Some Kind of Wonderful
3 O Acordo
Em sua defesa, Rose achava que Scorpius seria um excelente colunista para o Expresso de Hogwarts, o jornal bimestral da escola. Ela soube disso no momento em que colocou os olhos na primeira frase daquele caderninho de anotações. Frase que inevitavelmente a levou até a última. Ele era um verdadeiro talento não descoberto. E agora, era a descoberta de Rose — e exatamente o que ela precisava para compor a equipe do jornal.
O Expresso de Hogwarts havia sido fundado após a reconstrução de escola, mas perdera um pouco do seu entusiasmo nos últimos anos, se transformando em um aborrecido almanaque de fofocas. Rose praticamente precisou convencer a diretora McGonagall a não dar um fim na publicação, assumindo o cargo de editora-chefe, porque era a única que ainda acreditava no seu potencial. Passou os primeiros meses do ano letivo buscando uma nova equipe e trabalhando duro na reformulação do jornal.
Ela realmente queria que desse certo.
— Apenas prometa que vai pensar na proposta, Scorpius — Rose pediu mais uma vez — Pode ser interessante.
Mas o garoto deu de ombros e saiu antes que ela pudesse tentar convencê-lo de outra forma. Durante o final de semana que se seguiu, Scorpius conseguiu evitá-la com algum sucesso. Sempre que a avistava no mesmo corredor, dava um jeito de pegar outro caminho; na reunião do Clube do Slugue, sentou-se a uma distância segura da garota e nunca pareceu tão interessado nas histórias do velho professor. Rose aproveitou um momento de distração na biblioteca para abordá-lo novamente:
— E aí? — ela cumprimentou.
— A minha resposta continua a mesma de antes — Scorpius foi direto ao ponto. O sorriso de Rose murchou. Ele pegou um grande livro sobre a estante e caminhou em direção a uma das mesas vagas, onde o depositou com um baque forte, e sentou-se.
— Por que não? Você é bom, bom de verdade, Scorpius — Rose, que o seguiu até ali, parecia indignada. Ela apoiou o peso do corpo sobre o pé direito e o encarou, cruzando os braços — Por que não mostrar isso para as pessoas?
— Acho que não me sinto confortável o bastante.
Rose suspirou, praticamente se dando por vencida.
— Não é tão ruim quanto parece, sabe. Você pode usar um pseudônimo ou sei lá... Ninguém precisa saber que é você. E, bom, estamos reformulando o jornal, então não é como se ainda fosse ser como aquela baboseira cheia de fofocas inúteis. Você poderia encarar isso como uma espécie de desafio pessoal ou como uma oportunidade para...
— Não estou mesmo interessado nisso, eu... — começou, porém, sua voz morreu no momento em que Dominique Weasley apareceu atrás da prima, chamando-a para ajudá-la em um trabalho particularmente difícil de Transfiguração.
Rose não pôde deixar de observar o olhar embasbacado de Scorpius. Por um instante, ele parecia ter perdido o fôlego. Uma reação completamente normal aos longos cabelos loiros, que caiam por suas costas em cascata, dançando enquanto caminhava, às bochechas salientes e rosadas, aos grandes olhos azuis e ao sorriso alinhado e branco de Dominique.
— É claro! Eu já vou, Domi! — Rose quase gritou e fez um sinal impaciente com a mão para que a prima os deixasse a sós. Quando Dominique já estava longe o suficiente, se virou para Scorpius, com uma ideia realmente inesperada na cabeça — Acha ela bonita?
— O quê? — Scorpius parecia surpreso.
— É claro que acha — continuou ela —, todo mundo acha! Não tem problema nenhum achar Dominique bonita, Scorpius. E você parece ser um cara legal... Bem, ao menos Al te acha um cara legal e isso deve significar alguma coisa. Com certeza não pode ser pior do que o último namorado dela.
— Rose, sério, aonde quer chegar?
— Que eu posso te dar uma ajudinha se você aceitar participar de uma reunião.
— Só uma reunião? — ele ergueu a sobrancelha, desconfiado.
— Só uma — Rose garantiu.
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