Sombras, Fogo e Gelo
7 O Passado Obscuro
Ao pôr do sol, os raios dourados do sol poente pintavam o céu com tons de laranja e rosa sobre a pequena, mas pitoresca praia californiana. As ondas suaves quebravam na costa, criando uma melodia tranquila que se misturava com o canto das gaivotas que pairavam no ar. A praia, praticamente vazia naquele momento, parecia um refúgio de paz e serenidade.
Em meio a esse cenário sereno, Joshua caminhava pela areia úmida da praia, perdido em seus próprios pensamentos. Ele vestia uma camisa regata, coberta por um moletom aberto, e uma bermuda jeans, seus cabelos ruivos levemente desgrenhados pelo vento suave que soprava do mar.
Enquanto seus pés afundavam na areia macia, Joshua não conseguia deixar de rememorar os eventos de duas noites atrás, o caos e a confusão do ataque durante o show das Rainbow 5. As imagens da batalha entre as sombras e os jovens ainda ecoavam em sua mente, assim como a lembrança do momento em que seus olhos encontraram os de Di, o brilho de sua energia contagiante o deixando corado.
“Ela é… tão linda. Tão… tão corajosa!” Murmurou para si mesmo, enquanto balançava a cabeça, como se tentasse tirar a imagem da bela idol de seus pensamentos.
Joshua encontrou um banco de madeira completamente vazio próximo à água e sentou-se, mergulhando em seus próprios pensamentos. "Bobagem", pensou consigo mesmo, tentando afastar as lembranças de Di que insistiam em surgir. "Provavelmente nunca mais vamos nos ver novamente. Ela é uma estrela, e eu sou apenas um garoto comum de uma cidadezinha no meio do nada."
Ele então pegou uma pequena pedra cinza do meio da areia e, olhando para o horizonte, o jogou para o mar, observando a ondulação que se formava na água. “Mas… bem que eu queria poder…”
Enquanto olhava para o horizonte, perdido em seus próprios devaneios, Joshua não percebeu que não estava tão sozinho quanto imaginava.
Enquanto o adolescente estava imerso em seus pensamentos à beira-mar, uma presença sorrateira se aproximou silenciosamente por trás dele. Uma jovem de cabelos brancos, como os flocos de neve, deslizou pela areia com passos leves e furtivos, aproximando-se do banco de madeira onde o adolescente estava sentado. Seus olhos brilhavam com uma centelha travessa enquanto ela se aproximava, preparando-se para sua abordagem.
Quando a jovem finalmente alcançou Joshua, ela inclinou-se suavemente, sua voz soando como uma brisa suave no ouvido do jovem. "O que você está fazendo aqui?" Ela perguntou com um tom de curiosidade travesso.
O susto foi tão intenso que Joshua pulou do banco com um grito, seu coração batendo acelerado em seu peito. Ele virou-se rapidamente para encarar a figura surpreendente que o havia assustado, e o que viu o deixou incrédulo.
Di estava ali, parada diante dele, com um sorriso doce e travesso nos lábios. Seus cabelos brancos pareciam brilhar sob a luz do sol poente, e seus olhos castanhos radiavam calor e vivacidade. Ela o encarava com uma expressão leve e risonha, como se estivesse se divertindo com a reação dele.
Joshua piscou várias vezes, tentando processar a visão diante de si. "Di?", ele murmurou, ainda meio atordoado. "É você mesmo?"
Di apenas riu suavemente, sua risada soando como música aos ouvidos de Joshua. "Quem mais poderia ser?" Ela respondeu, seu sorriso se alargando ainda mais.
Os olhos de Joshua se arregalaram ao encontrar os de Di, incapaz de acreditar que ela estava ali, tão perto dele, naquela praia tranquila ao pôr do sol. Ele sentiu seu coração acelerar dentro do peito enquanto a observava, absorvendo cada detalhe de sua presença deslumbrante.
