Something Else

10 Capitulo 10 – Surrender


Notas iniciais
Oi gente!
Desculpem a demora pela postagem, anda tudo tão corrido aqui!
Espero que gostem do capitulo.

Capitulo 10 – Surrender

I never dreamed that you'd be mine, but here we are, we're here tonight

Estava dividida entre continuar jogada na minha cama e ficar olhando meu pôster enorme do Good Charlotte atrás da porta, e dar uma corridinha até a casa do Tom.Ah, ninguém ia perceber.Eu posso olhar meu pôster todos os dias.

Abri a porta do quarto devagar, tentando não fazer barulho. Acho que passava das oito horas.Meu pai chegaria de York de madrugada, minha mãe, bem, só passou em meu quarto para dizer boa noite e foi se deitar, e Harry iria dormir na casa de Dougie.Se a situação fosse mais perfeita, estragaria.

Desci a escadaria depressa, correndo até a porta dos fundos.Já estava escuro lá fora, o bastante para que eu prestasse atenção por onde andava.Não me leva a mal, mas eu estava ansiosa para ver ele.Posso ser bem desastrada quando estou ansiosa.Dei a volta na pequena construção em tons claros de marrom, e parei em frente à janela que deveria ser o quarto de Tom.Bem, eu realmente espero que seja o quarto dele.

Joguei uma pedrinha no vidro, mordendo o lábio nervosa, com medo de alguém me pegar.Uma luz se acendeu no cômodo, e eu não conseguia esconder minha animação.Por Deus do céu, o que está acontecendo comigo?

- Izabela? – Ele abriu a janela, prestando atenção na cena, não acreditando no que via. – Era eu quem devia jogar uma pedra na sua janela, certo? – Soltei uma risada abafada e concordei.

- Pode sair Julieta, não tem ninguém nos vendo. – Tom balançou a cabeça incrédulo, e pulou a janela sorrindo.Minha primeira ação assim que ele chegou perto de mim, foi abraça-lo com força, e sentir seu perfume me inebriar.

- Você disse que ia apenas pensar em mim essa noite. – Seus braços circundaram minha cintura, e eu apertei meu rosto em seu peito.

- Não seria suficiente. – Senti seu hálito bater em meu pescoço, quando ele riu baixo. – Debbie está?

- Dormindo. – Seus olhos se demoraram nos meus, e sua expressão pensativa, pensou duas vezes antes de me fazer o convite. – Quer entrar? – Sorri com os olhos e acenei concordando.Ele me arrastou até a janela, pulando para dentro do quarto, me puxando em seguida para o cômodo.

- Beach Boys? – Seu quarto era todo branco, cheio de pôsteres de bandas de rock antigas, das quais eu gostava.

- São meus preferidos desde a infância. – Arqueei a sobrancelha surpresa.Ao lado da cama marfim, sobre um pequeno criado-mudo, havia uma coleção de bonecos do Star Wars, e sobre a cômoda, uma coleção estimável de CD’s.

- Você tem bom gosto, Fletcher. – Tirei o Nimrod do Green Day do lugar, e o olhei atentamente. – Não se existem muito mais desses para se vender. – Sorri enviesado.

- Não achei que gostasse de Green Day, e nem de Beach Boys. – Seus braços me abraçaram por trás, e eu fiz um barulho estranho como a boca, como se protestasse. – O que? Pensei que você ouvisse, hm, Britney Spears? – O encarei boquiaberta e indignada, rindo baixo em seguida.

- Certo, — Virei-me de frente para ele encostando-me na cômoda.Seus braços me prenderam contra o móvel, deixando-me sem saída. – Precisamos aprender mais um sobre o outro. – Passei os braços por seu pescoço, aproximando meus lábios de seu maxilar. – Mas podemos deixar isso para depois.

- Concordo plenamente. – Tom desceu as mãos para minhas pernas, e as segurou para que eu as passasse por seu quadril.Sentou-me sobre a cômoda, e subiu as mãos para minha cintura.Seus lábios procuraram os meus, e os gostos de nossas línguas se misturaram instintivamente.Só então eu percebi o quanto ele era alto.

