Someday

14 New perspective


Notas iniciais
VOLTAAAAAAAAY espero que alguém ainda quisesse que eu voltasse :z enfim, estou de volta oficialmente e só descansarei quando terminar esta história BJO

Naquela manhã eu já não estava me sentindo muito bem, muito provavelmente porque tinha ido dormir depois das três pensando demais em coisas que não deveria e agora estava com uma dor de cabeça dos infernos. Quando fui à cozinha, minha mãe já estava de pé como sempre e eu podia sentir um cheiro delicioso de ovos mexidos e preito de peru grelhado, aquela combinação em um pão com gergelim e um copo de suco formavam meu café da manha favorito. Acho que ela estava me mimando, pois se despediria de mim em breve, e aquele era só o jeito de mãe dela me dizendo que sentiria saudades e queria tornar meus últimos dias com ela mais gostosos e agradáveis.

Aquela mulher sequer parecia que era a mesma que havia me criado com pulso firme e cuidado rigoroso. Fiquei assustado com a ideia de que a invasão a tivesse amolecido, coisa que jamais poderia acontecer com ela, afinal, sua fama era a sua força e determinação e eu precisaria que ela estivesse forte para quando eu fosse para a faculdade em poucos dias, caso contrário ela sofreria demais. Vê-la daquela forma tão vulnerável me fez lembrar de como eu estava por dentro, por mais que não admitisse para mim mesmo ou sequer conseguisse, eu estava da mesma forma. Ela se sentia insegura e naquele momento não tinha quem a defendesse do invasor e eu estava me sentindo exatamente da mesma forma, mesmo sem saber o motivo. Então, fiz de tudo para alegrá-la e confortá-la, ate fui para a igreja aos domingos junto a ela.

Aquela semana passou muito rápido. Nem eu nem minha mãe sentimos o tempo passar e já estávamos na véspera de nossa despedida quando percebemos que ele se fora. Mas fico feliz em dizer que também não desperdicei meus últimos dias naquela casa durante um bom tempo apenas trancado em seus cômodos, como também o aproveitei para visitar bastante Karen – que tinha se mudado a pouquíssimo tempo, mas continuava por perto – e outros amigos das redondezas. Além de arrumar todas as minhas coisas com bastante antecedência com a ajuda ilustre de minha mãe.

Exatamente às quatro da tarde de sábado, enquanto estava em minha cama vendo um filme qualquer na televisão, percebo meu celular vibrando devido a uma ligação e o nome que li na tela de meu aparelho me fez desligar a tevê e pular da cama e pegar as chaves do meu carro em cima da minha escrivaninha. Ele estava me ligando por que havia acabado de chegar e queria evitar pagar mais de quarenta pratas em um táxi qualquer, estava me pedindo uma carona. E eu iria lhe dar com o maior prazer. Despedi-me de minha mãe e deslizei sobre o piso de cerâmica de minha casa até a porta, a qual bateu um pouco mais forte do que deveria ter batido.

O percurso até o Aeroporto pareceu uma eternidade dentro daquele carro, mas no fim foi extremamente gratificante rever meu amigo depois de todo aquele tempo que ele passou quase incomunicável. Ele ficou animado por me ver e foi bem estranho quando nos abraçamos no meio daquela multidão que acabava de desembarcar em nosso país. Nós então ficamos andando pelo aeroporto por uns minutos antes de sairmos, arrastando um carrinho com todas as coisas de Mike que estavam pesando por volta de quinze quilos. Paramos na livraria e meu amigo se interessou por um livro peculiar, se chamava Felicidade Clandestina. Dei de ombros quando ele me perguntou se eu não havia gostado que ele o houvesse comprado, mas eu não estava nem um pouco preocupado.

Depois da compra, fomos direto para a casa de Karen que já nos esperava com uma devida festa de boas vindas caseira. Minha paciência foi desafiada quando Mike pôs um disco de música indie de uma banda que nunca tinha ouvido falar, se chamava Neutral Milk Hotel. O mais estranho de tudo era que Mike nunca teve esse tipo de gosto cultural, e que suas músicas se resumiam a rock pesado e pop hits que lhe chamassem a atenção de alguma forma. Mas até o momento decidi guardar o que pensava para mim mesmo. E até que eu gostei de algumas das músicas.

Quando chegamos, Iana e Karen estavam à porta nos esperando ansiosamente. Assim que Mike pôs seu pé no chão, Iana pulou em sua direção e o atacou com um beijo molhado e desajeitado, o qual eu e minha companheira de vela preferimos deixar de assistir.

— Ei Vince... Tenho que te contar uma coisa que... pode ser chata... – Karen me diz relutante ao segurar meu braço quando fui entrar – Acho que pode ter alguém na sala que irá te incomodar... um pouquinho...

— Não me diga que aquele desgraçado está aqui.

