Sombrio Limiar
73 O Fim
Notas iniciais
Rapunzel caminhou calmamente, o cabelo deslizando atrás de si.
Um sorriso começou a rasgar os lábios da bruxa, contudo, mais rápida do que os olhos pudessem acompanhar, a garota enrlou seu corpo, cada vez mais com as mechas douradas.
– O que esta fazendo? – Ela se movia, forçando o cabelo, porem, seu peito era esmagado vagarosamente pelo aperto de Rapunzel.
– Você já fez muito mal nesse mundo, — Ela disse, o rosto serio e escuro. – esta na hora de partir.
A garota deu um ultimo puxão em seu cabelo, e a o braço da bruxa prendeu-se contra seu corpo, impedindo-a de lançar o feitiço.
Seus lábios se abriram e iniciaram a antiga canção de cura:
Flos et nitor fulgorque vestra virtutem ignis, ut in horologio a ocius,
et non habent quod quid erat reducam,
Quae nocere sanata volunt convertere fata mea.
Ergo pati, quod tamen non est in eos ferre
Diante de seus olhos, brilhando verdes na escuridão do anoitecer, Maléfica começou a desvanecer. Suas mãos se curvaram, assim com sua coluna. Sua pele se tornou esbranquiçada, cheia de rugas, que dobravam suas feições antes belas e jovens.
Apenas seus olhos permaneciam os mesmos. Negro profundo, poços de escuridão, que a olhavam com ódio e assombro.
Sua boca se abriu porem, antes que qualquer palavra pudesse ser expelida, um estaca de gelo de grandes proporções atravessou seu coração e por fim, o corpo da bruxa, se tornou pó.
∞∞∞∞∞
Todos os refugiados permaneceram em um silencio sepulcral. Seus corpos paralisados pelo que haviam presenciado. Suas mentes congeladas pelo que haviam feito.
Mas o silencio não demorou muito. Logo gritos de alegria e puro prazer se levaram, enquanto Elsa desfazia a prisão de gelo.
Rapunzel se desequilibrou com o próprio cabelo e foi amparada por Jack, que enlaçou sua cintura com ternura.
– Esta tudo bem, Punzie. Finalmente acabou.
Merida não esperou por ninguém, passou rápida por entre as pessoas que se abraçava e riam e foi ao encontro de Soluço, meio grogue debaixo de uma arvore.
– E ai, nós vencemos... – Ele perguntou com uma careta.
A ruiva se jogou ate ele e o beijou de leve.
Muito tempo depois, o garoto ainda não havia conseguido se desfazer da cara de tonto, como Jack dissera, nem da vermelhidão que cobriu seu rosto.
Flynn gritou uma vez mais para que eles se apressassem, pois o portal iria fechar.
Uma vez mais se dividiram em grupos, porem a viagem não pareceu tão turbulenta como da primeira vez.
No ultimo grupo, contendo Vanellope, Flynn, Alice, Norman, Coraline, Calhoun, que segurava o rosto com uma das mãos, escondendo o enorme roxo em sua bochecha.
Os dois traidores haviam sido levados também, amarrados com corretes de gelo, para receberem castigo por sua traição.
Astrid insistira em levar o corpo de Hans, para lhe dar um funeral apropriado, e com ajuda Anna e Kristoff o carregou para o interior do portal.
Alice observou Nico, sentado em uma arvore próxima.
– Você não vai mesmo caveirinha? – A voz da loira penetrou os pensamentos do garoto do submundo, despertando-o.
Ele relanceou ate ela.
As palavras o levaram de volta ao dia em que selaram seu pacto.
Não importa o que aconteça, não ligo pra quão longe eu possa estar de você, eu te prometo Alice, do país das Maravilhas, que enquanto eu respirar, eu vou continuar procurando por você. E, sendo filho de Hades pode crer, isso vai ser durante muito tempo.
Ele riu internamente. Mas então se lembrou das palavras da garota do mundo dos loucos, quando suas lagrimas molharam seu pescoço.
Você nunca vai ficar sozinho de novo, eu prometo.
Como se um gongo vibrasse por seus sentidos, ele se colocou de pé A luz do portal se extinguia rapidamente.
