Somebody To You

22 Especial de Natal. - Mirajane e as Coelhinhas.


Notas iniciais
Acho que esse foi o capítulo mais esculhambado que eu já escrevi XD. Deem uma olhada nas notas finais! Boa leitura ;)

Naquele dia, acho que tudo que pudesse dar errado, deu. Ao menos uma coisa indesejável ocorreu para cada pessoa naquele estabelecimento. E não só por conta de Mirajane. Oh, não. Quase todos os presentes resolveram cometer atos desnecessários (apesar de certas vezes engraçados) ao mesmo tempo.

...

Era uma terça-feira. Normalmente, tal dia poderia ser descrito simplesmente como: momento da vergonha, ou melhor, da execução. A cada semana, a gerente escolhia roupas mais vergonhosas – e por vezes, reveladoras – do que na anterior. Não sendo isso bastante, era a última semana antes da primeira prova de natação, o que significava que minha tensão habitual tinha aumentando em muito.

Fiquei mais assustada ainda quando Mira me ligou, logo após o fim das aulas, perguntando se eu poderia chegar mais cedo.

– Para que isso? – indaguei, desconfiada.

– Hehe, temos um planejamento especial para hoje, aqui no café. A propósito, se possível passe na casa da Lucy antes de vir. Ela perece estar mostrando certa resistência ao... Meu convite.

– Mirajane, o que exatamente você quer fazer...?

Fez-se um pouco de silêncio do outro lado da linha. Provavelmente ela estava inventando uma desculpa.

– Eu não vou me vestir de nada mais estranho do que você já me fez usar.

– Juvia? Não estou te ouvindo... Acho que o Laxus está de chamando. Enfim, te espero aqui. Chegue em uma hora no máximo!

Encarei o meu smartphone por mais tempo do que o necessário. “Ligação encerrada” eram os termos que piscavam na tela. Para alguém que não a conhecesse, poderia parecer que ela dissera a verdade. Mas eu convivera o suficiente com a Mira para saber que ela estava mentindo. Ainda por cima quando nem fizera questão de se afastar de Laxus, que obviamente não a estava chamando já que estava conversando com o avô.

Ela sabia que eu não gostaria do “planejamento” dela. Por isso fingira não me ouvir. Considerando que Makarov estava lá, só pude imaginar o pior.

Dei de ombros, sabendo que não havia solução. Por bem ou por mal, aquele era meu emprego.

Depois de correr para ficar pronta a tempo, me lembrei de um detalhe importante:

– E desde quando eu sei onde ela mora?

Não tendo outra opção, fui ao quarto de Gray. Ele provavelmente era o único dentro daquela casa que saberia tal coisa. Isso poderia me irritar anteriormente, mas já me acostumava com a ideia de que eles eram amigos há certo tempo, e que isso era natural.

Como quase sempre, a porta estava fechada. Era possível ouvir o som de uma TV ligada.

– Pode entrar. – ele disse do lado de dentro.

Adentrei no quarto. A cada vez que eu tinha uma oportunidade como essa, fazia questão de observar tudo à minha volta. Inclusive Gray, que estava...

– Sem camisa?! – murmurei em voz alta, sem querer.

Corei imediatamente, desviando o olhar para o teto. Ele, no entanto, não parecia nem um pouco incomodado com a situação, chegando a se levantar e ficar na minha frente. Baixei os olhos só para constatar que o melhor era encarar seu rosto se não quisesse ficar parecendo uma tarada.

Ok, não era a primeira (nem a quinquagésima) vez que eu o via assim, mas, ao menos em minha mente, vê-lo de sunga na piscina era diferente de vê-lo só de bermuda. Acho que por que esse era um sinal claro de que eu estava adentrando em sua privacidade, em um local onde ele assim se vestia por que ficava confortável. E eu estava – de certo modo – sendo recebida ali.

– O que foi? – ele perguntou, e notei que ele sorria, envergonhado.

Porcaria. Ele tinha ouvido.

