Notas iniciais
ARCO NOVO! Passaram-se oito anos :3

Chara POV

Um som incômodo continuava a soar na minha mente semiconsciente, e eu não conseguia decidir se me deixava levar pelo sono enquanto me afastava cada vez mais do ruído, ou se nadava contra aquela correnteza para conseguir abrir os olhos e descobrir a origem dele. O barulho persistia, e eu por fim comecei a me irritar.

Abri os olhos minimamente, embrulhada em dois cobertores até o queixo e sem vontade nenhuma de sair dali, minha mente tentando espantar o sono.

Então eu me lembrei o que era aquele som irritante. O despertador.

— Ah, droga! — Pulei da cama de uma vez, ficando um pouco tonta pela rapidez com que levantei. Apoiei uma mão na estante ao lado de minha cama para não perder o equilíbrio, enquanto esfregava os olhos com a outra.

Estiquei a mão para alcançar o irritante aparelho que continuava a insistir com o barulho, e com toda a calma do mundo que alguém pode ter às sete e meia da manhã, apertei o botão para que parasse.

Ah, que ótimo. Eu tinha prometido a Asriel que estaria pronta as sete para que pudéssemos sair para arrumar os detalhes que faltavam.

Mais uma vez eu havia dormido demais e perdido a hora.

Suspirei pesadamente, se ele havia esperado até ali, que esperasse mais um pouco.

Me arrastei até o banheiro, pegando a escova de dentes e preguiçosamente começando o trabalho da higiene matinal. Tomei aquele tempo para me olhar no espelho a minha frente, tentando me concentrar em algo para espantar o sono. Meus cabelos, que eu tentava deixar crescer, caiam em desalinho pelo meu rosto até meus ombros. Meu rosto era pálido demais para o meu gosto, palidez que destacava o rubro das minhas íris. Sorri com a boca cheia de espuma quando pensei no quanto havia passado a gostar daquele escarlate, com o passar dos anos. Por qual motivo isso aconteceu mesmo...?

Terminada a operação de escovar os dentes, me livrei da camisola branca ali mesmo, voltando ao quarto e abrindo o armário para jogá-la lá dentro e tirar as primeiras coisas que vi pela frente para vestir.

Nada além do meu vestuário habitual, optei por um confortável suéter vermelho com detalhes em amarelo que combinavam com meu pingente dourado, shorts pretos e meia calça da mesma cor.

Esquecendo completamente de pentear os cabelos, calcei depressa minhas botas de cano curto favoritas e abri a porta do quarto.

O corredor estava vazio e silencioso, não havia ninguém ali.

Segui com calma até a cozinha, soltando ainda um sonoro bocejo pelo caminho. Eu realmente não era o tipo de pessoa que funcionava perfeitamente pela manhã.

Completamente sonolenta, passei reto pela sala sem olhar ao redor e entrei na cozinha, abrindo a geladeira em busca de chocolate. Estava em falta.

Gemi em desgosto e me arrastei de volta para a sala esfregando os olhos. Ouvi uma risada abafada.

— Dessa vez você nem me viu aqui e quase bateu na parede. Acho que da próxima você cai desacordada na poltrona, ou no chão mesmo. — Asriel olhava pra mim com um sorriso divertido brincando nos lábios, sentado na mesa segurando uma enorme caneca de café.

— Não tem graça, Az. Por que não me acordou? — Fingi estar brava com ele.

— Eu bem que tentei, bebê dorminhoca, mas seu sono consegue ser mais pesado que o do Sans. — Ele riu, me fazendo suspirar. — Da próxima vez não vou só bater na porta do seu quarto, vou entrar e te fazer cócegas até você cair da cama.

— Você nem ouse... — Dei um sorriso torto pra ele, que piscou pra mim em resposta.

— E onde está a mamãe? — Sentei-me na mesa, enchendo minha própria caneca de café. Assim que sorvi o líquido, me senti bem melhor, a sonolência me deixando.

— Está em algum lugar do castelo, não sei onde. Ela desceu as escadas a não muito tempo. Provavelmente está arrumando algum detalhe restante.