— Acompanhado e tudo.

— Puta que me pariu. Tudo bem vou agir normal. Afinal meu melhor amigo chegou hoje e só quero encher a cara com ele antes da faculdade. – ela solta meu braço – Vou fingir que ele nem está lá.

— Tomara que consiga.

— O que foi pessoal? Algo de errado? Vamos entrar logo, aqui está frio. – Mike estava visivelmente com saudades.

— Vamos!

Não sei por que disse aquilo para Karen. Nem eu mesmo acreditei. Assim que vi aquele rosto de encubado de Chris me tremi dos pés à cabeça, e percebi que não seria tão fácil assim fingir que a sua presença não me incomodava. Sentamos todos em um círculo no carpete da sala da casa, e apenas o casal nojinho e Syan ficaram no sofá, enquanto eu, Iana, Mike e Karen ficamos no chão fechando a roda. O casal que estava do meu lado no chão não parava de trocar carícias, o que me forçava a virar o rosto e admirar Cath quase sentada no colo do seu namorado. Minha situação estava a definição perfeita de desconfortável, e eu precisava fazer alguma coisa. Peço licença a todos, voltado à dona da casa obviamente, e vou em direção à cozinha. Mike me segue.

— O que tem de errado com você? É o único que não esta falando nada, mal conversou comigo depois que cheguei e fica só bebendo e olhando para o chão.

— Não sei cara. Talvez o fato de eu estar sobrando seja o problema.

— Sobrando?

— Você não percebe por que está ocupado com a língua na boca da Iana. Mas eu estou lá, sem papo com ninguém com a maior cara de cu fingindo estar gostando das músicas que estão tocando.

— Eu percebi que esta sobrando idiota. Caso contrário não estaria aqui.

— Você tá ficando com a sua namorada, não te culpo, não a vê há muito tempo. Karen e Syan estão lá no maior papo sobre Donnie Darko e filmes que mechem com o psicológico das pessoas, e para completar ainda tenho que ver a porra do Chris e da Catherine naquele esfrega-esfrega de pernas infinito.

— Eu entendo sua situação agora que me explicou. Mas tive uma ideia. Por que você não chama alguém? Alguém que você sabe que pode estar interessado em ficar com você... não sei.

— É uma boa ideia. Na verdade é uma puta ideia Mike. Obrigado.

— Que bom que ajudei. Agora me deixe voltar junto com a minha língua para dentro da boca da Iana – me abraça forte e sai balançando os dedos tentando criar um clima de suspense e isso me fez sentir melhor.

Peguei meu celular e fui até um antigo grupo do colégio do qual havia saído, mas não apagado. Procurei entre os participantes e o encontrei. Mandei uma mensagem, um simples “oi, está ai?”. Ele não visualizou. Decidi ligar diretamente para o seu número, mas ele também não atendia minhas chamadas. Desisti. Era uma ideia estúpida mesmo. Ele ligou. Atendi prontamente.

— Alô? Louis?

— Alô. Vincent? Mas que surpresa agradável.

— Olha aqui. Prometo te contar toda a verdade depois. Mas preciso que confie em mim e me faça o maior favor que eu podia te pedir.

— Continue...

Voltei para a sala com um sorrisinho tímido, porém nada discreto. Todos ficaram me olhando com uma expressão visivelmente estranha e querendo saber o motivo de minha demora. Syan já entediada decidiu que tínhamos que fazer algo interessante ou ela iria embora, pois, estava lá para ver Mike e já o tinha feito. É então que Cath se pronuncia e tem a ideia brilhante de jogarmos o maldito jogo que havia começado com tudo. Verdade ou consequência. Quantos anos nós temos mesmo? Foi a primeira coisa que Syan disse quando ouviu a sugestão da amiga. Mas a aceitação no grupo foi positiva. Karen, Mike e Iana pareceram animados com a ideia e apenas eu e Chris não nos pronunciamos.

Quando finalmente escolheram uma das garrafas que estavam espalhadas pelo chão para enfim jogarmos, a campainha toca, era Louis. Eu pulo de onde estava e corro até a porta o que deixa todos na sala apreensivos e ansiosos, e quando eu finalmente apareço, estava acompanhado. Todos se entreolham tentando entender o que estava acontecendo, e eu lhes digo que estava namorando com Louis fazia um tempo e estava guardando a notícia para fazer uma surpresa a todos. Mike não acreditou. Ele sabia o que eu estava fazendo, mas só deu certo pois apenas ele sabia. Louis cumprimenta a todos com um boa noite saudoso e sento-me no chão com ele ao meu lado entre o casal e a dona da casa. Foi quando as perguntas começaram. Perguntaram sobre quando começamos a sair, como ficamos amigos, quando ficou sério e ambos revezamos as perguntas com coisas que tínhamos combinado antes pelo telefone.

