Sombras imortais
16 Capitulo XV - Outro lado
Aila adentrou a biblioteca com um grande livro em seus braços, um livro de magia onde pedira para Fallen. Queria aprender mais, queria ficar mais forte. Seus olhos passaram pela estante de livros de magia, apenas tinham três o quarto livro ela não podia mexer, o que ficava no final da sala sobre proteção.
O livro negro.
Apenas o rei poderia usá-lo se seu nível de magia fosse alto.
A bruxinha suspirou não conseguindo alcançar na fileira que queria, deixando o livro que levava no chão foi em direção a sala reservada para pegar algo para subir. Parando rapidamente, viu os olhos vermelhos escuros de um animal peludo no chão.
Piscando, seus olhos seguiram para o sofá onde enxergou o rei vampiro dormindo tranquilamente enquanto seu "guarda" ficava em alerta. Sorrindo, a bruxinha se aproximou vendo que o animal não a atacava;
Era uma bela cena do vampiro mais poderoso que todos temiam, ali invulnerado enquanto dormia como uma criança tranquilamente. Rindo baixinho, viu Bruce se esticar no sofá ainda com os olhos fechados e assim caiu no chão.
Aila deu um passo à frente para ajuda-lo, porém, congelou ao ver aqueles olhos... Não eram os olhos de Bruce, eram frios e assustadores. Engolindo em seco, a bruxinha se aproximou.
— Você está bem? — perguntou.
Aila deu um passo para trás, não gostando daquele olhar de Bruce. Não sabia por que, mas algo dizia para não chegar perto dele... Bruce cerrou os dentes piscando várias vezes, nem sempre isso acontecia, mas era perigoso de mais. O vampiro passou a mão por seus cabelos negros enquanto se levantava. Tinha baixado a guarda novamente para ele
A bruxinha o analisava enquanto via seu novo olhar. Aquele era o Bruce de sempre.
— Você disse alguma coisa? — perguntou com um sorriso nos lábios.
Aila desconfiada do olhar de poucos minutos atrás continuando afastada de Bruce enquanto repetia o que tinha dito. Bruce piscou vendo o cãozinho em seus pés.
— O que você quer anãozinho! — Resmungou.
Aila relaxou o corpo. Realmente aquele era o Bruce que conhecia, mas que olhar era aquele? Aqueles olhos de gato vermelhos... A bruxinha piscou fitando novamente o vampiro que mandava o animal se afastar enquanto ele latia e mordias suas causas.
Aquele olhar... Ele tem o selo...?
— Não queria incomoda-lo. — Sorriu. — Ainda estou estudando então...
Tentava inventar uma desculpa. O vampiro piscou, assentindo enquanto via a bruxinha partir rapidamente para a outra ala.
— Na verdade não. — Aila parou abruptamente arregalando os olhos.
Alguém saia da escuridão com um sorriso fuleiro nos lábios. Quem era? Ela nunca tinha o visto antes.
Luiz caminhava olhando as imensas estantes da biblioteca. O mestiço pegou qualquer livro na primeira estante que parou folheando como se estivesse procurando algo e logo em seguida tocando ele para trás.
Aila semicerrou os olhos não sabendo quem era, mas pela sua aura não era nada confiável.
— Você então consegue ver auras? — disse ele.
Aila arregalou os olhos, como ele sabia o que ela estava fazendo? O que ela estava pensando? Quem era aquele homem? Não era um vampiro...
— Eu sou confiável apenas aqueles que quero. — disse ele completando sua frase de antes. — Além do mais. — Ele se virou tocando mais um livro no chão. — Sou Luiz Tylo, e vim aqui para falar com Fallen, é um milagre que ele não esteja aqui.
— O que você sabe do selo?
— Nada. — Mentiu.
Aila rosnou.
Luiz se divertia com sua expressão, ele sabia de tudo de todos seus oponentes e aliados. Era conhecido como o olho do tigre. Ele tinha o equilíbrio de tudo a sua volta, e podia usar tudo contra seu oponente.
— Diga o que sabe!
