Somente 5 Noites... Cancelada.
18 A Sexta Noite, Adeus. Parte 1
Notas iniciais

Ele encarava a parede.
Queria tirar todas as lembranças da cabeça por um momento, apenas esquecer e ficar olhando a parede.
Mas ele não podia.
Não se esquece tudo que se passou, e as memórias só o perturbam ainda mais.
Mike estava com medo de ir trabalhar, o que iria ser dele, agora que não sabia mais se o amigo queria matá-lo ou salvá-lo?
Era um xadrez mental, e os dois lados estavam num impasse.
Ele pelo menos, tinha sua noiva do seu lado.
–Oi... Cê tá melhor? –Alice perguntou, enquanto entrava carregando um chá de camomila, “A mulher perfeita”, Mike pensava, pois ela o entendia mais do que ele se decifrava.
O jovem bebericou o chá e respirou fundo, esperando a coragem vir para poder se arrumar... Mas como criar coragem para falar com criaturas assassinas que querem o estrangular?
–Mike, eu acho que você... Deveria tentar. –A moça disse enquanto o levantava e pegava um pente- Às vezes a melhor forma de se descobrir algo... É tentando. –Ela penteava o cabelo dele com delicadeza, as vezes removendo um fagulho de pizza daquele lugar.
–São crianças, Alice. –Disse enquanto se levantava- São crianças que perderam o controle. Eu me lembro de cada detalhe da maldição, e acho que me lembro do nome de cada um. O Freddy é o Allec, Bonnie, é o Carl. –Mike respirou fundo, como se falar aqueles nomes fosse uma espécie de chamado- Chica é uma Amberly, Foxy, é o John...
–Mas não eram cinco crianças? –Perguntou Alice se lembrando da notícia que leu, foram cinco crianças mortas no restaurante.
O rapaz se viu sem explicação, Foxy já havia falado sobre um quinto, mas nunca revelou o nome, ou o que aconteceu com ele.
Talvez hoje fosse o dia de descobrir.
–Vou me arrumar minha linda. –Disse e saiu correndo para achar o uniforme.
–Está bem, meu amor.
***
–EU NÃO ACEITO ISSO! –Gritou Freddy que bateu o pé, nunca que ele iria falar com aquele segurança em paz.
–Mas Freddy... Nós já entramos em um acordo... Eu acho que deve ser o melhor a fazer... –Chica tentou, mas isso apenas irritou ainda mais.
–NÓS? VOCÊS DOIS SE JUNTARAM COM OS MAIORES TRAÍRAS, EU NÃO ACEITO ISSO! –O urso rosnou, e se sentou bufando como um touro enfurecido.
Após um dia inteiro de tentativas, Goldy conseguiu convencer três animatrônicos a ter uma conversa pacífica com Mike, mas Freddy continuou batendo pé firme de sua opinião, então sua resposta sempre era: “Não”.
–Vamos lá Frederico, é o melhor a se fazer... Essa conversa pode ser muito importante... Anda logo Zé Colmeia. –Bonnie brincou, e Freddy tacou-lhe um tapão em sua face- SEU PUTO, AI!
–Olha, se você não vai concordar, vamos ter que te prender em algum lugar igual a um cachorro, porque todos concordaram... –Goldy sorriu maldosamente e começou a andar na direção de Freddy, que começou a andar de costas.
–Não, não, sai... –Disse enquanto recuava até que bufou e fez um “facepalm”. (Tradução: Quando batemos com a mão no rosto em sinal de constrangimento ou frustração.) -ESTÁ BEM! MAS SE NÃO DER CERTO EU MATO ELE!
Todos comemoraram, aquela sexta noite estava vencida, e Golden Freddy não via a hora de finalmente ver Deus pessoalmente.
Era aquela noite, que iria significar tudo.
***
–Hã... Oi pesso-oal... –Mike gaguejou entrando, sentiu uma atmosfera fria, e viu que talvez estivesse ferrado- E-eu estou indo para mi-minha sala o-ok?
E pela última vez, saiu correndo para seu cantinho naquele restaurante, com medo de tudo e todos daquele lugar.
***
–TRANCANDO AS POOOORTAS! –Mike cantou enquanto fechava as portas, todos os animatrônicos, menos Foxy, já haviam saído.
“Essa noite vai ser fácil... Eu vou... O plano vai dar certo...” –Pensou nervoso o jovem enquanto olhava todas as câmeras.
