Sombras do Passado

13 Capítulo 13 - Ferindo por vingança


Notas iniciais
Estou muito feliz com a receptividade que a fanfic vem tendo. Os comentários me estimulam a continuar escrevendo e a atualizar mais rápido porque quero ver a reação de vocês. E fico feliz que todos os capítulos vem tendo muitos comentários, muita gente favoritando e ontem saltei de alegria com a segunda recomendação da fic, gracias Dani Souza ☺🙏❤😘 Continuem se fazendo ativos ;)

***

Durante uma fração de segundos, Cristina ficou totalmente tomada pela perplexidade e não conseguiu reagir, queria correr, porém, suas pernas não lhe obedeciam. Era mentira, era tudo mentira, Federico não era o homem a quem ela devia confiar seu coração, foi tudo que lhe veio à mente. Nem sequer pensou. Sentiu-se totalmente idiota e teve medo que Federico e Raquel se dessem conta que ela estava ali. Saiu correndo e, por pouco, não sofreu um acidente no meio da escada porque era difícil manter o equilíbrio quando as coisas estavam tão absurdamente desordenadas dentro de si. Entrou no carro e saiu sem rumo, sem direção como se sentia naquele momento.

No escritório do armazém, Federico empurrou violentamente Raquel, para que ela se soltasse dele. Havia perdido a paciência com tamanha desfaçatez da ex-amante.

_ Você está louca, louca, completamente louca e eu não vou falar com você nesse estado! – gritou

Rapidamente, no chão, ao lado do pé da mesa, pegou a calcinha de Raquel e enfiou em sua bolsa, de qualquer maneira. Depois, começou a puxá-la pelo braço para fora do escritório descontrolado, arrastando-a. Ela gritava como louca:

_ Você não pode fazer isso comigo, Federico! Eu só quero te demonstrar que eu te amo, que eu te amo e faço tudo por você como essa infeliz não é capaz de fazer!

Descendo as escadas, Federico sentia-se numa encruzilhada. A sorte é que era hora do almoço e nenhum empregado veria a Raquel por ali, mas o que aconteceria se alguém visse? Nem sequer colocava atenção nas coisas que ela gritava tentando soltar seu braço da mão forte de Federico que a arrastava degrau por degrau.

_ Você vai sumir daqui do mesmo modo que você veio! Pelas sombras, por onde tenha sido, carregada pelo diabo, não me importa! E vai entender, Raquel, vai entender de uma vez por todas que eu não vou mais te ver! Eu nunca mais vou te ver!

No fim da escada, Raquel soltou-se dele e se esfregou na parede do armazém, olhando-o libidinosa:

_ Isso você diz agora, mas no momento em que você precisar de consolo, que sua mulherzinha voltar com os caprichos você vai me procurar. E eu vou estar lá, Federico. Vou estar lá para você.

_ Raquel, não me faça perder a cabeça! Eu já disse que te quero fora das terras da minha mulher! Se algum dia eu voltar a te ver aqui, você vai se arrepender. Não pense que eu estou de brincadeira, você sabe que minhas ameaças são para serem levadas à sério. – bradou desconcertado.

_ Federico, você percebe que... Percebe que eu estou sem calcinha. – disse mordendo o dedo indicador, aproximando-se dele acariciando seu peito. – Eu vim aqui disposta a fazer tudo! Tudo o que você quiser. Onde você quiser, realizar qualquer uma de suas fantasias. – disse deslizando sua perna pelas coxas dele. – Você quer que façamos na mesa? Nós fazemos! Aqui, com o risco de ser descobertos, melhor ainda. No meio do mato, na cachoeira que é aqui pertinho... Onde você quiser. Você sempre gostou do sexo entre nós, Federico! Sempre disse que eu era uma verdadeira mulher! Deixe-me fazer tudo o que você quiser. Só você me dizer!

_ O que eu quiser? – Federico indagou tratando de se acalmar.

_ O que você quiser, meu amor. – deslizou a língua pelo queixo dele.

_ Então suma! – empurrou-a tão forte que ela caiu no chão. – Suma da minha vida para sempre! Eu nunca devia ter me envolvido com uma mulher tão baixa como você.

