Sombras que vibram na memoria.
5 O encontro
Existem alguns sentimentos que o tempo não pode entorpecer,
Nem a tortura abalar.
Childe Harold's Pilgrimage — Lord Byron.
Era um dia ensolarado na capital de Britannia.
Toda a família real já estavam a postos naquela manhã de terça-feira para suas tarefas diárias.
Nunnally estava em seu escritório com Zero enquanto ouvia sobre relatórios importantes que ela havia lhe pedido há alguns dias.
Na base militar, Cornélia participava de uma nova exibição de knightmares desenvolvidos para a proteção de Britannia.
Ela entrava em um deles para olhar e quando ligava o Knightmare, começa ouvir alguns chiados vindo da área de comunicação. Achou estranho e aumentou o som. O sonar captava um knightmare desconhecido se aproximando da base.
Mas havia algo muito errado. O Knightmare voava em zigue e zag. Estava descontrolado, ao observá-lo de longe, via-o perdendo a altitude.
Não era só ela que percebia aquele Knightmare.
Toda a base percebia.
Com uma ordem, aquele Knightmare, velho e mal cuidado, era atingido até que, da estação de voz, Cornélia se assustou ao ouvir vozes infantis vindas daquele Mecha que caía no mar próximo.
— Oliver, estou com medo!
Gritava uma garotinha pela central de comunicação sem saber que estava sendo ouvida pelos knightmares de Britannia.
— Não vou deixar você morrer. Zoe. Confie em mim!
Gritava um menino claramente desesperado.
Cornélia ao ouvir aquelas vozes imediatamente mandaram que parassem de atirar. Segundos depois, aquele velho mecha cai na água afundando.
Lá dentro Zoe tremia e ficava com tanto medo ao ver a água entrar que desmaiou. Enquanto Oliver, também muito assustado, passava mal.
Não acreditava que iriam morrer assim: afogado com a sua irmã numa mistura de água do mar com o próprio vômito.
Ele via a água chegando aos seus joelhos até que ouvia o som do metal sendo rasgado em cima dele e da irmã.
Olhando para cima enquanto tapava a boca tentando não passar mal de novo, via um knightmare de última geração acima deles. A partir dali não lembrava de mais nada,pois, assim como a sua irmã, ele desmaiou.
Toda a base olhava atenta para o knightmare que voltava com duas crianças desacordadas.
Cornélia pousou-o e mandou chamar uma equipe médica para ajudar aquelas crianças misteriosas.
Ela nem havia reparado bem na aparência deles. Queria apenas salvar aquelas crianças assustadas que não sabiam o que estavam fazendo.
Elas foram levadas ao Hospital Imperial.
Logo o ocorrido chegava aos ouvidos de toda a família real.
Os médicos que cuidavam daquelas crianças chamavam por alguns membros da família real de Britannia já que perceberam algo muito claro.
Cornélia fez questão de ir com Nunnally e Zero até onde estavam as crianças que estavam em um quarto do hospital ainda desacordadas. Dava para vê-los pelo enorme vidro a prova de som que os separava dos demais. Até que, tanto Cornélia quanto Zero, repararam na aparência do menino desmaiado.
— Não pode ser! — dizia Suzaku a si mesmo.
Zero então olhava para baixo vendo que Nunnally, claramente confusa, fixou seu olhar no menino.
É exatamente pela aparência dele que eles foram chamados ao hospital.
— O que é aquilo que aquela menina segura?
Perguntava Cornélia ao médico.
— Não sabemos Majestade. Tentamos tirar dos braços dela, mas a menina tem uma força descomunal.
— Esse menino…
Nunnally não conseguia completar a frase, pois logo eles viam a menina abrir os olhos, cor lilás e mais do que isso, Suzaku percebeu que a menina tinha um geass ativado enquanto abria os olhos ainda confusos.
Naquele momento todos ficaram em choque.
Suzaku mandou o médico sair imediatamente dali e assim o homem fez.
Quando a menina se levantou, olhou para os lados com os olhos semicerrados, apertou o livro que carregava contra seu peito até que virou o rosto para a janela. A menina parecia tão chocada quanto eles.
Ela imediatamente olhou para o lado e balançou bruscamente o menino próximo a ela que se levantou.
Ela falava algo que não dava para ser ouvido devido ao vidro a prova de som. Logo os dois levantaram-se e, imediatamente, se desprenderam dos aparelhos médicos que mantinham seu bem-estar.
As crianças começaram a bater na janela até perceber que não estavam sendo ouvidos.
O jovem de olhos cor âmbar, tão parecido com o 99° Imperador de Britannia, meteu a mão em um bolso. Zero,pensando que ele tiraria uma arma dali, imediatamente apontou sua arma para ele. Entretanto, tudo o que o menino assustado tirou de seu bolso, foi uma fotografia de uma pintura emoldurada em um quadro — um quadro muito antigo.
Ao ver a foto Cornélia, Zero e Nunnally ficavam ainda mais chocados.
A foto era de um quadro onde nele estavam representados o imperador Lelouch Vi Britannia com sua imperatriz sentados no trono de Britannia. E logo atrás deles Suzaku com sua antiga roupa de cavaleiro.
A menina do lado era vista abrindo o livro que ela carregava que, na verdade demonstrava ser um álbum e nele apareciam diversas fotos deles dois com seus pais. Lelouch e C.C.
Se antes existia um resquício de dúvida. Sobre a identidade daquelas crianças agora não havia mais.
Zero abaixava sua arma tremendo.
Realmente o menino era filho de Lelouch. E claramente a menina ao seu lado era sua irmã.
A porta do quarto se abria e às duas crianças saiam correndo e chorando para abraçar Nunnally que ainda estava tão chocada que não conseguia corresponder aos abraços de seus sobrinhos.