Com um tom brincalhão, Di quebrou o breve momento de silêncio. "Está desapontado por eu não estar vestida como uma idol o tempo todo?" Ela perguntou, um sorriso travesso brincando em seus lábios. “Sem aquele glamour todo, a maquiagem…”
Joshua piscou algumas vezes, tentando afastar a surpresa que ainda o dominava. Ele observou enquanto Di se aproximava e sentava ao seu lado no banco, vestindo uma blusa curta branca e uma calça jeans surrada, sua beleza radiante contrastando com a simplicidade de suas roupas.
"Não", Joshua respondeu rapidamente, sua voz um sussurro rouco. "Você está... tão linda quanto no show." Ele corou violentamente ao perceber o que havia dito, desejando poder voltar atrás no tempo e encontrar uma maneira menos embaraçosa de expressar sua admiração.
Di riu suavemente, o som agradável ecoando pela praia. Ela gostou da resposta, mesmo que tenha sido um pouco embaraçosa para Joshua. No entanto, ela cuidou para não deixar transparecer que também estava levemente corada com o elogio inesperado.
"Você não está tão mal você mesmo", Di brincou, inclinando-se levemente para ele. "Acho que você consegue se passar como um herói."
“Eu… mas eu não fiz nada. Eu só atrapalhei você.” Respondeu enquanto olhava para areia sob os seus pés.
“Você não estava preparado. Não se culpe, o importante é que estamos vivos.” Replicou a jovem idol, tentando animar o ruivo, embora a última parte de sua fala tenha lhe lembrado de Ethan e de como ela e Lea os deixaram para trás naquela noite.
Após o momento de descontração, um silêncio caiu sobre Joshua e Di, carregado com a calma serena do entardecer à beira-mar. Foi ela quem quebrou o silêncio, sua voz suave e preocupada cortando o ar tranquilo.
"Como está aquele garoto, o Ethan?" Ela perguntou, sua expressão mostrando genuína preocupação pelo jovem ferido durante os ataques.
“No hospital, ele está no hospital” respondeu ele, com calma, enquanto olhava para o oceano.
Joshua suspirou então, sentindo o peso da responsabilidade sobre seus ombros. "Ele está bem", completou ele, tentando transmitir algum conforto para Di. "Os médicos dizem que ele vai se recuperar. Foi uma sorte não ter perfurado nada fatal."
O alívio inundou o rosto de Di ao ouvir a notícia, suas preocupações temporariamente dissipadas pela garantia de que seu amigo estava seguro. No entanto, sua atenção foi rapidamente desviada quando ela notou as ataduras envolvendo os pulsos e dedos de Joshua. Com um gesto suave, ela segurou suas mãos, examinando as feridas com preocupação evidente.
"O que aconteceu com suas mãos?" Ela perguntou, sua voz carregada de preocupação.
Joshua encolheu os ombros, uma expressão de desconforto cruzando seu rosto. "Ah, isso...", ele murmurou, desviando o olhar. "Eu não sou muito bom em controlar meus poderes ainda. Acabei queimando minhas mãos durante a confusão."
A preocupação nos olhos de Di aumentou ao ouvir sua explicação. Ela sabia que o controle sobre os poderes era essencial para evitar ferimentos graves, e ver Joshua ferido assim mexeu com ela. "Você deve ter cuidado", ela murmurou, apertando suavemente suas mãos em um gesto reconfortante. "Não quero ver você se machucar novamente."
O sol estava agora um disco dourado prestes a mergulhar no horizonte, tingindo o céu de tons alaranjados e vermelhos, criando uma atmosfera mágica ao redor de Joshua e Di. O som suave das ondas quebrando na praia acompanhava o silêncio entre os dois, criando uma sensação de tranquilidade e intimidade.
Depois de alguns momentos, Joshua finalmente reuniu coragem para quebrar o silêncio, sua voz um sussurro tímido na brisa marinha. "Então... o que você está fazendo aqui?" Ele perguntou, desviando o olhar por um momento antes de voltar a encará-la.
