Somebody To You

36 O Caso de Chelia Blendy. - Eu quero mudar.


Notas iniciais
Oieeee! Bem, para resumir: demorei, está tarde e quero dormir hehe. por isso.... falo tudo o que preciso falar no próximo. Eu pretendia dedicar o feriado à fanfic, mas meu pai quer viajar... Provavelmente vou postar diretamente do interior da Bahia! Sobre esse cap... Talvez vocês se perguntem se ele é realmente necessário... Além de eu querer focar um pouco neles, isso é bem importante para umas coisas... Futuras. Gihi. kkkk. Eu queria mostrar também umas coisas que vocês provavelmente vão entender no final... Como sempre, obrigada aos que comentaram e vcs são lindos e blá blá. (Sério, obrigada kkk) O nome é baseado na música "Shadow" de austin mahone (Jura???). Ouçam se quiserem... Ouçam... Obs: isso foi dedicado a uma pessoa que sabe muito bem que estou me referindo a ela ;)). Mas é sério, acho que vcs iam gostar,. Enfim, boa leitura ;)

Não ter nada de excitante que fazer em uma tarde de domingo nunca tinha sido novidade para Chelia Blendy. Isso é, para mim. Sendo uma primeiro anista nadadora, o pouquíssimo tempo que sobrava para minhas atividades “extracurriculares” era ocupado pela natação. Tal coisa acontecia com todos no Casarão, na verdade. E não é como se eu pudesse reclamar, vendo como Juvia conseguia fazer tudo isso e ainda trabalhar. Fazer tudo isso e ainda... Insistir.

Ela insistia e persistia, e isso, por fim, parecia ter algum efeito. Ok, quando eu digo isso é claro que não me refiro a insistir “em geral”. Por mais que ela fosse indiretamente rejeitada por Gray a todo o momento (ou ao menos era como eu via a situação, considerando a falta de atitude dele e a obviedade dos sentimentos da garota), ela não demostrava se abalar ao ponto de fraquejar. Eles pareciam estar ficando mais próximos, não importando em que sentido. Nem quando eles tiveram uma discussão feia, da qual ouvi falar, ela pareceu desistir.

E... Bem, tudo ocorreu exatamente por causa dessa briga.

Eu externava muito mais meu entristecimento em relação a rejeições — não era como se conseguisse controlar. Minha raiva por Juvia surgira pelo fato de que, em uma situação semelhante à minha, além de conseguir amolecer um pouco alguém bem mais duro do que Lyon, ela ainda realizara a proeza de, sem querer, fazer o cara pelo qual eu me interessava a muito tempo se apaixonar por ela. Ela o rejeitou e foi sincera, e, ao mesmo tempo em que não a entendia, cheguei à conclusão que não estava dentro do “correto” eu odiá-la ou algo semelhante. Já me sentindo a mais inexperiente dentro do grupo de nadadores, só seria pior, para mim e para a minha “imagem”, se começasse a agir como uma criança mimada que pune os outros pelo que não consegue. Busquei esconder e destruir o sentimento ruim, exatamente por saber que ele era errado. Já fizera isso muitas vezes, mas era difícil, e em geral o que se conseguia era apenas camuflar os meus “podres”. Tentei então transformá-la, de certo modo, no meu modelo base para “como não desistir”, não que ela fosse meu livro de autoajuda secreto nem nada.

Isso não me impedia, no entanto, de me sentir extremamente incomodada toda vez que Lyon desabafava comigo sobre como ele se sentia e como queria que Juvia... O visse de um modo diferente.

Pois é.

Eu estava estudando química, acho, quando ele irrompeu porta adentro, considerou fechá-la com força, empurrou-a, segurou-a, e então a encostou lentamente até ouvir o “clique” da fechadura. Ele se jogou na cama e colocou a cabeça entre dois travesseiros, provavelmente não me notando, como se quisesse se isolar do mundo por alguns momentos. Eu sabia exatamente o que ele tinha saído para fazer. Depois de ouvir a gritaria de cerca de uma hora mais cedo, enquanto ele me ajudava no mesmo exercício que eu ainda tentava terminar, Lyon dissera que ia checar o que estava ocorrendo, já irritado, e a próxima vez que o vi foi saindo pela porta do andar inferior com Juvia. Ela, meio curvada, foi levada por ele até algum lugar desconhecido. O garoto estava aceitando ser “gato e sapato”, ou seja, estar lá sempre que ela quiser e sem esperar nada em troca. Só que isso acabava com ele por dentro. E acabava comigo duplamente.

