Sombras do Passado
17 Capítulo 17 – Nos pertencemos! (+18)
Notas iniciais

***
Cristina despertou com o som da porta se abrindo. Há muito tempo não dormia tão bem, talvez nunca tivesse dormido tão bem como dormiu aquela noite nos braços de Federico como no aconchego de ter encontrado seu lugar no mundo. Era ele quem abria a porta com uma bandeja nas mãos com frutas, suco, café, torradas e uma rosa. Cristina sorriu.
Para ela, era sempre divertido ver como a figura de Federico se transformava quando se tratava de sua relação com ela. Com ela, ele era manso, dócil e romântico, enquanto que, para todos os demais, era um homem truculento e autoritário. Ela confiava nessa sua dubiedade para lidar com ele. Ouvia queixas de José Maria e outras pessoas que reclamavam de sua personalidade e de seu trato, mas não temia, acreditava ter tato para tratar com ele. Entretanto, até aquele momento, ela ainda não havia se dado conta que aquele “saber lidar” não era por nada mais, senão o fato de que o amava. Ela amava a Federico e não tinha ideia de desde quando.
_ Eu não queria ter te acordado, perdão! – desculpou-se ele acomodando a bandeja no criado mudo ao lado dela.
Sentou-se a seu lado na cama, pegou a rosa que decorava a bandeja e começou a deslizar delicadamente a suas pétalas no rosto de Cristina provocando mais um sorriso na esposa.
_ Do que é que você tanto sorri, hein? – indagou malicioso.
_ Não sei! – ela respondeu leve, feliz. – É só que, desde que acordei, é a coisa que eu mais sinto vontade de fazer: sorrir. Deve ser isso o que chamam felicidade, não?
_ Deve ser! – ele respondeu olhando-a pícaro e roubando-lhe um beijo.
_ Não, Federico! – ela o afastou – Eu ainda não escovei os dentes. Deixe-me acordar primeiro.
_ Acordar? Deste sonho? – indagou ele, radiante. – Nunca! Não vou deixar nunca! Vamos sonhá-lo juntos por toda a vida. – falou enquanto acariciava os cabelos dela que se perdiam no travesseiro.
_ Toda a vida? – ela perguntou insegura.
_ Toda a vida! – ele confirmou dando-lhe mais um selinho.
Cristina escapou pelo outro lado da cama e os olhos de Federico brilharam ao vê-la saindo de entre os lençóis e se levantando dali completamente nua. Ela olhou para ele sorrindo e, rapidamente, pegou o robe que utilizava por cima da camisola, que estava pendurado ao lado da cama e se cobriu.
_ Eu sei muito bem o que você está pensando e não há possibilidades! Eu vou tomar banho, lavar meu cabelo que eu não pude secar ontem à noite e olha só como ficou! – disse reclamando-lhe.
_ Para mim estão lindos! Eu gosto deles com cachos também. Você é linda de qualquer jeito. – elogiou Federico sem tirar o olhar abobado de sobre ela, reparando em como seus seios se acomodavam por sob o robe sem sutiã.
_ Aham, sei! Vou fingir que acredito! – ela disse caminhando em direção ao banheiro.
Ele correu e a cercou, prendendo-a entre seus braços de modo que ela não conseguia soltar-se dele. Girando de leve com ela, como deslizando no passo de uma música, ele fitou-a firme:
_ Vai dizer que não foi bom? – indagou vaidoso – Que você preferia ter secado seus cabelos e dormido sozinha aqui nessa cama como todas as outras noites?
A expressão dela que já era serena, se iluminou. Ela, olhando fixamente nos olhos dele, agora sem medo ou receio, confessou:
_ Não, eu não vou dizer. Foi bom, foi ótimo, foi maravilhoso! E eu nunca mais quero dormir sozinha. Nunca mais! – Cristina confessou.
_ E você não vai! Nunca mais você estará sozinha, Cristina. – Ele prometeu.
Novamente Federico encheu todo o rosto dela de beijos ternos e doces dos quais ela desfrutou fechando os olhos, a sensação era mais que física, era espiritual. Ela deu um selinho nele e pediu:
_ Deixe-me ir ao banheiro? Volto em dois minutos para tomarmos café juntos, sim?
_ Nenhum segundo a mais! – ele determinou soltando-a.