Não podia evitar comparar a imoralidade de Raquel e a forma tão baixa e vil como ela se oferecia para ele com toda o pudorismo de Cristina e o quanto, o quanto era difícil conquistar uma simples carícia dela. Por isso eram tão valiosas porque ele sabia que, por serem tão raras, quando aconteciam eram sinceras, inteiras. Não queria perder à Cristina. Não queria perder à mulher de sua vida por causa de Raquel. Teria que afastá-la. Ao preço que fosse, afastaria Raquel de sua vida.

Ao perceber a inutilidade de todas as suas tentativas e que Federico estava ficando violento de tão furioso, finalmente Raquel saiu do armazém e tomou o caminho de Teapa à pé, como tinha vindo. Federico se apressou em ir para casa para almoçar com a esposa. Sim! Não havia nada no mundo que ele desejasse mais do que estar com Cristina. Mais tarde resolveria como se livrar de Raquel.

***

Cristina não dirigiu por muito tempo na estrada, até entrar por uma pequena encruzilhada que os visitantes utilizavam para parar seus carros mais perto da cachoeira. Precisava estar só! Mais do que nunca precisava estar só, colocar suas ideias em ordem. Sabia que Carlota e sua família estavam em sua casa e, próximo, de sua partida. Que teria pouco tempo com Amanda antes que regressassem a Madri, mas naquele dia não podia! Precisava da solidão! Precisava daquelas águas. Desceu do carro e caminhou alguns minutos até a beira do rio que dava a melhor visão da cachoeira. Como eram lindas àquelas águas, aquela paisagem.

Sentou-se no chão e perdeu seu olhar pelos milhões de litros de água que deslizavam por aquelas pedras. Quando percebeu que duas pesadas lágrimas desciam por seu rosto se deu conta do que estava acontecendo: Estava chorando por Federico. Sim, chorando por um homem que não merecia suas lágrimas, seu amor sua confiança. Como podia ter sido tão tonta? Ido até lá, disposta a dizer-lhe que não queria deixar passar nem um dia mais sem lhe dar a resposta que ele pediu e precisava e encontrá-lo com a mesma mulher que o havia visto na véspera. E naquela situação, demonstrando tanto desrespeito por ela.

Deus, como podia ter sido tão tonta! Sim, confiou! Confiou que o amor de Federico era verdadeiro, que ele realmente a amava e desejava ser feliz com ela, mas ele nunca poderia ser fiel. Nunca poderia se entregar, ser romântico. Nunca poderia ser como Hernán. Nesse momento os soluços a sufocaram e ela não pôde mais conter o choro copioso que gritava por sair. Levou as duas mãos à fronte e chorou, chorou desesperadamente. Que idiotice haver pensado em abrir de novo o coração, em pensar que algum outro homem poderia ocupar aquele lugar sagrado que ela dedicava à Hernán, o único que não lhe defraudaria e sempre lhe seria fiel. Sim! Aquele amor era o único que merecia sua devoção e valeria toda sua vida.

Pensou em pedir o divórcio à Federico! Sim, seria o melhor! Afastá-lo de sua vida da qual ela já podia muito bem dispor sozinha. Não precisava dele, não precisava de Federico para nada! Mas... Se o fazia... Se divorciava-se de Federico teria que dizer-lhe porque. E não diria! Jamais diria à Federico que o havia surpreendido com Raquel. Nunca lhe daria o gosto de perceber que ele havia machucado tanto ao seu coração porque ele não merecia! Dela, Federico só merecia a indiferença. E era isso que teria dela de agora em diante. Para sempre dedicaria a Federico apenas indiferença!

_ Ele vai saber que eu também sei ferir! Vou me vingar de Federico por haver me magoado! – Determinou naquele momento com o testemunho das águas da cachoeira.

***

Eram quase 9 da noite quando Federico chegou em casa. Não foi para o jantar e Cristina deduziu que ele estava com Raquel. Ela lia no escritório quando ele chegou e, ao ver a luz do escritório acesa, imaginando que era ela quem estava ali, o fazendeiro foi direto para lá, tomado de felicidade. Deu duas leves batidas na porta antes de entrar. Cristina fingiu indiferença quando o viu:

_ Boa noite à mulher mais linda do mundo! – disse tirando uma rosa que trazia escondida com a mão atrás do corpo – Para você! Comprei-a porque buscava encontrar algo que tivesse algum perfume forte, para ver se o seu cheiro estava impregnado em mim ou... era apenas um jogo de minha memória que não queria apagá-lo.