– Un... Você poderia me dar o endereço da Lucy?

Ele arqueou as sobrancelhas. Em sua mente, provavelmente era estranho eu pedir a localização de uma pessoa que, até pouco tempo atrás, eu evitava.

– Ah, foi a Mira que pediu para eu dar uma passada lá. Parece que a Lucy também vai para o café.

– Ah, claro. – ele pegou o telefone e deu procurou pela informação. – Pode deixar que eu te envio agora por mensagem... A propósito, você tem meu número?

Um sorriso enorme tomou conta do meu rosto, e tentei disfarçar olhando o chão.

– Não... Mas seria até bom, né? – indaguei, deixando a cabeça pender para o lado.

Ele concordou e trocamos contatos, para então ele passar-me a informação pedida. Agradeci e saí do quarto.

Assim que a porta foi fechada, me permiti fazer aquilo que estava contendo: dar pulos de alegria enquanto ria bobamente.

– Isso! Eu tenho o número do Gray-sama...! – apertei o telefone contra o meu peito.

Quase caí no chão quando ele saiu do quarto sem aviso. Disfarcei a minha situação como pude, fazendo uma pose estranha.

– Ah, por que a Lucy vai para o trabalho com você?

Depois de toda a conversa com Mira, sabia que o que ocorreria naquela tarde não seria nada bom. Então menti, dizendo que Lucy iria cobrir outra garçonete que tinha ficado doente. Para completar, disse que ele não precisava “me escoltar” até lá, afirmando que com Lucy por perto eles não apareceriam – principalmente após um mês sem darem sinais de vida.

– Por que ela é realmente uma grande proteção para você. – ele ironizou, mas acabou me deixando ir sozinha.

Não queria que ele risse das minhas roupas outra vez.

...

Era a primeira vez que eu visitava a casa dela. Ainda que nas semanas anteriores eu tivesse me aberto a conversas, etc, me sentia desconfortável a respeito de vir convencê-la.

A área onde Lucy vivia era considerada de classe média, o que foi uma surpresa, considerando que eu já tinha ouvido a respeito da sua família. O conjunto de apartamentos ficava no fim de uma rua rodeada por árvores, e o prédio era de um amarelo envelhecido. Segundo Gray, ela morava no 202.

Subi a escada silenciosamente, não queria acabar encontrando nenhum vizinho. Bati à sua porta.

– Quem é? – ela perguntou.

Minhas mãos nervosas se entrelaçaram por trás de mim. Balançava o corpo para frente e para trás.

– Juvia. – respondi.

Pausa. Ela abriu uma fresta da porta e colocou a cabeça para fora. Também pareceu meio chocada. Depois de me observar por alguns segundos, abriu-a, sorrindo.

– O que foi?

Eu entrei no apartamento, e ela me ofereceu uma das cadeiras para eu me sentar.

– A Mirajane me falou...

Os olhos dela se arregalaram.

– Não! Não mesmo! Se ela mandou você é só mais um sinal de que ela teve uma daquelas ideias. E você não vai me forçar como a Erza fez com o videogame! – ela negava veementemente.

Se fosse anteriormente, eu poderia tê-la deixado desistir e a largado ali, mas, ao menos daquela vez, queria alguém para se envergonhar juntamente comigo. Seria engraçado vê-la reclamando, ao mesmo tempo em que teria alguém para me compreender.

– Você vai.

Em cerca de meia hora de muitos puxões e gritaria, ela estava pronta. Com um carão, ambas com marcas de beliscões, mas pronta.

– O que você acha que ela e o diretor vão fazer? – perguntei, quando nos aproximamos do café.

Por fora, vi um grande banner sendo colocado ao lado da entrada:

“Só hoje! Vamos comemorar com o Dia dos Coelhos, patrõezinhos! Desconto de 15% para aqueles que trouxerem amigos!”

– É sério isso? – Lucy perguntou.

– Só espero que...