Quando Cristina voltou, ele a esperava distraído, sentado na poltrona que ficava ao lado da cama Vê-lo ali deu uma extraordinária calma à ela que acreditou jamais haver sentido calma em sua vida até então. A calma de sentir que tudo está em seu lugar e que nada pode lhe atingir. Federico se virou e, rapidamente, se levantou rodeando-a com seu braço, segurando-a na altura da cintura.
_ Agora eu posso te dar um beijo? – indagou cheio de desejo.
_ Todos os que você quiser. – confirmou Cristina.
Federico rodeou-a completamente com o outro braço e a tomou em uma sucessão de beijos quentes de tirar o fôlego. Cristina segurou em seus ombros e correspondeu àquele beijo com a mesma avidez e entrega. Ela sentia que agora não precisaria mais se policiar, ou se controlar. Podia ser ela mesma e se permitir sentir tudo o que seu coração quisesse. E, por que não, também dar liberdade à seu corpo e aos desejos que tinha por Federico? Porque era inegável, sempre havia sentido muito desejo por ele e, na mesma proporção, se negado a senti-lo. Depois que ele a beijou, a tocou, ela tinha pensamentos com Federico que jamais ousou confessar nem mesmo para si mesma. No compasso do sabor de suas bocas entrelaçadas, Federico foi, lentamente, conduzindo-a até a cama. Deitou-a e disse:
_ Definitivamente é um sonho! Só pode ser um sonho! – repetia enquanto acariciava seus cabelos e olhava-a descrente.
_ Não é Federico, não é! – ela disse passando a mão pelo rosto dele.
_ Ah, Cristina... Cristina! – ele repetia o nome dela como uma canção – Eu sinto muito, não posso acreditar. É bom demais para ser verdade.
_ E o que precisaria acontecer para você acreditar? – ela indagou sem soltar-se do pescoço dele.
_ Na verdade não é o quê. – ele respondeu malicioso. – É quantas vezes...
_ Pois serão muitas, senhor Rivero, muitas!
_ Você quer? – ele indagou beijando-a no rosto, descendo até a orelha, seu pescoço fazendo com que Cristina se inebriasse nas sensações de suas carícias.
_ Não há nada que eu queira mais nessa vida, Federico! – confirmou agarrando-o pelo pescoço com o outro braço. – Quero você!
Federico não hesitou em recomeçar a sequência de carícias percorrendo todo o corpo de Cristina. Acariciava-a com suas mãos, desfrutando da delicadeza de sua pele em cada parte de seu corpo, gozando desse percurso como uma descoberta complacente, uma sede insaciável que ao invés de a paixão acabar com ela, só provocava ânsia de mais. Rapidamente, Cristina estava sem a única peça de roupa que cobria seu corpo e Federico também se despiu.
Enquanto recebia essa descarga de prazer ditada pelas mãos, o corpo e pela boca de Federico, Cristina, de olhos fechados, projetava sua cabeça para trás e, da mesma maneira que se deixava levar pelas carícias do marido, também deslizava suas mãos pelo corpo dele, beijava-o e fazia-lhe sentir como ela estava ali por inteiro, completa. Ele comprimia as zonas de prazer do corpo da esposa, massageava e acariciava com intenso afã de vê-la satisfeita. Que ela fosse sua, que ela se entregasse, era sua própria satisfação.
As sensações provocavam gemidos e agitação na respiração de ambos, descontrole geral no corpo de Cristina e nenhum deles já não se lembrava mais se era dia ou noite ou se tinham qualquer obrigação, o mundo novamente se resumia àquele quarto. Os sons emitidos por Cristina durante esses estímulos davam mais ânsias e satisfação à Federico, era como se também fossem uma carícia, um carinho dela.
Sem pressa, conduzidos pelos instintos e em uma imensidão de beijos, carinhos, carícias e muita paixão, mais uma vez os dois se fundiram em um só. Começaram a empreender juntos, aquela viagem apaixonada por movimentos ditados pelo impulso do desejo que era mútuo e intenso. O som do prazer percorria aquele quarto misturado àquela aura de felicidade que envolvia o casal e preenchia o ambiente.
Cristina e Federico mais uma vez estiveram juntos até o pico, fizeram não sexo simplesmente, mas fizeram amor. Porque os dois sabiam, ainda que tivessem percorrido caminhos diferentes para isso, que a paixão só é intensa, satisfatória e maravilhosa daquela maneira, se realizada com amor, guiada por verdadeiros sentimentos.