Esperando alguns segundos, considerei levantar-me do travesseiro no qual estava sentada, em um dos cantos do cômodo, e marchar de fininho para fora, em silêncio. Deixe-me explicar: na verdade, eu estava no quarto de Lyon. Nunca fora incomum eu entrar ali por vontade própria, para tentar conversar com ele, mas desde que ele voltara... Não, desde que fora rejeitado e eu o ajudara, se tornara habitual passarmos tardes juntos ali. Falando da escola, de esportes, de música, de... Juvia. De um modo ou de outro, eu já me sentia confortável em perambular pelo local, muitas vezes ficando lá sozinha.

− Eu sei que você está aí. – ele murmurou, com a voz abafada pelo pano.

Eu estava no meio do caminho, com os livros empilhados nos braços e na ponta dos pés. Ao ouvir isso, larguei tudo no chão e fui até a beirada da cama. Ele estava disposto a conversar. Eu queria ouvir o que acontecera. No final, minha relação com ele se assemelhava em muito com a dele e a azulada. Eu sabia que aquilo só me faria mal, porém insistia.

− Já acabou de consolá-la? Ou ainda vai ficar fazendo cafuné e...

Parei ao notar o que estava verbalizando. Estava lá de novo. O egoísmo. “Juvia não é a culpada pela minha situação.”, internalizei. É muito fácil aceitar a ajuda dos outros sem imaginar o que aqueles momentos estão significando para eles. Assim como ela aceitava ficar perto de Gray, Lyon aceitava ficar perto dela e eu dele. E esse círculo, quadrado ou triângulo amoroso, seja como queira chamar, era uma grande porcaria para todos nós. Simplesmente era diferente, e ela sabia, ele sabia e eu sabia, estar do lado de dentro, ter noção do que realmente aquele “amigo” estava pensando enquanto ajudava a pessoa conflitada.

Mas bem que Lyon podia se tocar da situação.

Respirei fundo.

− O que aconteceu?

− Gray aconteceu.

− O que?

Desde que Lyon decidira desistir dela e tentar esquecê-la, ele tinha algumas crises de revolta em relação à atitude do irmão.

− Ele é, foi, sei lá, um grande idiota. Eu digo, sei que ele tem os problemas dele com o que aconteceu e dá para a gente suportar a maioria dessas ações devido ao trauma e tal, mas... – Lyon se sentou na cama, mantendo a expressão fechada e com a feição avermelhada. – E ela ainda aceita isso! Ele estar agindo assim, sem nem ao menos saber o porquê. E agora ela vai procurar descobrir, porque ela tem que ajudá-lo e... Isso é injusto.

É, com certeza ninguém imagina que enquanto parecem tão controladas, as pessoas podem ter tais pensamentos passando por sua cabeça.

Sim Lyon, você está certo. Totalmente correto.

É muito injusto você ver quem você se importa se apaixonar por alguém que o ignora/rejeita, ver essa pessoa sofrer, consolá-la e ouvir sobre os sentimentos dela por mais que isso te doa. E quando você imagina que a área está livre, que você pode avançar e que então talvez...

A pessoa ainda não está preparada. Ela precisa de tempo, de espaço. Para esquecer aquela outra pela qual nutria sentimentos e se abrir a novas possibilidades. Ela precisa chorar e sofrer para então superar.

Ela precisa de um amigo. Alguém para assistir a tudo isso e ajudá-la a se levanta, sem nenhum interesse pessoal oculto.

E há uma vaga disponível.”.

− Você não tinha dito... Que tinha superado? – me aproximei dele.

Ele levantou os olhos e me encarou, meio sofrido e confuso.