- Tom? – Ele resmungou entre o beijo para que eu continuasse. – Até antes de ontem nós tínhamos vergonha de olharmos um nos olhos do outro.

- E qual é a exatamente a importância disso agora? – Ele mordeu meu lábio inferior e apertou minha cintura.Minhas pernas se tornaram mais firmes em volta de seu quadril, e minhas mãos apertaram seus ombros.

- Acho que nenhuma.

- Cale a boca então. – Soltei uma risada baixa, e apertei seu corpo contra o meu. – A partir de agora, — Ele sussurrou perto do meu ouvido, causando arrepios no meu corpo. – Você é só minha.

- Pretensioso.

- Realista.Você quer discordar? – Olhei dentro de seus olhos e achei melhor não contrariar ele.Eu não sei mentir, de qualquer forma.

- Schmidt, você senta com o Cameron. – Professor maldito.A partir de agora eu volto a odiar meu professor de matemática, e conseqüentemente volto a odiar a matemática, claro.

- Oi Bela! – Ethan sentou-se ao meu lado, e sorriu.Entortei meus lábios em um sorriso amarelo para ele, e desejei loucamente estar em casa, debaixo das minhas cobertas agora. – Então, você anda sumida. – Claro, eu falto um dia por motivos óbvios – porque uma ressaca não permite um ser humano normal ir para a escola – e ele já gruda em mim no outro dia, dizendo que está com saudades.O cara não larga do meu pé.Eu não entendo.Em todas as minhas aulas de matemática, minha turma muda, menos o Ethan.Que ótimo.E isso foi uma ironia.

- Você Jones, — Apontou para Daniel, sentado no fundo da sala, em silencio.Parecia que ele estava com medo de que chegasse sua vez.O professor Ackless correu seu dedo até a mesa de Pris, e apontou para a cadeira ao lado da dela.Priscila arregalou os olhos, e se ela soubesse que não levaria uma suspensão teria soltado uma boa quantidade de palavrões para o professor.

- Bela, hm, sabe, esse fim de semana vai ter uma festa lá em casa, aniversario da minha mãe.Ela me pediu para te convidar, disse que gostaria que você fosse. – Sei, suas mãe ou você Ethan? Por favor, esse cara não me deixa em paz mesmo.

- Oh, desculpe Ethan, — Dei meu melhor sorriso desapontado. – Eu já tenho um compromisso marcado com as meninas. – Ele abriu a boca para falar algo. – Inadiável. – Eu disse antes que ele pudesse contestar.Ethan assentiu e virou o rosto para o quadro.Suspirei culpada e aliviada ao mesmo tempo.Eu não tenho culpa de nossos pais terem enfiado na cabeça um do outro que nós somos perfeitos juntos.E nós não somos, com certeza.

Senti um mal estar momentâneo, e tudo que estava ao alcance dos meus olhos pareceu girar.Encostei-me para trás e respirei fundo.

- Professor, — Jensen se virou para mim, e ergueu a sobrancelha, permita-me, de um jeito completamente sexy. – Será que eu não poderia ir até a enfermaria? Não estou me sentindo bem. – Me olhou com cara de poucos amigos por ter interrompido sua explicação.

- Depressa Schmidt, se não quiser perder o trabalho. – Assenti me levantando.Virei os olhos discretamente quando estava chegando a porta.

- Posso acompanhar ela professor? Bela não parece muito bem. – Parei com a mão na maçaneta.Ainda mais essa.Dois segundos depois Ethan estava atrás de mim, com o braço apoiado em minha cintura. – O que foi Bela? Você está branca feito um papel. – Virei o rosto para ele com os olhos cerrados.

- Nada Ethan, só um mal estar. – Talvez eu estivesse de ressaca ainda.Vou pedir ao Harry de me lembrar que não devo beber mais.

- Tem certeza?

- Claro, claro. – Assenti mal humorada.Levantei o rosto para frente, e pude avistar a enfermaria de longe, mas só alguns segundos antes que a minha visão escurecesse.