Fui interrompida por um grito de Mirajane, que saiu da loja com duas sacolas suspeitas nas mãos.

– É, é sério mesmo.

...

Em pouco tempo, estávamos praticamente prontas. Entre as outras garotas, se encontravam: Levy, Erza e Evergreen (que pareciam felizes se encarando no espelho), Lisanna, Cana... até a Wendy.

Makarov estava animado, e nos dissera que aquele dia era na verdade a comemoração do aniversário de cinco anos do café. Teríamos que ser impecáveis. As garotas haviam sido chamadas, na verdade, por que muito provavelmente haveria mais clientela do que o normal.

– Ah, lá fora já tem uma fila enorme, esperando vocês saírem.

Mirajane chegou saltitante, com o celular na mão. Parecia ter acabado de resolver algo importante.

– Agora sim, tudo pronto. Vamos começar?

Eu, Lucy, Levy e Wendy nos encaramos. Fui a primeira a tomar alguma atitude.

– Vamos, passe essa bandeja e as orelhas para cá.

...

Gray P.O.V.

...

Entre as coisas mais irritantes do mundo, estavam as multidões — de acordo com os meus conceitos. Juntamente com garotas histéricas, pessoas intrometidas e Ultear em um dia ruim. Mirajane sabia muito bem disso, e ainda sim me convidara para... Aquela confusão.

Uma hora antes de no café chegar, eu recebera uma mensagem dela, avisando que eu deveria ir imediatamente para lá.

Você não vai se arrepender.

Eu tinha me arrependido antes mesmo de entrar por aquela porta. A fila anormal se estendia por metade da rua. Enquanto esperava, considerando ir embora, vi uma figura acenando ao longe.

– Natsu? E Gajeel?

Eles estavam bem à minha frente, quase ao ponto de puderem entrar no café, então caminhei até os dois.

– Mira também mandou aquela mensagem para você? – Natsu indagou.

Concordei. Eles estavam tão confusos quanto eu.

– Nem sei como ela conseguiu meu número, mas encontrei esse aqui e resolvi ficar. – Gajeel apontou para o rosado.

– Tomara que seja algo bom mesmo... A Juvia te disse alguma coisa?

Relembrei o comportamento que ela tivera antes de sair de casa.

– Não. Mas ela parecia não querer que eu viesse.

– Mas isso pode ser explicado já que hoje é terça, não? Você não disse que a Mira sempre a faz vestir aquelas roupas bem... – Natsu fez gestos que esclareciam de que tipo de roupa ele falava.

Gajeel pigarreou e nos encarou com um olhar cortante. Muito obrigado, Natsu.

Que roupas, senhor-sama?

Ele sabia ser bem ciumento quando se tratava da garota. Apesar de que, após a solução do inicial mal-entendido, ele agia assim pelo que parecia ser pura diversão.

– Nenhuma. – levantei as mãos indicando ignorância.

Preferi não arriscar. Tinha de concordar de que uma discussão ali não seria as melhor das coisas a se praticar. Ainda por cima considerando que eu não tinha o menor desejo de voltar aos maus termos com o metaleiro.

Ele sorriu. Exceto pelo apelido, que servia como uma constante lembrança de um limite do qual eu não poderia passar – ao menos sem o seu consentimento –, ele agia amigavelmente desde que eu não o provocasse.

– Vamos entrando! – uma voz masculina chamava do lado de dentro da porta.

– Tomara que seja algo muito bom para ela nos trazer aqui. – murmurei.

Os outros concordaram. Um grupo de pessoas saía, relutantemente, de dentro do local. Em volta da porta, de formava uma pequena multidão animada, que nos impediu de ver o que se passava por dentro. Não demos muita atenção à placa na entrada, nem à estranha animação de todos que saíam com câmeras nas mãos.

Quando finalmente o grupo se dissipou, qual foi nossa surpresa quando...

– Garotos! – um furacão chamado Mirajane saltou em cima de nós. – Vocês vieram.