Dois olhos azuis, ainda olhando ate ele com curiosidade e dor, fizeram seu corpo responder rápido como nunca antes.
Seu pé tocou o solo próximo ao portal e ele lançou suas mãos para alcança-lo. Porem,era tarde demais. Ele não havia chegado a tempo.
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Ou foi isso que ele pensou. Ao abrir novamente seus olhos, se encontrou encarando um par de braços brancos, levemente bronzeados segurando firmemente suas mãos pálidas.
Alice
Ele elevou o rosto, para se deparar com grandes olhos azuis, uma expressão tensa, e um sorriso congelado no rosto da garota.
Após alguns segundos, ela deixou o ar sair.
– Te peguei. – Ela disse com obvio alivio.
– Me desculpe. – Nico pulou e a abraçou apertando seus pulmões.
– N-nico, n-não consigo r-respirar... – Mas suas palavras foram subitamente interrompidas por uma cabeleira negra e bagunçada que se aproximou de seu rosto e beijou-a com o rosto pegando fogo.
O ar se esvaiu dos pulmões de Alice por completo e ela desmaiou nos braços pálidos de Nico.
∞∞∞∞∞
Uma relva verde escura os recebeu, assim como um enorme conjunto de arvores altas.
Alice havia despertado e estava tão vermelha que quase se podia ver fumaça saindo de sua pele.
Nico também, apesar de ele se manter olhando para o chão o tempo todo.
Coraline olhou em volta confusa.
– Onde estamos?
Mas a voz familiar de Merida os recebeu.
– E ai pessoal, adivinhem que lugar é esse?
Porem antes que qualquer manifestasse seus palpites, um garoto voador, com feições ligeiramente élficas surgiu, sustentando Meggie.
– Bem vindos á Terra do Nunca. – Ela disse e caiu no sono logo após.
Murmúrios começaram do grupo de recém chegados.
A todo o redor, a paisagem selvagem e exótica contrastada por lindas cataratas e montanhas contra o céu rosado deixaram os visitantes em transe, engolfados na magia da Terra do Nunca.
Once-ler no alto de uma arvore, tinha um braço ao redor de Lucille, seu rosto enlevado em um agradável deja-vóu.
Ao longe, Norman pode ver Mavis, Nod e Anna saltando nas arvores, brincando eufóricos, enquanto Kristoff, Jhonny e MK observavam de braços cruzados.
– Desçam aqui, não é justo!
Anna mostrou a língua para Mary Katherine.
– Subam vocês. – Sua risada moveu as grandes folhas por onde passavam.
Rapunzel estava com os pés em um riacho jogando agua em Jack que fugia e ria como uma criança.
Merida e Soluço estavam no alto, voando em Banguela, como Flynn pode ver.
É real.
Ele considerou se esbofetear, mas antes que decidisse, uma Elsa sorridente puxou seus braços e o levou sobre a agua para o centro da ilha, congelando o caminho enquanto passavam.
Os adultos observavam a tudo, alguns ate havia sentado e, com lagrimas nos olhos, Ralph olhou para as nuvens acima.
– Terra do Nunca, hum, quem diria, hã?
Um grito raivoso quebrou a paz e tranquilidade.
– WILBUR! Volte aqui seu moleque atrevido!
O garoto de cabelos negros passou como um foguete por entre Coelhão e Sandy.
Toothiana riu, falando com sua voz macia:
– Algumas coisas nunca mudam.
Não muito distante dali, Astrid colocou as ultimas flores esquisitas sobre o tumulo de Hans, o traidor que se tornara herói.
– Para que seu ato permaneça na memoria de todos os refugiados e sua coragem se grave no solo da Terra onde os meninos nunca crescem.
Sua voz se quebrou e ela caiu de joelhos. Porem agora, quando levantou seu rosto úmido por lagrimas, ela sorria.
Peter Pan sentia as emoções que emanavam de cada um dos estrangeiros na ilha. Colocou sua mão nos cabelos de Meggie, que estava deitada em uma cama de madeira, bem conhecida de uma outra garota que passara ali, séculos antes.
– Finalmente. – Ela disse.
– Seguros. – O garoto completou.
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FIM DA TERCEIRA PARTE
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