Di sorriu suavemente, seus olhos brilhando com uma luz suave. "Nós estamos hospedadas em uma casa na cidade", ela respondeu, indicando vagamente na direção da cidade distante. "É um lugar tranquilo, perfeito para relaxar depois de... tudo o que aconteceu."
"Ah, eu devia imaginar", murmurou Joshua, seus pensamentos girando em sua cabeça enquanto ele processava a informação. "Eu... eu moro aqui, na verdade." Ele admitiu, sentindo-se um pouco desconfortável sob o olhar de Di.
Os dois se olharam por um momento, uma sensação estranha de surpresa e admiração passando entre eles. Era quase inacreditável que eles se encontrassem assim, em uma praia tranquila em uma pequena cidade, após os eventos tumultuados dos últimos dias.
O silêncio entre eles se estendeu por mais alguns segundos, cada um perdido em seus próprios pensamentos e emoções. Mas apesar das circunstâncias estranhas que os haviam unido, havia uma sensação de conforto e familiaridade na presença um do outro, uma conexão estranha, que, ao mesmo tempo, aliviava a tensão em Joshua, mas trazia uma sensação de repetição para a jovem idol.
*****
Uma figura sombria surgiu silenciosamente, como se emergisse das próprias sombras da noite, envolta em um manto escuro que parecia absorver a luz das estrelas que lentamente surgiam no céu. Di se levantou instintivamente, preparando-se para uma possível luta, seus músculos tensos e os olhos fixos na figura misteriosa. Porém, antes que ela pudesse agir, Joshua interveio, colocando-se entre ela e o recém-chegado.
"Espera, Di", disse Joshua, sua voz firme, mas calma. "É o Senhor Meia-Noite."
Di recuou um passo, ainda cautelosa, seus olhos examinando o recém-chegado com desconfiança. "Senhor Meia-Noite", ela murmurou, o nome pesando em seus lábios como uma sombra. "O que você está fazendo aqui? Depois de tudo, você aparece como se não fosse nada."
O recém-chegado acenou brevemente com a cabeça em saudação, seus olhos brilhando com uma luz estranha na escuridão. "Eu estranhei encontrá-los juntos", ele admitiu, sua voz suave e melodiosa, mas carregada de mistério. "Mas admito que isso poupará tempo. Preciso conversar com vocês dois."
Di lançou um olhar cauteloso para Joshua, buscando confirmação em seus olhos antes de se virar para encarar o Senhor Meia-Noite novamente. "Sobre o quê?" Ela perguntou, sua voz carregada de desconfiança.
O Senhor Meia-Noite hesitou por um momento, como se ponderasse suas palavras, antes de finalmente responder. "Sobre o homem que vocês enfrentaram", ele disse, sua voz grave e séria. "Eu tenho informações que podem ser úteis para vocês."
Di olhou para o Senhor Meia-Noite com um misto de desconfiança e curiosidade, ponderando sobre suas palavras. Ela sabia que não podia ignorar qualquer informação que pudesse ajudar a derrotar o vilão que ameaçava não só eles, mas todas as pessoas que fossem próximas da banda. Com um aceno de cabeça, ela indicou para que o recém-chegado prosseguisse.
"Continue", disse ela, sua voz firme, mas cercada de cautela.
O Senhor Meia-Noite assentiu, sua expressão séria refletindo a gravidade da situação. "O homem que vocês enfrentaram", começou ele, "é Hu Can. Ele já serviu à mesma entidade que me concedeu meus poderes de sombras. Mas ele conseguiu roubar parte desses poderes, tornando-se uma ameaça ainda maior. Agora ele é um renegado que pode agir como bem quiser."
Di franziu o cenho, processando a informação. "Então ele está usando os poderes que roubou de você?"
"Sim", confirmou o Senhor Meia-Noite, sua voz carregada de pesar. "De certa forma, ao menos. Ele é capaz de manipular as sombras de uma forma que eu jamais imaginei. E isso o torna extremamente perigoso."
Joshua ouviu atentamente, absorvendo cada palavra com uma expressão séria. "O que podemos fazer?", perguntou ele, sua voz ecoando a determinação e o desejo de ser útil para aqueles ao seu redor.