Ela não parecia estar nem minimamente envergonhada, mas se vestia exatamente como todas as outras garçonetes.

– Coelhinho? – Natsu perguntou.

Ela virou-se e mostrou para nós o que seria o seu rabo peludo, balançando-o.

– Não é genial? – ela ria.

A maioria dos garotos à nossa volta coraram imediatamente. Não era sempre que se via uma garota como Mira vestida de tal modo: orelhas peludas, fantasia apertada e cavada e ainda por cima naquela posição.

Eu já estava acostumado. A inocência que a levava a agir de tal modo era também o motivo que já tínhamos nos acostumado a “protege-la”. Encarando todos a nossa volta, colocamos a garota em uma posição mais decente.

– Uhum, genial. – Gajeel sorria, olhando para as outras empregadas que andavam em volta.

Mira, no entanto, não pareceu satisfeita com a resposta dele, dando-lhe um tapa na cabeça.

– O que foi?! – ele perguntou.

– Vocês só têm direito a chamar uma garçonete por vez. E só podem olhar para elas. Gray, aqui. – ela me entregou um cartãozinho azul. – Natsu, você fica com o rosa, e Gajeel com o laranja.

Antes que puséssemos perguntar qualquer coisa a mais, ela nos empurrou para uma mesa vazia.

– Assim que suas garçonetes chegarem, você entregam os cartões e após uma hora terão que ir embora, ok?

Concordamos e fomos largados ali. Olhando em volta, notei que não eram só as garotas que assim estavam vestidas.

– Olha, as caras estão parecendo o coelho de Alice no País das Maravilhas... – Natsu murmurou.

– É um fraque, idiota. – corrigi-o.

Ambos me encararam ao mesmo tempo.

– Por que é muito normal saber o que um fraque é.

– Ultear. – foi a única explicação que dei.

Além do paletó preto longo e cartolas com orelhas de coelho, eles também tinha o rabo branco na calça.

– Eu não queria trabalhar aqui de jeito nenhum. – Gajeel sussurrou e concordamos.

Lembrei-me de Juvia. Agora entendia o motivo dela não querer que eu viesse. Definitivamente, era a pior roupa que Mira já a fizera vestir. E eu ainda nem a tinha visto.

– Talvez a Lucy esteja trabalhando aqui hoje. – passei os olhos pelo salão cheio de gente.

Natsu pareceu se animar. Ele era um idiota por não perceber os sentimentos dela, mas às vezes eu tinha a impressão de que, inconscientemente, ele a via de um modo diferente. De qualquer jeito, não seria eu a contar o segredo da loira.

– Sério?! – ele berrou, rindo. – Mas a Lucy é gorda, não tem jeito de ela ficar legal nessas roupas!

Natsu ria, até que sua atenção foi chamada por certo alguém que o encarava mortalmente. Seus olhos se arregalaram.

– L-Lucy?

Ela estava vestida com a mesma roupa que Mirajane, porém com um laço rosa no pescoço, entre outros acessórios da mesma cor. Comecei a entender que cada cartão correspondia à “coelha” daquela cor.

– Olá. – ela tinha uma veia saltada na testa.

Natsu demostrava contradizer sua fala, uma vez que a analisou de cima a baixo, engolindo em seco. Com certeza aquilo ajudaria, mais cedo ou mais tarde, no “plano” dela de fazê-lo enxerga-la como uma possível pretendente.

– Querem alguma coisa? – ela limpou a mesa com mais força do que o necessário.

– Só um café. – Natsu disse, enquanto ela recolhia a ficha rosa.

– Ah, um para mim também. – eu disse.

Ela observou o papel na minha mão.

– Vocês dois ficam por conta de outras garçonetes. – ela olhou para trás, e imaginei quem seria aquela que me atenderia. – Juvia! Levy!

– A baixinha está aqui? – o grandalhão indagou, animado.

– Uhum. Mira não deixou ninguém de fora. – ela ajeitava suas roupas enquanto falava.