Depois de alguns minutos a imagem era de um casal apaixonado, deitados e abraçados na cama com a sensação de cansaço misturada à satisfação que fica depois de se fazer amor. Deitados não! Agarrados, entrelaçados. Cristina estava repousada sobre o peito de Federico que a abraçava e, com os dedos de sua mão esquerda acariciava o ombro esquerdo dela, deslizando por seu braço, sentindo sua pele. A perna esquerda de Cristina estava sobre as pernas de Federico, como grande parte de seu corpo. Ela, ternamente, deslizava a mão esquerda por seu peito, respirando o maravilhoso cheiro do homem que amava. Cheiro de paixão, cheiro de intimidade, cheiro de entrega.
_ Você não quer comer? – ele indagou subindo a mão e deslizando pelos cabelos dela.
_ Eu não quero sair daqui! – ela respondeu levemente emocionada. – Não quero sair nunca mais de seus braços, Federico.
_ Então vamos viver de amor? – ele indagou sorrindo comprimindo-a junto de seu corpo apreendendo o cheiro de seus cabelos.
_ Não dá, não é? – ela confirmou. – Federico... Eu tenho medo. Eu sempre tive medo. – confessou.
_ Não tenha medo, Cristina! – ele voltou a segurá-la toda em seu abraço. – Confia em mim! Confia! – ele implorou.
_ Eu escutei o que você falou outro dia sobre Raquel com Joaquim. – confessou Cristina.
Federico afrouxou o abraço e alterou sua expressão, totalmente desentendido.
_ Escutou o quê? – indagou confuso.
_ Que ela vai voltar para a cidade e... – deu uma pausa fazendo menção de hesitar – E como você narrou os fatos que aconteceram no armazém há anos atrás.
Ele soltou-a e afastou-se completamente surpreso na cama. Levantou-se e começou a se vestir, começando a ensaiar uma justificativa sob o olhar de Cristina.
_ Cristina, eu nunca desrespeitei essa fazenda, eu nunca te desrespeitei...
Cristina puxou o lençol, encostou-se sobre alguns travesseiros que estavam na cabeceira da cama, se cobriu e, revelou-se para Federico.
_ Eu te amo, Federico! Faz muito tempo que eu te amo. – Disse com o olhar perdido.
Federico olhava-a sem entender nada. Que relação ela estaria estabelecendo sobre aqueles fatos todos? Por que se declarava mencionando Raquel e o que aconteceu no armazém havia tantos anos? Depois de vestir a roupa de baixo e a calça, sem camisa, sentou-se na cama e ficou olhando-a, como esperando que ela continuasse. Um tanto envergonhada, ela seguiu:
_ Naquele dia eu te procurei! Te procurei no armazém, ia te dar a resposta que você pediu. Eu estava feliz, feliz como nunca, não tinha dúvidas, poderia ter te respondido sim à noite mesmo porque... porque aquela noite foi linda. – admitiu com o olhar emocionado.
_ Você viu Raquel lá? – ele indagou baixando a cabeça.
_ Não só Raquel, eu vi a vocês dois! Parecia que estavam transando. Eu fiquei mortificada, Federico, mortificada de raiva e de ciúmes! – confessou sem evitar chorar.
_ Cristina não aconteceu! Não aconteceu nada, eu já tinha terminado tudo com Raquel desde que nos beijamos na cachoeira. Eu não podia, não podia seguir com ela depois de ter tido você, depois de te sentir da maneira que eu sonhava todas as noites! Da maneira como você se entregou agora!
_ E como eu ia saber, Federico, como eu ia saber? Foi exatamente o que eu achei que tivesse acontecido. Que você estivesse transando com outra mulher, nessa fazenda, depois de passar a noite comigo. – Aquilo ainda machucava à Cristina profundamente. – Você sabe o que representava para mim o ato de confiar! Você foi me tocando aos poucos, com cuidado, de uma maneira que quando eu me dei conta, naquela noite em que fizemos amor, eu já estava apaixonada, mas você... Você tinha Raquel! – confessou sua insegurança e ciúmes.
