Sombras, Fogo e Gelo
18 Caminhos Divergentes
Os dias que se seguiram à batalha na mansão foram marcados por uma estranha quietude. Di, acostumada ao ritmo frenético dos shows, bem como a tensão das batalhas dos últimos dias, encontrou-se imersa em um silêncio ensurdecedor. Seus pensamentos eram seu único companheiro, e eles não eram gentis. A pensão onde a banda estava hospedada parecia um refúgio, um paraíso para o descanso das jovens que estavam tão desesperadas por paz, mas para Di, era uma prisão construída por suas próprias dúvidas e medos.
Sentada na beira da cama, Di ainda vestia seu pijama enquanto olhava pela janela, observando o horizonte de Crystal Coast. De longe, enxergava as ondas do mar quebrando contra as rochas da praia, cada impacto parecendo ecoar a turbulência dentro dela. Seus dedos brincavam distraidamente com uma mecha de cabelo branco, um hábito que tinha desde criança quando estava ansiosa.
Ainda passava horas lembrando da última vez que estivera com Joshua, ainda desacordado pelos ferimentos da batalha. Desejava continuar ao seu lado, mas tudo mudou quando a família do adolescente descobriu seu paradeiro.
A chegada da família de Joshua ao hospital havia sido um golpe inesperado. Di lembrava-se da expressão no rosto da mãe dele, um misto de pânico e alívio, mas também de uma hostilidade mal disfarçada. "Você?! Você ainda está causando problemas para o nosso filho?" ela dissera, sua voz firme. Di tentara argumentar, ficar próxima do jovem, mas não conseguia sentir nenhuma abertura naquelas pessoas para isto.
"Precisamos que ele esteja com a família agora." As palavras, ditas com a força de um comando, não deixaram espaço para argumentos. “Você já fez muito, você causou muito sofrimento para o nosso garoto. Por favor, não volte aqui.”. A mulher fora direta, não havia negociação. Di então saiu do hospital e desistiu de visitá-lo, sentindo-se deslocada e indesejada.
Ela sentia saudades de Joshua, mas a dúvida corroía seu coração. Cada vez que pensava em seus olhos azuis brilhando de determinação, ela se perguntava se não seria melhor para ele ficar longe dela. Afastar-se dele era uma decisão que rasgava sua alma, mas Di não podia evitar questionar se ela era o melhor para ele.
Com a dor em seu coração, as lembranças de Jun assaltavam seus pensamentos. Ela se lembrava da sensação do frio que a envolveu quando descobriu a verdade sobre ele. Jun, com seu charme e mistério, a havia manipulado, usado suas inseguranças contra ela até que não restasse mais nada além de dor. Di começava a temer que, ao insistir em manter Joshua perto, forçando que ele enfrentasse seu mundo por ela, ela pudesse estar fazendo o mesmo com ele.
"Será que estou traumatizando Joshua da mesma forma que fui traumatizada?" A pergunta pairava em sua mente como uma sombra.
Uma batida leve na porta interrompeu seus pensamentos. Lea entrou, seguida por Jia. Lea, com sua timidez habitual, deu um pequeno sorriso antes de falar.
Lea e Jia entraram no quarto, a madeira rangendo levemente sob seus pés. As cadeiras de madeira, posicionadas em frente à cama de Di, pareciam um convite tácito para uma conversa que todos sabiam ser inevitável. Elas se sentaram, encarando Di com uma mistura de preocupação e determinação.
Di, ainda sentada na beira da cama, manteve o olhar fixo no chão por um momento, antes de erguer os olhos para as amigas. "Vocês têm alguma novidade?" Sua voz estava carregada de uma esperança contida, quase como se temesse a resposta.
Lea e Jia trocaram um olhar breve, compreendendo imediatamente a quem Di se referia. Foi Jia quem quebrou o silêncio, sua voz suave, mas firme. "Nada de novo sobre Joshua. Ele ainda está internado, mas parece que nada mudou."
Di soltou um suspiro trêmulo, desviando o olhar para o chão novamente. A incerteza sobre a condição de Joshua era um peso constante em sua mente, e a falta de notícias novas apenas alimentava sua ansiedade.