Priscila’s POV

- Bela? – Bati de leve no rosto dela, desmaiada sobre os lençóis brancos da maca.Não havia um motivo muito sólido para o que aconteceu, ela simplesmente desmaiou.

- AI MEU DEUS DO CÉU, BELA. – Jéss entrou correndo na enfermaria e se jogou sobre a maca.Mas que diabos ela está fazendo aqui? – Bela, acorda. – Ela deu um tapa no rosto de Bela, mas com mais força que o necessário.

- Hey, pode ficar calma, ela está bem han? Foi só um desmaio. – Mas o que o Jones está fazendo aqui? Quem convidou ele?

- Ta fazendo o que aqui Jones? – O olhei de cima a baixo, voltando para seu rosto, encarando seus olhos azuis.E que olhos.

- Pris, não é hora de ficar implicando com o seu caipira, não ta vendo que a Bela ta desmaiada? Pode ter acontecido alguma coisa grave, ela pode estar mal.Meu Deus, será que ela e o Tom fizeram alguma coisa? – Jéss arregalou os olhos, e voltou a bater no rosto de Bela. – Bela, eu disse que não queria ser tia tão cedo, você não me ouviu? – Mas o que? O Tom? Quer dizer, o Fletcher?

- Quem é Tom? – Ethan perguntou arrogante, se desencostando do batente da porta.Parou ao lado de Jéss como se lhe pedisse uma explicação.

- Fica na sua almofadinhas, não é da sua conta. – Ele a fitou ofendido, e quando fez menção de abrir a boca para falar algo, Jéss lançou um olhar mortal para ele. – Fica na sua Ethan, não vou dizer de novo.Alias, vaza daqui, pode voltar para sua aula que não precisamos mais da sua ajuda. – Ele se virou e saiu da enfermaria pisando duro, murmurando algo inteligível.Estava xingando Jéss, com certeza. – Que cara chato.

- Jéss, o que você quer dizer com o Tom e a Bela? Quer dizer, eles...você sabe. – Arregalei os olhos assustada, e me apoiei na parede ao meu lado.

- Claro que não Pris, quer dizer, não sei. – Ela cruzou os braços e entortou a boca, como se estivesse falando de algo completamente normal. – O fato é que eles se pegaram em cima da cômoda dela, naquela noite da ressaca lembra? Foi ele quem levou ela para o quarto quase em coma alcoólico.Você sabe, ela é fraca para essas coisas. – Alguém pigarreou do meu lado.Eu e Jéss viramos o rosto juntas.

- Er...Bem, eu estou indo sabe, se precisarem de algo...

- Ta ai ainda Jones? Já deveria ter ido. – Disse debochada, virando os olhos.

- Pris, deixa de ser grossa com o garoto. – Jéss se adiantou para ele sorrindo. – Obrigada, hm...

- Daniel, mas pode me chamar de Danny. – Sorriram um para o outro.Idiotas.

- Obrigada Danny, prazer, sou Jéssica, mas pode me chamar de Jéss. – Ele assentiu ainda sorrindo, e apertou a mão dela.Virou-se para mim, e sorriu sem graça.

- Bom, eu estou indo, aviso o professor que vocÊ está aqui, e, hm, pode deixar que eu termino o trabalho.

- Tanto faz. – Respondi entediada, olhando as unhas.Ele apenas balançou a cabeça e se virou. – Como esse caipira é chato, meu Deus do céu.

- Pris, quanta maldade, o cara é um gatinho. – Olhei incrédula para ela. – Ok, não está mais aqui quem falou. – Ela levantou as mãos na altura dos ombros, fazendo meus olhos virarem.A maca onde Bela estava deitada fez um barulho fraquinho, e Jéss voou em cima dela. – BELA? TA ME OUVINDO?

- Jéss! – A tirei de perto de Bela, antes que ela marcasse cinco dedos no rosto dela. – Não precisa bater nela assim também. – Bela gemeu fraquinho e abriu os olhos.Demorou alguns segundos para que percebesse o que estava acontecendo.

- Bela, sua idiota, tem noção da minha preocupação?

