Asriel POV

A mesa do Conselho era larga, quase da mesma extensão da sala onde estávamos.

A reunião já contava com mais de duas horas, todas as diferentes questões do subsolo sendo debatidas e soluções sendo discutidas e ponderadas.

Haviam sido postas seis cadeiras de cada lado da mesa, sendo que a de meu pai ficava no centro, e eu logo ao seu lado. Minha mãe não era exatamente fã daquelas reuniões, então não participava. Todas estavam devidamente ocupadas pelos respectivos conselheiros, além de alguns membros da Guarda Real postos próximos à porta do lado de fora, sendo Undyne um deles.

Me remexi desconfortavelmente na cadeira, desejando que acabasse logo. Eu sabia de meus deveres, e por já ter idade suficiente, meu pai determinou que eu já poderia acompanhá-lo nos Conselhos Reais, e até opinar quando achasse conveniente. Dali a um tempo seria eu que lideraria aquelas reuniões, e estava me preparando para aquilo.

No entanto, não era exatamente a coisa mais agradável do mundo passar horas dentro de uma sala discutindo os problemas do subsolo, ainda mais vestido com aquela roupa longa e desconfortável que eu sempre tinha que usar em ocasiões como aquela.

— Então, Dra. Alphys, presumo que o principal motivo de termos nos reunido aqui hoje, foi para discutirmos sobre os seus recentes progressos nos estudos sobre a alma humana, certo? Pode nos contar um pouco mais sobre eles? – Meu pai perguntou em sua voz calma e gentil, quando todos os outros assuntos já haviam sido resolvidos.

A pobre Alphys não parecia nada à vontade ali dentro cercada por tantos. Ela corou fortemente quando todos os olhares se voltaram para ela e ajeitou os óculos, numa tentativa de aliviar o nervosismo.

— C-claro, Asgore. – Ela gaguejou, visivelmente desconfortável com toda a atenção que estava recebendo. – E-então, como d-devem saber, eu dou continuidade a p-pesquisa que o Dr. Gaster d-deixou inacabada, e... Recentemente e-eu fiz avanços. Em relação a tudo que compõe uma alma humana, e a sua determinação, que é o que faz com que elas p-persistam mesmo após a m-morte.

— Certamente a pesquisa dele tinha fundamentos, visto que Gaster viveu uma parte de sua vida na superfície e teve almas humanas para seu estudo, no passado... – Meu pai ponderou. – Continue, Alphys, por favor.

— C-certo! C-como eu dizia, já havia um c-certo tempo que eu não obtia sucesso n-nas minhas pesquisas sobre d-determinação, mas acabei p-por fazer alguns progressos recentemente. S-sei de praticamente t-todos os componentes presentes na alma humana, m-mas para que eu seja capaz de c-criar uma alma artificial, é necessário que eu s-saiba de todos os componentes, sem exceção. D-do que é feita, exatamente, a determinação. – Ela disse com dificuldade, o chão sendo mais interessante para se fitar do que qualquer um ali.

Franzi o cenho, confuso com o rumo que aquela conversa estava tomando. Alphys continuou, após um momento para tomar fôlego.

— E-eu precisaria, hm, digamos... E-escanear todas essas informações, c-copiá-las... Para que a-assim possa t-trabalhar com mais liberdade. E a única m-maneira de fazer isso é t-tendo acesso a uma alma h-humana real antes... – A voz dela foi abaixando cada vez mais, à medida que ia falando, a ultima parte sendo praticamente sussurrada.

— O que? – Intervi, atraindo olhares para mim. – Você quer dizer Chara e Frisk?

— E-eu gostaria m-muito que uma das duas p-pudesse me ajudar nisso. – Ela parecia ainda mais nervosa, ajeitando seus óculos e completamente vermelha.

— Eu não quero que a Chara se envolva nesses assuntos. — Retruquei, atraindo os olhares pra mim.

— Estou certo de que a Dra. Alphys tem certeza de que a segurança da sua irmã está garantida para nos propor isso. — Meu pai tentou me tranquilizar, mas não era isso que eu temia.

— S-sim! É t-totalmente seguro! Eu só irei estudar a alma dela, não há risco algum...

— Não tenho dúvidas que a segurança dela está garantida, mas... Não é disso que eu falo. Chara não se sente muito confortável com esse assunto. – Tentei explicar, mas de pouco serviria.

Por mais que ela tentasse esconder de todos, eu sabia o quanto ela procurava sempre escapar daquele assunto, todas as vezes que ele vinha a tona por algum motivo. Chara não gostava dos humanos, Chara não queria retornar à superfície. Ela sabia que aquele era o maior desejo de todos, mas não partilhava dele de forma alguma.

A simples menção de algo que tivesse a ver com o mundo lá em cima, a fazia mudar de humor e atitude na hora, e por mais que tentasse não demonstrar, eu sempre percebia.