O Senhor Meia-Noite suspirou, seus ombros pesados sob o peso do fardo que carregava. "Hu Can estava preso no presídio da cidade", explicou ele. "Mas ele escapou durante a rebelião. Eu tinha a missão de capturá-lo e recuperar os poderes roubados, mas fracassei. Nem mesmo fui capaz de encontrá-lo."
“Então foi por isso que nos encontramos lá?” Perguntou Joshua em um sussurro, como se perguntasse para si mesmo e não para o seu interlocutor.
Di apertou os punhos, sentindo a urgência da situação pesar sobre seus ombros. Ela sabia que tinham um inimigo ardiloso para enfrentar em breve, e que cada momento perdido poderia significar mais vidas em perigo.
Joshua escutou atentamente as palavras do Senhor Meia-Noite, mas uma pergunta martelava em sua mente. "Por que está nos contando tudo isso?", indagou ele, sua voz carregada de curiosidade e uma ponta de ansiedade.
O Senhor Meia-Noite olhou para o adolescente, seus olhos sombrios refletindo a seriedade da situação. "Porque sei que Hu Can virá atrás de vocês", respondeu ele, sua voz ecoando na brisa noturna. "Parece que ele tem um interesse pessoal em Di. E ele acredita que vocês são próximos, assim, atingindo você, ele também atinge ela."
“Eu diria que você acabou com algum plano que ele deixou para quando saísse da prisão” disse tranquilamente mudando seu foco para a garota, “ele não é o tipo de homem que agiria por impulso.”
Di ergueu as sobrancelhas, sua expressão endurecendo com a lembrança das falas do homem. Ela sabia que estava na mira do vilão, mas ouvir aquilo confirmado por alguém como o Senhor Meia-Noite trouxe uma sensação de urgência ainda maior.
"Não acredito que poderei derrotá-lo sozinho", disse o Senhor Meia-Noite, dirigindo-se a Di e Joshua. "Unir nossas forças é nossa melhor chance de sucesso."
Di apertou os punhos, lutando contra a mistura de medo e determinação que queimava dentro dela. "Joshua é inexperiente demais para enfrentar alguém como esse Hu Can", retrucou ela, sua voz firme, mas tingida de preocupação.
Joshua se sentiu um pouco desconfortável com a declaração de Di, mas sabia que ela tinha razão. Ele ainda tinha muito a aprender sobre seus próprios poderes e sobre como usá-los efetivamente em uma batalha tão perigosa.
“Eu vou lutar com ele, se é o que ele tanto quer”, disse a idol, enquanto virava o seu rosto para olhar novamente para Joshua. “Mas não vou envolver nenhum inocente nisso! Não vou deixar que o Joshua ou os amigos dele envolvam-se.”
"Por favor, Senhor Meia-Noite", interveio Di, sua voz suavizando um pouco. "Poderia nos deixar a sós por um momento?"
O Senhor Meia-Noite assentiu solenemente, compreendendo a necessidade de privacidade dos dois. Com um aceno de cabeça, ele desapareceu nas sombras da noite, deixando Di e Joshua sozinhos com seus pensamentos e preocupações.
*****
Di observou o desaparecimento do Senhor Meia-Noite com uma expressão determinada, mas quando se virou para encarar Joshua, sua expressão suavizou um pouco.
"Joshua", começou ela, sua voz suave contrastando com a gravidade do momento. "Este não é um problema seu. Você não precisa se envolver nisso."
Joshua franziu o cenho, uma mistura de frustração e determinação cintilando em seus olhos. "Mas eu quero ajudar, Di", insistiu ele, sua voz carregada de determinação. "Você não precisa enfrentar isso sozinha."
Di olhou para ele, seus olhos cheios de gratidão e preocupação. "Eu sei que você quer ajudar", disse ela, sua voz suave. "Mas esta é uma luta que eu devo enfrentar sozinha. É minha responsabilidade envolver vocês nisso, não posso deixar que vocês ou os seus amigos sejam atingidos novamente."