_ Eu não sou perfeito, Cristina, não sou perfeito e não sou nenhum santo! Além disso, seu desprezo me enlouquecia! Eu tinha Raquel e você, você tinha suas malditas lembranças. – Federico se justificou.
_ Eu sei, eu sei! E como eu podia admitir para você que eu sentia ciúmes, que eu morria de ciúmes de Raquel se essas eram minhas próprias condições? Eu não admitia nem para mim mesma. E era eu quem o tempo todo te dizia que você e eu éramos somente amigos e que você podia ter outras mulheres. Mas te ver com Raquel na cidade fez com que eu tivesse que admitir para mim mesma que eu não queria que você estivesse com outras mulheres, que eu sentia ciúmes de você, que eu sentia que você era meu.
_ E eu sou seu, Cristina! Sempre fui seu, simplesmente seu! – ele disse aproximando-se do rosto dela acariciando-o.
_ Eu queria acreditar, queria confiar, Federico, mas o medo era maior. Eu não tinha dúvidas se queria me entregar a você para sempre naquela noite em que passamos juntos, minha resposta era sim, minha resposta sempre foi sim! O que eu tinha era medo. Medo de confiar em você, medo de me apaixonar por você, medo de te amar e que você me traísse. E todo esse medo só existia porque eu já estava apaixonada, eu já te amava, Federico!
_ Eu te entendo, acho que te entendo. – ele assinalou com a cabeça fitando-a com ternura – Porque, o seu passado... O lugar que você dedica à esse homem em sua vida sempre me provocaram insegurança. Você me diz que me ama agora e me faz o homem mais feliz do mundo, mas algo dentro de mim se enche de medo de que você não tenha esquecido e não possa estar inteira comigo.
_ Federico, eu estou inteira! Inteira como nunca estive. O que ficará de meu passado para mim, de agora em diante será unicamente a busca por minha filha. A esperança de abraçá-la eu não posso matar. Disso eu não posso desistir!
_ E nem eu permitiria! É minha promessa! Vou devolver-te sua filha, não tenha dúvidas! – reafirmou o apaixonado Federico.
_ Eu sempre confio em sua palavra, Federico! Eu sei que você vai cumprir essa promessa. E agora mais! Agora estou consciente de que devia ter falado com você, que devia ter te escutado e não ter deixado a raiva e o ciúme me cegarem.
Ele aproximou-se dela na cama e lhe deu um beijo terno, doce lento. Com o rosto pertinho do dela, abrindo os olhos, disse baixinho:
_ Você não devia ter medo ou insegurança porque você é única! Única! Nunca lutei por nenhuma mulher, Cristina! Nunca fui atrás, nunca aceitei desprezo, nunca admiti que uma mulher estivesse comigo tendo outro em sua cabeça. Nunca bebi até perder a consciência por desespero! Nunca aceitei que ninguém me tratasse como se eu não importasse, nenhuma mulher me tratou assim.
_ E você recebeu tudo isso de mim... – ela disse com os olhos baixos.
_ Porque eu te amo! Porque você é a única mulher que existe no mundo para mim. As outras... Todas as outras que estiveram em minha vida foram para alimentar o meu ego desde o dia em que eu te conheci. Eu queria você, Cristina, eu só queria você. As outras foram para que eu sentisse um pouquinho de orgulho masculino, já que o fato de ser desprezado por você me fazia sentir como o mais idiota de todos. Mas eu não desistia, não queria desistir porque eu sabia que no momento em que eu te conquistasse, no momento em que eu escutasse de sua boca o que escutei aqui hoje, tudo isso teria valido a pena.
_ O que você escutou? – indagou Cristina tímida.
_ Que você me ama! – ele disse orgulhoso.
_ É porque eu te amo, Federico! Te amo e não tenho mais medo de admitir. E... se você não me trair, se você não me falhar nós dois seremos felizes para sempre. – advertiu Cristina, colocando seus braços sobre os ombros nus de Federico.
_ Mas nem que eu estivesse louco. – Ele correspondeu ao carinho abraçando-a e tomando em mais um beijo apaixonado. – Se você é a mulher mais maravilhosa do mundo e é a minha mulher! Minha! – gabou-se.
_ Sua! Sua! – concordou Cristina devolvendo-lhe os beijos.