− Acho que ainda vai demorar um pouco. Mas isso não tem só a ver comigo... Nesse sentido. Só que não dá para assistir isso parado. Eu tenho vontade de sacudi-la até ela perceber que... Tem alguma coisa de errado no que está acontecendo. Não era para ser assim.

− Era para ser como então? – bufei de irritação.

Ele realmente entendia todos os meus sentimentos, só não os percebia. Não tinha o direito de se irritar com aquilo sendo que fazia exatamente o mesmo. Fora a parte das brigas, ele era igual ao irmão.

− Já pensou que Gray pode não estar percebendo nada? E o que de tão sério ocorreu nessa briga?!

− O que foi Chelia, vai defendê-lo? – ele se levantou. – Ele não pode tratá-la assim.

− Lyon, você quer saber a minha opinião? – indaguei-o.

Un? É claro que quero.

− Eu acho que você devia ficar fora disso.

Ele se voltou para mim com as sobrancelhas franzidas. Parecia considerar impensável a minha sugestão.

− Isso não lhe diz respeito.

− Como não? Eles são meu irmão e uma amiga.

− É, mas você não está sendo nem um pouco impessoal no seu julgamento. Além do mais, exatamente por isso você deveria ficar de fora. – aumentei o tom de voz. – Não se mete na relação romântica de duas pessoas, em qualquer tipo de relação, na verdade, a não ser que você seja convidado ou esteja envolvido.

Tentei fazê-lo se tocar da sua situação, ainda que o comentário fosse um pouco cruel. Ainda assim, era verdade. Ele estaria sendo intrometido se achasse que poderia definir o futuro de outras duas pessoas a partir de suas próprias opiniões. Mesmo que eles fossem “apenas amigos de Lyon”, o garoto estaria agindo como uma mãe que rejeita o namorado de uma filha por ele não se encaixar no padrão que ela desejava.

− As pessoas são diferentes. Relações entre elas surgem e se mantém de modos diferentes. Por mais que para nós não pareça muito agradável, esse é o modo deles de interagir. Quero dizer... – bufei mais uma vez e revirei os olhos. – Mesmo com todas essas coisas acontecendo, eles ainda estão seguindo em frente. Eles estão se acertando do jeito deles!

− Você acha mesmo?! – Lyon relutou. – Eu conheço o meu irmão. Duvido que ele vá dar o braço a torcer. Por mais que eu... Não posso dizer que torço para isso, também.

Então Lyon basicamente não acreditava que relações poderiam mudar. Que Juvia poderia transformar um pouco Gray e fazê-lo se abrir. Indiretamente, isso também era uma negação a tudo que eu tentava me manter acreditando (com uma ajuda de Sherry).

− Pare de culpar seu irmão! Sabia ao menos que, desde aquela briga, ele está trancado lá dentro ouvindo música no volume máximo?! Eu tentei falar com ele! Nem sei o que é, mas posso apostar que tem muita coisa na cabeça de Gray agora! A sua situação não é culpa dele.

Repeti para ele a frase que se tornara o meu mantra. E ele conseguiu surgir com a pior resposta do universo.

− Eu a trataria muito melhor.

Não dá para descrever muito bem a raiva momentânea e o momento em que eu percebi que o que eu mais queria naquele instante e por muito tempo era descontar minha raiva nele. Não era sobre Juvia. O insensível, o “culpado”, se era para ter alguém, era o próprio Lyon.

E eu simplesmente o fiz. Dei-lhe um tapa estalado na bochecha, que o fez parar onde estava e o que quer que fosse fazer para me encarar perplexo. Notou que eu estava lacrimejando.

− Você não está sendo nem um pouco melhor do que ele. Não sei se Gray é assim como todos falam, mas ele não fica contando para ela sobre suas aventuras amorosas. Não faz dela a sua conselheira. Mas... Quer mais um conselho? Deixe eles se resolverem! Juvia está aguentando porque quer, e eles vão achar a melhor resposta para o conflito juntos, seja ela agradável ou não.

O Vastia não respondia. Como na cena de um filme em que a personagem principal se descontrola, ele apenas esperava eu terminar de despejar todos os meus sentimentos.