— Eu aposto que ela vai te fazer usar algo embaraçoso hoje à noite, como por exemplo, uma coroa de flores douradas. — Eu sorri pra ele com o cenho franzido, e ele virou os olhos.

— Ah, por favor, isso não. Aliás, Chara, o que houve com seu cabelo? Levou um choque? Ou comprou algum gel super potente e decidiu testá-lo hoje?

— E-ei! — Levei automaticamente as mãos ao meu cabelo desgrenhado, tentando penteá-lo com as mãos.

— Ei, eu tava brincando, marrentinha. — Ele riu. — Você é linda de qualquer jeito, sabe disso.

— Se sou tão marrenta assim você não devia testar tanto minha paciência logo pela manhã, Az. — Sorri perversamente pra ele enquanto bebericava meu café.

Ele se levantou e caminhou até atrás da cadeira onde eu estava sentada, então eu o senti passar os braços pelo meu pescoço suavemente.

— Minha marrenta favorita. — Ele sussurrou perto do meu ouvido, e eu senti minha face esquentar.

— E... Então, vamos? — Sibilei, sentindo minha alma ressoar levemente dentro de mim. Tamanha carga emocional àquela hora da manhã não podia ser saudável.

— Vamos, vamos. — Ele se afastou e eu me levantei, espreguiçando.

A última semana tinha sido corrida para todos naquela casa, por anteceder o aniversário de dezessete anos de Asriel, que seria comemorado naquela noite.

Era um costume da nossa família fazer a festa um dia antes, para que ela perdurasse por toda a madrugada e assim a data fosse comemorada por mais tempo.

Trajes de gala, comidas, bebidas, decoração, música, era tudo minuciosamente planejado por nossos orgulhosos pais, que todos os anos faziam questão de fazer daquela data um grande evento, mesmo sob os protestos de Asriel que afirmava que preferia uma coisa mais discreta, entre os mais íntimos. Ele, no entanto, não conseguia dizer não para a empolgação de Toriel, e cedia.

A festa seria aquela noite, e passaríamos o dia ajudando a arrumar os últimos detalhes restantes. A primeira coisa a se fazer era buscar as roupas que Toriel havia mandado confeccionar especialmente para nós, no alfaiate da capital.

............

— Acha que estará muito cheio? — Ele perguntou enquanto andávamos lado a lado em meio às ruas da capital.

— Eu aposto que estará ainda mais cheio do que ano passado. Como se você não soubesse o tamanho da popularidade que tem... — A última parte foi dita entredentes, arrancando uma risada leve de Asriel.

— Sabe, confesso que me cansa um pouco passar a noite recebendo todos aqueles cumprimentos. Eu preferia comemorar essa data fazendo algo um pouco mais... Discreto.

— E o que seria, sua alteza? — O olhei com o canto dos olhos, abrindo um meio sorriso torto e arrancando um som de desaprovação dele. Asriel odiava quando eu me referia a ele daquele jeito, e por isso era tão divertido fazê-lo.

Antes que ele pudesse responder, no entanto, ouvi alguém chamar pelos nossos nomes, no meio dos outros monstros.

— Chara! Asriel! — Então eu avistei a pequena garota mais adiante, acenando e correndo em nossa direção. Ela se jogou nos meus braços.

— Olá, Frisk! O que faz aqui tão longe de casa? — Retribuí o abraço da mais nova, rindo.

Seis anos atrás, um segundo humano caiu no subsolo, mais uma vez surpreendendo a todos. Tratava-se daquela graciosa garota. Frisk, na época com apenas nove anos, era dona de uma pureza e bondade sem tamanho, e ela logo conquistou a todos ali. Havia sido adotada pela nossa família, e viveu conosco durante algum tempo. Agora, com completos catorze anos e ainda mantendo a mesma personalidade doce e gentil, ela morava junto aos irmãos esqueleto em Snowdin, com quem ela havia desenvolvido um profundo laço.

