Something Else

5 Capitulo 5 – Foolish


Notas iniciais
Oi gente, e ai? Gostando de Something Else?
Espero que sim!
Agora a história começa a tomar mais forma e está escrita até o capítulo 13 já!
Qualquer dúvida, só me chamar no twitter @izabelaschmidt
=*

Capitulo 5 – Foolish

But I don't see the harm in love

(Coloque para carregar: Foolish – Good Charlotte)

Tom’s POV

Depois de ter ido de cara no chão, na frente da Izabela, eu resolvi ir para casa e não sair de lá o resto do dia.Humilhante Thomas, nem mesmo uma desculpa boa você sabe dar.

- Tom? – Minha mãe me chamou da cozinha, assim que eu bati a porta.Joguei-me em uma das cadeiras, emburrado.Ela perguntaria o que houve, eu contaria e ela riria de mim. – O que aconteceu filho?

- Nada não mãe – Me debrucei sobre a mesa, disfarçando o olhar.Se existe uma coisa realmente difícil de se fazer, é enganar Debbie Fletcher.Seu olhar desconfiado encontrou o meu, e eu não tive escapatórias. – Okay. EucainafrentedaIzabela.

- O que? – Mas que droga, eu vou ter que repetir ainda?

- Eu cai na frente da Izabela. – Falei pausadamente, sentindo meu rosto começar a esquentar, desde o pescoço até a testa.A gargalhada dela encheu toda a cozinha, o que me deixou irritado. – Não tem graça mãe.

- Sabe o que você parece Tom? – Ergui o queixo, esperando por sua resposta. – Um menininho de treze anos, esperando para dar seu primeiro beijo. – Virei os olhos, tentando esconder o sorriso de canto em meu rosto.O pior é que ela estava mesmo certa. – Apaixonadinho. – Qual é? Ela vai mesmo tirar com a minha cara?

- Nem começa mãe. – Já sei onde isso vai acabar parando.Dei um suspiro cansado.Não queria tocar naquela historia, mas é que eu queria saber como começou.Ela nunca mencionou. – Mãe, quando você conheceu meu pai, – Ela entortou os lábios, como se não quisesse saber o que estava por vir. – Você agia assim também? Quer dizer, você tinha vontade de sorrir a todo o momento, essas coisas. – Me senti um verdadeiro idiota perguntando aquilo.Era mais certo uma menina perguntar isso, do que eu.Espero que minha mãe não pense que eu sou gay.Ela ficou em silencio por um tempo, o suficiente para que eu me arrependesse da pergunta. – Desculpe.

- Não querido, sem problemas. – Minha mãe se encostou no balcão e enxugou as mãos no avental.De repente eu me vi tomado de uma curiosidade imensa.Eu sabia de apenas duas coisas sobre meu pai, duas coisas que minha mãe julgavam certas para que eu soubesse.Ele havia deixado ela, simplesmente por deixar, sem nada.E ele não valia nada.Foram as duas únicas coisas que ela me disse todos esses anos, e sempre que eu tocava no assunto, ela me cortava.Com uma sorte enorme, ela conheceu Mary, e o resto, já é meio obvio.Mary a trouxe para a mansão dos Schmidt, e foi aqui que eu conheci Izabela. — Seu pai era como você.Sabe a maneira como você olha Izabela? – Assenti envergonhado.Ela riu. – Ele me olhava daquele jeito, com os mesmo olhos que os seus.Eu não medi as conseqüências de ficar com ele naquela época, e seu avô também não ajudou muito.Depois que seu pai nos deixou, o meu pai nunca mais falou comigo.Alias, falou uma vez, para jogar na minha cara que ele estava certo sobre seu pai.Ele nos deixou por outra família Tom, e é por isso que eu não gosto de tocar no nome dele, porque ele me machucou, porque no fundo, as pessoas que o julgaram estavam certas.Foi uma tolice acreditar nele. – Os olhos de minha mãe se encheram de lagrimas.Eu me levantei, e dei a volta na mesa, abraçando ela. – E o pior é que eu ainda o amo.

- O amor não é uma tolice mãe. – Eu sentia como se fosse ao contrario.Eu parecia o mais velho, e ela a adolescente falando do primeiro namorado.Com certeza eu riria de minha teoria se o momento não fosse tão complicado.