No entanto, eu sabia que mesmo contra a vontade, ela se submeteria àquilo se assim fosse pedido a ela. Ela não deixaria com que a irmã menor fosse no lugar dela, ela assumiria toda a responsabilidade. Chara sentia como se tivesse algum tipo de divida inquitável para com todos ali, e mesmo que eu já tivesse conversado com ela inúmeras vezes sobre como ela não precisava se sentir daquele jeito, o sentimento permanecia dentro dela.

Um breve silêncio seguiu ao que eu disse, sendo quebrado por meu pai.

— A última coisa que pretendo é fazer com que minha filha se sinta desconfortável de alguma maneira... Então talvez devêssemos perguntar se está tudo bem para ela fazer parte disso?

— Eu... Eu só não quero que ela se machuque. – Concluí, achando pouco provável que alguém ali fosse entender sobre a frágil condição emocional de Chara a respeito daquilo. Não podia evitar que aquela conversa chegasse aos ouvidos dela uma hora ou outra, e sabia que uma vez que a situação fosse explicada a ela, não recusaria, por mais que aquilo a machucasse. Estava então de mãos atadas.

— S-será algo m-muito simples, e muito rápido. Te garanto q-que ela não irá nem s-sentir... – Alphys explicou, vendo que aquela proposta tinha me incomodado.

Derrotado, apenas assenti com a cabeça. O Conselho prosseguiu por mais alguns minutos, e ficou determinado que nada seria feito até que tivessem o consentimento de uma das filhas de Asgore para ter sua alma “escaneada”, e os dados precisamente coletados por Alphys. Irritado por saber que aquilo machucaria Chara, não consegui partilhar da empolgação dos demais presentes com os avanços na pesquisa cujo objetivo era libertar-nos a todos, e nem vibrar com a possibilidade de aquilo funcionar.

Quando as portas foram abertas e todos começaram a dispersar, continuei em meu lugar, recebendo um tapinha no ombro de meu pai antes dele também sair. Só então me levantei, indo até a porta onde Undyne e Alphys conversavam animadamente.

— Que cara é essa? – Perguntou Undyne, de cenho franzido, quando eu passei por ela. – Ficou cansado por causa de duas horas de reunião? Fique sabendo que já guardei a porta de reuniões do Asgore que duraram ao menos cinco horas!

— Acho que ainda não estou acostumado. E não gosto muito de usar essas roupas longas. — Tentei sorrir torto pra ela. – Bom, vou indo. Até mais, vocês duas.

Subi as escadas que levavam em casa, desejando mais do que tudo tirar aquelas roupas que deixavam o tamanho dos meus passos limitados.

Ouvi risadas vindas da sala assim que cheguei, e fui até lá, me encostando na parede perto da porta.

Chara estava jogada no sofá, os pés descalços descansando numa almofada e uma barra de chocolate já pela metade nas mãos, enquanto assistia a irmã que estava dançando, bem atenta a televisão.

— Asriel! — Frisk percebeu primeiro a minha presença, tirando os olhos da tela por um instante para abrir um largo sorriso pra mim, que tentei retribuir da melhor maneira que pude.

Chara só então desviou seus olhos da televisão pra mim, mordendo um pedaço de chocolate.

— Como ele está elegante... – Brincou com um sorriso nos lábios, e eu ri de leve.

— Tudo o que eu quero é tirar essa roupa desconfortável. O que vocês duas estão fazendo?

— Frisk está tentando imitar o número de dança do programa do Mettaton de hoje. – Ela explicou, voltando os olhos para o programa que passava. Eu nunca prestei muita atenção em Mettaton ou o excêntrico programa de variedades dele, assistindo vez ou outra quando não havia mais nada a se fazer, no entanto, aquelas duas eram obcecadas pelo tal programa, nunca perdendo um episódio sequer.

— É quase impossível fazer os mesmos passos que ele! Ele é muito bom nisso! Gostaria de poder ir ao programa dele algum dia... – Frisk movia-se graciosamente pela sala, olhos atentos na tela para fazer igual à Mettaton.

— Como foi a reunião, Alteza? – Chara perguntou despreocupadamente, ainda sem olhar pra mim, e eu gemi em desgosto.

— Não tem graça, Chara. – Ela soltou um risinho com a minha reação, como sempre fazia. – Bem, se não se importam, eu vou para o meu quarto, essa manhã foi bem cansativa.

Não esperei pela resposta e girei para fora da sala, deixando as duas ainda vidradas na televisão, e me arrastei até o corredor.

Eu não queria que aquele sorriso fosse destruído.

Já com a mão na maçaneta da porta, ouvi passos apressados atrás de mim e me virei rapidamente.

— O que foi? O que houve? – Chara me encarava com seus olhos rubros preocupados e confusos, o chocolate esquecido em algum lugar.

