Some boys

1 Some boys are sleeping alone - Remus


Notas iniciais
"Some boys are sleeping, some boys are sleeping alone. Because there's no one that's keeping them warm through the evening. And they know that they're on their own."

Remus empertigou-se na cama da enfermaria, sentindo os cortes da noite passada arderem em seu rosto, seus braços, pernas… O que doía mais era a vergonha. Odiava aquela situação. Odiava ser o que era.

É claro, depois que seus amigos haviam virado animagos o mundo ficou muito melhor, e as noites de lua cheia muito menos dolorosas. Às vezes era divertido, como o começo da noite passada. Mas outras eram perigosas e extremamente arriscadas, como o fim da noite passada.

Remus ouviu a voz dela gritando, em desespero, mesmo que não a tivesse realmente ouvido. Pontas e Almofadinhas haviam contado tudo o que acontecerá e aquilo encheu Aluado de um ressentimento, de uma coisa tão ruim por ele mesmo. Nunca mais chegaria tão perto dela, nunca mais a tocaria.

Sua pequena Emmeline… Só de pensar naquela pele branca e macia rasgada, detonada. Ou pior! Naquela pele transformando-se até virar algo como ele. Um monstro.

Foi por pouco. Muito pouco dessa vez.

Estavam no quinto ano quando Remus percebeu o jeito com que ela o olhava. Os olhos castanhos claros sempre o acompanhando. As perguntas preocupadas quando ele sumia. O jeito com que jogava e mexia no cabelo sempre que o via. Note-me, era o que tudo nela dizia. Remus notava. Até de mais. Quando Emmeline não estava olhando-o, era a vez dele de encará-la. Sentava atrás dela nas aulas e acha que decorou as pintinhas claras que se espalhavam pelo pescoço alvo, que ficavam tão visíveis quando ela prendia os longos cabelos em um rabo de cavalo. Ele poderia contá-las uma por uma, e no pensamento, roçava a ponta dos dedos devagar pela pele, cochichando no ouvido da garota a cada pedacinho de pele que tocava.

Depois viraram amigos. Melhores amigos. Mesmo que sempre existisse uma tensão entre os dois, que ambos insistiam em ignorar. Ele havia deixado claro que só poderiam ser amigos e ela pensou que era porque ele amasse a outra, ele tão pouco fez nada para desconstruir aquela ideia.

Sabia que era arriscado e nunca a arriscaria daquela forma. Permaneceram assim por um bom tempo, até que – no sexto ano –, Remus a via entrando no Expresso de Hogwarts e o sorriso que ela abriu ao vê-lo fez tudo ao redor sumir, como um clichê. .

Nunca, em toda a sua vida, virá alguém tão genuinamente contente em vê-lo. Aquilo foi mais do que aguentava e, em um impeto de coragem, correu para Emmeline e a beijou. Até hoje ele considera aquilo a coisa mais corajosa que já fizera, mas também a mais estúpida. Como podia ser tão egoísta?

Ele nunca esteve tão feliz como naqueles poucos meses em que estavam juntos. Tinha os melhores amigos, a garota mais incrível e nada poderia estragar aquilo. Exceto o monstro dele.

É claro que Emmeline estranhava quando ele sumia. Passou meses tentando seguí-los nessa época, até que um dia conseguiu. Estavam tão distraídos enquanto caminhavam pelo pátio da escola até o Salgueiro que não repararam nem mesmo por um segundo nela.

Lembra-se apenas da vozinha fina, nervosa, murmurando seu nome. Remus, Remus, Remus. Então a visão ficou nublada e a fera assumiu o controle. Tudo virou gritos em vermelho e esquecimento.

Os amigos haviam contado o que acontecerá. depois, é claro. Quase no segundo em que a viu, a lua apareceu pelas nuvens escuras e Remus virou o Lupino e, antes que James e Sirius pudessem pensar em algo, ele já havia derrubado Emmeline. Nada mais do que isso, pois os amigos o arrancaram de lá e o controlaram até deixá-lo desacordado. Isso explicava os hematomas, mordidas e rasgos pelo corpo. Mais cicatrizes. E não seriam suficientes para livrá-lo da culpa.

Independente do que acontecesse, nunca mais se aproximaria de Emmeline Vance.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.