- Não desista dele então. – Debbie enxugou as lagrimas e me olhou. – É sempre assim Tom, as pessoas não acreditam no amor sabe, muitas delas pelo menos.Elas vão te dizer, que é tolice acreditar que ela pode se sentir como você, ou que é tolice esperar como você faz, mas no fim, não há mal algum, em se apaixonar tolamente e se machucar secretamente. – Minha mãe nunca disse algo tão bonito assim, mas era verdade, se machucar por amor, valia a pena, pelo simples fato de saber que você pode amar.Talvez isso seja bom.

- Obrigada. – Sorri para ela, a soltando.Ela se virou, a voltou a trabalhar, mas eu sabia que ela estava chorando e que ela gostava de ficar sozinha nesses momentos.

Fui até a varanda, e me encostei na grade, perto da escada.Havia tantas coisas que me separavam de ficar com a Bela.Uma delas era o pai dela.Assim como meu avô não queria que minha mãe ficasse com meu pai, o pai dela não aceitaria que ela ficasse comigo.Qual é, olha pra mim, nem escola completa eu tenho.Um namorado descente pra filha dele, tem que ser alguém estudado, inteligente, que saiba sobre fundos anuais e falar de dinheiro como água.Eu não era um cara pra isso.Ethan era.

Meus pulsos se fecharam quando eu pensei em Ethan.Ele era só um moleque mimado que tinha tudo o que queria.Não tudo talvez, ele queria Bela, mas ela não o queria.Isso me deixava mais tranqüilo.Mas de que adianta? Ela não deve querer nada comigo também.Ela era o diamante, eu era a pedra, dois mundos completamente diferentes que não combinam juntos.

Virei meu rosto para o portão, ao mesmo tempo em que Harry chegava.Ele estacionou de qualquer jeito, na frente da escadaria, e deu a volta depressa no caso, tirando Izabela de lá, fazendo-a se apoiar nele.Ela não tinha uma expressão nada boa, e sua pele estava vermelha, mas não de um vermelho normal, que você ganha com o sol.Ela estava MUITO vermelha.Que porra era aquela?

Desci as escadas correndo, e fui para as portas do fundo, onde dava na cozinha.Harry já estava lá, com as meninas, o amigo dele e Bela.Estava agachado na frente dela, com um copo de água na mão.Bela apenas sorriu e balançou a cabeça.

- Estou bem Harry, foi só um mal estar. – Mal estar? Sei.Aproximei-me da mesa, como se tivesse acabado de chegar.Harry se levantou e ela olhou para mim. – Tom. – Sorriu sem graça.O rosto dela estava extremamente vermelho, e aquilo não era normal.

- Esta tudo bem? – Ela balançou a cabeça concordando.Harry bufou.

- Não esta nada bem não, você pode tratar de subir e deitar, e não sair do seu quarto. – Bela concordou emburrada, e se levantou.Suas amigas a apoiaram e a levaram para cima.Antes de subir pelas escadas, ela se virou, e sorriu para mim.Não consegui evitar retribuir ela. – Hm, Thomas Fletcher. – Harry me acordou do transe, e estendeu a mão para mim.Harry era um cara legal, costumávamos brincar juntos quando éramos pequenos.Escondidos dos pais dele é claro, é um detalhe de mínima importância, mas os pais dele não aceitariam que ele tivesse amizade com o filho de um empregado. – Muito tempo. – Apesar das linhas de preocupação em seu rosto, ele sorriu amistoso para mim. – Bom, esse é Dougie, um amigo que eu fiz durantes minhas viagens.

- E ai cara – Dougie apertou minha mão também e sorriu.Aparentava ser um cara legal também.Sorri de volta para ele, soltando sua mão.

- Han, okay, eu, estou indo.Se precisar de alguma coisa Harry, digo, se ela ficar mal, pode, han, chamar. – Ele concordou, arqueando a sobrancelha.Ótimo Fletcher, pra que mesmo você abriu sua boca? – Até logo. – Sussurrei, e sai pela mesma porta de onde eu entrei.Mesmo que ela dissesse que não era nada, eu estava preocupado, muito preocupado.

Harry’s POV

Depois que as meninas desceram, eu fui até o quarto de Bela.A vermelhidão em sua pele já havia melhorado, mas ela ainda reclamava de dor de cabeça.

- Você tem que ir no medico Bela, isso não é normal. – Pela milésima vez, ela virou os olhos.