Joshua lutou contra a sensação de impotência que ameaçava dominá-lo. Ele sabia que Di estava certa, mas isso não diminuía o desejo de protegê-la de qualquer perigo.
"Prometa que vai ficar seguro", disse Di, colocando uma mão reconfortante no ombro de Joshua. "Volte para casa. É tarde e pode ficar perigoso."
Joshua olhou para Di, relutante em obedecer, mas finalmente assentiu. "Tudo bem", concordou ele, resignado. "Mas, por favor, prometa que vai me manter informado sobre o que está acontecendo."
A garota sorriu, grata pela preocupação dele. "Eu prometo", assegurou ela. Com um último olhar preocupado para Di, Joshua se afastou, deixando-a sozinha na praia, envolta pela escuridão da noite.
Di ficou sozinha na praia, sentindo a brisa fria da noite em sua pele. Ela olhou para o horizonte escuro, perdida em seus próprios pensamentos. As palavras do Senhor Meia-Noite ecoaram em sua mente, misturando-se com suas próprias dúvidas e preocupações.
"Será que podemos realmente derrotar Can?" ela murmurou para si mesma, sua voz carregada de incerteza. "Lea e eu somos poderosas juntas, mas os poderes sombrios que Can possui... E se não formos páreo para ele?"
Ela fechou os olhos por um momento, buscando clareza em meio à escuridão de suas preocupações. O apoio de Lea era reconfortante, mas mesmo juntas, elas enfrentariam um adversário único, com habilidades em um nível acima delas.
"Eu não posso confiar no Senhor Meia-Noite", ela pensou, sua desconfiança em relação ao misterioso vigilante ainda presente. "Ele pode ter suas próprias agendas, suas próprias motivações ocultas. Eu não posso arriscar."
Di deu um suspiro resignado, sua mente girando com possibilidades e dilemas. Ela sabia que não podia enfrentar Can sozinha, mas confiar no Senhor Meia-Noite era um risco que ela não podia se dar ao luxo de correr.
"Vamos, Di", ela se repreendeu, sua determinação se renovando. "Você enfrentou desafios antes. Você vai encontrar uma maneira de superar isso também."
Com um último olhar para o mar escuro, Di virou-se e começou a caminhar de volta para onde as Rainbow 5 estavam hospedadas, sua mente trabalhando incessantemente em busca de uma solução para o problema iminente que enfrentavam.
Di estava prestes a deixar a praia para trás quando uma sensação de apreensão a dominou. Seu coração acelerou quando avistou uma silhueta distante, envolta em sombras. Ela reconheceu imediatamente quem era, mesmo que sua mente se recusasse em aceitar.
"Jun..." sussurrou ela, uma mistura de medo e angústia borbulhando dentro dela, as memórias voltando como um rio transbordando. Logo as boas memórias foram arrancadas de si, substituídas pelas memórias horríveis do que ele já havia feito a ela e às outras garotas.
A figura sombria se aproximou lentamente, como se flutuasse sobre a areia. Di podia sentir os músculos de seu corpo tenso enquanto lutava para controlar suas emoções. Lágrimas começaram a brotar de seus olhos, uma expressão de temor escurecendo seu rosto.
"Di..." A voz de Jun era um sussurro carregado de mistério e melancolia. "Faz tanto tempo desde a última vez que nos encontramos."
A idol mal conseguia encontrar palavras enquanto enfrentava a figura que a assombrava em seus pesadelos mais sombrios. Ela lutou para manter a compostura, mas suas pernas tremiam com a intensidade de suas emoções.
"O que você quer?" sua voz saiu trêmula, ecoando na quietude da noite.
Jun permaneceu diante dela, uma sombra enigmática envolvendo-o. Ele parecia tão distante, tão irreconhecível, e no entanto, era inegavelmente ele. Di se viu presa em uma tempestade de sentimentos conflitantes, seu coração pesado com os arrependimentos do passado e os desejos que outrora tivera para o futuro.
