Somebody to love.
2 Português? Español!
– OOOOOOOLGAAAA, vem cá, por favor.
– Fala, Vilu.
– Me explica esse lance de porquês brasileiros. – Franziu a testa.
– Também não sei, minha querida. – Apertou o beiço da outra como fazem com bonecas.
– Bom, eu tenho que aprender. Acho que vou procurar um professor particular, quem sabe.
– Boa ideia, mocinha. Agora vá tomar banho, já ficou muito tempo nesse quarto. A proposito, fiz um bolo de chocolate DELICIOSO. – A mesma lambeu os beiços.
Violetta’s pov.
Mas uma noite havia passado, e eu ainda não conseguia aprender o idioma, eram muitas regras. Beleza, o espanhol também tem algumas regras, mas nada como o português, era algo surreal. Mas a pior parte era ter mais um dia de aula.
Passei pelos portões extravagantes da escola (não entendo o porquê da escola ser tão “tudo isso” talvez pelo fato de ser particular, isso eu até entendo, mas por quê?).
– Buenos días, chicos. – Acabara de entrar uma mulher, muito bem arrumada. Seus cabelos longos quase tocavam a bunda, que também era bem grande alias. Suas vestes, coloridas, chamavam a atenção de todos, em especial, dos meninos. Era professora de espanhol, provavelmente.
– Buenos días. – Respondemos em coral, todos deslumbrados por tanta beleza.
– Me chamo Lara, e é um prazer conhecer vocês.
– O prazer é todo nosso, professora. – Um menino gritou, gerando vários assobios.
Espanhol, essa eu levava de boa. Na verdade, modéstia a parte, eu era e melhor aluna, principalmente porque já estávamos no terceiro ano.
– Bom trabalho, Violetta. – A professora deu dois tapinhas em minhas costas.
– É, obrigada. Mas... como sabia meu nome? – Falei encabulada com a situação.
– Vi na sua ficha, digamos assim. Adoro argentinos. – Ela riu e eu ri junto.
– Então nos daremos bem. Adoro brasileiros que adoram argentinos. – Rimos juntas.
O sinal toca, intervalo.
Próxima aula: Português, tô fodida.
–-
Entrei na sala tentando passar despercebida. Tarefa não concluída, por sinal.
– Oi, meu nome é Tomás. – O menino esticou sua mão pra cumprimentar.
– Prazer, Violetta. – Retribui o cumprimento.
– Então, eu sei que isso é extremamente chato, mas... – O menino parecia estar um tanto quanto tímido, e de fato estava.
– Pode falar, eu não mordo. – Ri sem pensar. Depois de alguns segundos rindo, parei e fiquei séria, tentando engolir a merda de frase que acabara de soltar.
Ele riu. – A professora Lara notou que eu mal sabia falar um simples bom dia em espanhol, e me disse pra pedir sua ajuda. Parece que ela também notou que, ao contrário de mim, você se dá muito bem com o espanhol. – Ele abaixou a cabeça devagar com medo da resposta.
– Seria uma falsa argentina se não me desse bem com o espanhol, não acha? – Ironizei, rindo.
– Não brinca. Argentina? Sério mesmo? – Nesse momento, ele já estava eufórico.
– Sim, juro. – Ergui a mão direita ainda rindo.
– Então me ajuda, por favor? – O menino continuava tímido e eufórico.
– Te ajudo se você me ajudar em português, topa?
– Beleza! Só marcar dia, hora e lugar.
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