- Harry, calma, não é nada, normal ok? Só não passei o protetor, o sol esta forte.Dores de cabeça são normais também. – Concordei contrariado.Eu ainda não estava aceitando isso muito bem. – Você falou com a Jéss? – Ela sabia exatamente em qual assunto tocar para me distrair.

- Ainda não. – Disse baixo, olhando para fora da sacada do quarto. – Acho que ela não quer me ouvir.

- Não a pressione Harry, foi você quem errou, não se esqueça disso.Eu não estou te culpando inteiramente, ela deve te ouvir também, mas de tempo ao tempo, vai demorar para que ela aceite você outra vez.

- Se ela aceitar. – Suspirei cansado. – Eu acho que vou me deitar, estou cansado. – Ela assentiu. – Você vai ficar bem? Posso chamar alguém se você quiser e...

- Vou ficar bem Harry. – Bela riu e beijou minha testa. – Vá descansar ok? – Assenti me levantando.Assim que eu fechei a porta e me virei para o corredor, bati de frente com alguém, que caiu no chão.

- Droga, desculpe, eu...Jéss! – Me abaixei, e estendi minha mão para que ela a pegasse.Ela sorriu amarelo, e se levantou sozinha. – Han, desculpe.

- Não tem problema Harry, não precisa se desculpar. – Por mais que aquele sorriso fosse forçado, ele me tirava o ar literalmente. – Só vim ver como ela está. – Apontou a porta, recém fechada.

- Esta bem, ela, vai descansar agora. – Jéssica assentiu, e se virou.Um impulso me fez segurar o braço dela, e a virar para mim. – Jéss, a gente tem que conversar e...

- JÉSS – Mas que porra, sempre tem alguém para me interromper.A Pris me paga depois.

- Hm, depois Harry – Ela olhou para o braço que eu segurava, me fazendo soltar ela na hora. – A Pris esta me chamando. – Sem esperar minha resposta, ela se virou, e desceu as escadas depressa, me deixando travado no mesmo lugar.

- É, eu ouvi – Disse baxinho, indo para meu quarto.Fechei a porta com força, e me joguei na cama.Abri a gaveta do criado mudo, e tirei uma foto de lá, a ultima foto que eu havia tirado com a Jéss.

Ela estava com os braços em volta do meu tronco, e a cabeça encostada em meu peito.Não consegui evitar uma risada baixa ao reparar o quão baixa ela era perto de mim.

Eu estava namorado Jéss por dois anos e meio, quando resolvi que iria viajar pela Europa.Queria leva-la comigo, mas ela não podia, tinha a escola, os pais dela não iriam deixar também, então eu fiz uma festa de despedida um dia antes de embarcar, e chamei toda a escola, amigos, amigos de amigos, e colegas.Queria me despedir de todo mundo naquele dia.

E foi feita a festa, todos que eu queria, estavam lá, menos a Jéss.Ela estava demorando a chegar, e eu estava preocupado.Bela só me acalmava, dizendo que “logo ela estaria no portão”. E eu sentei para espera-la. Bebi uma cerveja, duas, três, um copo de vodka, e eu já não estava respondendo tão bem a sanidade, e deve ter sido ai que a Fanna se aproveitou do momento.

Eu não me lembro de muita coisa, só da Jéss entrando no meu quarto, e me encontrar com outra.Talvez, eu não me esqueça daquele dia, porque foi a primeira vez na vida em que eu chorei, porque eu fui covarde o bastante, para não correr atrás dela, porque eu fui imbecil o bastante, para dormir com Fanna de novo, e porque no dia seguinte, eu sabia que ela não estaria lá para se despedir de mim, porque eu poderia abraçar todo mundo, e não poderia sentir os lábios dela nos meus.

Mas Jéss era irredutível, ela não se esforçava para tentar me perdoar, e era isso que mais machucava.

Eu sou um idiota, eu sei, mas estou disposto a mudar isso, só quero saber se é o bastante.

Izabela’s POV

Depois que Harry me deixou no quarto, eu passei um bom tempo encarando minhas mãos.Eu tinha ficado boba depois de ver Tom na cozinha.Não, eu não sabia o que era, mas agora, eu não posso nem sequer negar que alguma coisa esta acontecendo.

Todo esse turbilhão de coisas me deixa confusa demais para pensar nisso.