"Eu vim..." Jun começou, sua voz um sussurro carregado de segredos antigos. "Eu vim para lembrá-la, Di. Para lembrá-la do que você é." Ele olhava diretamente dentro dos olhos da idol, de uma forma que a garota tinha certeza que ele conseguia saber exatamente o que se passava em seus pensamentos.
Di engoliu em seco, sua mente turva com pensamentos confusos. Ela se perguntava o que Jun queria dizer com aquelas palavras enigmáticas, mas uma parte dela temia a resposta.
“Você não precisa se aproximar mais do que isso!” Ordenou a garota, embora não soubesse dizer se as palavras saiam de sua boca com o tom de ordem que ela queria ou se como uma súplica.
A figura sombria continuava a se aproximar, ignorando os apelos de Di para que se afastasse. Seus passos ecoavam na praia deserta, ecoando a tensão que pairava no ar.
"Não... você não pode ser Jun!" gritou Di, sua voz trêmula com uma mistura de medo e incredulidade. "Você está morto!"
A figura sombria parou diante dela, um espectro do passado que se recusava a desaparecer. Seus olhos brilhavam com uma intensidade assustadora enquanto ele encarava Di, como se lesse sua alma.
"Você é um monstro…" sua voz era um sussurro amargo, carregado com anos de dor não resolvida. "Tudo o que eu fiz foi amá-la, Di. E como você me retribuiu? Eu ofereci o mundo, e recebi sua traição."
As palavras perfuraram o coração de Di como facas afiadas, cortando profundamente em sua alma. Ela sentiu suas lágrimas escorrerem pelo rosto enquanto o peso de suas palavras a consumia. Por um momento, ela se viu transportada de volta aos dias felizes que compartilhava com Jun, quando a banda se aprimorava após o show de estréia, antes que tudo desmoronasse em uma tragédia inimaginável.
"Eu... eu..." as palavras de desculpas ficaram presas em sua garganta, afogadas pela torrente de emoções que a inundava.
A figura sombria permaneceu imóvel diante dela, uma lembrança viva de um passado que ela preferiria esquecer. O som das ondas batendo suavemente na costa era o único acompanhamento para a angústia silenciosa que pairava sobre eles.
Di tremia de indignação e dor, suas palavras saíam como flechas afiadas cortando o ar. "Jun, você nunca me amou! Você nem sabe o que é amor!"
As palavras que ela nunca teve a chance de dizer cara-a-cara finalmente saiam de sua boca. “Eu enfrentei todos que desconfiaram de você! Eu acreditei em você, eu estava junto de você, mas você só queria os meus poderes! Eu era só uma arma que você planejava manipular.”
A figura sombria, com os contornos de Jun, soltou uma gargalhada sinistra que ecoou pela praia deserta. Seus olhos brilhavam com uma malícia que enviava arrepios pela espinha de Di. Era como se a escuridão tivesse consumido a essência do homem que um dia ela conheceu.
"Você está enganada, Di," disse ele com uma voz impregnada de malícia. "Eu sempre a amei, mais do que você jamais poderia compreender. Lembra-se daquela noite naquele antigo templo na sua cidade? Dos nossos “momentos” sozinhos por lá, das promessas que fizemos?"
O coração de Di apertou-se com a menção daquela noite fatídica. Era uma memória que ela preferiria esquecer, uma lembrança de um tempo mais simples, de uma versão sua mais inocente e apaixonada, que agora estava manchada pela sombra do passado.
"Se você se recusa a ver a realidade, então deveria se juntar a mim, Di," continuou a figura sombria, seu tom sedutor. "Aqui onde você me deixou, aqui podemos ficar juntos eternamente, sem que ninguém interfira. Você não fará falta a sua amiga mesmo, Lea sofrerá o mesmo destino que você. Não vê que só está adiando o inevitável?."
A figura sombria avançou na direção de Di, suas palavras como lâminas afiadas cortando através do ar. "Você foi fraca no passado, e será fraca novamente. Lembra-se da última vez que nos encontramos, Di?"