Lea inclinou-se para frente, sua expressão suave, mas com uma intensidade que Di conhecia bem. "Di, você precisa sair desse quarto. Precisamos de você forte, não só por nós, mas por você mesma."
"Vocês não entendem," Di murmurou, a voz carregada de angústia. "Eu estou pensando no que fazer... não quero arrastar Joshua para uma vida de arrependimentos."
Jia franziu o cenho, confusa. "Uma vida de arrependimentos? O que você quer dizer com isso?"
Lea, entendendo a amiga como ninguém mais, fez a conexão imediatamente. "Isso é por causa de Jun, não é?" Sua voz era suave, quase como se temesse despertar fantasmas ao mencionar o nome.
Di olhou para Lea, seus olhos grandes e castanhos brilhando com uma mistura de dor e gratidão. "Eu só... eu não quero que Josh passe pelo que eu passei. Jun... ele me manipulou, usou meus sentimentos contra mim. E se eu fizer o mesmo com Josh? E se eu acabar destruindo o melhor nele?"
O silêncio que seguiu foi pesado, carregado com a gravidade da confissão de Di. Jia, pensando à frente, tentou encontrar as palavras certas. "Di, o que aconteceu com Jun foi terrível. Mas você não é Jun. Joshua não é você, definitivamente, ele escolheu estar ao seu lado, ele sabe que essa não é uma escolha fácil, mas foi o que ele próprio quis para vida."
Lea assentiu, seus olhos cheios de compreensão. "Joshua é forte, Di. E ele se importa profundamente com você. Mas você precisa confiar nele para fazer suas próprias escolhas. Afasta-lo agora, sem dar-lhe essa chance, é injusto com ele."
Di balançou a cabeça, tentando afastar as lágrimas. "E se eu não for capaz de protegê-lo? E se, ao tentar salvá-lo, eu acabar piorando tudo ainda mais?"
Jia estendeu a mão, tocando o ombro de Di com firmeza. "Essa é uma decisão que você não pode tomar sozinha. Joshua merece a chance de escolher, de lutar pelo que vocês dois sentem. Vocês passaram por muita coisa juntos, e isso significa algo."
Di respirou fundo, sentindo o peso das palavras de suas amigas. Elas estavam certas, ela sabia disso. Mas o medo e a dor eram difíceis de ignorar.
"Eu vou falar com ele," Di disse finalmente, a voz um pouco mais firme. "Mas preciso de tempo. Preciso entender meus próprios sentimentos primeiro."
Lea e Jia sorriram, um sorriso cheio de apoio e encorajamento. "Estamos aqui para você, Di. Sempre estaremos," disse Lea.
*****
O hospital de Crystal Coast estava em um estado de caos controlado. Salas de espera lotadas, corredores repletos de macas e o som constante de gemidos e chamados por ajuda transformavam o local em um cenário de guerra. Médicos e enfermeiras corriam de um lado para o outro, exaustos e sobrecarregados, mas determinados a cuidar de cada vida ali presente.
Joshua estava em um quarto no final do corredor. O espaço era pequeno e apertado, uma cama simples no centro, cercada por equipamentos médicos que emitiram uma série de bipes e zumbidos. O ar estava impregnado com o cheiro estéril de desinfetante, misturado com um leve odor metálico de sangue. A luz fluorescente acima lançava uma tonalidade pálida e fria no ambiente, destacando a palidez extrema de Joshua.
Ele estava envolto em uma manta fina, mas os curativos brancos e espessos cobriam grande parte de seu corpo, especialmente o peito e as extremidades. Uma máscara de oxigênio envolvia seu rosto, ajudando-o a respirar com dificuldade, enquanto uma grossa venda branca protegia seus olhos gravemente feridos. Joshua mal podia se mover; cada tentativa de ajuste ou movimento provocava uma dor lancinante que o fazia apertar os dentes. Ele estava praticamente cego, a escuridão era sua única companhia.
Uma enfermeira entrou no quarto, uma mulher de meia-idade com olhos cansados, mas amigáveis, exatamente o que os pacientes por ali precisavam. Ela carregava uma bandeja de metal com uma tigela de sopa fumegante e um copo de água.