Escorei minha cabeça para trás, e fiquei por minutos, longos, daquele jeito, até a porta do quarto se abrir.

- Filha – Era minha mãe.Ela correu até a minha cama e me abraçou.Eu ri baixinho.Harry com certeza havia exagerado. – Harry me ligou agora a pouco, Mary me disse que você havia chego mal em casa, que Harry teve que te carregar, e que você...

- Calma mãe, eu estou bem. – Levantei as mãos na altura do rosto.Se existe uma coisa que Elizabeth Schmidt não pode ficar, é preocupada.Ela suspirou aliviada, me fazendo rir. – Você não devia ter saído do trabalho mãe, olha só, vai atrasar toda a sua organização. – Ela sorriu, e beijou meu rosto.

- Trabalho é em ultimo plano quando se trata de você mocinha. – Sorri e abracei ela, me encolhendo em seus braços.

- Mãe, quando a gente sabe que esta sentindo amor de verdade? – Esperei que ela ficasse surpresa com a mina pergunta, mas ela só ficou em silencio por alguns minutos, talvez pensando na resposta.

- Sabe Bela, amor é algo que não se explica.Alguns dizem que amar é tolice, que o amor não existe.Isso não é verdade, claro, existem muitos tipos de amor, o meu por você é um exemplo. – Sorri, ainda com a cabeça encostada em seu ombro.Eu a amava, sem duvidas. – Mas eu posso falar por horas, e não vou responder sua pergunta, porque eu não sei a resposta dela.Amor, você simplesmente sabe, se te ajuda o que eu vou dizer, é você olhar para aquela pessoa, e ter certeza de que é ela, que vai estar ali com você, todos os momentos, é sentir as famosas borboletas no estomago, e acima de tudo, o amor, não é só como um campo de rosas, ele machuca também, e machuca muito, não importa a maneira, o amor sempre vai tentar machucar você, e a pessoa que você ama, mas isso, é só um detalhe, porque se for verdadeiro, o final vai ser feliz.Não como um conto de fadas por exemplo, vão ter dificuldades, brigas, mas lá no fundo, o amor ainda vai estar vivo, e vai estar tudo certo então. – Ela abaixou o rosto, e olhou dentro dos meus olhos.Pensei que ela fosse ficar em silencio por um segundo. – Você acha que encontrou essa pessoa? – Eu não sabia o que dizer para ela, não sabia nem o que dizer para mim mesma.

- Talvez. – Ela sorriu, e endireitou o corpo ao meu lado.Soltei o ar com força, e escorei o corpo para trás. – Mãe, e o desfile?

- Vai bem, mas tenho tanta coisa para organizar ainda, confirmar a presença de vários amigos meus ainda, fotógrafos, bandas, tanto trabalho. – Vou bater no Harry por ter tirado ela do trabalho.

- Volte para lá mãe, vir até aqui só deve ter te atrasado mais. – Sorri sincera para ela.

- Mas Bela..

- Eu estou bem mãe, Harry é um exagerado. – Aumentei meu sorriso. – Está tudo certo.

- Promete que vai me ligar? Qualquer coisa? – Concordei com um aceno, rindo. – E Bela, só mais uma coisa.Você sabe o que houve com meus cravos? Eu os vi de longe quando estava na cozinha, eles estavam acabados. – Oh não, alguém vai ter problemas.

- Er, seus cravos? Não mãe, não sei não. Mas é melhor você correr não é?

- Oh meu Deus, eu vou mesmo, e não sei que horas eu chego. – Ela passou a mão na testa, e por um minuto, eu imaginei que ela fosse passar a madrugada trabalhando.De novo.Lizzie beijou minha testa, e sorriu, antes de sair correndo do quarto.No relógio, marcava duas da tarde, e eu não havia comido nada ainda.Meu estomago roncou automaticamente.

Levantei-me da cama, calçando meus chinelos e descendo as escadas.A casa estava silenciosa.Harry com certeza estava dormindo, a Mary tirava sua folga aos sábados à tarde.E eu estava sozinha, sem nenhuma companhia para uma maratona de filmes melosos e clichês com um enorme pote de sorvete.Mas talvez isso fosse um programa para se fazer sozinha mesmo.

