O relógio marcava 11h45 quando Scorpius saiu da sala comunal em direção à Torre de Astronomia. Ele não ligou para o olhar sarcástico de Alvo, nem mesmo para as suas mãos suadas ou para o frio em seu estômago, que naquele momento dava várias cambalhotas. Se ele se olhasse no espelho, diria que estava meio verde. Scorpius não sabia se Rose apareceria, não sabia nem mesmo se ela havia lido sua carta. Esperava sinceramente que sim, mas os dois não tiveram muito tempo para conversar desde que chegaram ao castelo naquele dia.

Seu coração deu um salto completo no momento em que subiu o último degrau. Era ridículo se sentir assim, ao menos tempo em que era magnífico. A última vez em que se sentira daquela forma foi durante o seu primeiro jogo de quadribol, mas acabou levando um balaço na cabeça e indo parar na ala hospitalar. Ele esperava não receber nada tão dolorido quanto um balaço dessa vez. Para o seu alívio, Scorpius viu a silhueta da garota, parada a alguns metros de distância, o corpo apoiado ao parapeito da torre e os cabelos balançando junto ao vento.

Eram 11h30 quando Rose disse a Lily que tinha algo importante a fazer. Enquanto atravessava o castelo escuro rumo à Torre de Astronomia, Rose não conseguia parar de pensar em tudo que poderia dar errado e em tudo que poderia dar certo – mas principalmente no que poderia dar certo. O seu coração pulsava de um jeito esquisito que ela não conseguia entender muito bem, mas achava que fosse de alegria. Era como esperar pelas manhãs de Natal. Ou pisar em Hogwarts pela primeira vez, quando tudo é incerto, mas uma coisa é certa: havia uma promessa de vida ali.

Scorpius ainda não estava lá quando Rose chegou. Ela se apoiou no parapeito da torre, o céu nunca estivera tão claro e estrelado. Fazia um pouco de frio e Rose se sentia mais e mais ansiosa a cada volta completa que o ponteiro dos minutos dava. Mas não demorou muito tempo até que ela ouvisse passos se aproximando. Através do pequeno feixe de luz que saía da varinha do garoto, ela viu os olhos azuis acinzentados de Scorpius encarando-a. Os seus cabelos pareciam levemente bagunçados e ele sorria pelo canto da boca.

— Oi — Rose falou com um sorriso tímido. Dava para perceber que estava nervosa. Scorpius caminhou em sua direção, parando a poucos centímetros dela. Ela não pareceu se incomodar com aquela aproximação.

— Você está adiantada. Eu pensei que eu estaria.

— Não consegui esperar na sala comunal — confessou Rose se aproximando mais, a sua mão trêmula escorregou pela lateral do braço de Scorpius e encontrou a mão suada dele. Ele entrelaçou os dedos de Rose, apertando-os — Estava um pouco... ansiosa, eu diria.

— Você não era a única... Eu estava com um pouco de medo que você não aparecesse. Alvo ia me zoar tanto, você nem imagina o quanto!

— Como você é bobo! — riu, passando os braços ao redor dos ombros de Scorpius e quebrando o pouco espaço que restava entre eles com um beijo suave. Ele a abraçou, mas o beijo durou menos tempo do que gostaria. Em seguida, Rose se afastou para olhá-lo melhor e sussurrou: — Você também é especial para mim, Scorpius. Eu gostaria que soubesse.

— Bom, eu meio que presumi isso sozinho — divertiu-se.

Rose deu um soco de leve em seu ombro, sorrindo. Scorpius jurou ter escutado a menina resmungar um "Idiota!" bem baixinho, mas não teve muito tempo para pensar nisso, porque no minuto seguinte já estava muito ocupado para qualquer outra coisa que não fosse beijá-la. Eles se beijaram uma, duas, três vezes, demoradamente e até perderem as contas, sem se importarem com mais nada. Eles simplesmente estavam ali e estavam apaixonados e isso bastava.

— Quer dizer então que agora somos tipo namorados? — perguntou Rose depois de muito, muito, muito tempo.

— Quase isso — concordou ele, sorrindo contra o pescoço de Rose — Antes eu preciso saber se você não é nenhum tipo de sociopata perigosa, não quero que meu avô se sinta muito orgulhoso de mim.

Rose riu.

— Bom, eu não posso prometer que não vou ser potencialmente perigosa no próximo fechamento do jornal. Você me conhece, gritos, cabelos em pé, palavrões e talvez algumas ameaças e um pouco de sangue, mas mantenha em mente que não é nada muito pessoal. Também não posso prometer que vou parar de ler as suas coisas.

— Você definitivamente tem que parar de ler as minhas coisas, Rosie — Scorpius interveio fingindo-se de sério, porém logo abriu um enorme sorriso brilhante e intensamente caloroso — Mas ainda bem que leu.

— Ainda bem que li.

E Rose nunca se sentiu tão imensamente feliz por ter quebrado uma das regras da sua lista particular de coisas que, certamente, deveriam ser evitadas.

FIM

Notas finais
Êêêê, acabou! Espero que tenham gostado e agradeço a todos que acompanharam a história. Me digam o que acharam! Beijos e nós vemos por aí :*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!