Lucy pediu que nós esperássemos, e só aí Natsu pareceu finalmente respirar.

– Muito para o seu coração? – Gajeel perguntou, sorrindo maliciosamente.

– E com alguns quilos a menos do que eu imaginava.

Eu ria, observando os dois, quando subitamente meu cartão foi arrancado da minha mão.

– Boa tarde, patrãozinho. – a voz conhecida parecia já estar cansada de agir amavelmente.

Se eu tivesse uma bebida, não tinha dúvidas que a cuspiria. A garota estava bem na minha frente. E com bem menos roupas do que o normal.

Ela não parecia me ver, uma vez que encarava o bloquinho de notas.

– O que vai querer...?! – a voz dela mudou ao me notar, e deixou o bloquinho cair.

Seu rosto enrubesceu instantaneamente, e o meu não ficou para trás. Ela se abaixou para recuperar o que estava no chão, e tive uma visão de suas costas nuas e pernas. A roupa apertada chamava ainda mais atenção para a parte inferior do seu corpo. Aquilo conseguia ser totalmente diferente de um maiô.

Balancei a cabeça, tentando afastar tais pensamentos.

– Será que toda vez que ele aparecer aqui de surpresa, uma situação assim vai ocorrer? – ela murmurou mais para si mesma, mas não pude deixar de ouvir.

Eu esperei ela se acalmar. Depois de alguns segundos, pareceu recuperar a dignidade.

– O que vai querer? – ela sorriu, ignorando toda a situação interior.

Gajeel fez questão de destruir toda a força de vontade dela.

– Mas você está uma gatinha com essa roupa, hein, Juvia? – ele assobiou. – Para não dizer uma coelhinha.

A azulada se inclinou o suficiente para apertar as bochechas dele com o que parecia ser uma força tremenda. Desistiu de agir comportadamente.

– Acho que você pode ir embora, né? A Levy está muito bem acompanhada pelos quase vinte caras que pediram o número dela. – Juvia terminou dando um tapinha no rosto dele.

– Como assim?! – Gajeel se sobressaltou.

A Lockser deu de ombros, satisfeita por sua provocação ter funcionado, e se virou para mim.

– G-Gray-sama, o que vai querer? — ela ainda não me encarava diretamente.

– Pode ser o de sempre.

Ela anotou e se preparou para ir embora, quando Lucy chegou, segurando-a pelo braço.

– Aqui está. – ela entregou o copo para Natsu.

– O-obrigado.

Gajeel parecia transtornado por ser o único a não ter sido atendido, tamborilando os dedos na mesa.

– Cadê a Levy?

– Acho que está com o Jet na mesa dele. Estava lá na última vez que a vi. – Lucy olhou em volta.

As duas conversaram sussurrando, e se prepararam para voltar ao trabalho. Naquele momento, Erza passou por trás delas. Nós não sabíamos que a ruiva estava trabalhando ali naquele dia, e não pudemos deixar de olhá-la. Ela chamava a atenção. Comigo e com Natsu, amigos há muito tempo, ela perecia ser especialmente indiferente. Quando ela nos viu, acenamos, cumprimentando-a. O que não foi uma coisa muito boa.

Ao fazermos isso, as duas à nossa frente seguiram nossos olhares, e, como cúmplices, olharam uma para a outra, parecendo dividir a mesma raiva.

– Natsu. – Juvia chamou-o.

– Gray. – Lucy me cutucou.

Vão se ferrar. – elas disseram ao mesmo tempo, em um tom que poderia, caso as palavras fossem outras, ser doce.

Depois disso, se viraram em foram embora, fazendo questão de pisar forte com os saltos de suas respectivas cores e balançarem o quadril mais do que o normal. Ficamos atônitos.

Gajeel gargalhava. Estava tão distraído que não percebeu uma mão que começou a acariciar seus cabelos.

– Ainda bem que elas não se irritaram comigo também. – ele dizia, entre risos.