- Jéssica, calma! – A tirei de perto de Bela, e me sentei na maca ao seu lado. – O que aconteceu Bela?

- Eu, não sei...Eu... – Ela me olhou desconfiada e ergueu a sobrancelha. – Quem é você? – Arregalei os olhos do tamanho do mundo, e Jéss se jogou em cima de Bela de novo.

- ELA PERDEU A MEMÓRIA? MAS ELA BATEU COM A CABEÇA PRIS? ELA...? – Bela começou a gargalhar gostosamente, jogando a cabeça para trás.

- Não acredito que você acreditou Jéss, eu finjo muito mal. – Eu e Jéssica lançamos olhares assassino para ela – Okay, desculpem-me. – Ela deu mais uma risada fraquinha, e se sentou com dificuldade. – Não sei o que aconteceu, talvez ainda esteja no efeito da bebida.Só sei que de repente eu vi a enfermaria, e ficou tudo escuro.Agora eu estou aqui.

- Bela, você e o Fletcher fizeram alguma coisa? Porque eu não quero ser tia tão cedo, sabe como é. – Bela virou os olhos entediada e mostrou o dedo do meio para Jéssica.

- Jéss, eu não fiz nada com ninguém.

- Claro, e eu...

- JÉSSICA!

- Ok, estou calada. – Eu e Bela nos olhamos e caímos na gargalhada.Ela nunca muda.

- Você não quer ir embora? – Me sentei ao lado de Bela, na maca e a vi suspirar.Talvez fosse uma boa idéia.Sua pele estava pálida, e os olhos fundos.Sorri demoradamente quando ela acenou concordando.Levantei-me, e puxei pela mão, para sairmos da enfermaria, mas não antes de Jéss insistir em seu assunto preferido.

- Mas Bela, você não quer mesmo falar sobre isso? – Realmente, algumas coisas jamais vão mudar.

Izabela’s POV

- Isso Izabela, levante atrasada, não tome café da manha.Acho que eu vou ter que conversar com a tia Lizzie sobre você, porque...

- Harry. – Virei os olhos, e o chamei entediada.

- Não, agora você vai me ouv...

- Harry Judd.

- Não Bela, ta vendo, eu perdi metade de uma manha de aula por...

- Harold!

- Não me chame de Harold, porra.Você também ta de brincadeira comigo agora? É Harry, Bela, H-a-r-r-y. – Não consegui evitar uma gargalhada alta.Era extremamente engraçado, ver Harry irritado por chamá-lo de Harold, enquanto dirigia.Ele não podia simplesmente me olhar e mandar o dedo do meio, afinal, ele era um motorista muito correto.Em termos, é claro. – Se você ta pensando que vai se safar dessa história do desmaio, ta muito enganada.Vou falar para a tia Lizzie sim.Já começou o ano mal Izabela. – Ele apontou acusadoramente para mim, quando parou em um sinal vermelho. – Já perdeu um dia e meio de aula, na maior cara de pau.

- Ah, claro, eu perco o terceiro dia de aula por uma irresponsabilidade do meu primo, e levo a culpa por isso? Parabéns...Harold. – Sorri irônica para ele, e puxei meu cabelo para cima por causa do calor.Harry bufou entediado, e se virou para frente de novo.

- Bela? – Resmunguei algo inteligível, para que ele continuasse a falar. – Que porra é essa no seu pescoço? – Demorei alguns segundos para processar a informação.Eu havia literalmente esquecido da marca enorme que o Fletcher, provavelmente, tinha deixado no meu pescoço.Mas que ótimo! E isso também foi uma ironia.

- Isso o que no meu pescoço? – Me fiz de desentendida, olhando as unhas.

- Isso o que? Não tente me fazer de idiota Bela, você sabe do que eu estou falando.

- Fazer-te de idiota? Não preciso Harry, você já é. – Sorri fofa para ele, soltando meu cabelo, deixando-o cair em cima da marca roxa em meu pescoço.Pelo menos ele não está tão escura ou tão grande como estava ontem.Seus olhos cerraram, e ele me encarou com uma expressão, que bem, dava medo. – Ok, ok.Eu realmente não se de onde apareceu isso.Eu acordei ontem, e ele estava ai. – Quem eu quero enganar? Eu minto muito mal, Harry não é idiota o suficiente para acreditar em mim.Eu acho.

