Sombras do Mal
1 Um antigo inimigo
A Terra-Média nunca foi um lugar tão bom como após a destruição do anel. Depois do fim de Sauron e o auge de Gondor, homens, elfos e anões se uniram para banir o mal de seus domínios. Um gigantesco exército comandado pelo rei de Gondor, Aragorn, encontrou e destruiu as últimas fortalezas dos orcs. Os que sobreviveram fugiram daquela parte do mundo sob juramento de nunca mais retornarem.
Por anos a terra prosperou, homens, elfos, hobbits e anões mantiveram uma relação pacífica, baseada em troca de favores e ajuda mútua. Todos estavam felizes, todos os povos unidos sob uma só bandeira. Hobbits e homens juntos deram novo rumo à vida na Terra-Média. As florestas pararam de serem derrubadas, os vales e rios foram preservados e até mesmo a inóspita região de Mordor serviu de posto comercial e ponto de encontro para inúmeros viajantes que cruzavam a região.
Gondor comandava as relações entre as diferentes regiões, a cidade dos reis se tornou o maior reino e posto de comércio da Terra-Média. Apesar de no início haver divergências com outras áreas, Gondor conseguiu tornar novamente pacíficas as relações, por exemplo com a região de Haradwaith, relações que se perderam após a queda de Numenor e que pioraram durante a guerra do anel.
Mas como tudo que é bom tem um fim... O mal sempre procura uma maneira de voltar a esse mundo e depois de algum tempo ele encontrou. Não se sabe exatamente quando nem como mas o verdadeiro mal voltou ao mundo, o verdadeiro senhor do escuro, o mestre das trevas... Morgoth. Muitos duvidavam que sua ressurreição fosse possível, mas como diziam alguns: " o mal nunca morre, apenas evolui ".
Morgoth ressurgiu, mas passou despercebido para os povos da Terra-Média. Quando foi descoberto já era tarde demais. Ele já reunira um exército duas vezes maior que o de Sauron. Orcs, Trolls, Aranhas, Wargs e seres de outras espécies estavam marchando pela Terra-Média, em direção a Gondor.
Aragorn convocara todos os povos sob seu comando e ordenou que todos se unissem dentro das muralhas de Gondor, para resistir àquele mal. Muitos povos demoraram para sair de suas habitações e muitos morreram no caminho. Quando enfim se reuniram o inimigo se encontrava as portas e todos os capazes de lutar, juntos somavam nem mesmo a metade do exército de Morgoth...
***
– Preparem-se para a batalha. Eu vejo que tens medo, o mesmo medo que se apossou de mim durante a guerra! – Aragorn falava alto, estava mais velho agora. – Unidos destruímos Sauron e unidos mandaremos seu antigo mestre de volta para o abismo. Gondor, Rohan, Erebor, Lórien, Valfenda... Soldados, por tudo de bom e belo neste mundo eu lhes peço, mantenham suas posições!
Os homens se entusiasmam e se agitam, mesmo vendo um mortal exército as suas portas. Todos juntos gritam desafiando o inimigo. Um exército que de tão grande era capaz de varrer toda a Terra-Média em alguns dias.
Morgoth comandava pessoalmente, seu desejo por dominar tudo e todos só havia crescido durante todos os anos em que não conseguia se recompor. Agora que voltou, está determinado a exterminar todos os povos livres, mas Gondor se mantém firme e forte contra ele e vários soldados unidos sob uma bandeira o ousam desafiar...
***
– Dorian, preparem seus homens, não acho que possamos vencer essa batalha. – Aragorn se aproxima de um de seus generais. Um homem com cabelos negros e pele clara, devia ter uns trinta anos.
– Não entendo, meu senhor. Não deveríamos lutar.
– E é o que faremos, mas melhor nos prepararmos para uma retirada caso não obtivermos êxito. Leve algumas centenas de homens, incluindo anões e elfos não capazes de lutar e todas as mulheres e as crianças para um lugar seguro. – diz Aragorn
– Mas para onde? Não existirá lugar seguro caso percamos essa batalha. Se Gondor cair Morgoth dominará tudo. – Dorian saca sua espada e insiste com os homens para manterem a coragem.
– Existe um lugar, onde vocês ficaram seguros por algum tempo. Morgoth não ousará atacar Gondolin, vocês terão tempo suficiente para reconstruir as muralhas e reunir e treinar um exército maior. As muralhas de Gondolin são capazes de resistir mais do que as de Gondor.
– O senhor se refere a cidade dos elfos, que foi destruída na primeira era... A cidade não foi completamente arrasada!?
Os dois não tiveram tempo de debater o assunto, pois neste momento os inimigos dispararam, milhares de catapultas atirando gigantescas rochas que se chocavam fazendo um som estrondoso e causando grande destruição, milhares de flechas atravessando a cidadela e matando muitos, soldados e civis.