— Desligue o geass
Dizia Zero a menina que olhava-lhe com o geass ligado. Ao olhar para ele, ela percebia o quanto ele estava realmente apavorado. Mesmo que não pudesse ver seu rosto tampado pela máscara, ela podia sentir o que se passava no coração de cada um deles só de vê-los. Esse era o poder de seu geass.
O que seus pais chamavam como o poder da empatia.
— Não consigo. Eu não controlo meu geass ainda.
Dizia a menina deixando de abraçar sua tia.
Os olhos dos dois estavam cheios d'água. Estavam emocionados em finalmente poder conhecer sua família. Especialmente sua tia Nunnally.
— Vocês… De… De onde vocês vieram? O que fazem aqui?
Perguntava Nunnally com a voz embargada.
— Nós viemos realizar nosso sonho.
Dizia Zoe com um sorriso para sua tia.
— Estamos aqui por vocês… Nossa família. E o Zero. Nossos pais falam tanto de vocês. Já de onde viemos nós não temos permissão de dizer. Nossos pais querem sigilo absoluto.
Oliver falava enquanto voltava a guardar a foto.
Mas antes de fazer isso, a foto era tomada dele por Zero.
— É aposto que vocês também não tem permissão para virem até Britannia, mas essa vocês resolveram não cumprir.
Falava Zero entregando aquela foto a Nunnally.
— Cale se. Eu sei tudo sobre você Zero. Se tem uma pessoa que você não pode ameaçar sou eu.
Antes que Suzaku pudesse responder ao menino Cornélia encostou sua mão sobre o ombro dele.
— Então, Zoe e Oliver, estou certa?
As crianças afirmavam a pergunta de Cornélia.
— Como conhece nossos nomes?
— Eu ouvi vocês pela interceptação de Rádio enquanto o knightmare de vocês caía no mar.
Confessava Cornélia a Zoe. Então ela se surpreende em também ser abraçada pela gentil menina.
— Então foi você que nos salvou. Obrigada.
Enquanto Zoe abraçava Cornélia,Oliver apenas dizia um obrigado a comprimentando formalmente.
— O que vocês fizeram foi muito perigoso. Não deviam ter vindo até aqui assim, ainda mais com um Knightmare velho daqueles.
Cornélia dizia abaixada olhando seriamente para eles.
As crianças coravam e pediam perdão.
Então ouviram a voz de Nunnally um pouco à frente deles.
— Vocês, meus sobrinhos, vão ser muito festejados aqui.
Nunnally sorria e já mandava prepararem um lugar para as crianças passarem a noite.
Era noite já quando eles estavam no Palácio real. Zoe pulava animadamente naquela enorme cama do quarto no qual se hospedavam enquanto Oliver olhava cada detalhe do ambiente.
Um belo lugar. Pensava como seus pais podiam ter largado aquela vida de luxo para morar no campo longe de tudo e de todos.
Enquanto isso, Nunnally e Cornélia faziam uma reunião com o restante da família.
— Filhos de Lelouch? Impossível. Lelouch está morto faz anos… exceto se a imperatriz C.C. estivesse grávida quando Lelouch morreu.
falava Schneizel apoiando-se na cadeira da qual ele estava sentado.
— Mesmo assim as idades não batem. Eles me disseram que tem dez e sete anos. Lelouch morreu a quase quatorze anos.
Dizia Cornélia que pensava intensamente até que o pensamento de todos era parado por Carine que se levantava rapidamente da mesa gritando.
— No que isso importa. Deveríamos aproveitar que são crianças vulneráveis antes que um deles resolva tomar o poder de Britannia assim como fez Lelouch!
Nunnally ficou completamente chocada com o que sua meia irmã falava e antes que Carine pudesse continuar seu discurso Nunnally se manifestava.
— Não! Eles são meus sobrinhos e eu os protegerei a todo custo. Além disso, é muito provável que Lelouch e C.C. apareçam para buscá-los já que eles fugiram.
Nesse momento eles olhavam para Nunnally como se ela tivesse enlouquecido.
— Nunnally, Lelouch está morto a anos, devo lhe lembrar que…
Antes que Schneizel pudesse continuar, Nunnally confessava.
— É quem vocês acham que salvou em Zilkhstan?
Dizia ela com um sorriso e voltava a falar.
— Lelouch e C.C. estão vivos. Eu sei disso. Eu os vi.
— Nunnally tem razão. A menina mostrou um álbum de fotos da família em que havia muitas fotos de Lelouch e C.C. Com eles.
Ao ouvir Cornélia, Schneizel fechava os olhos pensando, mas logo os abria.
— O que devemos fazer então? Esperar que o demônio desça sobre essa terra novamente?
Nunnally se sentia profundamente ofendida com as palavras de seu meio-irmão sobre Lelouch. Ela nada falava, mas ficava estampado em seu rosto.
— Devemos mantê-los aqui no Palácio em segurança até um deles vir aqui. Eles mesmo falaram que Lelouch e C.C. não querem ser encontrados. Então é bem provável que um dia nós acordemos e eles nem sequer estejam mais aqui porque Lelouch e C.C. os levaram para a casa.
Dizia Cornélia. Com aquela fala, Nunnally sorria enquanto Carine fechava a cara, pois ainda julgava que as crianças deviam ser executadas.
— Então faremos isso. Eles ficaram aqui até serem levados de volta.
Após suas próprias palavras, Schneizel dava a reunião como concluída e se levantava da cadeira do qual estava sentado.
Todos então saiam daquela sala de reuniões e iam para seus quartos descansar.
Foi um longo dia cheio de coisas inesperadas e eles precisam descansar.
Oliver e Zoe também já dormiam naquela noite de lua minguante.
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