Apontei para cima de sua cabeça. Provavelmente ele era o que deveria mais temer.

Gajeel.

O grandalhão se virou rapidamente.

– Baixinha! Eu...

Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, o carinho que recebia se transformou em um puxão de cabelo, que o impediu de pensar em qualquer outra coisa que não fosse tirar a mão de Levy dali.

...

A coisa mais desconfortável daquela noite foram, com certeza, os olhares. Olhares de garotos que não sabiam seus lugares e que resolviam encarar Juvia Lockser, com sua pele quase translúcida e ações gentis. Por vezes, tudo o que eu queria era ir até eles apenas para informa-los que ela só se comportava assim pelo trabalho. Achei, no entanto, outro modo de afastar a maioria deles.

Ao encarar a garota e todos aqueles que dela se aproximavam, os rapazes pareciam entender a mensagem. Porém, aquilo poderia ser considerado uma faca com dois gumes: toda vez que ela notava meu olhar, seu rosto e orelhas ficavam vermelhos, o que estranhamente me deixava nervoso.

Natsu e Gajeel não deixavam a oportunidade de debochar passar, apesar de não estarem muito confortáveis com o que ali dentro ocorria também. Levy e Lucy eram alvos constantes.

O rosado dizia que, apesar do “discurso” que eu dava, uma vez que eu não odiava a garota, eu me tornava vulnerável. Superprotetor, e, excepcionalmente com a Juvia, possessivo. Não era a primeira vez que alguém insinuava algo a respeito dela para mim. No entanto, tudo o que eu notava era esse desejo de afastá-la dos outros garotos. Não gostava de pensar e nem considerava o resto.

Quando alguns garotos se aproximaram delas e as enlaçaram pela cintura, acredito que todos nós perdemos um pouco do controle. Levantamo-nos sincronizadamente e nos dirigimos a cada uma delas.

Com certa agressividade, tirei as mãos do garoto de cima de Juvia, que estava claramente desconfortável. Assim como meus amigos, trouxe-a para a nossa mesa e tirei o casaco que eu vestia, colocando-o sobre seus ombros.

– Gray-sama? – ela me olhava com expectativa.

As outras garotas já estavam com o moletom de Natsu e jaqueta de Gajeel.

– Vocês estão muito expostas. – eu disse.

– Não vão mais trabalhar assim. – disse Gajeel.

As colocamos sentadas, e dividimos um sorriso de satisfação por termos resolvido o problema.

Ao menos aparentemente.

– E agora, o que pretendem fazer? – indagou uma voz por trás de nós.

Infelizmente, Makarov nos vira. E não estava de bom humor.

Nos viramos lentamente e encaramos a ele e a Mirajane.

– Vocês acham que podem, simplesmente, fazer com que três das nossas garçonetes parem de trabalhar? – Mira perguntou.

– N-Nós...

– Vão contribuir, não é?

...

Fomos forçadamente lavados à cozinha por Mirajane, sendo seguidos de perto pelo diretor e pelas garotas, que se entreolhavam nervosamente. Tudo isso, para encontrarmos Laxus de avental em forma de coração e orelhas de coelho cor-de-rosa.

– O que é isso?! – Natsu começou a rir descontroladamente, sendo seguido por mim e Gajeel.

O loiro mantinha o rosto inexpressivo, tentando esconder o constrangimento.

– Ela me fez vestir. – ele murmurou, com certa irritação, apontando para a gerente.

– Foi a melhor coisa que você já fez. – eu disse para Mira.

A garota mantinha um sorriso diabólico quando entrou em algo que parecia uma dispensa e de lá tirou três roupas... Estranhas.

– Por que estão rindo? Vocês vão se vestir de modo ainda mais interessante que ele. – ela nos rodeava, e notou nossas expressões que claramente informavam que não iríamos usar nada daquilo.

– Não pararam as meninas? – Makarov interviu. – Então, agora vão substituí-las.