- Ah, você acordou ontem e ele estava ai? Interessante Bela, porque quando nós chegamos em casa, ela não estava ai. – Ele sorriu cínico, e a saliva desceu rasgando minha garganta. – Se ela apareceu ontem, e você viu quando acordou, ela apareceu de madrugada, certo? – O sorriso esperto dele, continuava em seu rosto.Droga, droga, droga. – E QUEM ESTAVA COM VOCÊ ONTEM DE MADRUGADA IZABELA? – Olhei pela janela, fingindo que não era comigo, batendo os dedos no caderno que estava em meu colo. – Bela!

- O Tom. – Respondi baixinho.Quase que nem eu mesma ouvi.

- É, o Fletcher! – Exclamou irritado, batendo a mão no volante, e acionando a buzina do carro.Alguém o xingou do lado de fora, talvez o dono do carro de trás, ou da frente, não sei.Harry apenas colocou a cabeça para fora do carro, e mostrou o dedo, para quem quer que tenha xingado ele.Encostei-me no banco do carro, ficando em silencio até chegarmos em casa.Harry continuava com a expressão irritada.Esse era o único problema dele, pensar que eu ainda era uma criancinha.Ou talvez ele tivesse medo de que alguém fizesse comigo o que ele fez com a Jéss.

Harry estacionou o carro de qualquer jeito perto da garagem, e saiu dele, indo em direção a porta.Eu respirei fundo, e sai do carro também, indo devagar para o mesmo rumo de Harry, até perceber que ele não estava indo para a minha casa, mas sim para a casa de Tom.Ah, Puta que pariu.

- FLETCHER. – Harry bateu com força na porta da casa dos Fletcher.Corri atrás dele, parando a alguns metros de distancia.

- Harry, chega, não se meta nisso.

- Cale a boca. – Respondeu ignorante, ainda de costas para mim.Ninguém havia atendido ainda, e eu suspeitava que ninguém estava em casa.Eu agradeceria por isso.

- Harry. – Fui para perto dele, e segurei seu braço, tentando vira-lo de frente para mim. – Eu não estou te entendendo.Você vai me privar de conhecer alguém legal agora? Não, melhor. – Sorri cínica. – Você ACHA que vai?

- Eu não estou te privando de nada, mas você nem conhece esse cara, Bela.Eu não quero que façam com você o mesmo que eu fiz com a Jéssica. – Ah, eu sabia!

- Nem todas as pessoas são idiotas como você Harry, lembre-se disso. – Ele me olhou sentido, e me abraçou beijando o topo de minha cabeça.

- Desculpe.

- Desculpado. – Olhei mal humorada para ele, recebendo um sorriso, e um abraço de urso, que me deixou sem ar. – Ok, sem muitas demonstrações de afeto. – A nossa bipolaridade entre primos é constante, tenho medo disso.

- Ai sua grossa. – Harry me olhou, imitando um gay, nos fazendo cair na gargalhada. – Ok, vamos comer, eu estou com fome. – E quando é que ele não está?

- Harry? Você não deveria ter voltado para a faculdade? – Harry estava cursando o segundo ano da faculdade de música.Era o sonho dele.Mas na verdade Harry já sabia tocar bateria, e tocava muitíssimo bem.Dougie estava cursando o segundo ano junto com ele, queria montar uma banda, e ser famoso.Mas por enquanto, ele aceitava ser custeado pelo pai dele enquanto estudava.

- Eu não tinha nenhuma aula de interessante hoje. – Ele deu de ombros, e voltou a comer o enorme lanche do McDonalds em suas mãos.Ah claro, primeiro ele fala que eu não comecei o ano bem, e depois ele mata aula.Que ótimo.Virei os olhos, e voltei a grudar os olhos na tela da televisão, aonde passavam alguns clipes na MTV. – Bela, — Resmunguei para que ele continuasse. – Faz quanto tempo que você, hm, está enrolada com o Fletcher? – Eu sabia que ele ia perguntar isso.