— Não houve nada. – Tentei passar o maximo de tranquilidade que podia em minha voz.

— Você pode tentar enganar a quem quer que seja, mas não pode enganar a mim. Por que está com essa cara?

— Estou cansado, Chara. Só isso. – Era inútil tentar esconder qualquer coisa dela. Tendo convivido comigo por tantos anos, ela era capaz de decifrar qualquer expressão diferente ou olhar preocupado, assim como eu era capaz de fazer com ela. – Fiquei a maior parte da manhã dentro daquela sala discutindo assuntos desinteressantes e cansativos.

— Mas não é só isso. – Ela insistiu. – Você não está bem.

Por que tinha que ser ela a se preocupar comigo, quando deveria ser ao contrario?

— Teimosa. – Me aproximei dela, inclinando para depositar um beijo em sua testa. – Posso descansar primeiro? Depois conversamos?

— Sabia que tinha algo. – Ela levantou a cabeça para me olhar. – Tudo bem. Mas não pense que vai escapar disso mais tarde.

Bem que eu queria ter como.

— Mesmo se eu quisesse, sei bem como você é obstinada quando quer saber de algo. Agora vá ajudar Frisk a se tornar uma melhor dançarina que Mettaton.

Ela riu assentindo, e virou-se, voltando à sala, e eu entrei no quarto, para me livrar daquelas roupas e me atirar na cama.

..............

Chara nem sequer precisou me procurar mais tarde para saber o motivo da minha preocupação. Nossos pais trataram pessoalmente para que ela soubesse o que havia sido discutido na reunião daquela manhã.

Sentada no sofá, as mãos bem fechadas em punho descansando nas pernas, ela ouvia atentamente algo que nosso pai estava explicando a ela, com nossa mãe bem do lado, quando eu entrei na sala algumas horas depois.

— Papai e mamãe me contaram. Essa com certeza é uma grande oportunidade, e eu ficarei feliz em poder ajudar tanto nas pesquisas da Dra. Alphys. – Ela sorriu largamente pra mim, um sorriso duro e vacilante, a prova de que ela não havia recebido bem a notícia.

— Chara... Sabe que Frisk pode se voluntariar para isso caso não se sinta bem... – Argumentei, num tom que quase implorava, mas o sorriso duro permaneceu imutável em seu rosto.

— Não. Eu sou a mais velha, eu devia fazer isso. Vai ficar tudo bem, durante anos eu tenho pensado em uma maneira de retribuir tudo o que vocês fizeram e fazem por mim, e me parece que essa hora finalmente chegou. Papai, mamãe, obrigada por me contarem. – Ela levantou-se mecanicamente. – Agora gostaria de ir pro meu quarto e pensar um pouco nisso tudo.

Esperou pelo consentimento dos dois e se retirou, passando por mim sem virar o rosto e se dirigindo até o corredor.

Suspirei pesadamente, sabendo que o estrago estava feito, e fui atrás dela. Ela já estava na porta de seu quarto, mas ouviu que eu me aproximava e esperou, fitando o chão fixamente.

— Chara... – Comecei com a voz vacilante, sem saber exatamente como continuar. Ela levantou o rosto para me olhar, e seus olhos eram gelo vermelho.

— Não é ótimo? – Ela tentou sorrir, mas tudo o que conseguiu foi um meio sorriso torto. – Se isso der certo, as almas artificiais poderão ser criadas com base nos dados da minha alma. Todos serão livres. Por que estava preocupado a respeito disso? É uma ótima noticia.

— Porque eu sei... – Hesitei. – Eu sei que você não quer isso.

Ela pareceu retesar os músculos do corpo todo ao ouvir aquilo, olhando pra mim com a expressão dura e olhos perdidos.

— Do que está falando, Asriel...? E-eu... Sempre quis ajudar no que eu podia... Eu até mesmo ofereci a minha vida de bom grado, no passado... Por que eu haveria de não querer isso?

— Você não quer que essa experiência dê certo, não é verdade? Você não quer voltar à superfície, você não quer voltar a ter contato com os humanos. Eu sei disso melhor do que ninguém, Chara, então não precisa fingir que está tudo bem para você. – Pedi, com a voz mais gentil que podia, observando a garota à minha frente tornar-se cada vez mais tensa.

— Não é verdade. – Ela teimou, sua voz fria como gelo.

— Chara! – Pedi, suplicante. – Não precisa mentir para mim. Por favor, não carregue esse fardo sozinha. Me deixe dividi-lo com você.

Ela me olhou com raiva, mas logo a expressão desapareceu em seu rosto, e ela parecia tão perdida como no dia em que pisou naquela casa pela primeira vez.

— Eu odeio... Odeio minha fraqueza... – Ela murmurou, com a voz tão falha que eu quase não fui capaz de compreender. – Odeio meu egoísmo...

