Some Things just Happen
2 Capitulo #02: Afinal, somos amigos.

“Criatura fria sem coração!” –Foi o que a professora falou que eu era ao dar as costas para ela e sair pela sala.
Bom, não dei bola para o que ela falo, não preciso me preocupar em fazer amigos.
-Esse cheiro de suor maldito grudou em mim... –Pelo menos eu estava indo para casa e poderia tomar um banho e limpar o cheiro de Husky que ficou impregnado em mim.
As ruas da que iam em direção a minha casa estavam vazias, era um dia quente por tanto até mesmo eu comecei a soar quando estava indo para casa. –O dia foi estranho... realmente estranho. –Novamente senti ser puxado, mas desta vez eu acabei caindo dentro de um beco escuro que existia entre duas casas.
O mesmo cheiro peculiar de antes. –Não se mova. Ou acabo com você. – Era Hasuki, ele estava me imobilizando segurando uma de minhas mãos para as costas e a outra ele estava tapando minha boca. ELE ME ASSUSTA!
Eu apenas acenei que sim com a cabeça, e literalmente ele me soltou.
-Certo. Venha comigo.
[-ALGUNS MOMENTOS DEPOIS EM UMA LANCHONETE QUALQUER-]
Estávamos sentados um de frente para o outro, ele bebia um refrigerante de 300ml e para mim ele comprou um cupcake. Estava tudo em silencio e eu não fazia a menor ideia de porque estava ali.
A situação era estranha, estávamos em silencio. Eu não gosto dele! E o mais estranho é que tinha mais alguns amigos dele que ficavam me olhando.
-EAI! Hasuki! –O silencio finalmente foi quebrado quando um pássaro, acho que um flamingo, isso! O silencio foi quebrado quando um flamingo apareceu e chamou por Hasuki.
-Fura? E aí! –Respondeu Hasuki ao se cumprimentarem.
O flamingo parou de pé a minha frente e me encarou de forma séria. – Quem é?
Eu não queria estar ali. Não mesmo.
-Esse é o Raion! Meu amigo. –Amigo? Serio? Nós mal nos conhecemos. Como esse Husky fedorento pode falar isso.
-Amigo? ... bem, tanto faz. Vamos embora pessoal. –Após isso, todos que estavam ali exceto Hasuki, foram embora nos deixando sozinhos.
-Então, Como é que é? – Eu apenas fiquei em silencio, mas meus olhos e os deles se encontraram e a expressão no rosto dele era profunda.
-Oque? –SINCERAMENTE. Eu não entendo ele.
— NÃO SE FAÇA DE IDIOTA! —Do nada ele deu soco na mesa e começou a falar aos berros. – EU SEI QUE DEPOIS QUE VOCÊ SAIU DA MINHA CASA VOCÊ FOI ATÉ ESCOLA NOVAMENTE!
Senti meus ossos tremerem, cada um deles. –O-O que tem isso?
-Foi divertido?
Novamente eu não entendi nada, mas percebi que realmente ele não faz sentido algum.
Ele pareceu se acalmar e percebi que o rosto corou um pouco. –Bem, se você foi para escola depois que saiu da minha casa, e agora estamos aqui. Significa que isso é como um encontro entre amigos depois das aulas. Não é?
Depois disso tomei minhas própria conclusões.
-Hasuki? você quer realmente ir para a escola? –Acho que fiz besteira, pois ele me lançou um olhar frio que me gelou a alma. Mas mantive a calma. –Se você quer ir na escola, apenas vá e ponto final.
Ele baixou a cabeça e não pude ver seu rosto. –Eu até iria... Mas estou com medo. – “MEDO?” porquê? – Sempre que vou para a escola, as pessoas se afastam e tem medo de mim. Não demorou muito para todos me evitarem, por isso acabei me metendo em uma briga logo no primeiro dia para que pelo menos eu tivesse uma desculpa para não ir. – Ele voltou a olhar para mim, ele sorria de forma meiga.
-Você é o primeiro que foi me visitar e não saiu correndo logo após isso. E esses caras eram os primeiros que saíram comigo sem ter medo.
Eu não sabia onde ele queria chegar com todo esse assunto chato.
-Enfim! –concluiu ele. –Se eu tenho vocês, eu não preciso ir para a escola.
“...se eu tenho vocês, eu não preciso ir para a escola.”
Serio mesmo? Que estupido. –Você é o único a pensar dessa forma. –Depois de tal frase idiota, eu tinha que me expressar. –Amigos não prejudicam você, todos devemos ir para a escola para sermos alguém no futuro. Eu não tenho amigos, mas sei que amigos não devem atrapalhar. –Ele parecia assustado com minha opinião. – E se amigos servem para atrapalhar, eu prefiro estar sozinho ao invés de fazer amizades.
Nesse momento eu fechei meus olhos, e senti algo cair sobre minha cabeça molhando não apenas minha pequena juba mas meus ombros também.
Quando abri os olhos, percebi que Hasuki havia derramado o restante de seu refrigerante em cima de mim.
-Você é cruel. –E então ele se levantou da mesa e saiu andando normalmente.
Após ele sair pela porta da lanchonete, deixei a raiva tomar conta de mim. Pequei meu cupcake e corri até a porta. Quando avistei o husky preto e branco vestindo uma regata verde, arremessei o mesmo na direção dele.
