Somebody To You

17 O Caso de Erza Scarlet. - Você de novo.


Notas iniciais
Primeiro cap Jerza! TUTS TUTS Finalmente!!! Eu mesma estava impaciente para escrever isso. Mas sabem quando a gente para e fica assim: "... ai, mas isso vai me dar um trabalhooo" e ficamos enrolado? Então, foi o que aconteceu kkk. Precisei exercitar muito os neurônios para esse capítulo. O nome da shortfic está como Clarity, mas podem considerar os subtítulos Daylight e Love Somebody. Por que isso? Bem, porque eu acho que essas três músicas simplesmente traduzem o casal. O nome antes ia ser Daylight, mas lembrei que e sempre me arrepiava ouvindo Clarity porque me lembra muito Jerza. Então, pensem assim: Clarity - o casal Daylight - ponto de vista do Jellal Love Somebody - ponto de vista da Erza Dedico o capítulo a: 1. Carolinamgfidalgo (desculpe a demora) 2. todos os jerza shippers não identificados. 3. Mim mesma por que eu amo Jerza (e o Jellal). Gostaria de agradecer a todos os que comentaram. Consegui me aproximar de muitos nesse meio tempo pelas MPs, fiquei feliz. Urabe, Mih, altas discussões kkk. Ah, preferi dividir o cap para postar logo, ok? Boa leituraaa ;)

“ — Erza, você achava mesmo que eu me importava com tudo isso aqui? Com ele? Sinto muito, mas... tenho muito mais para ver e viver, do que simplesmente ficar enclausurado nesse mundinho limitado. Adeus.

Eu apenas observava as suas costas enquanto ele se dirigia à porta. Para nunca mais voltar.

– Eu..”

– ... não acredito que você está dormindo no horário de trabalho, mocinha! – uma voz estridente berrou.

Levantei-me da cadeira abruptamente. A supervisora dos estagiários estava à minha frente, e todos os outros novatos, que geralmente me buscavam para pedir ajuda, me olhavam torto. Em minha mesa, o trabalho feito pela metade era perceptível. Especialmente quando a empregada em questão estava com o rosto todo amaçado, e quando os papéis tinham uma peculiar mancha de saliva.

Minhas bochechas coraram, em constrangimento. Me curvei o máximo possível, desculpando-me pela minha ação incorreta.

– Caso deseje, pode descontar o dia de hoje do salário, no fim do mês. – sugeri, desejosa que ela tivesse piedade.

Ela bufou em descontentamento.

– Espero que não se repita. Não é de seu feitio negligenciar com suas tarefas.

A supervisora se virou para ir embora, pisando fortemente com seus saltos finos. Suspirei de alívio. Se havia algo que eu não poderia perder, era aquele emprego.

Trabalhar em uma empresa de contabilidade não era a coisa mais fácil do mundo, mas o salário era o suficiente e, de um modo ou de outro, era uma boa experiência para o futuro. De ano em ano, a empresa contratava adolescentes para cuidarem da papelada, seguindo o esquema de separar, grampear e carimbar. Além, claro, de muitas vezes sermos chamados para ajudar em algum projeto maior – geralmente como garçons ou faxineiros. Éramos, basicamente, os faz-tudo.

Depois de dois anos trabalhando lá, eu conseguira um cargo de destaque entre os estagiários, me tornando uma “gerente” entre eles. Isso era bom, pois meu salário subira um pouco. Não podia deixar que ele abaixasse, que o conceito que a supervisora tinha sobre mim se rebaixasse.

Por muito tempo, eu vivera de favores. Para me manter na Fairy Tail a partir da minha quinta série, comprar meus materiais e viver na Fairy Hills, Makarov praticamente me adotara. Abstendo-me de qualquer custo, ele me permitira ter estudos, casa, comida, amigos... Um ambiente familiar. A partir do momento em que foi possível, desejei começar a retribuir tudo isso. Ao menos o aluguel de minha casa, eu pagaria. Saí da Fairy Hills para morar sozinha. Mas isso não era o suficiente.

Talvez por isso, disciplina fosse a coisa mais importante na minha vida, naquela época. Não podendo devolver de modo material tudo o que eu recebia, tinha que pelo menos orgulhar a todos que próximos a mim ficavam, era necessário poder, ao menos, mostrar que todo o investimento em mim não fora em vão. Queria andar com orgulho de quem eu era. Queria me tornar independente o mais rápido possível, para ajudar ao invés de ser ajudada.