De fato, todos os animatrônicos estavam perto, isso era certa vantagem para as ideias que o rapaz tinha em mente...
De repente, ele olhou a câmera do corredor, e viu que o pôster do Freddy havia sumido.
“O quê...” –Pensou engolindo seco, sua garganta estava totalmente sem saliva, e ele estava morrendo de medo.
A câmera apagou.
“NÃO...” –Ele sacudiu o tablet várias vezes, até a câmera voltar, mas com uma surpresa.
No lugar daquela velha imagem do Freddy, estava a imagem de um urso dourado, e o mesmo som daquela risada aguda ecoou por todo o espaço.
“COMO... QUEM?!” –Pensou com o coração totalmente acelerado e abaixou o tablet.
Mike não devia ter feito isso, deveria ter continuado olhando os lugares, pois ele recebeu uma visita inesperada.
Ao olhar para frente, viu um urso dourado, parecido com o Freddy, estava sentado de boca aberta, não havia nada além de escuridão em seus olhos profundos, parecia... Oco, sem ninguém.
–MAS O QUÊ?! –Mike gritou pulando e ficando de pé- QUEM É VOCÊ? SAI DAQUI!
O urso começou a se esvair, deixando o garoto sozinho no silêncio.
–Ah bem... –Aliviou-se ao se sentar, e fechou os olhos.
Quando os abriu, ouviu um rosnado grave, e apagou, deixando a imagem de um urso dourado em sua mente.
“Eu morri?...” –Pensou.
***
–Ele tá bem? –Perguntou uma voz aguda, que estava longe.
–Claro que está! Eu só apaguei ele para poder tirar ele de lá! –Respondeu uma voz grave e medonha.
Não, ele não estava morto, estava acordando, sua imagem estava sem foco, viu formas roxas, amarelas e vermelhas em cima de si, e não entendeu nada.
–TaLVeZ vOCê TEnHa ExAGEraDO Na dOsE DA iNConsCIÊnciA. –Sugeriu uma voz muito familiar que o rapaz parecia conhecer.
–ORA! EU NUNCA EXAGERO! –A voz medonha vociferou, mas logo depois pareceu ficar envergonhada- Talvez hã... Só um pouco.
–Ei otários, -Uma voz parecida com a medonha chamou num tom irônico- ele está acordado, e garanto que pode nos ouvir.
Todas as formas coloridas se calaram, ficaram focados em Mike, e o rapaz não entendia mais nada, ele foi abduzido por aliens? Morreu e está achando que não morreu? Era pegadinha da aranha-cachorro?
A visão começou a focar, e ele viu...
Foxy, Bonnie, Chica e o urso dourado bizarro olhando fixamente para ele.
–PUTA VIDA! –Berrou dando um pulo e recuando o mais rápido que podia, pois os animatrônicos iriam matá-lo, era o que ele pensava.
–Ei! Ele vai fugir! –Chica alertou, e Mike começou a correr, correr para longe, para onde estivesse seguro.
E então, sentiu seu corpo batendo em algo peludo, e quando olhou para cima...
–Aonde vai? Mandaram eu não te matar, mas se fugir eu acho que vou arriscar te deixar aleijado. –Freddy ironizou, e o jovem caiu no chão amedrontado, colocou a cabeça nos joelhos e esperou morrer.
Esperou...
Esperou...
E nada.
–VoCÊ eSTá BeM, MikE? –Perguntou a voz do Foxy, e uma mão foi colocada em seu ombro.
–Vocês... Querem me matar. –Respondeu com medo e dificuldade, enquanto tremia temendo seu fim.
–Não, prometo que não. –A voz do urso medonho disse enquanto se aproximava- Queremos conversar, filho de Jeremy.
Filho de Jeremy? Que papo era esse? Ele não havia conhecido seu pai, e talvez seu pai não se chamasse Jeremy, podia se chamar Robervaldo, ou Marileno... Qualquer nome!
–Ei Mike, você vai ficar assim? Queremos ir embora, e precisamos de você. –Chica implorou, e outra mão foi colocada em um de seus ombros.
Ele teria que criar coragem, fazer isso logo... Quanto mais cedo tudo isso acabasse, mais fácil seria de voltar para sua vida normal.
E aos poucos foi levantando a cabeça, e viu que todos estavam com uma expressão preocupada, menos (Óbvio) o urso pardo marrom.