Levei o enorme pote até meu quarto, e fui até a prateleira de filmes.Escorei-me nela, passando a mão pelos DVD’S que estavam ali.Um filme me chamou atenção, um que eu não via a muito tempo.Dei um sorriso de canto, e tirei P.S I Love You do lugar.Liguei o DVD o colocando lá dentro.Sentei na cama, ligando a TV e me escorando nos fofos travesseiros atrás de mim.Peguei o sorvete, e dei play no filme.

Holly estava subindo as escadas de seu prédio, e Gerry ia atrás dela, tentando conversar, e ela apenas o ignorava.Eram engraçados de ver, eles iriam entrar no apartamento, e iam discutir muito.Holly reclamaria da vida, diria que queria ter filhos mas que no momento não havia como, pois eles não tinham condições. Gerry iria retruca-la de uma maneira engraçada.Ele me fazia rir sempre nessa parte do filme.Enquanto ela estava nervosa, ele era estável, tranqüilo, não se irritava com nada.E então, ele sairia do apartamento e cinco segundos depois, iria voltar, Holly iria pular no colo dele, e eles diriam um ao outro como eram apaixonados, como se amariam até o fim.

Holly era como uma heroína para mim, porque suportar tudo o que ela suportou depois que Gerry morreu, não era para qualquer pessoa.Ele empre esteve presente através das dez cartas que havia feito para ela, da viagem que havia deixado de presente, de todos os “P.S Eu te amo” que havia deixado como assinatura em todas as cartas.

Eu me perguntava se eu conseguiria sobreviver a algo assim.Ele era o maior amor da vida dela, era o amante, o melhor amigo, e a vida tirou ele dela, de um jeito tão frio.Gerry era uma pessoa incrível! Ele não queria choro no velório dele, queria ser cremado, e que todos os homens fossem a frente, ao seu “caixão” e bebessem um copo de bebida alcoólica.Nem ao pensar no velório, ele perdera o bom humor.

Holly não queria um outro amor, ela só queria Gerry, e isso a deixou presa completamente ao passado, quase ficando maluca, dormindo com as cinzas de Gerry todos os dias aos pés da cama, carregando a caixa para onde quer que fosse, não tomava banho, não arrumava a casa, tinha visões, vivia em função de se lembrar de Gerry.Talvez eu não suportasse, eu não conheço a dor da perda. Eu sempre estive rodeada de tanto amor e carinho, tantas pessoas que gostam de mim, e acabo de me dar conta, que eu nunca valorizei isso da maneira como devia.Sempre deixei evidente meu amor pela minha família, meus amigos, mas agora, vendo a maneira como Holly sofreu, parece que me falta algo para completar toda essa minha felicidade, falta alguma coisa para preencher meu coração.Holly tinha amigas, tinha a mãe, tinha uma família e um porto seguro, mas ela tinha um amor também, ela tinha aquilo que faltava no meu coração, ela tinha alguém que amava e cuidava dela, tinha o Gerry, o seu Gerry, só dela.

Na Irlanda, quando eles se conheceram, ela era só uma adolescente, uma estudante.Dei uma risada baixa com a lembrança dela.Depois dizem que adolescentes não podem se apaixonar de verdade.E depois, de serem atrapalhados bem o momento em que iam se beijar, ela se afastou dele, e ficou com seu casaco, dizendo que se fosse para eles se encontrarem novamente, seria o destino.Gerry apenas riu, e achou aquilo tudo completamente uma besteira.Tanta besteira, que eles se encontraram de novo, no bar em que ele tocava.Era obvio que aquilo tudo se tornaria mais do que simples encontros por acaso.Eles realmente estavam destinados e serem um do outro.Só que o mesmo destino havia tirado ele dela.Eu ainda não achava justo, finais tinham que ser felizes, não tinham?

Talvez seja isso que minha mãe quis dizer com “o amor também machuca”, Talvez os finais nem sempre são felizes como nos contos de fadas, mas eles são felizes da nossa maneira, nós temos que fazer nosso próprio final, e tentar fazer com que ele seja feliz, depende de nós mesmo, deixar ele da maneira como queremos, e nem sempre, ele vai ser como planejamos.Não existe uma maneira simples de brincar de ser Deus, as coisas vão acontecer, como devem acontecer, e nós temos que aceitar por mais difícil que seja.Deve ser algo como, correr atrás do que realmente nos valoriza e nos favorece.

