Sombrio Limiar
55 Enrolados
Notas iniciais
– Jack, desça da arvore, eu já te vi. – Rapunzel falou na direção de uma alta e grossa arvore em frente a caverna.
O garoto de cabelos brancos saltou de um dos galhos, o sorriso sagaz deixando a loira com as bochechas queimando.
– Você não deveria estar no trabalho Jack?
– Não, não, eu terminei mais cedo hoje. – Ele respondeu, rindo um pouco. – Por que, não esta feliz em me ver?
Rapunzel olhou seria para ele, mas deixou um pequeno sorriso brincar em seus lábios.
– Me diga o que você veio fazer aqui então? – Ela saiu da caverna, tocando com cuidado o solo externo.
– Te ver.
A garota abriu os olhos verdes surpresa.
– E, bem, eu estava imaginando se você aceitaria ir ao festival comigo? O de comemoração ao noivado da princesa Violeta.
– Oh, eu... – Punzie permaneceu calma por fora, mas dentro de seu corpo fogos de artificio estouravam com felicidade. – Sim, eu acho que vai ser legal.
Sorrindo ela correu ate o garoto de pés descalços. Ele por sua vez não escondeu a empolgação, dando um salto mortal para trás e gritando “yai!” bem alto.
Ele subiu novamente na arvore.
– Vamos Punzie, duvido que você consegue me pegar aqui em cima.
– Ah é? – A garota agarrou uma parte de seu cabelo com uma das mãos e jogou mirando no tornozelo do garoto, mas ele foi mais rápido e saltou em outro galho alto.
– Eu acho que você vai ter que subir. – A risada de Jack ressoou entre as folhas.
Rapunzel levantou a barra de seu vestido um pouco enquanto subia. Com destreza jogou a enorme massa de cabelo em pontos estratégicos dos galhos para não cair, e também como armadilhas para Jack.
Não levou muito tempo, e o garoto estava saltando sem descanso dos ataques capilares da garota. Ate que finalmente...
– NÃO! Ai droga. – O corpo de Jack caiu contra um galho, batendo as costas com força. Os cabelos de Rapunzel ao redor de suas pernas.
A garota estava ofegante, mas lhe deu um olhar convencido.
– Te peguei.
Porem nesse momento, Jack puxou o corpo com violência, o que fez Rapunzel escorregar e cair, assim como o garoto, na bagunça de cabelos dourados.
– Estou presa. – Ela se moveu, mas sem sucesso. Não conseguia se livrar das cordas que prendiam ela e Jack corpo a corpo.
O garoto parecia estar muito bem com isso.
Rapunzel se mexeu tentando livras os braços, mas não conseguia controlar o cabelo sem as mãos.
– Jack, me ajude.
– Eu não. – A garota o olhou surpresa e irritada. – Eu acho que vou aproveitar a situação um pouquinho.
– Jack Frost seu inútil pedaço de individuo, me ajude a tirar a gente daqui! – A garota gritou.
Ele apenas riu e gargalhou ao ver os esforços dela fracassados.
– Grrr, quando eu sair daqui Frost...
Mas ela não completou a frase. Com um movimento impulsivo, Jack se moveu para frente e encostou seus lábios nos de Punzie.
– Jack... – Rapunzel tentou se manter irritada, porem, acabou por fechar os olhos.
Tao rápido como tinha acontecido, o garoto se afastou.
Os grandes olhos verdes da garota se fixaram nele, como se estivesse vendo seu rosto pela primeira vez.
– Rapunzel. – Jack
Depois de quinze minutos Rapunzel encontrou uma maneira de livras os dois de seus cabelos. Jack se despediu e disse que viria busca-la no dia seguinte para o festival. Ela assentiu com um meio sorriso.
Naquele ponto crucial onde o sol e a lua se encontram ao findar de mais um dia, os dois jovens sentiram a expectativa dos astros sobre eles. As estrelas brilharam mais forte ao espalhar a noticia de que finalmente, após uma eternidade de espera, sol e lua haviam, ao fim, se encontrado.
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Alice bateu os joelhos contra terra áspera. Um grito escapou por sua garganta, após tanto tempo impedindo o de sair.
Nico sangrava profusamente e já havia perdido a consciência durante o transporte feito pelo gato. Isso a deixava confusa, mas ela tinha assuntos mais importantes a tratar.
– Ajuda! Socorro! – Ela começou a gritar, olhando em volta a procura de alguém. Mais uma vez abriu a boca para gritar, mas uma voz feminina e suave interrompeu-a.
– Acalme-se, eu posso te ajudar, mas vai te custar algo precioso.
– Algo precioso? Eu não tenho nada disso, por favor!
– Você não tem nada, nada mesmo, que valha a vida de seu amigo?
Alice estava confusa, e uma nevoa impedia-a de pensar com clareza, mas ela se esforçou.
– Algo que valha... Ah! – Ela desamarrou o cabelo, tirando a fita e estendendo a garota a sua frente. – Aqui, minha mãe me deu antes de...
Rapunzel não esperou que ela terminasse a frase. Rapidamente jogou seus cabelos sobre o garoto e cantou com os olhos fechados.
Após alguns minutos, contudo, a cor não voltava ao rosto do garoto, e sua respiração enfraquecia cada segundo.
Não, por favor caveirinha, aguente.
A garota a sua frente era magra e estava sem sapatos, concentração em cada musculo de seu rosto. Mas uma vez ela cantou, o brilho em seus cabelos se intensificando contra a escuridão noturna.
Após longos e agoniantes segundos, Nico tossiu e respirou fundo.
Alice sorriu e suspirou aliviada.
– Obrigada.
Rapunzel assentiu. Perguntas zumbiam em sua mente mas ao olhar para o rosto da mais nova ela notou que os pensamentos desta estavam muito distantes da realidade.
– Aqui, vocês podem descansar sobre o teto da caverna essa noite. Amanha vai haver um festival na cidade. Eu creio que ele vai estar recuperado ate lá.
A garotinha mal ouviu suas palavras. Arrastou Nico com dificuldade ate a caverna e ao repousar a cabeça sobre o peito do garoto o sono a arrebatou imediatamente.
Rapunzel teve uma sensação engraçada.
Esses presságios de novo. O que vai acontecer nesse festival?
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