Someday
4 The brightness of a tear
Notas iniciais
Sim, Chris havia acabado de se declarar para mim. Foi algo tão completamente inusitado que não me contive em quase ficar extasiado e paralisei com um sorriso besta no rosto que o fez rir como um louco. Estávamos só nós ali, eu poderia beijá-lo mas como saber se não era só um teste dele para saber se eu estava afim dele? Percebi ele me flertando algumas vezes nos dias anteriores com trocas de olhares em locais fora da sala de aula, mas jamais imaginei que fosse me ocorrer algo como um dia qualquer ele dizendo que me amava.
Penso rápido, e então lhe respondo.
"Eu sei que é complicado para você entender que não se brinca com coisas assim"
"Mas eu não estou brincando! Eu te amo e te quero loucamente — se aproxima de mim e me enlaça pela cintura — Eu penso em você tantas vezes no mesmo dia que nem sinto mais o tempo passar."
"Mas isso não faz nenhum sent... — Ele me corta pondo a mão na minha boca, eu a tiro e continuo — Eu não entendo e... — me interrompe novamente desta vez se aproximando ainda mais e me beijando no pescoço."
Enquanto ele me beijava, eu por alguns segundos me deparei sem conseguir respirar direito e durante um desses beijos eu o interrompo levando seus olhos aos meus levantando a sua cabeça e balançando a minha sinalizando de forma positiva, e assim que faço isso ele dá um sorriso de felicidade com um pouco de alívio e finalmente me beija na boca, mas aquele não era como nenhum dos nossos beijos anteriores, aquele era real, sua língua dançava com a minha em uma sintonia que me excitou desde o início. Era mágico, entrelaçamos nossas pernas em uma sequencia uma dele uma minha, a outra dele e a outra minha e cada vez mais próximos finalmente caímos e não nos importava que estivéssemos no chão, àquele era o nosso momento.
Estávamos já fora de nós mesmos, quando minha sensatez me alertou para sairmos dali, afinal, a qualquer hora alguém poderia aparecer e estragar tudo então o paro afastando-o de mim, ele não reage bem e seu pênis estava marcado na calça quase pulando de tão rígido, então eu o pego pela mão me levanto e o conduzo as escadas, indicando que era bom parar por ali. Mas Chris estava tomado, ele nem chegou a pensar direito e então falou.
"Eu sei que você não quer parar. Você sabe que não precisa. — e então começou a descer as escadas e após assim fazer com um lance inteiro se vira a mim e faz um sinal com a mão me chamando — Você vem?"
Eu o segui. Estava tão cego quanto ele, apenas pensara no pior antes de agir impulsivamente. Mas seria agora o momento ao qual mais desejara em todos os momentos desde que Chris entrara em minha cabeça, e saber que ele sentia o mesmo me fazia delirar entre a alegria e tesão tais que nunca haviam se misturados antes. Chegamos ao térreo, ele seguiu até um banheiro masculino que ficava atrás da quadra, aonde quase nunca ninguém ia — a não ser para se pegar — por ser um ambiente muito estranho. Ele entra no banheiro e me espera atrás da porta me provocando chamando-me com o indicador. Eu dou mais um de meus sorrisos bestas e avanço nele, fechando a porta com força e causando certo barulho, mas quem ligava. Entramos na primeira cabine que vimos e estávamos tomados novamente por algo completamente novo para ambos, não era natural amigos se tratarem daquele jeito, a não ser que realmente se tornasse uma amizade colorida – o que eu não queria – e ocorresse rotineiramente. Eu começo a descer, e ao me colocar de joelhos me deparo com sua virilha extremamente marcada por seu membro em dilatação máxima uma cena que eu particularmente não pude deixar de aproveitar, e começo a beijá-lo por cima da calça e ele se escorou na parede da cabine que nos apertava contra o outro e, quando eu finalmente abro a fivela de seu cinto ele me levanta e volta a me beijar e eu não havia entendido o motivo da interrupção.
Enquanto nos divertíamos, o barulho da porta nos alerta. Ficamos imóveis por alguns segundo e ouvimos vozes dentro do banheiro – haviam entrado uns quatro outros caras, e estavam rindo – e pés se movimentando e se dispersando. Encaramo-nos e eu penso e falo no seu ouvido sussurrando-lhe.
“Podemos fazer o seguinte... um sai e o outro fica na cabine, ai quando eles saírem sai o outro.”
“Mas e se alguém quiser usar a cabine esperto?”