Como pode ser tão cínico? – indagou Cristina para si mesma enquanto levantou-se da cadeira e pegou a rosa.

_ Obrigada!

Depois caminhou para uma prateleira para guardar o livro que estava em sua mão enquanto Federico se sentou em outra cadeira do escritório.

_ Perdão não ter conseguido chegar à tempo para o jantar. – ele justificou. – Queria te falar durante o dia, mas não tive oportunidade de te ver, nos desencontramos hoje o dia todo. Tinha uns assuntos à resolver em Teapa.

_ Sim, imagino... – ela respondeu com desdém.

_ Não, Cristina, não imagine! Não é nada do que você está pensando! – ele tratou de dissipar as ideias que ela podia ter sobre Raquel. – Não no sentido que você está pensando!

_ E você como pode saber o que eu estou pensando, Federico? – Cristina indagou sem desfazer sua expressão dura e rígida.

_ Porque eu sei que você se chateou ao me ver ontem com Raquel e... Eu não quero que você pense... Eu não quero que você acredite que eu teria a pouca hombridade de procurar Raquel, ou estar com outra mulher depois do que aconteceu entre nós dois.

_ Ah, Federico, que bobagem! Não acho que venha ao caso falar sobre isso!

Ela tentou disfarçar a irritação ao ouvir o nome daquela vagabunda. Sentia um ódio que nunca havia sentido, ao mesmo tempo em que pensava na traição de Federico.

_ Não é bobagem, Cristina, não é! – ele negou. – Ontem eu fiquei totalmente desconcertado depois que nos beijamos. Não pude mais pensar com clareza e, quando você me viu na frente da casa de Raquel, eu estava falando com ela para terminar tudo, eu não poderia mais...

Cristina riu. Federico estranhou, aquele comportamento carregado de cinismo era típico dele, não dela.

_ Você não acredita? – ele indagou

_ Por favor, Federico! Eu vi vocês dois! Aquilo não parecia nem de longe uma conversa de fim de relacionamento. Eu vi como ela estava pendurada em seu pescoço e... – não pôde evitar manifestar os ciúmes, por isso se deteve.

_ Mas era, Cristina. E embora ela não tenha aceitado muito bem, ontem foi a última vez que eu fui ver Raquel. Você devia acreditar. Nem tudo é o que parece.

O sangue subiu à cabeça de Cristina. Como ele mentia daquela maneira? Naquela mesma tarde os havia visto juntos, nunca o cinismo de Federico a havia atingido tanto. A raiva foi tanta que ela evitou responder. Teve medo de jogar na cara de Federico a cena que havia presenciado no escritório do armazém e isso ela não queria fazer. Não se rebaixaria daquela maneira, não o faria! Diante de seu silêncio, Federico continuou:

_ Eu demorei hoje porque fui falar com Joaquim. Pedir-lhe ajuda para tirar Raquel da cidade, ela está muito transtornada e pode trazer problemas. Raquel trabalha na transportadora de Joaquim. Ele vai transferi-la para Villahermosa. Estávamos tratando disso essa noite.

_ E te parece justo decidir a vida dela, por ela? – Cristina indagou indignada.

_ É o melhor! É o melhor para ela. Raquel não quer aceitar que... – interrompeu-se percebendo que não era prudente falar dessas coisas com Cristina – Bom, vai ser melhor para ela, nesse momento, respirar novos ares.

_ Você não devia fazer isso. Não por minha causa. – Cristina respondeu fingindo olhar os livros na biblioteca.

_ E como não? – indagou Federico indo até ela e agarrando sua cintura por trás beijando seu pescoço. – Depois do que aconteceu ontem... – disse com a voz sedutora. – Depois do que aconteceu entre nós... Independente de sua resposta Cristina, eu nunca mais vou ser o mesmo.