Dessa vez, foi a vez delas darem risada. Infelizmente, contra aqueles dois não havia escapatória.

– Natsu, sua roupa.

Mirajane estendeu uma fantasia feminina de coelho para ele como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Que?! – ele tentou correr, sendo agarrado pela gola da camisa. – Eu não visto isso nem morto!

O garoto foi forçado a entrar no vestiário por Laxus, que exibia um sorriso de satisfação. Não podia dizer que eu também não estava me divertindo à custa do rosado.

Logo Gajeel foi chamado, sobrando apenas a mim.

– Gray. – ela me cutucou, estendendo um cabide para mim.

Nele, estavam penduradas apenas uma calça e uma gravata borboleta.

Un? – eu não conseguia, e nem queria, entender o que aquilo significava.

– Sua roupa.

...

Juvia P.O.V.

...

Provavelmente o menos envergonhado dos garotos era Gajeel. Na verdade, ele parecia até animado. Sua roupa, um smoking branco e chapéu que o fazia parecer um cantor de jazz, não era comprometedora.

Mirajane não poderia ter sido mais cruel com os outros dois. Natsu estava com a vestimenta que, segundo ela, era da “Rainha dos Coelhos”: uma fantasia semelhante à que usávamos antes deles nos cobrirem, porém feita de paetês dourados. Enquanto servia, ele frustradamente tentava cobrir as pernas, sem obter êxito. Sua situação, diferente da de Gray, fazia com que as pessoas rissem dele, e não o encarassem com desejo.

O Fullbuster fora forçado a vestir uma calça social preta e uma gravata borboleta vermelha. Apenas. Ele ficara responsável por receber os clientes, e as garotas faziam questão de encará-lo por um bom tempo. Tranquilizei-me ao chegar à conclusão que, com a expressão assustadora que ele mantinha, nenhuma garota teria a coragem de se aproximar o suficiente para que eles conversassem.

– Juvia! – Gajeel gritou do outro lado do salão. – A Mira disse que eu posso cantar!

Cobri meu rosto com uma das mãos. Eu não desejava, e se possível tentaria evitar, que aquilo acontecesse. Não era bom para a saúde de ninguém.

– Ele sabe cantar? – Erza me perguntou.

– Eu já o ouvi tocar algumas coisas, mas... – Levy murmurava.

– Ele acha que sabe. – afirmei.

As duas pareceram entender a situação. Enquanto ele se aproximava, perguntei a Erza, que ainda estava trabalhando, se precisava de ajuda. Apesar de todo o caso feito pelos garotos e de nós termos sido liberadas de usarmos aquelas roupas, queria ajudar já que o restaurante estava cheio. Ah, e também fugir de Gajeel. Tinha uma grande noção do que ele queria falar comigo.

– Não obrigada, está tudo sob meu controle. – ela disse se afastando.

Percebendo minha expressão desapontada, pediu que eu levasse alguns dos pratos que ela segurava para lavar. Peguei-os e me dirigi à cozinha. De longe, eu a observava.

Erza poderia perecer muito frágil ao se inclinar a todo o momento sobre as mesas dos clientes e não reclamar quando eles eram gentis até demais. Mas só parecer. Mais cedo, eu vira o que ela fizera com um engraçadinho que tentara passar uma mão boba.

“- Patrãozinho, acho que você não quer ser expulso daqui, né? – ela entortou a mão do garoto, colocando-a sobre o seu colo.

Ele parecia assustado.

– Já assistiu o filme Donnie Darko? Então, assim como o coelho demoníaco Frank, eu posso prever que você não vai acabar bem se continuar a agir assim.”

Ela provavelmente dera calafrios a ele, assim como a mim, pois o adolescente não demorara a pedir a conta e ir embora. Talvez nunca mais voltasse.

– Juvia! – Gajeel conseguiu me alcançar, segurando o meu braço.

– O que foi? – indaguei, de mau humor.

– Vamos fazer um dueto?