Louis não parava de fitar Cath e Chris. E isso incomodou muito Cath. Syan contou a ele sobre os planos do grupo de jogar um joguinho idiota de quando eles tinham quatorze anos de idade e ele adorou a ideia. Disse que serviria para conhecer melhor o círculo de amigos, já que não estava nele há tanto tempo como os demais, e todos concordamos com ele.

Começamos o jogo. Karen girou a garrafa. Mike escolheu desafio. Karen o desafiou a beber uma garrafa de cerveja em menos de quatro segundos. Mike cumpriu o desafio. Mike girou a garrafa. Cath escolheu verdade. Mike perguntou se ela e seu namorado já tinham transado. Ela disse que sim, e gesticulou para deixar claro que não haviam sido poucas vezes. Meu rosto ficou vermelho. Cath girou a garrafa. Louis escolheu desafio. Ela o desafiou a me beijar. Louis começou a me beijar e me inclinou sobre o chão apoiando minha cintura com seu braço. Eu nunca havia lhe beijado antes. Eu não queria parar de beijá-lo. Louis gira a garrafa. Chris escolhe verdade. Louis pergunta a ele qual foi o melhor momento para ele na festa em sua casa. Cath olha sorridente para seu namorado, que ficou vermelho e melhorou sua postura. Mike ficou perplexo, e eu estava apenas encarando o que me beijara poucos segundos antes como quem fala ‘mas que audácia’.

— Eu não me lembro muito bem. Fiquei bastante bêbado depois que me despedi de Cath, mas lembro-me de ter um momento bem divertido com meus amigos. Foi uma boa festa.

— Estranho. Me lembro muito bem que foi lá que ficamos bem mais íntimos. Digo, como amigos é claro – eu belisco as costas de Louis discretamente.

— Sim. Você era o anfitrião. Ficamos realmente bem mais próximos na festa, agora que parei para pensar nisso. Não conseguia achar o Vincent, então passei bastante tempo bebendo com você e com Mark. E Catherine não tinha ido pois estava exausta de organizar a formatura.

— Claro. Obrigado então. É sempre bom saber se o feedback das suas festas são positivos.

Karen recebe uma ligação e vai até a cozinha, e todos assim aproveitam para fazer uma pausa no jogo. Mike me chama para o canto da sala para falar comigo em particular e então eu explico para ele que aquilo tudo estava combinado desde o princípio e que ele não deveria se preocupar. Ele achava que tínhamos ido longe demais, e que não deveríamos fazer nada que comprometesse o relacionamento dos dois e o que Chris fazia fora do consentimento ou não de Catherine era problema deles e eu não tinha nada a ver com aquilo. Ela havia sido a decisão dele, e eu tinha que me conformar com isso. O pior de tudo era que eu sabia que ele estava certo. Somos então interrompidos por Karen, que vem desesperada da cozinha com sua chave do carro em mãos e ainda guardando o telefone em seu bolso.

— Tricie está com problemas pessoal. O pai dela descobriu sobre a gente por uns amigos dele que tem filhos lá no colégio. Ela está com muito medo, ela está lá na casa dele e a mãe dela não está em condições de ir ajuda-la. Desculpem eu acabar a festinha assim mas preciso ir agora!

— Mas nem a pau! Vou com você Ka, vamos galerinha, vamos saindo rápido temos que chegar lá o quanto antes.

Todos ofereceram ajuda a eles dois, mas tinham que ir sozinhos, afinal era o tio de Chris e o “sogro” de Karen. Não tínhamos o menor direito de nos envolvermos. Decidimos ir para nossas respectivas casas, Mike e Iana foram para a casa dele e deram carona para Cath pois sabiam que eu não teria a menor condição de fazê-lo. Quando ia entrando em meu carro Louis me interceptou e fechou a porta para que eu não entrasse nele, me chamou para ver um filme na casa dele, e disse que sabia que eu gostava de As vantagens de ser invisível. Eu nunca recuso ver um filme que eu amo na casa de um menino que eu não queria ter parado de beijar.

Liguei para minha mãe e lhe disse que iria passar a noite na casa de Karen. Ela assentiu e desligou a ligação sem fazer qualquer pergunta ou tentar me convencer a não ficar, algo estava realmente errado com ela. Fechei meu carro e entrei no de Louis, e brevemente chegamos a sua enorme casa. Seus pais nem o perceberam chegando, estavam em algum lugar e nem os vimos quando passamos pela sala e subimos as escadas. Chegamos até seu quarto, e ele ligou a televisão que ficava virada para a sua cama e saiu, e me pediu para ir colocando o filme. As coisas estavam acontecendo realmente muito rápido. Depois que coloquei o filme e o deixei no ponto de dar o play, fui até o banheiro e passei um pouco de pasta e água nos dentes para qualquer incidente que pudesse acontecer mais para frente. Ele chega com um balde de pipocas assim que me posiciono de volta à cama. Põe as pipocas entre nós e tira a camisa, ele diz que está quente e liga o ar condicionado. Ele me manda tirar o sapato e ficar mais á vontade e não me preocupar com os pais dele aparecendo no meio da noite.