Cristina afastou-se incomodada com seu contato. Um misto de medo de ceder de novo aos seus encantos e, ao mesmo tempo, asco ao recordar que ele havia feito sexo com outra mulher naquele mesmo dia e agora... agora a tocava daquele modo.

_ Eu já tenho sua resposta! – disse com firmeza.

_ E qual é? – indagou Federico aflito.

_ Exatamente por isso que eu te disse que você não devia mandar Raquel para longe. Sua vida não vai mudar, Federico! Nada vai mudar! Tudo permanecerá como sempre, Federico. Tudo! – ditou a sentença impiedosa.

_ O quê? – indagou Federico perplexo.

Cristina caminhou até a janela como gostava de fazer quando falava ou ouvia coisas importantes. Mesmo do piso térreo da sede era possível se ter uma visão muito bonita a partir de suas janelas. À muitos daria uma impressão de desinteresse e desdém, mas era sua maneira de organizar as coisas dentro de si.

_ Pensei que não seria justo te deixar esperando mais tempo por uma resposta que eu não posso dar. Nunca poderei, Federico. Eu amei à um único homem. Não poderei amar de novo. E se você vai fazer alterações em sua vida por minha causa, esperando que eu seja algo que eu não poderei para você, como mandar embora da cidade à sua am... – interrompeu-se traída pelo ciúme e suspirou antes de continuar – Não faça, Federico! Não tome nenhuma decisão movido pelo que aconteceu ontem. Não espere nada de mim, nada!

_ Você não pode estar falando sério, Cristina! Essa não é você! – Federico estava incrédulo.

_ Por que não? Desde o começo essas eram as condições! Ou eu te prometi alguma coisa, Federico? Nem mesmo ontem eu te prometi, você não pode me cobrar isso!

_ Não! Você não me prometeu. Mas está se comportando como se não tivesse acontecido o que aconteceu ontem à noite! Você se entregou! Você foi minha, nós fizemos amor! Você... você dormiu nos meus braços, Cristina! Não é possível que só eu tenha sentido! Que tudo aquilo só tenha acontecido dentro de mim! – reclamou puxando-lhe pelo ombro fazendo que ela olhasse para ele.

_ Sinto muito se você criou ilusões por aquilo, Federico. – fitou-o enfurecida. – Por isso mesmo é que não vai voltar a acontecer! Nunca mais vai acontecer e, para evitar qualquer coisa, não quero mais que você me beije! Você não vai voltar a me tocar, Federico e, desta vez... desta vez eu vou cumprir!

_ Por quê? Por quê? Cristina? – ele esbravejou.

_ Não grite que não estamos sozinhos em casa.

_ Então me diga porquê! Eu exijo que você me diga! Ontem à noite você estava doce, terna, agradou-se das minhas carícias, disse que confiava em mim! O que mudou, Cristina, o quê?

_ Amanheceu, Federico! Foi isso que mudou! O que aconteceu ontem foi bom para ser um trago passageiro. Uma fantasia, um sonho, uma noite, nada mais! Minha realidade é a solidão. A solidão e o amor que eu dediquei à um único homem e à filha que ele me deu. É nisso que tenho que concentrar minhas energias! Preciso encontrar minha filha.

_ Você está louca, louca! Escute o que você está dizendo, Cristina! A realidade é um romancezinho imbecil que aconteceu há mais de 10 anos com um homem que está morto? Eu sou a fantasia? Eu? O idiota que está aqui do seu lado todos esses anos, procurando dia à dia uma e outra maneira de te agradar. Você não pode estar falando sério!

_ Federico a única certeza que eu tenho é que... se eu voltar a me entregar ao amor... Se eu voltar a confiar de novo, não vai ser com você!

Ele voltou a segurá-la pelos braços, mas dessa vez forte, firme de modo que Cristina pôde sentir a dor imediatamente:

_ Escute uma coisa, Cristina, uma única coisa! Você quer ter essa atitude, é uma escolha sua! Quer se dedicar ao seu passado, viver de sombras? Viva! Mas nunca na sua vida pense em me trair! Se algum outro homem te tocar eu mato! Você é minha, Cristina, minha!