- Pouco tempo. – Silencio constrangedor.Odeio silêncios.

- Defina pouco tempo.

- Pouco tempo Harry, nada mais que isso. – Qual é, eu sou uma garota, não vou ficar contando dos meus rolos para o meu primo, mesmo ele sendo meu melhor amigo.Harry bufou nervoso, e voltou a comer.

- Eu te conto dos meus “rolos” – Ele fez aspas com os dedos,pegando o lanche gorduroso de novo.

- Bom, acredito que isso seja um problema seu, estou certa? – Ele me mostrou o dedo do meio, me ignorando por completo.Melhor assim, eu acho.

Ele terminou de comer em silencio, sem nem olhar para mim e subiu para o seu quarto depois de levar os restos para a cozinha.Eu dei uma risadinha divertida, e me joguei no sofá.

Desliguei a TV e fiquei olhando para o teto.Sobre Tom, eu teria que contar a alguém.Mas Jéss faria um escândalo, Pris ficaria feliz e surtaria, o que também seria um escândalo, Laa não diria nada, mas se eu não vou contar para as outras duas, não vou contar a ela também.É injusto de minha parte.Harry, bom, ele já sabia, mas ele não é exatamente alguém com quem eu possa conversar sobre isso, Dougie, fora de cogitação.Mary havia entrado em férias e Debbie estava no lugar dela.Ótimo, não vou falar com a minha “sogra” sobre isso.Meu pai, bem, ele vai saber na hora certa, e ele vai ficar muito bravo, porque “Tom não é bom o bastante para mim”. Conheço esse discurso.

Resta minha mãe, mas eu não a vejo a tanto tempo, que...

- Izabela Schmidt. – Retiro o que eu disse.

- Mãe. – Sorri fofa para ela, correndo até a porta para abraça-la, e ouvir uma série de perguntas sobre minha saúde.Às vezes eu tenho vontade de jogar o Harry de um penhasco!

- Filha, tudo bem? – Eu não disse? Ela vai passar os próximos quinze minutos perguntando se eu estou bem.

- Tudo ótimo mãe, qualquer coisa exagerada que o Harry tenha falado, não acredite, porque você sabe como ele é. – Ela me olhou por um segundo, e então suspirou.Sentou no sofá, e me deitou no colo dela.

- Eu tenho que passar mais tempo com você Bela. – Sorri para ela, sem discordar.Bem, era verdade! – Mas enfim, finalmente os preparativos do desfile estão no final, os últimos retoques podem ser deixados com a minha equipe, e até semana que vem, no grande dia, estará pronto. — Semana que vem? Porra, me esqueci literalmente.

- Mãe... – Comecei, depois de alguns minutos de silencio.Ela me olhou, esperando que eu continuasse, e eu travei. – Quando você começou a namorar o Papai, como meu avô reagiu? – Ela entortou os lábios, e arqueou a sobrancelha.

- Bom, ele não aceitou, obvio, por seu pai ser filho de um dos empregados dele. Mas você sabe essa história Bela, porque a pergunta? – Cocei a nuca, e me sentei, de frente para ela.

- E se eu dissesse que estou namorando alguém de uma classe diferente da nossa, o que meu pai diria? – Ela me fitou de uma maneira estranha, e se virou, sentando-se de frente para mim.

- Não estou te entendendo, Izabela. – Odeio quando ela me chama assim, parece que vou levar uma bronca daquelas.

- Mãe. – Disse devagar, como se ela tivesse problemas de audição, ou como se ela fosse uma criança.Ou talvez eu falava devagar para prolongar minha ansiedade. – Eu estou, é, hm, não namorando, nem ficando...Ah, mãe, eu estou enrolada com o Tom. – Vi sua expressão se contorcer, processando minhas palavras.

- Que Tom, Bela? – Como assim que Tom? Ta, não existe só um Tom na face da terra, mas por favor, ela tem que saber qual é.