Porque Lyon, o perfeito amigo de Juvia para todas as horas e defensor do bem, visto de um outro ângulo e por uma outra pessoa, poderia não ser tão perfeito assim. Ele era e não era a pessoa mais maravilhosa do mundo (para mim). Acho que a paixão, amor, etc, funcionam meio assim. Na base dos opostos.

− Olhe um pouco mais para o próprio umbigo e perceba outras pessoas que não estão dentro da sua “zona de interesse”. Tenha um pouco de amor próprio também, e pare de se fazer sofrer para depois ficar lamentando! Melhor, olhe menos para o seu próprio umbigo e tente considerar um pouco como os outros se sentem! Eu estou exatamente na mesma posição que você, sabia? E nunca te ouvi perguntar sobre como eu estou, o que penso sobre isso.

Eu terminei abrindo os braços com violência, esperando que tivesse algum efeito. Saber que eu gostava dele ela sabia havia muito, muito tempo. Mas parecia não internalizar, e eu só desejava que ele o fizesse. Só que Lyon, mais uma vez, precisava de tempo. Ali, naquele momento, eu não tinha a menor disposição para esperá-lo.

Fiz questão de bater a porta com força ao sair do local. Não estava nem aí se os outros moradores iriam comentar sobre o ocorrido como fizeram, mais tarde, em relação à briga de Juvia e Gray, ou se Freed iria vir correndo me perguntar como eu estava. Eu estava cansada e me sentia mais leve depois de liberar todos aqueles sentimentos ruins.

Busquei me convencer de que não estava errada enquanto me enrolava em lençóis na minha cama. Os dias já começavam a ficar frios, anunciando então o inverno, o que fazia do meu ato uma verdadeira necessidade se eu quisesse me esquentar. Para além disso, eu queria me sentir de algum modo protegida, entre tantas cobertas. Sabia que, no final, iria acabar me desculpando com ele. Não conseguia ficar muito tempo sem ouvir sua voz, suas risadas.

Comprovando mais uma vez o porquê valia sim a pena correr atrás dele, Lyon surgiu à minha porta uma hora depois, com um filme debaixo do braço, chocolate quente nas mãos e um edredom gigante. “Sessão de filmes melosos!”, ele gritou e então esboçou um sorriso envergonhado, e eu o deixei entrar.

Era o seu modo de pedir desculpas. Ele ajeitou tudo no chão e me puxou para que eu me sentasse.

− Talvez você esteja certa. – ele murmurou, agarrando minha mão, quando estávamos lado a lado enrolados no edredom e assistindo ao filme. – Eu deveria seguir em frente.

Escondi meu rosto entre os joelhos e esbocei um sorriso, sentindo minhas bochechas ficarem quentes.

− É claro que eu estou.

− Ok. – ele riu. – Mas... Preciso de alguém para me segurar para eu não pular em Gray toda vez que...

− Pode deixar. – assenti.

Tempo, com certeza ele ainda necessitava. Ainda pensava muito sobre algumas coisas. Mas, eu esperava, que aquela discussão tivesse tornado o seu coração “aberto a possibilidades”. Não necessariamente haveria alguém ou esse alguém seria eu. Mas isso não significava que não poderia ser eu.

Para que pudéssemos seguir, ao menos como amigos, nós dois precisávamos mudar um pouco. Talvez não fosse naquele dia, ou naquele ano, mas que sabe em algum momento... Algumas coisas podiam se alterar.

Notas finais
Só para constar: o que eu queria era mostrar o lado de Lyon e quebrar com essa ideia de "perfeição". Eu amo ele, mas temos de ser realistas que ninguém é totalmente "certinho". Sempre, nas histórias, existe o cara principal e o melhor amigo da garota que é perfeito, e ninguém entende porque ela não escolhe o amigo... Bem, para além de não ser uma questão de escolha (o amor), não existe isso de garoto ideal. Do ponto de vista de "amigo", ele pode ser. Mas todo mundo erra e tudo mais. (me senti filósofa agr kkk) Enfim, comenteeem!