Some People Fight, Some People Fail
2 Antes tivesse sido um pesadelo.
Notas iniciais
Espero que leiam.
-Ross:
Medo era o que eu sentia. Havia chegado a casa e corrido para meu quarto tentando esquecer aquela estranha cena que havia se passado pouco mais cedo. Agarrada dentre meus lençóis, só conseguia ficar de olhos arregalados e com a boca entre aberta.
Meu chefe deveria me pagar um carro.
Foi assim que eu dormi, sem banho, sem nada. Dez da noite.
E acordei tremendo de frio na maldita Tóquio congelante, cara estava nevando.
Ponte que partiu, ia ter que sair para ir ao trabalho nevando. Eu posso matar o Ross? Acho que sim, aquele duro de vinte anos que consegue ter dinheiro só pelo pai ser dono de uma empresa de revistas.
Levantei-me preguiçosamente e fui tomar banho que foi pelo menos, de meia hora. Eu realmente estava mal e quase dormi de pé. Coloquei uma roupa qualquer e sai de casa, forçando o casaco contra meu corpo. Frio. Frio pra caralho.
E eu estava na frente daquele beco de novo, paralisada e boba. Mas porque diabos esse beco me fazia isso?! Estava claro, poderia atravessa-lo sem medo. E foi isso que eu fiz, fui correndo, parando do outro lado com a mão no coração e a respiração descompassada.
Tenso.
Eu realmente acho que estou ficando doida.
Parei no ponto de ônibus, sentando e esperando... Dez minutos até eu perceber que chegaria mais rápido se fosse a pé. Levantei e comecei a andar. Como eu sentia falta do clima ameno da Itália. Ah, dane-se, já tinha perdido meu emprego e minha vida por lá.
Cheguei à redação da revista Ghost, LDN Myth. Não, a revista não era japonesa. Era Londrina e a maioria das pessoas que trabalhavam lá também. Só haviam algumas japoneses e eu, italiana.
Enfim, empurrei a porta de vidro indo direto para o elevador. Odeio elevadores. E se aquela porcaria pifasse? Quem ia se ferrar era eu.
Cheguei ao andar da redação, um inferno. Gente correndo, gritando e esbarrando nos outros, o frio insuportável que estava se esvaiu rapidamente. Ainda bem que a minha sala era bem afastada disso, no fim do corredor do lado do lindo, pão duro, exigente, chato e mais lindo ainda meu chefe Ross.
-ROSS! –Berrei na porta do seu escritório, batendo nela umas mil vezes e cinco minutos depois ele me atendeu. Cara amassada, camisa babada e olhos semicerrados. –Cacete você estava dormindo mano?!
-Também é bom te ver, Victória. –Disse com um pouco de baba escorrendo do seu rosto. Eu definitivamente não sou paga pra isso... Eu ia agarra-lo á qualquer momento.
-Tenho uma história independente, eu sei que você me ama e confia em mim, só que quis te perguntar se podia escrever pra não me ferrar depois. –Revirei os olhos, tentando loucamente não olhar muito para ele.
-Fique a vontade, com tanto que me deixe dormir a tarde toda. –Ross me deu um beijinho na minha bochecha e entrou de novo no escritório resmungando um: “Tenha um bom trabalho, Viicky. E não me decepcione.”
-Quando eu fiz isso? –Disse, entrando na sala da frente e trancando a porta.
Trabalho. Se meu chefe não fosse tão gato, já tinha desistido disso faz tempo. Mas não era isso que estava na minha mente agora, como começaria uma reportagem sobre feitos sobrenaturais se nem sabia se era um? Cara, quem conta um conto aumenta um ponto.
No caso, eu aumentaria alguns parágrafos.
Então comecei:
“Queridos leitores do Ghost, LDN, Myth.
Hoje, eu Victória Guiselini tenho uma história bem real para vocês já que posso afirmar que aconteceu comigo.
Alias quem tiver algum modo de me ajudar a solucionar essa bagaça, estou disponível.
Ontem, estava eu quietinha voltando para a minha casa, quando tive que passar por um beco macabro que tem no caminho. Escuro, muito escuro.
Geralmente eu passo por ele muito calmamente, mas ontem eu fiquei paralisada sem saber porque. Sabe aquela sensação de estar sendo seguida e observada? Era exatamente o que eu sentia.
Então do nada, eu sinto uma mão no meu ombro e quase tenho um ataque do miocárdio catastrófico, juro. E quando eu virei pra trás...
Vi algo esbranquiçado e depois o vento bateu no meu rosto. Medo.
Pode não ser algo muito sério, mais sei que têm algo por trás disso.
E assim que descobrir, informarei á vocês.”
Foi assim que terminei a tal matéria, dez minutos depois. Nunca tinha feito algo tão pequeno e tenso, mas o Ross ia gostar, tenho certeza. Ele sempre gosta do que eu faço.
Resto da tarde de folga, lá vou eu. Tomara que ninguém me peça para fazer nada porque quando mais cedo eu voltar pra casa, melhor.
Não quero passar por aquele beco de novo, não quando estiver escuro.
Sai da minha sala e fui gritar pelo Ross, que me atendeu com cara de safado, aquele garoto era bipolar, só pode. Em qualquer outro dia, ele já havia me matado.
-Enviei a matéria pra você, poucas linhas e com conteúdo, eu acho. Se não gostar, me mande por e-mail e eu reescrevo ou invento outra lá em casa. Beijos. –Eu disse e sai rapidamente.
-VICTÓRIA. –Me gritou. Droga Ross gato.
-Oii, meu lindo Ross. –Disse ironicamente e ele riu.
-Te pego as sete, jantar com os chefes. –E piscou, eu confirmei com a cabeça e sai rapidamente.
Pelo menos ele me levaria de volta para a casa á noite e agora ainda estava claro. Eram três da tarde e eu ia ter que pegar um ônibus.
Odeio totalmente.
Fale com o autor