Apesar de Holly quase deixar de viver depois da morte de Gerry, foi ele próprio, quem incentivou ela a continuar, através das cartas dele, ela não desistiu de si própria e era isso que eu mais admirava em Holly.

O final dela não foi exatamente feliz, ou talvez tenha sido, porque foi o final que ela fez para si mesma, foi o final da Holly, não o final de Branca de Neve, ou da Cinderela.Eles realmente não existem, e eu finalmente só me dei conta disso, agora, com 17 anos nas costas, mas quem liga? Encarar a realidade é cruel demais às vezes, mas pode valer a pena também.

No filme, o The Pogues cantou “Só quero estar lá/Quando estivermos presos na chuva/Eu só quero ver você rir, não chorar/Eu só quero te sentir/Quando a noite colocar seu disfarce/Estou sem palavras,não me diga/Porque tudo o que consigo dizer/Eu te amo até o fim.”

Talvez o que estivesse me faltando, era um alguém para amar até o fim, mesmo que este, não fosse feliz, não como um conto de fadas, mas feliz do meu jeito.

Sorri inconsciente, observando os créditos finais do filme subirem.Olhei para o pote de sorvete, todo derretido e praticamente intocado.Fiz uma careta, e o coloquei ao lado da cama.Acho que ninguém se incomodaria em tomar sorvete derretido depois.

(coloque a musica para tocar)

Afundei-me preguiçosamente nos enormes travesseiros, e peguei meu Ipod. Coloquei os fones no ouvido, e deixei a musica fazer minhas pálpebras pesarem.

Some people will tell you

Algumas pessoas te dirão
It's foolish to believe

Que é tolice acreditar
That someone else could feel the way you do

Que outro alguém poderia se sentir como você

Well people might say

Bem, as pessoas podem dizer
It seems a little strange

Que parece meio estranho
To hope so secretly

Esperar secretamente
The way you do

Do jeito que você faz

But I don't see the harm in love

Mas não vejo mal no amor
No, I don't see no harm at all

Não, não vejo mal nenhum
To fall foolishly

Se apaixonar tolamente
To hurt secretly

Se machucar secretamente
That someone else could feel this way

Que alguém poderia se sentir assim
And fall foolishly

E se apaixonar tolamente

Não, não há mal em esperar por alguém que se sinta como eu. Se apaixonar tolamente, quem nunca foi um tolo por amor? Só quem não o conhece mesmo.Se machucar por amor, vale a pena, simplesmente por você poder amar alguém de verdade, saber como é o sentimento mais puro e sincero que existe.

É, o amor machuca sim, mas acho que no fundo, todo mundo gosta de se machucar por ele, todo mundo já machucou e já foi machucado.Do amor nos somos apenas vitimas, mas ele é bom não é? Com todas as suas controvérsias e todos os seus defeitos, afinal, nada mesmo é perfeito.


Been dying to tell you
Estava morrendo pra te dizer

Not to lose your faith
Pra não perder sua fé

Cuz I swear that love will one day find its way
Porque eu juro que o amor encontrará o caminho

Into your heart
Até seu coração

Into your mind
Até sua mente

Into your life
Até sua vida

You might find?
Você pode encontrar?

Era uma musica aleatória, mas aleatoriamente proposital.Eu posso encontrar o amor? Talvez não, até ele mesmo me encontrar.


So I don't see the harm in love
Então eu não vejo mal no amor

No I can't see no harm at all
Não, não consigo ver mal nenhum

To fall foolishly

Se apaixonar tolamente
To hurt secretly

Se machucar secretamente
That someone else can feel this way

Que mais alguém pode se sentir assim
And fall foolishly

E se apaixonar tolamente
Oh, and fall foolishly

Oh, se apaixonar tolamente
Just to fall foolishly

Apenas se apaixonar tolamente



Quando os últimos acordes do violão foram diminuindo, meus olhos já estavam fechados, e meu consciente não prestava mais atenção em nada a minha volta.

Acredito que eu ainda tenha muito tempo para colocar todos os sentimentos em ordem, tempo para realmente saber o que eu sinto, e enquanto isso não acontece, eu só continuo querendo saber, quem se apaixonaria tolamente, se machucaria secretamente por mim, que se sinta como eu, que me prometa que o amor vai sim encontrar o caminho até meu coração, e então, eu vou poder encontrar ele.

Notas finais
Obrigada as meninas que comentaram, incentivam muito! =D