Sombrio Limiar
5 Maravilhas nas Sombras
Notas iniciais
Os olhos de Jack se abriram devagar, acostumando se com a luz. Ele mexeu um mindinho, logo depois a mão, e então o ombro. Nesse momento ele ouviu passos e voltou a fechar os olhos. O porque de fazer isso, nem ele próprio entendeu, mas continuou assim de qualquer maneira.
Ele sentiu uma pessoa ao lado dele, e logo depois duas mãos pequenas e delicadas tocaram seu rosto, levantando o uns centímetros. Sentiu sua cabeça tocar de novo no travesseiro quando a garota o soltou. Ele sabia que era uma menina, tanto pela suavidade de sua pele, como pela rapidez que seu coração começou a bater, tão forte que doía. Ele sabia, mesmo que não pudesse explicar, que sentia algo por ela, mesmo que não houvesse visto seu rosto. Outra vez abriu os olhos, dessa vez encarando dois enormes íris verdes e um rosto suave e delicado. Ele sorriu, ou pelo menos tentou, porque no momento que o fez, seu rosto inteiro se retraiu em uma careta.
Ela sorriu de volta quietamente, e caminhou em direção a outra cama. Ele virou o rosto devagar, sentindo os ossos estalarem. Pelo menos não tinha quebrado nada. Reconheceu as sardas e a perna metálica de soluço na cama vizinha. Ele dormia dando leves roncos e se mexendo a curtos intervalos.
Mais afastados, do outro lado da enfermaria, haviam outras duas camas. Jack se sentou para tentar ver quem eram. Um dos rapazes era magro, mas forte e usava uma jaqueta verde rasgada. Cabelos cor caramelo cobriam seu rosto e boca, que estava totalmente aberta. O outro já era mais velho, com uma barba e cabelos castanhos escuros. Ele tinha um enorme machucado na coxa e na base do calcanhar.
De supetão uma parede de cabelos dourados entrou em seu campo de visão.
– Ola, qual é o seu nome ? – Ela perguntou, seus olhos brilhando de curiosidade.
Ele não deveria responder. Não sabia quem era ela, não sabia que lugar era esse.
– Não te interessa. – Grosso, mas necessário. A garota aperou os olhos por um momento, ela se virou, e ele pensou que tinha conseguido evitar mais perguntas, quando viu uma frigideira amassada apontando direto para seu rosto. Ele ergueu uma sobrancelha, já começando a rir quando ela falou, com um tom de voz baixo que o assustou.
– Você pensa que pode entar na nossa cidade, danificar o véu de proteção e ainda se recusar a cooperar ? – Ele abriu bem os olhos, surpreso. – Pois esta enganado e a não ser que começe a cooperar, eu... – ela hesitou por um segundo, a voz tremula. – Eu vou usar isso.
Ele estava confuso, pensando em quanto dano uma frigideira poderia fazer, mas resolveu que não queria experimentar.
– É Jack. Jack Frost. – Ele respondeu, com uma ponta de orgulho.
– Ah... hum, bem o meu é Rapunzel – ela afastou a frigideira. Abriu a boca para dizer algo, mas desistiu.
– Hei, Punzie, posso te contar uma coisa ? – Ela olhou desconfiada, mas se aproximou. Ele fez sinal para que ela chegasse mais perto ate que seus narizes estivessem quase se encostando. – Eu acho que gostei de você. – ele disse, num sussurro levemente malicioso, levemente fofo.
Ela arregalou os olhos e abriu a boca em um pequeno “o”. Ela continuou perto de Frost, e, fazendo o coração dele dar um pulo, ela segurou a mão dele e falou tão baixo que ele teria acreditado que era um sonho, se não fosse pelo toque morno de sua pele. – Eu também acho que gostei de você, Frost.
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Tooth o tinha desafiado pela ultima vez, disso Coelhão tinha certeza. Enquanto recuperava o folego no topo do monte Javerlock murmurava uma serie de palavras não muito educadas contra Tooth.
– Cansado Bunny ? – ele ouviu a voz dela, seguida de uma gargalhada. – Pensei que você fosse um corredor mais resistente. – ela fez um beicinho e riu de novo.
– Em primeiro lugar, eu não estou cansado, e você só ganhou porque eu te dei uma vantagem enorme no começo. – Ele revidou, controlando a custo a respiração.
– Ah por favor!, não seja um mal perdedor... — Ele ia argumentar quando do meio das arvores, as sombras se dividiram, criando uma porta. Sua cara deveria estar horrível, porque Tooth se virou instantaneamente para a direção que ele olhava.
– AHHH!! – o grito dela foi tão estridente que todos os pássaros levantaram voo.
– Shh... Eu acho que ouvi vozes. – Ela abriu a boca pra gritar de novo, mas nesse momento, duas crianças saíram pela porta de sombras, que desapareceu logo atrás deles.
– Eu disse que se saíssemos do Rio Lete chegaríamos mais rápido – Uma voz feminina, que soava muito irritada começou falando.
– Ah claro, porque você é uma expert em geografia e terreno do Tártaro não e mesmo? — Dessa vez um garoto respondeu, a voz cheia de raiva.
– Quem são vocês? – Coelhão tirou um bumerangue das costas e apontou. – Como entraram na cidade?
Dois adolescentes despontaram para fora do bosque.
– Longa historia. – O menino respondeu entediado.
– Caham, e ai ? Esse é Nico e eu sou Alice, temos mensagens importantes para a Rainha Elsa.
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