Something Entirely New
1 Prólogo
Notas iniciais
Essa é minha primeira fic aqui no spirit, sou uma leitora assídua de Undertale, mas é a primeira vez que escrevo sobre o tema. :3 (Sim, o nome da fic é o mesmo nome da música de Ruby e Sapphire de Steven Universe, é que eu achei que tinha tudo a ver com minha história).
O motivo? Meu shipp favorito é AsrielxChara, sou completamente apaixonada por esses dois T-T Mas a maioria das fanfics tem como casal SansxFrisk (não que eu não goste, muito pelo contrário), mas acabo não tendo oportunidade de ler sobre meu casal favorito, portanto, decidi escrever algo sobre eles xD
Esse capítulo é apenas um prólogo, para vocês entenderem um pouco como a Chara estava se sentindo, a ponto de querer tirar a própria vida. Mal sabe ela que muitas surpresas a aguardam, ela cruzou a barreira...
Espero que gostem, e me digam o que acharam, de verdade. Dependendo da repercussão, irei continuar.
Aproveitem o capítulo :3
Queria encontrar palavras para o sentimento que me dominava naquele instante. Infelizmente, por mais que eu busque palavras, elas não vem. Amargura? Desgosto? Não... Era algo muito além disso. Sentia meu coração ser tragado pelo vazio e minha alma consumida pelo silêncio cada vez mais, a medida que me esgueirava mais e mais pra dentro daquela floresta densa. Sozinha... Como sempre estive.
O sol estava se pondo e pequenos feixes dourados trespassavam as árvores cheias, iluminando fracamente aquele caminho que eu estava trilhando. Seria o meu último. A minha respiração ofegante e os meus passos que chutavam para longe as folhas secas no chão pareciam ser os únicos sons em meio àquele silêncio amedrontador, e eu tinha a impressão de que aquela floresta poderia me engolir a qualquer instante. Assim esperava que acontecesse.
"Demônio". "Você não merece a dádiva da vida", "Mal encarnado".
As palavras deles ainda ressoavam na minha cabeça. Eu nunca seria capaz de existir tranquilamente num mundo onde eles existissem também. Não havia lugar pra mim. Uma vida inteira sempre ouvindo aquelas mesmas coisas... Tendo sempre que suportar os olhares maldosos de todos. Sempre de cabeça baixa, com os meus cabelos desgrenhados cobrindo meus olhos, e mesmo assim eles nunca me deixaram em paz.
A floresta estendia-se para vários lados, mas eu sabia que chegaria ao meu destino se continuasse seguindo para o norte. O silêncio local devia-se às várias histórias que rodeavam o local. "Aqueles que escalam o Monte Ebott jamais retornam". E ninguém se atreveria a aproximar-se daquele local amaldiçoado e cheio de lendas. Por isso mesmo ali era perfeito. Era onde minha história se encerraria.
E continuava a caminhar, sem descanso. Pensamentos desconexos nublavam a minha mente, como as crianças de minha vila brincando felizes nas camas de flores douradas, o sorriso em seus rostos. Suas mães aparecendo da janela das pequenas casas, os chamando pra jantar depois de um dia inteiro de brincadeiras. As famílias felizes em suas casas iluminadas, aquecidas por sentimentos bons que todos compartilhavam ali. Os risos que ecoavam pela vila em todas as festas comemorativas, como todos se ajudavam a decorar a cidade... E como todos sempre se afastavam quando eu tentava me aproximar. E como nunca havia um lugar para mim ali.
E todas as vezes que haviam tentado matar-me...
Eu sonhei em um dia ser aceita, eu sonhei com a vida que eu poderia vir a ter. Eu sonhei que algum dia alguém viria e me resgataria daquela vida miserável e de toda aquela perseguição... Mas ninguém veio. E então, um dia a esperança morreu. E o vazio e silêncio tomaram conta da minha alma.
Após horas de caminhada, a julgar que quando fugi da vila o sol ainda encontrava-se alto no céu, eu enfim cheguei no cume. Com a respiração desregulada, dei um passo em direção à enorme cratera que se abria a minha frente. Era escuro e silencioso. Exatamente igual ao estado da minha alma e do meu coração. Era ali que tudo se encerraria.
Olhei para baixo e usei as costas da mão para limpar o suor da minha testa, e a flor dourada que tinha colocado nos cabelos acabou se soltando e foi tragada pela escuridão da cratera, desaparecendo. Como se estivesse levando embora a única coisa que nunca me rejeitou... As flores douradas da minha vila eram tão lindas. Se meu coração não tivesse se tornado mais duro e frio que uma rocha, eu teria chorado de bom grado naquele instante. Era como se tudo estivesse me induzindo realmente a acabar com aquilo. Que escolha eu tinha, afinal?
Diferente da densa escuridão que provinha da cratera, uma fraca luz dourada envolvia o cume da montanha, uma brisa leve me tocando. No entanto, dentro de mim era sempre frio, era sempre escuro. Dei mais um passo, e de repente a determinação me invadiu, toda a hesitação evaporando. Mais um passo, e mais um, até que cheguei no limite do abismo negro. Dei uma última olhada ao meu redor, tentando sentir alguma compaixão por aquele mundo que eu estava prestes a abandonar, mas ao invés disso um fraco sorriso cínico rasgou-se na minha face suja e cansada.
— Até que enfim estão se livrando de mim, hein... As comemorações já podem começar. Um mundo sem o demônio Chara. — Sibilei em voz baixa, para ninguém e ao mesmo tempo para todos.
Cansada e amargurada a um ponto que a ideia de respirar mais uma única vez era insuportável, movi minha perna direita para frente, para dentro daquela escuridão que colocaria um fim na minha existência miserável.
Então joguei o peso do meu corpo pra frente, sendo também levada por aquela escuridão. Com surpresa, senti uma única lágrima escapar do meu olho durante a queda. Então, fechei os olhos.
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