"Joshua, é hora do seu almoço," disse ela suavemente, colocando a bandeja na mesinha ao lado da cama. "Você precisa comer para ganhar forças."
Joshua mexeu a cabeça negativamente, um movimento quase imperceptível devido à fraqueza. "Não... não estou com fome," murmurou, sua voz rouca e fraca. A cada palavra, parecia que suas forças se esvaíam ainda mais.
A enfermeira franziu a testa, a preocupação evidente em seus olhos. "Você precisa comer, Joshua. Seu corpo precisa de nutrientes para se curar."
Ele virou a cabeça para o lado, apertando os olhos por trás da venda. "Não posso... só... não posso."
A enfermeira suspirou, resignada, e deu um passo para trás. "Eu entendo que está difícil, mas tente mais tarde, pelo menos um pouco, sim?"
Joshua não respondeu, sua mente vagando para longe, para um lugar onde a dor física não o alcançava. Ele pensava em Di. Desde que acordara, não a tinha visto. Cada vez que o sono e a vigília se misturavam em sua mente, esperava encontrar seu rosto quando os olhos se abrissem. Mas não. Ela não estava lá.
"Por que ela não veio?" pensou, o desespero e a confusão o consumindo. Di era a última pessoa que ele viu antes de tudo se apagar. Ela havia dito que ficaria com ele, que não o deixaria. O que poderia ter acontecido para ela não estar ali agora? Será que ela também estava ferida? Ou será que estava fugindo de algo... ou alguém?
Os pensamentos de Joshua foram interrompidos pelo som de passos apressados do lado de fora do quarto. Ele voltou sua atenção para a porta, a esperança pulsando em seu peito, mas a porta não se abriu. O som se afastou, deixando-o sozinho novamente.
Ele fechou os olhos, ou pelo menos tentou, pois as pálpebras cobertas de gaze já bloqueavam toda a luz. Imagens de Di surgiam em sua mente, seu sorriso brincalhão, seus olhos determinados. Ele queria acreditar que ela estava bem, que talvez houvesse uma razão para sua ausência. Talvez ela estivesse cuidando de algo importante, algo que só ela poderia resolver.
"Daeun, onde você está?" pensou Joshua, sua alma se agarrando à esperança tênue que restava. A ausência dela era uma dor mais profunda do que qualquer ferida em seu corpo.
A enfermeira o observava de perto, notando a batalha silenciosa que ele travava consigo mesmo. "Vou deixar a sopa aqui, Joshua. Tente comer um pouco mais tarde, ok?"
Joshua não respondeu, perdido em seus pensamentos. A enfermeira saiu do quarto, deixando-o sozinho mais uma vez. Ele respirava com dificuldade, cada suspiro um lembrete constante de sua fragilidade atual. No entanto, no fundo de seu ser, ele sabia que precisava sobreviver. Por Di. Por seus amigos. E, principalmente, por ele mesmo.
A escuridão permaneceu sua companheira constante enquanto ele esperava, uma espera que parecia interminável. Mas, mesmo na escuridão, ele se recusava a perder a esperança. Di viria. Ela tinha que vir.
*****
O sol já começava a se pôr, lançando um brilho dourado através das janelas do hospital de Crystal Coast. A hora de visitas estava começando, e o burburinho dos familiares ansiosos por verem seus entes queridos enchiam os corredores. No quarto de Joshua, o ambiente permanecia tenso e carregado de expectativas.
Joshua estava acordado, sua mente ansiosa com a possibilidade de finalmente ver Di. Ele se agarrava à esperança de que ela entraria pela porta a qualquer momento, seu sorriso trazendo um raio de luz para a escuridão que tomava o seu dia. Mas os minutos passavam lentamente, e a porta permanecia fechada.
Finalmente, a maçaneta girou e a porta se abriu. Joshua segurou a respiração, mas em vez de Di, seus pais entraram no quarto. Sua mãe, uma mulher de meia-idade com cabelos ruivos presos em um coque apressado, entrou primeiro, seguida de seu pai, um homem alto e robusto com o rosto marcado pela preocupação.
"Joshua," disse sua mãe, a voz tingida de alívio e preocupação. Ela olhou para a bandeja com a sopa intocada, agora fria, ao lado da cama. "Por que você não comeu nada? Você precisa se alimentar para se recuperar!"