O filme começa, e eu estava muito tenso para curtir. Ele aparentemente estava ignorando a minha presença na cama e apenas interagia com a pipoca que estava entre nossas pernas estendidas sobre a fronha que cobria onde estávamos. Acontece que quando vou pegar pipoca, ele pega o balde e coloca no meio de suas pernas, eu levo na brincadeira e estendo a mão mesmo assim. Ele a agarra, e a leva até o ponto de encontra entres seus membros de locomoção. Eu me assusto e ele me puxa pelo colarinho de meu moletom até bem perto de seu rosto.

— Você é uma graça sabia Vincent Black?

— Como conhece esse meu sobrenome? – eu ofegava.

— Conheço e sei de tudo sobre você. Sei que quer me beijar nesse momento. Sei que está ficando excitado. Sei que ainda ama Chris. E sei que tem medo de em algum momento se pegar sentindo algo por Mike. Mas também sei que isto tudo só me faz e querer mais – ele me beija e me arrasta até seu colo.

— Agora você é ativo Louis?

— Não exatamente. Mas sei que você prefere ficar por baixo na maioria das vezes. – ele tira meu moletom e acaricia minha cintura e costas nuas – Espero por esse momento desde aquele dia na banheira.

— Eu não ia deixar que este dia demorasse mais. – e finalmente correspondi com pulso o seu beijo profundo.

Ele me envolveu com seus braços e deitou sobre mim, em sua calça de moletom eu logo senti sua ereção em minha perna, ele tinha tirado sua cueca na ida à cozinha para fazer pipocas, e prontamente tirou meu moletom e começou a beijar meus peitos, eu pus minha mão dentro de suas únicas roupas e ele gemeu. Com as mãos ágeis e rápidas jogou minha bermuda para longe e fiquei apenas de cueca sendo levado por ele para onde ele quisesse.

Acho que aquele foi o sexo mais violento da minha vida. Não que eu fosse o mais experiente no assunto, afinal, só tinha feito com uma pessoa de forma seria. Mas ali percebi como meu mundo era mais do que apenas uma paixão de ensino médio, e que as coisas seriam diferentes a partir daquele momento e uma nova fase estava começando para mim e eu deveria estar pronto para encará-la.

Quando amanheceu eu ainda estava atordoado do pouco que bebi na noite anterior, e a visão do meio das pernas de Louis não colaborou com minha tontura matinal. Uma imensidão branca e alaranjada. Fui ao banheiro escovar os dentes com o dedo e pasta e lavar o rosto, e ele levanta, ainda estávamos ambos nus e a televisão não havia sido desligada na noite anterior. Ele me abraçou por trás e senti seu membro bater em mim, eu sorri para ele ainda com a boca cheia de espuma branca e azulada, então a cuspi e beijei seu nariz. Ele não estava com mal hálito. Ele beijou minha boca suavemente e me mandou lavá-la que iria me deixar em casa se eu quisesse. Mas eu não queria, decidi passar o último dia de minhas “férias” com ele e de noite voltar para pegar meu carro e voltar pra casa, afinal, tudo para levar para a faculdade já estava preparado há dias.

— Acho que vou ficar por aqui com você. De noite eu vou pra casa, afinal, minha faculdade só começa amanhã e se eu for para casa minha mãe vai ficar me lembrando disso a cada cinco minutos.

— Você não se dá muito bem com ela né – ele me pergunta voltando para a cama e deitando-se de bruços.

— Até que agora estou começando a cogitar dizer que a amo em voz alta. Estou até surpreso com essa mudança em nosso relacionamento.

— Você é uma graça sabia Vincent Black?

Acho que aquele dia foi um dos melhores que poderia ter tido. Vimos filmes, comemos pizza no almoço e no café da manhã, conversamos mais um pouco pelados, ficamos algumas vezes, e cada uma delas foi mais intensa do que a anterior. Louis sabia como lidar comigo como ninguém, talvez até melhor que Mike e isso que me surpreendeu sobre a pessoa dele. Acho que aquele foi o melhor dia que poderia ter sido.

Notas finais
Bom... sei que eu prometi que ele iria para a faculdade neste capítulo mas veja pelo lado positivo, o prox. cap já iniciará com a sua ida. A história estará sendo renovada e espero que tenha uma boa resposta de vocês, e afirmo novamente, minha dedicação à esta historia não falhara mais uma vez! Outro bejo, e espero que tenham gostado e deixem o seu comentário ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.