Aquela pergunta pareceu chamar a atenção de todos que nos conheciam dentro daquele estabelecimento.

– Que história é essa? – perguntou Cana.

– Bem, nós dois cantamos juntos quando éramos da Phantom. Fizemos bastante sucesso quando...

Decidi o interromper antes que o mal-entendido aumentasse:

– Nós cantamos na rua. Uma vez. E esse “sucesso”, – ironizei. – foi por que queríamos dinheiro para presentes de Natal, e algumas pessoas, com pena, nos deram dinheiro.

– Mas nós fomos incríveis, não fomos? – ele me olhava sugestivamente.

Depois disso, se instaurou em todos o desejo de nos ouvir apresentar uma música. Neguei veemente, e consegui fazê-los desistir de me ouvir cantar, ficando apenas como dançarina. Gajeel sentou-se no palco improvisado que era o balcão em que Mirajane em geral ficava, e eu fiquei de pé ao seu lado.

– Gostaria de cantar o meu single: Shooby Doo Bop. – ele assumiu um tom forçadamente grave.

– Ah, é o único. – fiz questão de acrescentar.

Ele me fuzilou com o olhar. Ri e passei o braço sobre os seus ombros. Enquanto ele cantava e tocava o violão de Mira, eu balançava meu corpo para esquerda e para a direita, lentamente.

Inesperadamente, as pessoas gostaram – provavelmente por que enxergavam aquilo como um show de comédia. E pediram bis.

Quando cansei, Levy me substituiu ao seu lado, o que fez com que ele ficasse notavelmente mais alegre.

A noite chegou, passou, e os clientes foram embora. Não acreditava que pudesse ter ficado tão cansada em um período tão pequeno. Enquanto me dirigia para a saída, consolei-me pensando que tudo havia acabado.

Cedo demais.

A confusão só veio ao fim mesmo quando Erza deu um ataque ao notar um homem extremamente vermelho do lado de fora, encarando-a em sua fantasia. Os dois estavam surpresos, e pareciam se conhecer. Por mais que eu tentasse identificá-lo, tudo o que consegui ver foi seu cabelo azul por debaixo do capuz do casaco. Erza não parecia querer deixar que ninguém o visse de perto.

Do nada, o garoto caiu no chão, parecendo inconsciente.

– Corre! Ele teve uma hemorragia nasal!

Notas finais
E FELIZ NATAL PARA TODO MUNDO!!!!! kkk (sou péssima com discursos de datas comemorativas). Espero que todos tenham tido uma boa noite, amigo secreto, sei lá. Tudo de bom para vocês ;). Está sendo maravilhoso escrever essa fanfic, principalmente por que tem algumas pessoas que acompanham bem de perto. Eu tenho muita coisa para falar, mas acho melhor guardar para outro momento. Resumindo: eu escrevo tentando transmitir para vocês o mesmo sentimento que eu tenho quando gosto muito de uma história, seja ela de um livro ou de uma fic. Quando alguém comenta, feliz, sobre algo do capítulo, eu fico parecendo uma idiota animada. Espero que vocês sintam a mesma felicidade que eu, e obrigada por estarem por aí sempre para apoiar. Sobre o capítulo: tentei fazer mais ou menos como vocês pediram, não sei se foi exatamente como imaginaram. Gostei muito do final com o Jelly kkkk. Ah, e sim: eu pesquisei sobre filmes de terror com coelhos para fazer a cena da Erza. Enfim, teve o Gray tarando a Juvia e falando um pouco dos sentimentos dele (fiz meu máximo para não afeminá-lo e nem dar spoilers). Apesar disso, sei que muitos queriam vê-lo "revelar" tudo o que ele sente, mas isso adiantaria muita coisa que está planejada para depois. Espero que tenham gostado dessa loucura aí kkkk. Foi totalmente para vocês, e de vocês (afinal, né? Vcs que votaram *v*) Feliz tudo, e até o próximo capítulo ;). PS: os agradecimentos coloco depois.