Sombrio Limiar
40 Trabalho de Aprendiz
Notas iniciais
– Acorde garotão, já é de manha! – A voz de Astrid soou do lado de fora de seu quarto.
Jack despertou com o corpo dolorido. Mas ele estava se acostumando a rotina de aprendiz de ferreiro, apesar de não ser fácil.
Jogou seu cobertor para um lado e se levantou. Ainda bocejando se dirigiu a mesa de café de manha agarrando um bolinho e saudando Astrid que já estava acordada e bem alerta, pronta para o trabalho.
Ele admirava a garota por isso. Mesmo colocada em segundo plano por Heather, continuava a fazer seu trabalho com esforço e perfeição.
– Astrid, onde esta meu cinto? – A voz da morena preencheu a sala.
Jack estava imaginando que o dia seria ótimo, considerando seu bom-humor.
Ele não podia estar mais errado. O humor da loira desapareceu em um segundo, sua expressão se fechando ao ver Heather despontar no cômodo.
– Eu não peguei seu cinto sua...
– Já basta de gritarias logo de manha. Heather querida, você pode comprar um cinto novo na cidade se não encontrou o seu.
Ele se virou e deu um olhar quase imperceptível de reprovação á Astrid que cerrou os punhos e virou o rosto.
Jack trincou os dentes. Ele estava vendo essa injustiça por quase dois dias agora, e a raiva borbulhava cada vez mais próxima ao ponto de ebulição dentro do garoto.
Sentiu seus músculos tremerem, mas não disse nada.
Mais uma dessas, só mais uma e ele ia explodir.
O resto do dia e o trabalho pesado fundindo metais afastaram os pensamentos de Jack dos acontecimentos da manha. Ainda faltava muito tempo para que ele pudesse visitar a família, e a saudade ardia em seu peito.
Depois das quatro, quando foi dada uma pausa no trabalho, e ele saiu para almoçar ou jantar, não importava, contanto que fosse comida.
Seu estomago roncou alto quando chegou a estalagem próxima da Ferros e Brasas.
Dentro, uma moça de beleza estrangeira cantava uma musica calma em outro idioma. O garoto aproveitou a calma do lugar, comendo lentamente, saboreando a sopa morna a sua frente.
De relance ele viu dois adolescentes passarem a frente da janela da estalagem. Seus olhos poderiam estar lhe pregando peças, mas, por um segundo ele pensou ter visto a princesa passeando pela cidade, sem a guarda real.
– Oh-oh. – Terminando a sopa o mais rápido que sua língua suportava, ele pagou e saiu apressado atrás dos dois.
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