***
Depois de uma movimentada manhã o casal finalmente tomou café. Devoraram tudo o que tinha naquela bandeja que Federico levou para o quarto, cansados de tanto exercício que haviam praticado e não ficaram satisfeitos. Decidiram arrumar-se para o almoço. Federico tinha assuntos da fazenda para acertar, mas não se preocupou de perder toda a manhã com Cristina. Depois de passarem aquela parte do dia bastante melosos, como um casal de adolescentes apaixonados, Federico, finalmente, pegou seu chapéu, a chave da camionete e se encaminhou para a saída. Cristina correu até ele, o segurou pelo braço e pediu:
_ Federico, por favor, não vá se meter com José Maria!
_ Por quê? Você não vem comigo? – ele estranhou.
_ Não! Eu tenho coisas mais importantes para organizar aqui de casa. – ela avisou – Mas, trate de não se envolver em mais conflitos com José Maria, por favor!
_ Você sabe que eu não gosto desse peãozinho. – ele espezinhou. – Mas, faço qualquer coisa para te agradar.
_ Então faça isso! Respeite à José Maria e ao seu trabalho! – ela disse beijando-o na bochecha. – Se você se comportar bem, sabe que terá boas recompensas, não sabe? – falou baixinho em seu ouvido maliciosa.
_ Não faça isso que eu não consigo sair, Cristina! – ele disse com os olhos fechados, perdido nos cabelos dela agarrando-a pela cintura.
_ Então seja um bom menino! – ela falou de novo baixinho rodeando até seu outro ouvido.
_ Tudo bem! Vou ficar longe de José Maria!
Cristina agradeceu com um apaixonado beijo com direito a tudo. Mordiscava seus lábios com carinho e paixão. Recebia a língua de Federico e colocava a dela na boca dele num ritmo ditado pelo desejo. Federico sentia-se muito mimado com o modo como os lábios e a boca dos dois estavam acopladas. Nenhum gosto era tão maravilhoso quanto o da boca de Cristina. Teve dificuldade em parar de beijá-la antes de sair da fazenda. Ainda olhou para trás abobado, sem acreditar no quanto ela estava diferente, quando chegou à porta e disse, sorrindo:
_ Eu sou o homem mais feliz desse mundo!
_ E eu a mulher mais feliz do mundo! – Cristina respondeu com a mesma paixão no olhar.
Logo que Federico saiu da sede ela chamou à Vicenta em uma missão e subiram as escadas cheias de segredos. À tardinha, quando ele entrou em casa, se surpreendeu quando Cristina veio correndo recebê-lo na porta como uma menina travessa. Depois de beijá-lo, olhou em seus olhos com um brilho de felicidade e disse sorrindo:
_ Vem Federico, tenho uma surpresa para você!
Saiu, puxando-o pela mão e ele, simplesmente a seguiu sorrindo da travessura de Cristina. Na porta do quarto dela, ela segurou a mão dele entre as dela e disse:
_ Vamos! Vamos começar nossa vida!
Ele a olhou interrogativo, não sabia nem o que dizer com aquela atitude de Cristina. Ela abriu a porta e, puxando-o pela mão, com os dedos entrelaçados aos dele, abriu o armário. Lá dentro, a metade dele, ocupado com as roupas de Federico. Feliz e, um tanto emocionado, ele olhou nos olhos de Cristina sem acreditar no que via.
_ Cristina, você trouxe minhas coisas para seu quarto? Isso significa que... – Ele falou incrédulo com os olhos brilhando.
_ Federico, eu não trouxe só suas coisas para meu quarto. Você vem junto! – ela disse sorrindo segurando a mão dele.
_ É mesmo? – ele indagou com uma gargalhada.
_ É mesmo! A partir de agora, senhor Rivero, compartilhamos tudo. O quarto, o guarda-roupas, a vida! – sentenciou.
_ Tudo? – ele indagou olhando nos olhos dela.
_ Tudo! Desse dia em diante, nos pertencemos, Federico Rivero! – ela disse sem nem sombra daquela insegurança que a acompanhara durante toda a vida.
Federico, sem poder resistir mais a tomou em um beijo apaixonado e correspondido na mesma intensidade. Era o começo de uma vida de amor, companheirismo e cumplicidade entre eles. Mas será que esse amor, aparentemente tão firme e consolidado, resistiria à tantas sombras do passado que viriam a pairar sobre ele?
***
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