“Então... É verdade! – tive de admitir, ele estava certo, não havia o que fazer caso acontecesse, mas eu não poderia ariscar que nos vissem juntos dentro de uma cabine então o empurro para fora – Vai embora. – falo bem baixo para ele.”
Ele me encara tenso, estava nervoso mas continua como deveria e dá tudo certo. Um grito subitamente é ouvido do lado de fora, parecia Chris, os meninos que saem alguns segundos depois dele vão rapidamente para fora em um alvoroço, eu logo saio também e infelizmente um deles me vê, o mais quieto do grupo e fica com os olhos fixados em mim. Eu corro para fora, e não dou a mínima atenção para o tal. Deparo-me com Chris no chão e algumas pessoas em volta dele, ele havia sido atingido por uma mochila que caiu de dois andares acima e bateu com a cabeça em um dos bancos que estavam próximos a ele, eles estava sangrando e a mochila estava ao seu lado jogada no chão todos estavam imóveis e apenas o observavam se contorcer de dor.
Vou em sua direção correndo, eu me agacho ao seu lado e o ajudo a levantar. Logo Syan e Catherine aparecem e em seguida, alguns outros mais conhecidos no colégio todos me ajudaram com ele, não perguntavam o que tinha acontecido apenas ajudavam e o colocamos em cima de um dos bancos com o casaco de Syan apoiando a sua cabeça. Michael correu até a sala da supervisora e a avisou do ocorrido, depois trouxe gelo para colocar no local da pancada, todo o colégio tinha parado e com certeza iriam investigar como aquilo tinha acontecido, afinal, em quase todos os cantos das paredes tinham no mínimo duas câmeras.
Chris gemia quase initerruptamente enquanto eu pressionava o gelo em sua nuca inchada. Cath segurava a sua mão com força e deleitara a sua cabeça sobre a barriga dele. Syan só estava chocada de pé em sua pose narcisista de sempre, com os dedos fincados em seu cabelo e uma boca aberta e olhos arregalados em seu ponto extremo. Ele chorava em silêncio, chegou um momento em que só conseguia grunhir. O coordenador ligou para a emergência e finalmente ela chegou, quando o colocaram lá, Catherine entrou e eu fui barrado pelo enfermeiro. Pois quando ele perguntou quem iria com ele dentro do carro, ela alegou ser a sua namorada e em seguida pediram para que todos se acalmassem, por dentro fiquei totalmente devastado e cheguei a derramar algumas lágrimas bem discretas com medo do pior, aliás, era para eu ter ido com ele, não ela.
O coordenador mandou todos irem para as suas salas alegando que o intervalo já deveria ter terminado há muito tempo, e todos o obedeceram. Syan me abraça lateralmente e subimos juntos as escadas e vamos até nossa sala, eu não havia percebido mas aquele mesmo garoto continuava a me observar de longe, nem imaginava eu o que ele faria com tal informação que deduziu ao me ver sair da mesma cabine que Chris.
Na sala eu conversei com Syan do ocorrido, afinal, ela era a única ciente do que estava acontecendo conosco mas mesmo assim estava chocada com meu depoimento pois não esperava que fosse dar nisso. Ela me disse que viu quando tudo aconteceu com Chris cortando logo o assunto anterior, e que alguém tinha derrubado a mochila sem tal intenção. Mas eu estava indignado, e embora preocupado não conseguia tirar a cena de Cath entrando na ambulância e indo com ele, aquilo me irava e por mais que gostasse dela, eu me sentia traído por dentro – quase como se ela estivesse o tirando dos meus braços e o levando embora – sempre que lembrava-me.
Chris faltou o resto da semana, e não respondia minhas mensagens. Ele havia voltado pra casa na quarta, dois dias depois de ter ido para o hospital e nada de notícias dele e nem ninguém sabia de nada. Ele morava perto então na sexta a noite decido ir visita-lo, mas ele estava dormindo e tive que voltar – sua mãe me recebeu na porta e nem sequer pude entrar e vê-lo, ela apenas disse-me que ele estava bem e que segunda estaria de volta. Eu não iria aguentar esperar até segunda, ficar uma semana inteira sem nem sequer falar com ele depois do que aconteceu entre nós, isso seria o fim para mim. Persistente, volto lá no dia seguinte e por sorte sua mãe não estava em casa, mas para minha surpresa sorridente e satisfeito eu entro na casa de Chris e ganho a grande recepção de Catherine na porta, alegre em me ver.