– Arqueiros, descarreguem suas flechas. Matem todos os monstros! — Aragorn grita.
Vários elfos, homens e anões juntos lançaram sua flechas, derrubando milhares de orcs, wargs e trolls.
– Catapultas! – Aragorn gritou enquanto se dirigia aos portões externos.
Várias pedras foram lançadas por Gondor, matando milhares de orcs. Chegando aos portões dianteiros Aragorn monta em seu cavalo, era acompanhado pelos homens de Rohan, os senhores dos cavalos.
– Avante Rohirrim! – os grandes portões da cidade são abertos. – Pela glória ou pela morte!
Vários cavalos partem em direção ao inimigo matando inúmeros orcs. Porém muitos trolls e wargs acabaram por causar a morte de vários guerreiros.
Ainda na cidade, Dorian comandava anões e elfos para matar todos os orcs que tentavam arrombar o portão...
– Arqueiros mantenham suas posições, a muralha... Defendam a muralha! – ordena Dorian – Anões defendam o portão, se ele for rompido Gondor cairá!
Os portões de Gondor eram resistentes e agora o inimigo estava dividido em duas frentes de combate. Mas os Trolls usavam força bruta e maquinarias para tentar arrombá-lo.
Dorian segue pela cidade, a destruição era grande, muitos estavam em prantos. Pelo caminho chamava vários soldados e civis. Reuniu todas as mulheres e crianças no grande salão do palácio, além de homens, elfos e anões.
– Aragorn ordena que saiamos da cidade, devemos ir para Gondolin onde ficaremos seguros o suficiente para reconstruirmos a cidade e trainarmos um exército maior. – explicou ele.
– Nem pensar, não podemos abandonar a cidade. Não abandonarei meu marido! – disse Arwen, a rainha de Gondor.
– Minha senhora, Aragorn nos encontrará depois. – respondeu Dorian.
– O que ele diz faz sentido. – um elfo chamado Muriel tenta convencer a todos – Morgoth não atacará Gondolin tão cedo, depois de tudo o que lhe aconteceu.
– E além dos mais, aqui não poderemos vencer esta guerra. – Dorian olhou para o elfo como se o agradecesse.
– Mas, meu marido, o que será dele. Não podemos abandoná-lo. – contestou a rainha.
– Ele nos encontrará, é muito forte e não cairá tão facilmente em combate.
Ouve-se uma corneta. Um aviso, do rei para bater em retirada. Dorian não sabia o que estava acontecendo na batalha. Apenas sabia que deveria partir. Não fazia ideia do que houve, estavam vencendo e agora ‘bater em retirada’. Certamente Morgoth tinha alguma carta na manga. Dorian apenas sabia que deveria seguir as ordens de seu rei.
– O que está acontecendo lá fora! Me deixe ir! – Arwen tenta sair do salão mas Dorian a impede. – Aragorn! – ela começa a chorar.
– Fique tranquila senhora, Aragorn ficará bem. Não se deixará perecer perante tal inimigo. Ele nos encontrará em Gondolin... – ele tenta acalmá-la.
– Devemos partir agora, todo Homem, elfo e anão receberá uma carga. – Dorian preparou vários sacos para provisões.
– Preparem-se rápido, não temos muito tempo. Nossas muralhas não aguentaram muito mais. – muitos não sabiam o que pegar e a maioria não tinha mais nada para levar, pois estava tudo em suas casas. – Rápido! Devemos tomar a passagem subterrânea, nos dará alguma vantagem sob o inimigo. Ao deixarmos o subterrâneo, devemos seguir rápido e em silêncio. Atravessaremos as planícies de Rohan até chegar a Floresta Verde. Seguiremos então para Erebor e Valle e finalmente para as Montanhas de Ferro, onde escondida se encontram as ruínas de Gondolin. Calculo que se viajarmos rápido podemos chegar até Erebor em vinte dias e depois teremos de andar no mínimo mais quinze para chegarmos a Gondolin. No caminho é provável que encontraremos fugitivos que podem se unir a nós e também alguns inimigos.
– Conseguiremos suprimentos, montarias e possivelmente reforços com meus parentes na Floresta Verde. – comenta Muriel
– E armas e metais com meu povo em Erebor. – fala Domur, um dos anões que lá estavam.
– E quando, melhor, se chegarmos lá, faremos o que? — Perguntou um homem, chamado Carl, que estava bem nervoso e assustado.
– Acalme-se Carl, filho de Briggs. Primeiramente reconstruiremos a cidade e depois reuniremos toda a ajuda possível.
– Mas o que garante que Morgoth não atacará a cidade ou nos emboscará no caminho? — Estava realmente muito nervoso e andava de um lado pro outro no salão.
– Nada...
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