— Eu apenas sei que você é uma bruxa fraca que está irritando um mestiço, então se não quer morrer sugiro que se cale. — Mandou olhando para o livro com a capa de couro.
O mesmo sorriu se aproximando para pegá-lo, mas Aila mais rápida o pegou impedindo que ele o tocasse.
— Você é irritante, agora sei por que a guerreira da profecia quer estraçalhar você. — disse aparecendo atrás de Aila em menos de segundos arrancando o livro dela sem feri-la
Não queria causar problemas, não agora. A mesma protestou irritada não querendo saber de suas palavras.
— Você disse que ele não é o selo então o que ele é?
Luiz suspirou irritado.
— Ele é a chave. — Luiz colocou o livro em baixo do braço. — Avise a Fallen que peguei um livro emprestado, tchauzinho.
Luiz sumiu sem deixar qualquer rastro, apenas deixando a bruxinha ali pensativa enquanto era observada por Fallen no segundo andar da biblioteca. O que Luiz falou era o que ele mais temia e agora o jogo tinha começado.
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Bruce voltava para a biblioteca, tinha visto seu irmão com a loba e não queria atrapalhar. Não enquanto ela estivesse o fazendo sorrir e ter esperanças nas pessoas. Set ha muito tempo parou de acreditar em qualquer raça, apenas quer afasta-los e mata-los.
Não andou muito para se deparar com a bruxinha. Aila piscou quase o atropelando. Bruce sorriu desculpando-se, estava andando de cabeça baixa e não prestava atenção à sua frente.
— Você não ia ver a loba? — disse ela com desdém em sua voz.
Bruce deu de ombros. Não iria interromper aquele momento, seria melhor ela ficar com Set.
— Ela está com Set, melhor deixá-los.
— Por quê? — perguntou curiosa.
— Set nunca é gentil com ninguém tirando a mim. — Bruce fechou brevemente os olhos. — E com ela, ele se torna gentil. Gosto de ver meu irmão assim.
Aila revirou os olhos. Não gostava de Set e vice-versa. Não conseguiria imaginar aquele vampiro sendo gentil. Bruce se aproximou da janela mais próxima colocando as mãos no bolso de sua calça. O passado trazia vários sentimentos à tona e o presente também.
Set se sacrificou muitas vezes por ele além de ter sempre o cuidado. E quando viu Set na primeira vez feliz ele também ficou feliz. Bruce piscou deixando as imagens no passado. Aila se posicionou ao seu lado olhando o céu azul por aqueles vidros transparentes.
— Se ele era assim, por que ele mudou?
— Set no passo conheceu uma garota, uma humana a qual se apaixonou, mas ela apenas o usou e depois que ele a transformou destruiu os únicos sentimentos que Set menos gostava de demonstrar, virando o vampiro que você conhece agora; Frio e cruel.
— Uma humana...? — Repetiu ela.
Bruce semicerrou os olhos, não sabia todo o nome da garota, mas não gostava dela.
— Katherine. — Sussurrou.
— Katherine? — Os dois se viraram vendo a silhueta de Katy parada perto deles. — Alguns a chamava de Kate?
Bruce assentiu.
— Você está dizendo que Set foi o namorado que Kate nunca apresentou. — sussurrou Katy não acreditando que sua irmã mais velha era a humana que destruiu os sentimentos do vampiro que era agora tão gentil com ela.
Bruce deu um passo à frente vendo que não sentia a presença de Set por perto. Katy levantou o olhar tendo de volta aqueles mesmo sentimento que tinha perto daquele vampiro que brincava com ela. Odiava isso...
Não podia perder para seu inimigo, mesmo depois de tê-lo beijado...
— Set não pode ficar sabendo disso, Katy. Não conte a ele.
Katy apenas assentiu. Queria que Set continuasse gentil e ao saber que a garota que destruiu seus sentimentos era uma Saleved, talvez ele a odiasse também.
Bruce suspirou.
Passos soou no corredor fazendo Bruce levantar o olhar, aquela presença ele reconhecia muito bem. Luiz apareceu caminhando tranquilamente enquanto lia o livro que pegara de Aila. Katy piscou não entendendo por que ele estaria perambulando pelo castelo com um livro.