Naquelas circunstâncias eu já estava com um grande abuso de Cath, mas tive de suportar e ignorando-a após um curto abraço de comprimento vou direto para o quarto de quem eu realmente estava ansioso para ver. Ele estava rindo mexendo em seu celular e parecia ler mensagens, eu extremamente contrariado bato na porta que estava aberta e ele prontamente levanta seus olhos para mim e levanta em um pulo único para me dar um abraço apertado, um dos melhores abraços do meu dia, e termina com um suave beijo no rosto ao qual estranho perceptivelmente. Ele me solta em parte e permanece segurando em minha cintura olhando nos meus olhos com um sorriso charmoso no canto da boca gritando por um beijo.
Em pouquíssimo tempo ela volta com um pote de biscoitos que pegou na cozinha enquanto nos reencontrávamos. E ao contrário do que eu tinha imaginado, aquela foi uma tarde bem agradável que passamos juntos. Chris pegou alguns cigarros de maconha que escondia dentro de meias velhas de quando era menor no fundo da sua gaveta e Catherine tinha trazido bebidas, e simplesmente faltava só a Syan para tornar tudo mais engraçado e os fazer sentir fúteis em nossas opiniões mortais como gostava de dizer.
Mas como o decorrer do tempo, tanto eu como Cath queríamos nos aproximar de Chris. E mesmo sem percebermos acabamos travando uma batalha entre nós brigando por suas coxas – para deitar enquanto assistíamos séries – e ombros, mas visivelmente ele dava preferência a mim o que a irritava. Em certo momento ela se irrita e o clima fica tenso, é quando ela me profere uma provocação.
“Vincent... poderia largar meu namorado um pouco? – eu estava deitado em suas pernas e ele mantinha um braço ao redor da minha cintura enquanto com a outra mão acariciava meus cabelos lisos.”
Eu então me levanto, lhe dou um sorriso de desdém e como em um deboche aproximo-me mais de Chris colocando as minhas pernas estendidas entrelaçadas entre as dele colocando meu braço envolta de seu ombro e tragando uma soprando a fumaça em seu rosto. Chris ri, e ela entende a mensagem, e em choque nos encarando fixamente sai correndo e pegando as suas coisas rapidamente e dando uma grande pancada ao fechar o portão. Rimos por alguns minutos e em seguida o remorso do que fizemos vem, mas aquilo não estraga a nossa noite. Lembro-me bem de ficarmos durante todo o tempo até a mãe de Chris chegar, ela interrompeu nossa sessão de nós dois, eu e ele já estávamos sem camisa – ainda bem — só não transamos ali mesmo por medo de ela chegar e estragar tudo, por sorte, só vestimos nossas camisas e ela entrou sem nem se tocar de nada como sempre e perguntou se eu iria querer dormir lá, eu obviamente aceitei, liguei para minha mãe e ela deixou.
Eu estava pronto para ter uma noite perfeita, dormiria com Chris durante uma noite toda e não correríamos o risco de sermos pegues nos divertindo como verdadeiros amigos que éramos, pois sua mãe iria chegar tarde e seu pai estava viajando como sempre. Ele baixou algumas de minhas músicas favoritas, nós íamos pedi pizza e mais tarde faríamos pipocas e assistiríamos filmes até tarde, depois só conversaríamos besteiras. Sim a noite seria perfeita.
Quando estávamos já dormindo acordados, fomos nos deitar e já passavam das duas e meia da madrugada. Deitados Chris não tinha me dado um cobertor e na cama de baixo fazia muito frio pois ficava bem embaixo do ar condicionado, e quando acordo ele com frio e peço um lençol ele simplesmente abre os braços e estende as suas para mim, me chamando para a sua cama. Eu completamente sem graça subo e ele me abraça por trás envolvendo-me com força e uma presença que me confortou o bastante para me manter aquecido e me fazer sorrir à toa durante uma noite inteira.
Quando sua mãe chegou eu ainda estava acordado mas nem me mexia pois a posição em que estávamos estava mais que confortável, e eu a vi nos observando e não nos acordou apenas sorriu em contentamento e fechou a porta novamente indo dormir logo em seguida, ali já eram mais de quatro horas. Eu apenas fiquei lá imaginando como minha vida não poderia ser tão mais simples se minha mãe fosse do mesmo jeito, mas decido não perder um segundo sequer pensando naquilo e apenas curtiria o momento, mas não pude evitar que uma lágrima seca escorresse em meu rosto.
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