Na mosca, o cupcake grudou no topo da cabeça dele melecando os pelos pretos com a pasta rosa.
Ele me olhou com os olhos cheios de fúria, e só então me dei conta da cagada que fiz. Comecei correr novamente na direção da minha casa tentando me salvar de uma possível morte.
[-NO OUTRO DIA NA ESCOLA-]
Consegui sobreviver a um possível assassinato, e estava feliz por não ver mais o Hasuki. Estava realmente feliz.
Andando pelo corredor da escola, a professora Chinami me parou por alguns segundos.
-Falou com ele? –Disse ela.
-Não. –Admito que menti, mas se eu falar sim ela vai querer que eu volte la.
-Que pena, se ele não voltar vai acabar reprovando por falta.
E então... eu acabei voltando no fliperama depois que as aulas acabaram.
-Hasuki não está. –Disse o recepcionaste logo após me ver entrar.
-Bem. Ele não precisa estar aqui, apenas vim avisar que se ele não comparecer a escola, vai acabar sendo expulso.
-Que tal esperar por ele? Já que são colegas acho que é o melhor a se fazer.
Quando notei, eu já estava preso a uma das maquinas jogando um game de luta qualquer. Eu estava com medo, estava odiando cada momento desde que conheci Hasuki.
-Cara o que aconteceu com Hasuki? Ele parou de me dar dinheiro. –Era uma voz conhecida vindo da fileira de maquinas atrás de mim.
-Serio? E isso la importa...
-Na verdade importa, se ele não me dá dinheiro não tenho motivos para falar com ele.
Meu coração de um forte pulo no meu peito. Não sei muito sobre amigos, mas sei que amigos desse tipo ninguém precisa.
“Mas enfim, eu avisei. Ninguém precisa de amigos”
-Que droga... –Pareceu uma lamentação sussurrada vindo de algum lugar a baixo de mim. Quando olhei ao meu lado e baixei o olhar, ali estava Hasuki. Sentado no chão. –Você estava certo... – Ele suspirou mais um lamento.
Ele parecia mesmo desapontado, até suas orelhas estavam caídas.
-Agora que você sabe que amigos podem atrapalhar, espero que tenha aprendido. –Parei de jogar e comecei a ir em direção a saída, talvez alguém insuportável igual a ele. Desta vez tenha aprendido.
Antes de finalmente sair, alguma coisa me impediu e acabei lembrando do rosto deprimido de Hasuki, e quando notei eu já estava parado de frente com os “amigos” de Hasuki.
Um deles olhou para mim dos pés à cabeça. Era um Beagle e estava vestindo um casaco azul e calção vermelho. –Olha, o leãozinho do Hasuki.
Eu me sentia estranho, eu nem deveria estar ali... mas por alguma razão me vi obrigado a realmente estar ali.
-H-Hasuki pensa que vocês são amigos dele. Então, se vocês o consideram amigos, deviam ser honestos com ele. –Eu estava tremendo, eu estava com medo. Muito medo.
O Beagle veio até mim e estendeu a mão na direção do meu peito. –Qual o problema dele? –Der repente a mão dele foi segurado no punho e me senti salvo pelo momento. Hasuki?! Desde quando está aqui?
A cada novo momento que passo perto de Hasuki, tenho mais medo dele. De forma simples e fácil ele ergueu o beagle com apenas uma mão segurando pelo pescoço.
-Por hoje, vão embora. –Disse ele de forma séria e fria.
Depois de tudo, no caminho para casa, Hasuki me seguiu e não falou nada.
Quando me virei, percebi que ele estava chorando, além disso, ele ainda fedia a suor como no outro dia. –Ei, você não deveria chorar, afinal você teve o que pediu para ter.
-Não é isso. –Disse ele ao limpar as lagrimas do pelo do rosto. –Eu estou feliz.
Porque será? Nunca chorei antes, mas agora devido a tudo, estou prestes a chorar...
-Você não precisa chorar. –Me aproximei dele e dei um tapa de leve no seu ombro.
Ele me olhou de uma forma diferente, uma forma mais alegre. –Se você está na escola... acho que posso ir la.
-Olha. Isso é bom! Assim você não vai reprovar.
-Mas não vou pela escola nem nada. Vou ir por você, porque gosto de você.
-Normal. –Não acredito que vou realmente dizer isso, justo para ele. –Afinal, somos amigos né, normal você gostar de um amigo.
-Não é isso! –Ele me segurou pelos ombros, era forte e doía. –Meu coração está batendo forte!
-Sim, e daí?
-Eu acho que gosto de você! –O olho dele brilhava e seu cheiro quase me matava.
Eu fiquei meio confuso e minha cabeça rodou. –Você quer dizer de uma forma amigável obviamente.
Ele me apertou forte e escutei meus ombros estralarem. –Não! –Ele retrucou ao me encarar. –Gosto de você de uma forma sexual!
“ESPERA AI!!!!!!!!!”
Empurrei ele e me afastei. –OQUE?! Impossível, isso e estranho e acabou de me conhecer.
-Não sei ao certo, mas gosto de você de verdade, nunca tive amigos e você é o mais próximo que já tive. –Ele colocou as mãos nos bolsos do calção. –Acho que com o tempo eu vou me entender melhor, e você vai me entender também. Eu sei lá.
E foi assim na primavera, que recebi uma declaração de amor indesejada e estranha.
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