Ao baixar o livro o mestiço apenas sorriu se aproximando rapidamente de Katy passando seu braço por cima dos ombros dela. A loba sorriu. Luiz adorava dar uma cantada antes de falar o motivo de estar presente no meio deles.
O vampiro rosnou vendo o demônio abraçando sua loba.
— Por que está aqui Luiz.
Aila revirou os olhos. Aquele mestiço achava que mandava em tudo a sua volta. Luiz nada disse apenas passou os dedos gelados sob as bochechas vermelhas de Katy deixando Bruce enciumado mais ainda.
— Não foi culpa sua e tenho certeza que irá acha-la. — Piscou ele.
Katy ficou surpresa, ele sabia que sua irmã tinha sido levada? Como? Tão rápido assim. Luiz logo em seguida dirigiu as palavras para o rei vampiro.
— Tenho uma novidade para vocês. — Sorriu ele ironicamente. — Sei onde Rock estará essa noite.
— Continue.
— Sei que o encontraram na mesma rua que os pombinhos aqui se conheceram. — Riu Luiz fazendo Katy ficar corada. — Mas tome cuidado, ele está recrutando... "Aliados".
Bruce arqueou uma sobrancelha. Aliados?
O demônio nada mais disse, apenas soltou a loba depositando um beijo em sua bochecha. Surpresa com o ato, a loba fitou aqueles olhos cinza enquanto o mesmo sorria.
Bruce desviou o olhar enciumado, não gostara nada disso. Os olhos da bruxinha estavam sobre ele analisando sua reação.
— E foi ele mesmo que a levou, tome cuidado Katy, nessa luta sentimentos terão que ser jogados fora.
Luiz sumiu logo em seguida como se nunca tivesse ali.
Katy piscou. Como ele sabia dessas coisas?
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À noite em Little Rock se estabelecia e as ruas ficavam desertas. Os olhos azuis do rei analisavam as casas e prédios pequenos da rua que Luiz tinha dito. Não sabia o que Rock estaria fazendo ali. Apenas era um lugar para pessoas mais humildes.
O som das botas de Katy parou enquanto a loba olhava para o vidro negro de um dos carros estacionados na rua. Estava cansada de esperar e não sabiam se a informação de Luiz estava certa, mas as palavras que ele deixou antes dela partir a incomodava.
Tome cuidado Katy, nessa luta sentimentos terão que ser jogados fora.
A loba semicerrou os olhos vendo um brilho pelo espelho virando-se rapidamente vendo uma flecha prateada vindo em sua direção, porém, quem a jogara era iniciante errando o alvo. Set que estava escorado no poste de luz olhou para cima de um prédio de três andares vendo seu querido pai sorrindo friamente.
— Vejo que teremos uma festa.
Katy semicerrou os olhos vendo que aquela flecha não foi atirada por ele, mas por que teria sido?
Bruce parou no meio da rua vendo seu tio gargalhar do alto do prédio não se preocupando com qualquer humana ouvir.
— Há quanto tempo, meu querido sobrinho. Faz 10 anos que não nos vemos? Ou mais? — Rocklong tinha seu sorriso debochado nos lábios enquanto analisava agora a loba que não se abalara por sua presença, apenas brincava com a flecha metálica.
— Vejo que gostou do presente.
Katy arregalou os olhos ao ver quem atirou a flecha em sua direção. Os dentes pontiagudos mostravam sua transformação completa. Seu corpo mais maduro e desenvolvido dizia que não era mais aquela garotinha de quinze anos. Sua aparência também mudará.
Sua irmã caçula agora era sua inimiga.
— Jasmim...
— Não acaba por aí. — Katy olhou para a outra vampira ao lado de Rocklong.
Sua irmã mais velha; Kate.
— Kate! — A mesma olhou em direção a Set que mantinha sua expressão de surpresa e de fúria. — Finalmente você apareceu!
Kate sorriu vendo sua diversão da noite.
Rocklong sorriu, sua diversão iria começar e sua vingança também!
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