Something.

1 Capítulo 1


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Naquele dia eu simplesmente fiquei no estúdio por horas, propositalmente. As coisas com Pattie não iam bem, brigávamos muito e eu pressentia que ela tinha outro. Para completar, depois de sair de Abbey Road, passei em um pub e bebi, bebi como um louco. Fedendo a álcool, coloquei os pés em casa de madrugada. Ao acender a luz, vi somente os cabelos loiros daquela que ainda me esperava sentada no sofá da sala. “Precisamos conversar”, ela disse.

Fechei a porta atrás de mim e me sentei no sofá à sua frente. Ela fez cara de desgosto quando sentiu meu cheiro, não olhava em meus olhos ao falar e, enquanto ela o fazia, eu só admirava sua beleza. Porque estávamos indo nessa direção?

Eu tinha ficado no estúdio porque odiava brigar, discutir. Quando brigavam comigo, eu ficava quieto. Escutava tudo e só dizia algo de repente que me faria “calar a boca” do oponente. Mas com ela eu sequer conseguia fazer isso. No final, ela me disse que queria terminar, ou algo parecido. Como eu não respondi nada, ela gritou algo, disse que eu sequer ligava – o que não era verdade! – e subiu as escadas que levavam para o quarto.

Eu permaneci sentado.

Na minha mente, imagens da nossa juventude, ela atuava conosco naquele filme e nós quatro achávamos ela linda. Me lembro de ficar um pouco enciumado com os outros caras, mas no fim eu gostava dela e era correspondido.

Me lembrei do nosso casamento. Ela estava linda, parecia uma boneca. Tinha o sorriso mais lindo da face da Terra, mas há tempos ele não aparecia mais pra mim.

Acordei dos pensamentos de repente, peguei papel e caneta. Me debrucei sobre a mesa, escrevi algo, dobrei e saí, deixando a caneta ao lado. Era melhor passar a noite na rua, hoje, deixar que ela refletisse e depois conversaríamos.

~

Me levantei e procurei por George pela casa toda ao ver que ele não dormia ao meu lado. Era muito ruim discutir com ele e eu já havia me arrependido, mas doía muito mais saber que ele tinha resolvido dormir na rua e nem conversar comigo a respeito.

Desci as escadas e vi um pequeno papel dobrado na mesa. Talvez ele tivesse me escrito algo. Ao ler, entendi tudo.

“Don’t wanna leave you now;

You know I believe and how”.

Reconheci o homem que amava naquelas letras e soube mais do que nunca que também acreditava nele.

E como.

Notas finais
E aí, ficou bonitinha? haha.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!