Sombras do Futuro
22 Lamento por sua morte
Notas iniciais
– Muito bem, Madame Creuzodete, pode me dar satisfações. O que deu em você?
– Não é nada, é que não era bom você descobrir seus poderes agora e...
– Não me enrole! Eu sei muito bem que não é isso!
– Quer saber? Não era mesmo não! E daí? O que você vai fazer? É capaz de você usar seus poderes contra você mesma!
– Você está muito enganada, Magali. Muito enganada.
Creuzodete pegou sua bola de cristal e a colocou no chão. Começou a conversar em latim com Magali.
– Non habes ad me verberare! Ego invictum! (“Você não tem como me vencer! Eu sou invencível!”)
– Erras! Vos et ego unum potestas! Et spes est, quia facile ad malum, Creuzodete! (“Você está enganada! Eu te venço num só poder! A vida não é tão fácil para o mal, Creuzodete!”)
– Okay. Só eu que boiei aqui? – Falou Cascão interrompendo a conversa.
Creuzodete, já irritada, pegou sua bola de cristal, segurou em suas mãos e disse:
– Haec vitia Aeger sum! Tu Magali, dabimus quod justum est! (“Estou farta desses inconvenientes! E você, Magali, vai pagar por isso!”)
Ainda com a bola de cristal nas mãos, num só arremesso, atingiu o pescoço de Magali, e o vidro o cortou. Os poderes que dentro da bola havia se soltaram, entrando em contato com o sangue da Magali. E dentro de seu sangue que ficava o controle de seus poderes.
Descontrolados, seus poderes se espalharam dentro do cérebro, e ela teve um tipo de derrame. Caiu no chão.
Seus amigos choravam. Por que isso tinha que acontecer com ela? Por quê?
– Alguém mais vai querer enfrentar? Olha, acho bom vocês ficarem sabendo que eu...
Sem falar mais nada, Cebola veio por trás e a jogou de cara no chão, prendeu seus braços e pernas com a ajuda de João e ligaram para a polícia.
– Denise, eu vi a página do seu diário... quer dizer que você vai...?
– Não, Cebola. Fica tranquilo. Eu não vou morrer. Isso é um câncer mas que já está sendo tratado.
– Ufa, que susto. Mas... quanto à Magá... ela tá desmaiada ainda?
– Desmaiada? Cebola, ela morreu.
– Não, Cascão. Ela está querendo falar alguma coisa.
Magali conseguiu falar com seus amigos.
– Tudo foi resolvido. O assistente de Clara/Umbra era o motorista que não tinha morrido. Ele tentou descobrir alguma coisa mas não adiantou. E vocês sabem, né? Clara era a Madame Creuzodete. E por favor... digam ao Quim que eu volto... que eu volto assim que eu melho...
Suas últimas palavras foram essas. Agora, ela seria enterrada lá em Sococó da Ema.
O enterro foi feito sem os pais ficarem sabendo de nada.
Voltaram em silêncio durante toda a viagem. Chegando no limoeiro...
– Cebola! Cascão! Denise! Maga... ué, cadê a Magali?
– Ela... ela se foi – disse Cebola. Então cada um foi para sua casa. Mônica chorou ao alucinar a voz de sua amiga Magali.
“Não chore, Mônica. Eu sei que você me ama muito, eu também. Ainda vamos nos ver novamente.”
Mônica sorriu ainda derramando lágrimas e foi para casa. Mal sabia ela que Magali tinha dito realmente aquelas palavras.
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