Seu olhar parecia tão quebrado e perdido, que eu tive duvidas se ela de fato me enxergava. Algumas lágrimas já escorriam pelo seu rosto que parecia mais pálido que o normal, e ela havia começado a tremer.

Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, porém, ela cruzou o espaço que nos separava em poucos passos e enterrou o rosto no meu ombro, soluçando compulsivamente contra meu suéter. Paralisei por um instante, mas logo meus braços envolveram o corpo pequeno e frágil de Chara, puxando-a para mais perto e colocando a mão em seus cabelos.

Tentei tranquilizá-la murmurando em seu ouvido que estava tudo bem, acariciando seus cabelos. Ela, no entanto, só soluçava mais e com mais força, a dor tão presente em sua voz que me partia a alma.

Eu afastei sua cabeça do meu ombro quando seus soluços se tornaram entrecortados, embora ela muito tivesse protestado, e a forcei a olhar em meus olhos.

— Chara, você está prendendo sua respiração. Por favor, você precisa se acalmar e respirar, está bem? Eu estou aqui, eu vou cuidar de você, prometo. Nada vai te acontecer. – A puxei de volta para o meu corpo, e ela deitou a cabeça novamente em meu ombro, dessa vez tentando respirar de maneira regular e mais calma, enquanto eu tentava mantê-la tranquila murmurando em seu ouvido que tudo estava bem.

Quando ela se acalmou o suficiente, eu a peguei no colo e entrei em seu quarto, que estava completamente bagunçado, como de costume. A deitei na cama e me sentei ao seu lado, acariciando seus cabelos. Fiz menção de me afastar quando ela parecia calma e adormecida, não querendo atrapalhar seu descanso, mas Chara segurou meu pulso no momento em que levantei, me trazendo de volta para sentar na cama.

Ela deitou a cabeça no meu colo e abraçou minhas pernas com força, como que me impedindo de ir embora, não que eu tivesse essa intenção. Emaranhei meus dedos no seu cabelo, e ela relaxou.

Adormeceu não muito tempo depois, a cabeça repousada em minhas pernas ensopadas de lágrimas. Seus cabelos também estavam molhados de tanto que ela havia chorado, e ainda durante o sono, ela soluçava por vezes, e havia um leve tremor em seu corpo. Seu rosto, apesar de marcado pelas lágrimas, ainda era sereno e tranquilo. Como se nada houvesse acontecido, ela estava apenas dormindo.

Seu corpo estava encolhido na cama, os dedos dolorosamente apertados nos meus jeans. Eu acariciei seus cabelos úmidos, toquei seus braços de leve e no momento em que senti os leves relevos que marcavam sua pele, provindos de cicatrizes antigas, tive a certeza de que a aversão que Chara tinha pelos humanos não era algo que podia ser facilmente revertido. As cicatrizes estavam não só no seu corpo, mas também na sua alma.

Ela acordou algumas horas depois, ainda bem apertada a mim. Virou os olhos inchados para que encontrassem com os meus, mas não levantou.

— Asriel... Me desculpe. – Murmurou, a voz saindo rouca.

— Não tem que se desculpar por nada, sua boba. – Afastei o cabelo de seus olhos. – Se eu pudesse, nunca teria deixado com que esse assunto chegasse até você, mas não tinha nada que eu pudesse fazer. Eu sei como é difícil para você...

— Não é sua culpa. – Ela procurou minha mão e nossos dedos se entrelaçaram. – Isso é um problema que eu já devia ter superado. Já se passaram tantos anos, mas... Por mais que eu lute contra isso, não consigo mudar esse sentimento que tenho pelos humanos.

— Eles te machucaram... Eles fizeram coisas horríveis com você. É normal que se sinta assim. Mas Chara, se algum dia voltar a ver a superfície, tente entender que nem todos os humanos são assim. Nem todos querem te machucar. Veja Frisk, por exemplo. Ela te ama e você a ama.

Ela refletiu aquilo por alguns momentos, e por fim levantou-se do meu colo e pôs-se de pé, espreguiçando.

— Você tem razão. Eu tenho que tentar trabalhar essa ideia dentro de mim. Eu quero ajudar. Eu também quero ser forte, quero poder fazer algo por vocês, então contribuirei com Alphys na sua pesquisa. – Ela parecia melhor, apesar do rosto marcado pelas lágrimas recentes. – Obrigada por cuidar de mim, Az.

Ela inclinou-se e depositou um beijo singelo no canto de minha boca. Um estalar de lábios tão rápido que eu quase não fui capaz de sentir, inebriado e surpreso demais com a ação repentina dela.

— Vou fazer café pra você. Para agradecer. – Ela sorriu fraco pra mim, seu rosto outrora pálido agora completamente ruborizado.

Saiu então depressa do quarto, me deixando sozinho com meus pensamentos desconexos.