As memórias vieram inundando a mente de Di, como uma tempestade de emoções conflitantes. Ela se viu de novo naquele dia fatídico, a dor e o desespero ainda frescos em sua mente. Lembrou-se de Jun, mortalmente ferido depois de sua luta, uma visão que a assombrava até aquele momento.
A figura sombria se aproximou ainda mais, sua presença envolta em sombras sinistras. "Você não merece os poderes que possui, Di. Nem mesmo a fama de uma idol. Você é fraca, e sempre será."
Di sentiu-se como se estivesse sendo esmagada sob o peso das palavras doentias da figura sombria. As lágrimas escorriam por seu rosto, misturando-se com as águas escuras da praia. Mas, apesar da dor e da incerteza, uma chama de determinação queimava dentro dela.
Ela ergueu o queixo, encontrando o olhar da figura sombria com uma determinação feroz em seus olhos. "Você pode me chamar de fraca o quanto quiser," disse ela com uma voz firme, embora tremesse de emoção. "Mas eu não permitirei que a escuridão consuma meu coração. Eu sou mais forte do que você pensa."
A figura sombria continuou suas palavras cruéis, ameaçando Di com suas sombras sinistras. "Você vai fazer todos sofrerem, assim como suas amigas sofreram no passado. Você é a causa de todo esse sofrimento, Di."
“Aquele garoto… você planeja algo para ele? Nunca vai conseguir protegê-lo, as sombras vão alcançá-lo em breve, você verá o que vai acontecer.” As palavras entravam nos ouvidos da idol como uma ameaça, ela sabia que a figura estava referindo-se a Joshua, mas não conseguia imaginar como ele sabia do garoto que ela e as outras conheceram durante a sessão de autógrafos na livraria.
Di estava prestes a gritar uma resposta, sua raiva e frustração borbulhando dentro dela, quando uma voz conhecida rompeu o ar noturno. Um grito de apoio e coragem, uma voz que ela reconheceu imediatamente como sendo de Joshua.
"Não escute ele, Di!" Joshua gritou, sua voz cheia de determinação. "Ele só está falando mentiras. Você fez tudo o que pôde para ajudar os outros. O fato de eu estar vivo é prova suficiente da sua força."
Os olhos de Di se arregalaram de surpresa ao se virar e encontrar Joshua ali, parado atrás da figura de Jun, ainda na praia. Ele tinha retornado, sentindo o perigo iminente e decidido a enfrentá-lo ao lado dela.
Di sentiu uma mistura de emoções inundar seu coração: gratidão, alívio e uma profunda admiração pelo rapaz diante dela. Ele estava ali, defendendo-a contra as palavras venenosas da figura sombria, com uma coragem que ela não esperava para alguém que conhecera a tão pouco tempo.
Di, ainda limpando as lágrimas do rosto, tentou persuadir Joshua a não se arriscar. "Joshua, por favor, vá embora. Esse homem é perigoso. Não quero que você se machuque", ela implorou, sua voz tremendo com a preocupação.
Joshua olhou para Di com determinação nos olhos. "Di, olhe melhor", ele disse, apontando para a figura sombria que assumira a forma de Jun. "Aquilo é outra das criaturas das sombras que enfrentamos no show. Não vou deixar você sozinha com ele."
A figura sombria com feições humanas irritou-se com a interferência de Joshua, sua voz ecoando com uma ameaça velada. "Vá embora, garoto. Este assunto não é da sua conta", gritou apertando o punho em uma ameaça velada.
Joshua permaneceu firme, desafiando a figura sombria. "Eu não vou deixar Di sozinha com você. Seja lá quem você for, não vou permitir que a machuque."
A figura, agora visivelmente irada, estreitou os olhos, suas sombras dançando ao seu redor como se estivessem prontas para se lançar sobre Joshua. A tensão no ar era palpável, enquanto os dois lados se encaravam em um impasse tenso, cada um determinado com seus objetivos antagônicos.