–E aí... Hora da apresentação... –O urso com voz medonha disse levantando Mike com uma mão, o que fez o rapaz perceber que aquele animatrônico era 10 vezes mais forte do que si próprio, isso fez ele se estremecer ainda mais- Eu sou Golden Freddy... Estive te ajudando por um tempo sabe... Meu nome é Edwiner, se não quer morrer me chame de Edwin... E eu sou a quinta criança morta.
“Ah, então agora está explicado... Se eu ao menos soubesse disso antes...” –Mike raciocinou, e ficou fitando aquele ser estranho.
–Não vai falar nada? –Bonnie perguntou, e começou a sacudir o rapaz- Galera, o moleque quebrou! Não tá falando nada! Alguém manja de mecânica humana aqui?!
–Cal-cal-ma-ma! –Tentou dizer, mas ser chacoalhado por um animatrônico feito de um esqueleto de aço não é nada legal- ME SOL-SOL-TA-TA!
O coelho soltou o rapaz com um sorrisinho irônico, e Chica começou a rir.
–Será que desconjuntamos o resto do cérebro dele? –Perguntou a galinha rindo, e Foxy rosnou como um cão enfurecido.
–CAlEm a BOCa, AQuIlo fOi SeM qUErER, FoI CUlpA do GOldY! –Justificou-se o raposo, fazendo Mike olhar enfurecido para Golden Freddy que se retraiu.
–Hã... Desculpe... –Disse tímido o urso dourado, fazendo Mike gargalhar falsamente.
–FAZ ME RIR! ENTÃO VOCÊ É O FELA DA MÃE POR TRÁS DE TUDO! –Gritou o garoto, que começou a andar pesadamente em direção ao urso dourado, ele iria espancar aquele animal até arrancar alguma parte de seu corpo.
Bem, ele iria, se Foxy não estivesse segurando-o.
–CaLmA... RElAxa... –Implorou com seus solavancos na voz o melhor amigo daquele menino, que aos poucos foi se acalmando.
–Estou aqui com vocês para explicar... Se me deixarem... Apenas falar... –Tentou desesperado o ser amarelo, fazendo Mike suspirar.
Todos foram se sentando, menos Freddy, e o segurança assentiu.
–Estamos ouvindo.
Isso fez aquele urso sorrir alegremente, então tossiu algumas vezes, até se sentir completamente preparado.
–Então... Se quereremos saber do futuro, temos que olhar para o passado... MUITO, para o passado. –Começou Edwin, e então todos abriram suas mentes para ouvir.
***
Alguns muitos anos atrás, antes da morte das cinco crianças...
***
–Minha vida! Terminei os esqueletos! –Gritou o rapaz, enquanto passava a mão de graxa no cabelo, finalmente ele havia feito os cinco endoesqueletos de metal, todos serviriam como um animal que cantaria e dançaria, entretendo as crianças.
A mulher entrou na sala contente, carregando um bebê de aparentemente um ano de vida, que olhou para os esqueletos e bateu palminhas com suas mãos magrelas.
–Ah! Meu Jeremy... Que bom! Agora podemos abrir a pizzaria com aquele galpão velho... –A senhorita disse abraçando o rapaz, que sorriu por alguns instantes, mas aí se lembrou...
–Sobre isso querida... Eu hã... –Jeremy pigarreou algumas vezes, e se enervou- Eu andei tendo uns problemas com o pessoal que queria o galpão antigamente... Talvez eu devesse...
Um clima pesado se formou, ele não podia contar a verdade, de que teria que forjar sua morte para abrir a pizzaria que tanto queria... Mas se ele fizesse isso... Quem iria cuidar do pobre Mike e sua mãe?
–Devesse?... –Perguntou a jovem morena se sentando ao lado do marido, que abaixou a cabeça decepcionado com si mesmo.
–Talvez eu... Devesse deixar os meus fiéis amigos abrirem a pizzaria por mim... Eu... –Com alguns soluços, o rapaz abraçou a mulher e o filho, como se não quisesse fazer aquilo, mas teria que fazer... Se quisesse que o pequeno Mike herdasse algo tão maravilhoso quanto a alegria que aqueles bonecos iriam levar.
***
–Epa, epa epa! Como você sabe dessas memórias que nem EU lembro? –Perguntou o menino duvidoso para Goldy, que riu nervoso.
–Tive um papo com uma pessoa muito importante, mas vamos continuar que eu vou chegar lá. –Respondeu rapidamente o urso, e então voltou as histórias.
***
–JEREMY! JEREMY! MIKE... –Chamou desesperada, e logo depois se jogou no chão, desistindo de procurar aquele que um dia lhe trouxe felicidade.