Sans havia sofrido uma grande perda seis meses antes de Frisk cair. Seu pai, o Dr. W.D. Gaster, cientista real que havia salvado minha vida, teve um acidente em sua própria criação, o Core. Ele caiu lá dentro e perdeu a vida, causando um grande abalo nos dois filhos que havia deixado para trás, mas principalmente em Sans, já que Papyrus era muito novo na época e não tinha muitas memórias do pai. Aquela foi uma época terrível para o comediante, que até mesmo calou-se de suas piadas e trocadilhos ruins, sua marca registrada. A chegada de Frisk, no entanto, trouxe de volta a alegria a ele.

Eu tinha por ela um enorme sentimento fraternal, e nos dávamos bem como melhores amigas, como irmãs. Junto de Asriel, ela foi uma peça chave na minha recuperação emocional naqueles anos, cuidando de mim com paciência e carinho.

Ela costumava vir até o castelo almoçar conosco pelo menos duas vezes por semana, e às vezes acabava ficando tarde e noite adentro, assistindo os programas de Mettaton na televisão com a gente, ou testando alguma nova receita de torta ou chá para nossos pais, que nem sempre dava certo. Em suma, éramos inseparáveis.

— Eu sabia que vocês precisavam arrumar os últimos detalhes hoje cedo, então como eu também preciso pegar meu vestido para hoje à noite no mesmo lugar que vocês, pensei que podíamos ir juntos. — Ela exibiu um enorme sorriso. — Eu ia mandar mensagem assim que chegasse na capital, mas não precisei, logo avistei vocês dois. — Ela tirou do bolso o pequeno celular enfeitado com inúmeros chaveiros coloridos, nos mostrando.

Ela se parecia um pouco comigo fisicamente, embora eu a achasse muito mais bonita.

Seus cabelos, mais curtos e escuros que os meus, caiam até as orelhas e formavam graciosas ondas nas pontas, dando volume. Sua pele tinha um tom moreno, bronzeado, que destacava ainda mais seus pequenos olhos dourados. Ela usava naquele dia uma blusa rendada amarela e uma saia florida rosa claro, e tinha a lateral do cabelo enfeitada com uma presilha de flor dourada, que havia sido presente de Sans.

— Convenceu o alfaiate a te confeccionar um vestido de ballett, irmãzinha? — Asriel perguntou, arrancando uma risada da mais nova.

— Ele disse que não seria apropriado para a ocasião, mas me prometeu que faria algo que me agradasse e que assemelhasse um pouco ao estilo.

Frisk tinha um grande apreço pelo estilo de dança, gostando de vestir-se com suas saias rodadas e sapatilhas para treinar seus passos sobre as luzes naturais de Waterfall. Ela costumava atrair bastante plateia quando fazia isso, e um dia até mesmo fez uma apresentação em conjunto com Shyren, dançando ao som de sua melodia. Sans sempre parecia hipnotizado quando via a garota dançar, o que sempre me arrancava risadas.

— Bem, vamos indo. Temos bastante coisas para fazer hoje.

..........

O resto do dia seguiu sem complicações, e logo após pegarmos as sacolas com as roupas confeccionadas, seguimos até Hotland para visitar a confeitaria de Muffet e buscar a encomenda de doces que havia sido feita por Toriel. Após isso, fomos até a casa de Napstablook em Waterfall buscar os CD's de musicas remixadas que ele havia feito especialmente para a ocasião.

Por fim, seguimos até Snowdin para buscar o resto da decoração que faltava, as luzes coloridas que eram tradição ali.

Quando terminamos tudo, já era final de tarde. Deixamos Frisk na porta de casa e por fim retornamos ao castelo, os dois carregados de sacolas e pacotes.

— Alguém aí? Não? Certo, não queria ajuda com as sacolas mesmo. — Chamei ao girar a chave na maçaneta e abrir a porta. Não havia nem sinal dos nossos pais.

Deixamos as sacolas no pé da escada, exceto a com nossa roupa,sabendo que logo alguém apareceria para pegá-las.

— Missão cumprida. Podemos nos arrumar agora. – Sorri para Asriel ao meu lado.

