondeu minimamente, sem olhar nos meus olhos, porém, a mão bem apertava a minha enquanto nos dirigíamos a Snowdin.

Chara não gostava de humanos, isso era muito claro para qualquer um que a conhecesse. Ela realmente tinha suas razões para isso, e quando Frisk chegou, ela teve suas hesitações, até por fim perceber que a garota não faria nada de mal a ela, muito pelo contrario.

Agora, com alguém novo ali, as duvidas deviam estar transbordando dentro dela. Não que não estivessem transbordando dentro de mim também. As duas vezes que aconteceu de um humano cair no subsolo, foram humanos de índole boa, pacífica. Não desejavam machucar ninguém, e decidiram viver e misturar-se a todos ali. Restava torcer para que a índole daquele novo humano também fosse boa.

Por fim a temperatura começou a cair gradativamente, indicando que estávamos chegando a Snowdin. Tirei minha jaqueta e a coloquei sobre o ombro de Chara, que conseguiu sorrir minimamente para mim em agradecimento. A ruga de preocupação, no entanto, continuava estampada em seu rosto.

Passamos pelas várias casas, lojas comerciais e estabelecimentos do local, até pararmos em frente ao nosso destino, a pequena casa dos irmãos esqueleto em que Frisk também morava.

Eu esperei com que Chara tocasse a campainha, mas ela permaneceu ali parada, fitando os próprios pés que afundavam levemente na neve. Ela definitivamente não estava nada bem.

Toquei a campainha então, sendo atendido por Papyrus não muito tempo depois.

— WOWIE, VOCÊS CHEGARAM! EU, O GRANDE PAPYRUS, ESTOU HONRADO DE TÊ-LOS EM MINHA CASA! – Ele exclamou animado. – POR FAVOR, ENTREM!

— Obrigada, Papyrus. – Sorri em agradecimento, adentrando no local e puxando Chara atrás de mim com certo esforço, para que ela fizesse o mesmo.

— Chara? Asriel? Vocês chegaram! – Frisk estava sentada no sofá da sala, seus pequenos olhos dourados pareciam animados, mas com um quê de preocupação.

Ao lado dela, estava outro humano, completamente enrolado em um cobertor amarelo, parecendo encolher-se o maximo que podia dentro dele.

Tratava-se de uma garota. Muito pálida, quase tanto quanto Chara, com os cabelos tão claros que chegavam a cintilar. Tinha os olhos verdes, e pareciam completamente perdidos, passeando sem rumo por toda a sala, sem realmente ver alguma coisa. Os lábios, corados demais, estavam tremendo levemente.

— Aqui, não precisa ficar assustada. Nós vamos cuidar de você. – Frisk a acalmou, passando a mão levemente pelas costas cobertas da garota, que se encolheu ainda mais com o toque da outra.

— O nome dela é Diana. Esteve perdida até que Sans a encontrou no meio da floresta. Estava com muito frio e parecia completamente perdida. Então ele a trouxe até aqui. – Explicou Frisk, sorrindo gentilmente para a garota ao seu lado. – Ela está um pouco assustada, mas já me contou algumas coisas. Pensei que vocês poderiam levá-la ao rei e a rainha, na capital.

Chara apertou mais a minha mão, visivelmente desconfiada. Eu tentei acalmá-la, acariciando seus dedos de leve com o polegar.

— Diana, certo? – Comecei, mas a garota continuava com o olhar perdido. – Sinto muito que tenha se perdido, se eu tivesse chegado até as Ruínas um pouco mais cedo, provavelmente teria te encontrado e te guiado para que não se perdesse.

Papyrus havia seguido para a cozinha, deixando o ambiente num silêncio tenso. A garota por fim pareceu juntar coragem para desviar seus olhos até mim.

Ela moveu os lábios, fazendo menção de falar algo, mas pareceu desistir. Foi quando seus olhos passaram de mim para Chara ao meu lado.

Ela pareceu assustada de repente, encolhendo-se mais em seu cobertor, os enormes olhos claros de repente completamente arregalados.

— Você... – Ela sussurrou numa voz hesitante e entrecortada, porém, num tom suficiente para que todos ouvissem. – Chara...

Notas finais
Queria agradecer a leitora linda que me fez a recomendação s2 Sério, você não sabe como eu fiquei feliz *---* Muito obrigada!! Estou cheia de determinação!!!!!