Isso pesava mais do que parecia. O costume de ser sempre exemplar não necessariamente era uma dádiva. Todos esperavam sempre mais de você. Para não desapontar, dedicação completa era necessária. Das poucas pessoas que chegavam perto de me entender, estavam os meus amigos. Todos na Fairy Tail pareciam criar um ambiente de aceitação para aqueles que pacificamente desejassem se aproximar.

Claro que, mesmo entre amigos existiam os momentos desconfortáveis, mas isso fazia parte. Se fossem eles Natsu, Gray, Lucy, e todos os que os rodeavam, eu não me importava em me abrir mais. Até com a novata, Juvia, que em certo momento pareceu estar na mesma situação que eu. Não havia muitos assuntos que mexessem comigo emocionalmente, de todo modo. Conseguia me manter com um olhar imparcial e frio sobre a maioria das coisas.

Exceto, é claro, tudo aquilo que envolvesse ele. O causador de toda a minha situação. A única pessoa que, mesmo distante e sem manter contato, conseguia me atrapalhar até no trabalho. O garoto que eu não conseguia esquecer até mesmo após anos tentando. E disso eles não sabiam. Sobre isso ninguém ouvira, apenas os envolvidos no que ocorrera anos atrás.

Os sonhos – ou melhor, pesadelos – com as cenas do passado vinham me incomodando frequentemente. Na escola, eu tentava disfarçar, o que não era difícil com toda a animação a respeito das competições que chegavam. Durante as noites, acordava suada, exasperada, e procurando pelo quarto pela pessoa para quem um dia eu já acreditara ser importante.

Balancei a cabeça. Precisava voltar a me concentrar no trabalho.

– Você está bem, Erza? – um colega se aproximou para perguntar.

– Estou ótima.

...

A noite já estava fria quando voltei para casa. Em meu caminho, encontrava as primeiras folhas caídas do outono. Enquanto repassava o que teria de fazer ao chegar em casa, parei em um supermercado para comprar os ingredientes do jantar.

Na verdade, o pressentimento ruim que tomava meus pensamentos era o motivo de demorar tanto para voltar. Depois de cerca de meia hora, desisti de matar tempo, ao me lembrar das atividades passadas por Macao.

Morava no segundo andar do lote A de um alojamento. Como vizinhos, haviam outros estudantes e alguns adultos, mas o escolhera exatamente por ser mais vazio e tranquilo. Toda vez que entrava ali, me lembrava do quão solitário poderia ser viver sozinha. E de como fora minha vida antes de eu precisar fazer isso. Diversas vezes considerara adotar um animal de estimação, mas voltava atrás, com pena de tal, que teria de ficar sozinho, me esperando todo dia.

Larguei a mochila e o blazer em uma das cadeiras da mesa de jantar e me dirigi à cozinha americana. O lado bom de viver por si só era que nunca havia brigas a respeito do que comer, a que horas dormir ou acordar. Ou, pelo menos, era do que eu tentava me convencer.

Depois de esquentar os restos da noite anterior e pôr o macarrão para cozinhar, me sentei à mesa para começar os deveres. O melhor modo de evitar pensar sobre aquilo de que se queria fujir, era enchendo a cabeça com outras coisas.

Não consegui me manter concentrada por muito tempo, no entanto. A luz que piscava acima da tela do computador, indicando que eu recebera uma mensagem, me distraía. Desistindo momentaneamente da questão de química, abri o e-mail, encontrando uma mensagem inesperada. Ela só me contatava de tempos em tempos, e geralmente quando havia algo realmente importante a ser dito.

Er-chan, sei que não conversamos faz muito tempo, e estou consciente que a maior parte da culpa é minha. Você está sempre disposta a me ouvir, mas não quero atrapalhar a sua vida. Não quando você já tem muito com o que lidar. Você conseguiu, há muito tempo, o que eu só achei agora: um lugar para me estabelecer.