Ele então estendeu a mão para mim, um sorriso calmo nos seus lábios. Sem entender muito bem, eu peguei sua mão, e ele me guiou até o corredor.

— Quando eu dizia essa manhã que gostaria de algo mais discreto, eu me referia à talvez... Irmos até a nossa sala dos desejos em Waterfall... — Ele acariciava de leve os meus dedos com o polegar. — Ou quem sabe só passar a madrugada vendo filmes com você... Ou até mesmo...

— Asriel! — Dei um soco de leve no ombro dele, sorrindo torto. — Todos vão querer um pouco da atenção do príncipe hoje. Seria injusto roubá-la só pra mim.

— Acho que eu não quero a atenção deles como quero a sua.

— Idiota. — Murmurei, enquanto ele se aproximava mais de mim.

Ele me abraçou com leveza, as mãos na minha cintura me empurrando com delicadeza até a parede.

— Irá dançar comigo esta noite? — Ele sussurrou, e eu sentia meu coração descompassado em meu peito, junto com minha alma que ressonava como uma louca. Mesmo assim, tentei manter a voz tranquila.

— Sabe que não sei ser delicada desse jeito. — Não pude evitar de retribuir o abraço, pousando minhas mãos no seu ombro e deslizando para as costas lentamente.

— Ei, é meu aniversário. Tenho direito a um pedido, não? — Ele estava tão perto que eu podia sentir sua respiração na minha nuca.

— Deixe-me ir, Az. — Ronronei, sem vontade nenhuma de realmente me desvencilhar daquele abraço. — Preciso me arrumar. Vamos levar bronca se nos atrasarmos.

Nenhuma resposta.

— Vou puxar suas orelhas.

Ele soltou uma sonora risada e se afastou de mim.

— Certo, você tem razão. Não queremos levar bronca um dia antes do meu aniversário. Te vejo mais tarde, marrentinha. — Espreguiçando-se, ele dirigiu-se ao quarto que costumava ser nosso no passado.

Quando completamos doze anos, Toriel decidiu que já era tempo de cada um ter seu próprio quarto, alegando que já éramos grandinhos o suficiente para isso. Eu não gostei muito da ideia na época, não via problema em dormir no mesmo quarto que Asriel e ainda poder escapulir para sua cama de madrugada, em caso de algum pesadelo ou memória ruim me atrapalhar o sono. Tudo sempre desaparecia quando ele segurava minha mão debaixo do cobertor.

Apesar daquilo, acabei me mudando para o quarto no final do corredor, que até então era inutilizado e tinha uma placa de "reforma" na porta.

Entrei no quarto e fechei a porta, me dirigindo até o banheiro para tomar banho, me livrando do suéter no meio do caminho e jogando em cima da cama.

Estava ansiosa para a festa, não podia negar. Nossos aniversários costumavam ser os maiores eventos dali, reunindo gente suficiente para lotar o salão de festas do castelo, praticamente todo o subsolo comparecia.

Saí do banho fumegante algum tempo depois, enxugando o cabelo com uma grossa toalha. Aproveitei o momento para dar mais uma olhadela no espelho, um pouco embaçado pelo vapor.

"Magra demais", pensei. Eu já tinha completos dezesseis anos e dali uns meses faria dezessete. Esperava que a essa altura eu já tivesse curvas mais marcantes no meu corpo, mas elas eram bastante moderadas. Meus seios, no entanto, cresceram o suficiente para encher uma mão, nem muito grandes nem muito pequenos, e pra mim era perfeito. O que mais me incomodava, porém, eram as cicatrizes espalhadas.

Elas já não eram mais tão visíveis como antigamente, era verdade, mas ainda se via claramente marcas de cortes, queimaduras e arranhões que nunca desapareceriam completamente. Eu costumava usar sempre roupas largas, grandes e de manga comprida para que não ficassem a mostra, mas com o passar do tempo Frisk e Asriel conseguiram me convencer que eu não precisava ter vergonha delas, e então eu cedi.

Sai do banheiro enrolada na toalha e fitei o pacote em cima da minha cama.