Cristina pôde ver o fogo do ódio saindo por seus olhos. Jamais havia visto a Federico tão transtornado, nem mesmo naquela noite em que brigaram anos antes. Mas isso é bom, pensou consigo. Se ele está com raiva, transtornado é porque eu consegui o que eu queria, que ele sentisse o mesmo que eu senti ao vê-lo com aquela mulher. Consegui magoar a Federico como ele me magoou!

_ Me solte, Federico, está machucando! – ela gritou.

Ele olhou para ela com desprezo e a soltou. Ela deu alguns leves passos até a porta e, parando ali, olhou para trás com o olhar perdido, segurando a porta entreaberta:

_ Sigamos na posição que ocupávamos até então, Federico, e assim ninguém sai machucado. Eu fico com meu passado e você... Você com suas mulheres!

Não pôde evitar a raiva na voz e que ela também se manifestasse quando ela bateu a porta. Subiu as escadas aos prantos. A contradição foi inexorável. No mesmo momento em que ela falava em ninguém sair machucado, a dor foi muito grande para permanecer dentro dela e explodiu. Derramou todas as lágrimas que não deixou cair na frente de Federico. Entregou-se ao sofrimento de mais uma vez... Mais uma vez ver esvair-se pelos dedos sua chance de ser feliz. Definitivamente, a felicidade não era para ela.

Por sua parte, no escritório, Federico pegou uma garrafa de whisky e tomou até o fim, em goles e copadas grandes. Outra vez tentou, com o álcool apagar aquela dor. Não conseguia suportar a rejeição de Cristina e daquela vez... Daquela vez pegou tão, tão mais forte que das outras vezes. Por que ele não podia ter o amor de Cristina? Por que não conseguia conquistar seu coração? Em menos de uma hora, completamente bêbado, adormeceu na mesa do escritório em meio à lágrimas de dor.

***

Semanas depois, Carlota e Luciano partiam de Teapa, de volta à Madri. Cristina realmente não lamentava a partida de Carlota. Já era difícil conviver com a própria dor para ter também que lidar com a amargura da irmã sempre tratando de colocá-la para baixo, julgar seus erros, seu passado, jogar-lhe na cara que ela não havia conseguido ser feliz. Mas o que ela havia construído com Amanda em tão pouco tempo era tão inexplicável. Carlota e Luciano já estavam dentro do táxi enquanto as duas ainda estavam abraçadas.

_ Apresse-se, Amanda! O avião não vai esperar esse tipo de sentimentalismos! – bradou Carlota.

_ Eu tenho que ir. – Disse, Amanda, com os olhinhos cheios de lágrimas fitando à Cristina.

Cristina suspirou. Seu coração gritava para que ela a detivesse, que a mantivesse sempre junto de si, sempre, que não a soltasse. Poucas coisas na vida haviam sido tão duras como despedir-se de Amanda e isso porque, em sua vida, a dor havia sido uma presença constante. Disfarçadamente ela retirou um envelope e o entregou a Amanda.

_ Esconda de sua mãe, se ela vir, não vai permitir que fique com você.

_ O que é? – indagou a pequena curiosa.

_ Em casa, no seu quarto, quando você estiver sozinha, você olha, sim?

_ Está bem! Adeus tia! – concordou dando um último abraço e um afetuoso beijo no rosto de Cristina dirigindo-se ao táxi.

Quando o carro arrancou e Cristina desabou. Precipitou-se no chão e chorou. Chorou tão desesperada. Jamais em sua vida havia se sentido tão sozinha quanto naquele momento, nem mesmo quando enterrou seu pai. Sentiu, naquele momento, a mesma dor de 10 anos antes. A dor de arrancarem-lhe sua filha recém-nascida de seus braços. Em meio à dor e ao desespero, reforçou uma promessa que já se havia feito.

_ A partir de hoje... – disse engolindo um soluço inevitável – a partir de hoje eu vou ser implacável! Serei implacável e não permitirei que meu coração descanse até encontrar minha filha. Esse é e será o único propósito de minha vida, o único!

E foi nesse rompante e sanha que motivariam aquele afã desesperado do coração de Cristina por um reencontro, na mesma medida em que se fechava para Federico e para a vida, que mais sete anos transcorreram envoltos em um ilusório ar de serenidade na Plantanal.

***