Eu, como você sabe, havia desistido de meu antigo colégio. Depois disso, e durante as férias, procurei outros lugares para morar. Enquanto passava por uma das cidades ao sul, uma pessoa me ajudou a ingressar em um colégio feminino por aqui. Talvez você a conheça, ela afirma já ter lutado com você. Decidi ficar, ao menos enquanto tudo está seguindo sem problemas.

Pode-se dizer que estou bem como nunca antes estive — Wally também, ele sempre entra em contato ;). Isso, é claro, depois de tudo que aconteceu quando fomos despejados e ele foi embora. Mas não é isso a questão mais importante nessa mensagem.

Lembra quando o vovô Rob nos disse que achava que um dia aquela pessoa iria dar as caras novamente? Enfim, provavelmente não pelos motivos que ele imaginava, é possível que nós o vejamos, nem que seja pela internet ou TV.

A Construtora F. parece não ter simplesmente sumido do mapa, como imaginávamos. Recentemente – e isso foi algo que a essa minha amiga, a Kagura, descobriu – a empresa vem dando sinais de voltar à ativa. Ao menos é o que parece. Encontramos algumas fotos mais recentes dele, e não parece que ele esteja em Magnólia. Sobre o Shou, nada.

Só achei que deveria te alertar. Não queria que você tomasse um susto ao ver as notícias ou algo do tipo. Não pense demais sobre isso, também.

Espero que tenhamos a chance de nos encontramos nas competições desse ano, entrei para um dos clubes e descobri o quão forte sua escola é. Até breve – ou assim eu espero -,

Milliana.”

Prendi a respiração ao encarar a mensagem. Reli diversas vezes. Talvez não fosse o correto, mas... eu me sentia feliz, e tinha repúdio disso. Ao mesmo tempo em que a melancolia tomavam conta de mim. A raiva também.

Naquela noite, comi rapidamente e fiz o possível para terminar as atividades. Escrevi um resposta rápida à Milliana.

Mais cedo do que o normal, fui para a cama. Chorei até dormir, e, quando finalmente fechei os olhos... as lembranças voltaram.

...

– Erzaaa... Erza, você está acordada?

Notei um par de mãos passarem em frente ao meu rosto.

– Natsu? – indaguei, encarando o garoto.

– Não, o seu vizinho bonitão que te acorda todo dia cantarolando no seu ouvido.

Lucy, ao seu lado, gargalhava. Eu o olhei torto, para então esboçar um sorriso.

– Finalmente alguma reação! Nós já estamos na terceira aula, sabe? Melhor, no intervalo. E você estava esse tempo todo aí com essa cara de mosca morta. Eu estava até considerando começar uma briga com o Gray só para chamar a sua atenção.

Estávamos na sala de aula, e os outros alunos se dividiam em alguns grupinhos espalhados pelo local. Mal me lembrava do que se passara pela manhã. O professor de geografia entrara e então... Eu passara a relembrar a mensagem de Milliana. Se Natsu e Lucy não me tirassem do transe, provavelmente ficaria a manhã toda em meu próprio mundo.

– Nossa, muito obrigada. Realmente são necessários muitos motivos para que você faça isso.

– Pelo menos teria te animado um pouco. – disse ele enquanto bagunçava meu cabelo. – Galera, ela voltou ao normal!

A resposta dos nossos colegas, em sua maioria, foi de apenas um aceno. Alguns deles, como Gray e Juvia, no entanto, se aproximaram.

– Finalmente, hein? Eu tinha até tentado, mas desisti depois de notar que era inútil, com o estado retardatário em que você se encontrava.

Gray parecia tentar me irritar.

– Exatamente. Também fiquei preocupada, mas quando Gray-sama disse que você às vezes ficava assim, eu relaxei. – disse Juvia, ao lado do moreno.

– A Erza é meio lenta mesmo, sabe Juvia? – Natsu continuou.

– Nas notas ela é ótima, mas fora do colégio... nem tanto... – Gray tinha um sorriso sarcástico.

– Até parece que... – os dois começaram.

As meninas saltaram, sobressaltadas, quando eu me levantei com força, agarrando as gravatas dos dois.

– É só impressão minha, ou vocês estão querendo apanhar?! Hehe.

Puderam-se notar os milésimos de segundo em que eles hesitaram. Por fim, saíram correndo, gritando por desculpas enquanto as garotas apenas os observavam, rindo. Ao menos por alguns momentos, eu conseguira voltar ao normal.