— Vejamos, o que temos aqui... — Tirei o vestido do pacote, estendendo meus braços para olha-lo de frente. Franzi o cenho, confusa. Ele tinha zíper nas costas, além de vários cordões para aperta-lo, o que com certeza daria bastante trabalho.

Tentei da melhor maneira que pude me enfiar dentro do vestido, mas não conseguia alcançar o zíper e os cordões.

— Chara? Posso entrar? — Ouvi a voz de Toriel, depositando duas batidas na porta do quarto.

— Ah, mãe! Entra, por favor! — Ela entrou no quarto, e estava realmente linda, usando um vestido discreto, mas elegante, na cor marfim com delicadas rendas nas mangas longas.

— Me ajuda com esse vestido. — Choraminguei, fazendo bico.

Ela riu e veio até mim, pedindo que eu me virasse e fechando o enorme zíper nas costas, começando depois a puxar os cordões e amarrá-los.

— Dá pra acreditar que um dia desses vocês dois passavam o dia correndo pela casa e brincando, com menos da metade do meu tamanho e com aqueles idênticos suéteres verdes? Dezessete anos, pelos deuses, como o tempo passa rápido. — Ela riu enquanto terminava de ajustar meu vestido.

— Ah, mãe, não exagera. Isso já faz um bom tempo...

— Pois pra mim foi ainda ontem! Asriel era apenas um filhotinho cheio de inseguranças e receios... Mas olhe para ele agora! Está crescido e cada vez mais é um exemplo a se seguir em todo o subsolo. Ele será um grande governante, com toda a certeza.

— Pois pra mim ele continuará sempre sendo meu bebê chorão. — Nós duas rimos.

Mas era verdade que Asriel tinha amadurecido muito ao longo dos anos, ficando mais forte, confiante de si mesmo e acreditando mais nas coisas que ele queria, sem deixar de lado sua gentileza e doçura, que eram partes de sua personalidade.

A verdade é que nós dois havíamos mudado muito desde que cheguei ao subsolo oito anos atrás, a maturidade chegou para ambos e as crianças inseguras e medrosas de antigamente não existiam mais. Havíamos aprendido um com o outro ao longo dos anos e nos apoiado em momentos difíceis, além de compartilharmos diversos momentos bons.

Ele havia cumprido sua promessa de ajudar a colar os cacos de minha alma, e hoje em dia eu me sentia uma nova garota.

Saber que nós nos completávamos daquela maneira enchia minha alma de calor.

— Pronto, está feito. Vamos dar um jeito no seu cabelo e te maquiar agora, certo?

Sabendo que eu não gostava muito de maquiagem, Toriel limitou-se a esfumar meus olhos com lápis preto, afirmando que aquilo destacaria o vermelho das íris.

Depois de muito protestar, deixei por fim que ela usasse um pouco de sombra dourada no canto da pálpebra, um blush cor de pêssego e um brilho labial.

Devemos ter levado pelo menos meia hora naquilo, pois quando ela ficou satisfeita e fechou o estojo de maquiagem, já estava na hora de irmos para o salão.

Levantei-me e fui até os sapatos que haviam sido deixados no pé da cama. Era salto alto, e eu duvidava que conseguiria mantê-los durante a noite inteira, eu mal conseguia parar em pé em cima de sapatos altos. Com cuidado e com Toriel segurando uma de minhas mãos para manter meu equilíbrio, eu os calcei. Não podia negar que eram lindos, um branco puxado levemente para creme, enfeitado com vários cristais cintilantes que provavelmente tinham vindo de Waterfall.

— Está tão linda, filha. — Toriel me admirou por uns instantes, sorriso no rosto sempre. — Agora venha, não queremos nos atrasar.

Não tive tempo para me olhar no espelho e ver como o vestido tinha me caído, precisava ir para a festa.

A segui com cuidado para não cair em cima daqueles saltos traiçoeiros, saindo do quarto e fechando a porta.

Notas finais
Acompanhem minha fic no Social Spitir, posto mais lá do que aqui: https://spiritfanfics.com/historia/something-entirely-new-6582827