- Hm, o filho da Debbie. – Ela arqueou a sobrancelha, coçou a ponta do nariz, apertou uma mão contra a outra, e a essa altura do campeonato, meu coração já havia saído pela boca, meia dúzia de vezes. – Fala alguma coisa. – Pedi com a voz baixa, mordendo o lábio inferior, quase arrancando um pedaço dele fora.

Mas então, ela sorriu, como se eu tivesse falado a coisa mais normal do mundo.

- Thomas Fletcher? – Assenti, desfazendo a pressão em meu lábio inferior. – O filho de Debbie Fletcher? – Não mãe, do Darth Vader! Ok, eu não falei isso para ela.Apenas assenti, concordando. – Que gracinha! – Então ela vibrou, e eu não entendi mais nada. – Alias, ele é uma gracinha filha, tem olhos tão bonitos! Sabe, eu nunca te falei nada, porque eu pensei que você não se interessava por rapazes como ele, mas nossa, ele tem olhos lindos, e eu acho que vocês formariam um belo casal! – Han, ok, quem é você e o que fez com a minha mãe? Ta certo, minha mãe não é má, mas eu achei que ela, bem, iria reagir um pouco...mal? É, bem mal, a tudo isso.

- É mãe, o Tom, filho da nossa empregada. – Frisei o “empregada”, para ver se ela teria alguma reação contraria, mas não, ela continuou sorrindo.Que ótimo, uma prova de fogo a menos! Se eu já passei por Harry e pela minha mãe, me sinto uma heroína!

E então, eu me permiti sorrir também, verdadeiramente, para ela, porque eu percebi naquele momento, que eu poderia contar para ela, com o que fosse, e eu estava feliz por isso.

- Mas, — Ela começou, tirando os sapatos, e se esticando no sofá. – Conte-me cada detalhe, vocês já se beijaram? – Bom, ela nem imagina o quanto!

- Não acredito que ela te disse isso, Bela! – Tom me olhou incrédulo, ainda surpreso pela boa reação de minha mãe.Estávamos deitados debaixo do coreto, no jardim, perto das roseiras.

- Bom, pelo menos ela aceitou facilmente. – Senti-o balançar a cabeça, concordando.

- Bom, seu pai, se você quiser, eu posso falar com ele, e... – Ri baixinho, e me sentei, puxando Tom para cima, para que ele ficasse de frente para mim.

- Tom, calma, não temos nada sério ainda.Não é como se fossemos nos casar, ou algo assim.

- Quer casar comigo? – Virei os olhos, e selei seus lábios sentindo o gosto de hortelã invadir minha boca.Soltei um risinho involuntário quando ele parou o beijo, e desgrudou nossos lábios. – O que é tão engraçado?

- Ela perguntou se já havíamos nos beijado. – Joguei a cabeça para trás, e me permiti gargalhar.Tom arqueou a sobrancelha, e ficou vermelho de repente.

- Ela perguntou sobre...erm, bem, você sabe. – Olhei para ele em duvida, não entendendo a indagação. – Sexo, Bela!

- Ah, sim, quer dizer, não, ela não perguntou sobre isso. – Ri idiotamente de novo, o empurrando para o chão, e deitando em cima de seu braço esticado. – Não se preocupe, ela não vai perguntar.

- Bela? – Resmunguei para ele continuar, fechando os olhos, sentindo as pálpebras pesarem. – Você gosta mesmo de mim? – Arregalei os olhos no segundo em que ele terminou de perguntar.E foi então que eu indaguei para mim mesma.Eu gostava realmente dele?

- Bom, sim, eu gosto muito de você. – Então ele me puxou para cima dele, e olhou atentamente no meu rosto.

- Defina muito. – Soltei um suspiro pesado, e fechei os olhos.Todos gostam de me fazer definir as coisas.

- Muito, de um jeito indefinível. – Tom rolou os olhos, e me abraçou, correndo seus dedos por toda extensão das minhas costas, arrepiando os pelos de minha nuca.Fechei os olhos, aproveitando seu toque.Meus olhos pesaram de novo, e segundos depois, eu já tinha caído no sono.

Notas finais
reviews?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.