O incêndio naquele restaurante havia sido grave, e enquanto a mulher de Jeremy saia para pegar sua bolsa que esqueceu em seu carro antigo, o fogaréu começou.
Estava tudo perdido... Havia perdido o marido, o filho... As pessoas que mais a apoiavam na vida...
–MOÇA! RESGATAMOS UM BEBÊ... –Avisou um dos garçons, que surgiu da fumaça, com um Mike calado, mas de olhos arregalados.
Isso aliviou um pouco mais o coração da mulher, mas ainda assim, havia perdido o precioso pai daquele menino, e então ela abraçou aquela criança, para tentar apagar as dores... Mas não se apaga o passado.
***
–Me sinto tão mal por ela... –Choramingou Jeremy para um de seus amigos, que bateu em seu ombro de leve.
–Pelo menos teremos um avanço no processo com sua “morte”, e iremos ganhar o galpão. –Sorriu Cathan, enquanto colocava Jeremy em seu carro quase fora de linha.
–Onde o Jeremmias vai ficar? –Perguntou Laslo, e Cathan pôs-se a pensar.
–Na minha casa, ele pode construir os animatrônicos lá, e quando estiverem prontos nós abrimos a pizzaria. –Respondeu, e Jeremy ficou cabisbaixo, ele simplesmente podia ter desistido daquele lugar para criar seu filho... Mas não iria abrir mão de um futuro alegre para Mike, ele iria criar aquele lugar.
Para o Mike.
***
Jeremy fitou cada um dos animatrônicos, um urso, uma galinha, um coelho e um ou uma raposa.
Que nome daria a eles?
O urso poderia se chamar Freddy, em homenagem a seu pai, Freddy Schmidt.
A galinha... Talvez uma mistura de chicken (Galinha em inglês) com algo...
Chica, isso.
O coelho... Tinha cara de Bonnie, uma cara marota e alegre... Poderia programá-lo para ser piadista.
O raposo ou raposa... Algo bem simples... Talvez Fox... Foxy?
Foxy!
Ele parecia mais um cara do que uma mulher... Então seria Foxy...
Mas não tinha cara de cantor... Que tal um pirata? Mike iria adorar um pirata.
“Isso, um pirata, vou fazer o gancho depois.” –Pensou Jeremy enquanto encarava todos os quatro.
Mas havia mais um endoesqueleto de metal sobrando... O que ele iria fazer com ele?
–Ei, Cathan, se eu te der um desses bonecos, você vai fazer algo? –Perguntou em voz alta, e o amigo riu.
–Vou ver, mas acho que se depender da minha preguiça, vou simplesmente guardá-lo aqui em casa. –Respondeu o amigo, fazendo o dono rir.
–É... Parece que você tá sem destino amigo. –Disse, enquanto carregava aquele esqueleto de metal até um pequeno quarto, e o trancava ali.
Mas não por muito tempo.
***
–Que tenso... –Analisou Chica enquanto passava a mão na cabeça de Mike, que estava perplexo.
–Depois disso, o restaurante abriu, Jeremy se ocultava, e ninguém, a não ser os funcionários, soube quem era verdadeiramente o dono daqui. –Continou Goldy, e riu de si mesmo- No final das contas... Cathan ficou com preguiça, mas fez um urso dourado parecido com o Freddy, só esqueceu de... Terminar os olhos. E guardou nos fundos do restaurante...
–Eu poderia ter sido garota... Que sacanagem... –Comentou aleatoriamente Foxy, fazendo Freddy rir.
–E eu já nasci com jeito maroto, que beleza! –Riu Bonnie, enquanto dançava algum tipo de dança escocesa.
Mike não havia assimilado tudo, mas já dava para entender algo... Era por isso que ele não conheceu seu pai de verdade... O pai “morrera” num incêndio em um restaurante qualquer...
“Que vida de merda, eu tenho.” –Pensou, e gargalhou como se estivesse contando uma piada para si mesmo.
Após uma pequena discussão, todos se calaram, e o urso com a voz medonha suspirou.
–Bem... Depois disso... Parece que um dos amigos do Jeremmias se revoltou, pois queria abrir o restaurante... Mas não conseguiu, pois Jeremy não confiava muito nele. Seu nome era Bob. –Ao lembrar disso, uma raiva consumiu o loiro, fazendo um clima de inquietação na pizzaria- E aí, viemos nós, as cinco crianças.
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