– Erza, mas pode nos contar o que for que acontecer, ok? – Lucy segurou uma de minhas mãos.

Por trás, Juvia concordou com a cabeça.

– Ok.

Elas sorriram e voltamos a conversar sobre alguma futilidade.

Apesar de tudo, as duas conseguiam ser extremamente parecidas. Ambas esperançosas e desejosas pela atenção dos dois garotos. De modos diferentes, elas escolheram tentar se aproximar deles, e se esforçavam diariamente por isso.

Chegava a ser adorável modo como, sem ter consciência disso, os olhos de Juvia sempre estavam à procura de Gray, onde quer que estivesse. Inconscientemente, a garota o seguia para lá e para cá pelo colégio, o que já criava diversos rumores a respeito dos dois.

Lucy, a quem eu já conhecia fazia muito mais tempo, tentava chamar a atenção de um ser levemente retardado: Natsu. A relação entre os dois era de extrema proximidade, porém não do tipo pela qual a loira buscava.

Só de observa-las, eu desejava ter alguém. Esse desejo, na verdade, estivera em mim presente por muito tempo. E não, não alguém para flertar infantilmente e viver em um mundo fantasioso. Mas alguém para enfrentar junto tudo o que há de ruim no mundo, para me aconchegar quando eu estivesse triste, para rir nos momentos felizes. Alguém para dividir uma vida.

Mas é claro que ninguém sabia disso. Ao menos não tinham noção da intensidade disso em mim. Era o tipo de coisa que destruiria a imagem criada em suas mentes a meu respeito.

...

Depois do colégio, me dirigi para casa, e mais uma vez fiquei a vegetar. Nas tardes de sexta-feira não haviam treinos especiais, ou banca para os que precisavam de nota, ou trabalho. Por isso, sempre buscava me ocupar nos fins de semana. Enchia a cabeça.

Liguei a TV. O noticiário internacional dava um giro de notícias, tendo como maior foco a chegada à Fiore do herdeiro de uma grande e quase esquecida multinacional, sem um motivo aparente. Eu, no entanto, não prestava atenção aos sinais.

Quando a campainha tocou, pensei em não atender. Deve ser um dos meus “vizinhos bonitões”, ou o carteiro. Eles poderiam voltar mais tarde, ou deixar o que queriam me entregar na porta. Não fora apenas uma vez que eu fizera isso. A insistência do visitante, porém, me fez preferir desistir do meu conforto a ficar ouvindo o som irritante.

Abri a porta. O copo de suco que eu segurava se estraçalhou no chão.

Pena que, eu não sabia até então, ambos os meus desejos de ter alguém e não ser tão sozinha se concretizariam rápido. Endereço talvez a solução não tivesse, mas nome e sobrenome com certeza. Ela estava na minha frente.

– J-Jellal?

O garoto tinha malas em mãos, casaco de marca e cabelos arrumados. E estava maior e mais bonito do que me lembrava.

– Olá Erza.

Notas finais
Depois de disso tudo... TT-TT a autora aqui está acabada, Jerza faz isso comigo kkkk. Enfim, eu PRECISO PRECISO PRECISO PRECISO que vocês me respondam uma coisa. E dessa vez vai ser interessante, prometo. Pretendo fazer especiais de natal com diversos casais. E, como eles não precisam ter nada a ver com a história principal, pensei em aceitar sugestões. O esquema vai ser assim: me indiquem o que vocês gostariam de ver nos especiais de modo simples, nos comentários desse cap, no próximo eu coloco todas as opções e vocês votam. Exemplo: uma ideia que eu mesma vou colocar é escrever uma Oneshot para cada casal, baseada em um conto de fadas. AVISO: 1. Não vai rolar Hentai, ok? Desculpem aí, a autora não consegue. Claro, se eu pretendo cobrir uma relação como um todo, então um dia essas coisas vão acontecer, mas eu não vou escrever especialmente sobre isso, e nem vai ser super descrito nem nada. Acho muito mais bonito fazer essas cenas, de todo modo, expressando mais o amor do que só o desejo. Eu quero passar os sentimentos, e não só descrever ação por ação. 2. Traições múltiplas (kkkk). Enfim, comeeentem de todo modo. Vou tentar postar a segunda parte do cap amanhã.