Somebody Save Me
1 Desespero
Notas iniciais
Comenteeeeeeem !
Desde a minha infância sempre fui sozinho. Atormentado, talvez, pelos meus demônios interiores, e a única paz que eu tinha eram as férias. O momento em que eu finalmente revia meus amigos, família e ela.
O ano passara como uma lesma, e minha ansiedade apenas aumentava a cada segundo. Passagens compras. Malas prontas e apenas uma noite me afastava do meu momento feliz, da minha verdadeira vida.
Não consigo dormir. Imaginar a felicidade de reencontro. Turbilhões de emoções me comovem e acabo chorando. De felicidade. De medo. De carência. De esperança. Mas acima de tudo, eu estava feliz.
Acabo amanhecendo rabiscando um papel com palavras, emoções e cores diferentes. Ouço minha mãe subir as escadas, aparentemente novamente com gripe pois não parava de fungar, e me enfio debaixo das cobertas. Seguido de dois toques na porta ela a abre, e ela não estava gripada.
Estava encharcada, suas bochechas molhadas e um estado de choque. Pulo da cama indo em direção a ela interrogando a cada segundo o que acontecera. Ela não falava. Olhava para o nada como se aquilo fosse tudo importante, e, de repente sussurra:
“Seu pai está morto.”
Por um momento entro em choque, após me repreendo por vagar em pensamentos xingando-o e estragando novamente o único momento feliz que eu iria ter, ele tentara de tudo para me impedir de viajar e finalmente conseguira.
Eu não era próximo da minha mãe, muito menos do meu pai, porém pude sentir sua dor e lágrimas brotam dos meus olhos. Em um momento de devaneio olho para minha mãe, e acima da sua cabeça existe uma espécie de cronômetro, nele está marcado um minuto. Abraço minha mãe e ela desaba a chorar, gritando como se o mundo dela fosse, e talvez realmente estivesse, destruído. Olho novamente e o cronômetro marca dez segundos. Me afasto voltando para a cama desarrumada e o tempo continua a descer.
Três.
Dois.
Um.
Zero.
Os olhos da minha mãe dobram de tamanho e ela posiciona a mão direita no peito e a esquerda em meu rumo em uma suplica terrível. Ela foi abaixando e de repente estava deitada no chão.
Assustado, chego perto e não há respiração. Não há batimentos cardíacos. Não há pulso. Ali, naquele corpo inerte, não há vida.
Totalmente em pânico olho para o espelho que cobre a parede, meu rosto quadrado vermelho, meu cabelo totalmente bagunçado, e os meus olhos verdes imperceptíveis de tanta vermelhidão. Acima da minha cabeça o cronômetro marca 86,440. 86,439. 86,438...
Estou assustado. Ninguém mais vê. Parece que novamente estou sozinho. Não sei como. Não sei por quê. Não sei o que fazer. Não sei. Nunca sei. Alguém...
Me salve.
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