A figura com a forma humana avançou contra Joshua com uma ferocidade assustadora, suas sombras retorcendo-se como tentáculos em busca de presa. O adolescente se esquivou desesperadamente, jogando-se no chão e rolando para escapar do ataque iminente. A criatura, perdendo sua forma humana, transformou-se em uma entidade de sombras grotesca, suas garras afiadas prontas para desferir um golpe mortal.
Antes que a criatura pudesse atacar Joshua, um escudo de gelo surgiu entre os dois. Di, com uma expressão determinada, tinha pulado na frente do adolescente, protegendo-o da investida da criatura das sombras.
"Joshua, fuja daqui!", ordenou Di com firmeza, mantendo-se entre ele e a criatura. Seus olhos refletiam uma mistura de medo e coragem enquanto ela se preparava para enfrentar a criatura.
O garoto, ainda atordoado com a velocidade dos acontecimentos, observou Di com admiração e gratidão. "Di, você não pode enfrentá-lo sozinha", protestou ele, sua voz embargada pela preocupação.
"Eu não vou deixar que ele machuque você", respondeu Di com determinação, seus punhos cerrados ao seu lado enquanto ela se preparava para o confronto iminente.
Di encarou a criatura com determinação, seus olhos faiscando com uma mistura de coragem e fúria controlada. Ela sabia que estava diante de uma ameaça como as dezenas que enfrentou durante a noite do show, mas conseguia ver uma evolução na forma do monstro, era como se esta fosse uma forma criada por Hu Can após estudar o confronto anterior.
"Jun quase tomou tudo de mim", murmurou Di com uma voz carregada de emoção, suas palavras carregadas de uma determinação inabalável. "Eu não vou permitir que outra pessoa faça isso."
Com um movimento rápido e preciso, Di conjurou uma espada de gelo em sua mão, seu brilho gélido cortando o ar enquanto ela se preparava para o confronto. Com um grito de desafio, ela correu em direção à criatura, passos curtos e precisos, seu coração pulsando com uma mistura de medo e coragem.
As garras afiadas da criatura avançaram em sua direção, mas Di estava preparada. Com um movimento ágil, ela desviou dos ataques, sua espada de gelo brilhando à luz da lua enquanto cortava o ar em um arco letal.
O impacto foi rápido e implacável. A espada de gelo encontrou seu alvo, cortando através das sombras da criatura com uma precisão mortal. Um momento depois, a criatura desintegrou-se na escuridão da noite, seu último suspiro perdendo-se no vento gelado.
Di ficou parada por um momento, sua respiração pesada e seus músculos tensos com a tensão da batalha. Ela sabia que a ameaça não tinha acabado, mas por enquanto, pelo menos, ela tinha triunfado.
Di derreteu a espada de gelo em sua mão, deixando que o líquido gélido escorresse entre seus dedos antes de se dissipar no ar. Ela se aproximou de Joshua, que ainda estava caído na areia da praia, e estendeu a mão para ajudá-lo a se levantar.
"Você está bem?", perguntou Di, sua voz suave e preocupada.
Joshua pegou a mão dela e se levantou lentamente, sacudindo a areia de suas roupas. Ele olhou para Di com admiração nos olhos, impressionado com sua coragem e habilidade.
"Você é incrível, Di", disse ele, seu tom cheio de genuína admiração.
Di sorriu timidamente, sentindo-se grata pelo elogio, mas também ansiosa, pela primeira vez em muito tempo ela conhecia alguém que mostrava-se capaz de preocupar-se com ela como pessoa, não como uma idol ou um instrumento para algo.
"Obrigada", respondeu ela, enquanto caminhavam pela praia. "Mas você pode me chamar de Daeun. Di é só meu nome artístico. E agora que passamos por isso juntos, acho que podemos considerar que já somos amigos de verdade."
Ela estendeu a mão para cumprimentá-lo, um gesto simples, mas carregado de significado. "Meu nome é Kim Daeun."
Joshua olhou para ela por um momento, absorvendo suas palavras. Então, com um efusivo sorriso, ele apertou a mão dela. "É um prazer ser seu amigo, Daeun. Você pode me chamar de Josh."
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