Joshua virou a cabeça lentamente na direção dela, mas sua expressão permaneceu distante, como se não a estivesse ouvindo de verdade. Ele estava perdido em seus próprios pensamentos, esperando por alguém que não era seus pais.
"Joshua, você me ouviu?" insistiu sua mãe, a frustração evidente em sua voz. "Se você continuar assim, como vai melhorar? Precisa comer, pelo menos um pouco."
Seu pai, observando a cena em silêncio, colocou uma mão gentil no ombro da esposa. "Deixe-o, querida," disse ele suavemente. "Ele está passando por muita coisa agora. Forçá-lo a comer não vai ajudar."
"Mas ele precisa se alimentar!" protestou ela, os olhos cheios de lágrimas. "Não posso suportar vê-lo assim, tão fraco."
Joshua finalmente falou, sua voz um sussurro rouco. "Eu... não estou com fome."
Sua mãe suspirou, enxugando as lágrimas com o dorso da mão. "Você tem que tentar, por favor."
Antes que a tensão no quarto pudesse aumentar, a porta se abriu novamente e um médico entrou. Ele era um homem magro, de meia-idade, com óculos finos e uma expressão de determinação profissional. Ele deu um breve aceno para os pais de Joshua antes de se aproximar da cama.
"Vamos ver como estamos hoje," disse o médico, com um tom tranquilizador. Ele começou a examinar as queimaduras de Joshua, movendo-se com a precisão de alguém acostumado a lidar com situações críticas. Ao chegar aos curativos no peito, ele os abriu cuidadosamente, revelando um corte profundo.
Joshua respirou fundo, cada movimento ainda uma agonia. O médico observou as feridas por um momento, depois se virou para os pais do garoto com um semblante aliviado.
"As queimaduras estão melhorando," disse ele, quase maravilhado. "Quase como se fosse um milagre. No entanto, o corte ainda é muito grave. Pode infeccionar sem cuidados recorrentes. Precisamos manter a área limpa e monitorada."
A mãe de Joshua assentiu vigorosamente. "Nós faremos tudo o que for necessário. Ele vai se recuperar, não é?"
O médico deu um sorriso reconfortante. "Estamos fazendo tudo o que podemos. Ele é jovem e forte. Com os cuidados certos, há uma boa chance de que ele se recupere completamente."
Joshua mal prestava atenção às palavras do médico. Sua mente ainda vagava, buscando respostas que não estavam no quarto. "Por que ela não veio?" pensou novamente, o peso da ausência de Di pressionando seu coração mais do que qualquer dor física.
O médico terminou o exame e voltou a cobrir o corte, verificando uma última vez os sinais vitais de Joshua antes de se afastar. "Se precisar de algo, qualquer coisa, por favor, nos avise," disse ele aos pais, que agradeceram com sinceridade.
Joshua usou as mãos para tampar os ouvidos, tentando bloquear o mundo ao seu redor. Ele sabia que seus pais estavam preocupados, que o médico estava fazendo o possível, mas tudo o que ele queria era sentir a presença de Di, ouvir sua voz. No silêncio do quarto, ele se agarrou à esperança de que, talvez, amanhã ela aparecesse.
*****
A noite havia caído pesadamente sobre a pequena cidade, envolvendo tudo em um manto de silêncio, embora a tensão de noites anteriores tenha desaparecido. Na pensão onde as integrantes da Rainbow 5 estavam hospedadas, a calma prevalecia, quase como se as últimas noites fossem meramente um pesadelo. No entanto, nem todos encontravam consolo no sono. Di estava sentada no sofá da sala, com as luzes apagadas, exceto pelo brilho fraco de um abajur no canto. Grandes olheiras marcavam seu rosto pálido, evidências de noites mal dormidas e pensamentos incessantes.
O Ipod em suas mãos tocava as músicas do CD da banda, seus fones estavam com volume baixo, um som de fundo que ela considerava perfeito para pensar. Mas, não ouvia todas as músicas do CD, escuta uma certa música em looping, como se somente esta música importasse.
As outras integrantes da banda já estavam dormindo há algumas horas, suas respirações suaves enchendo o ar. Di, no entanto, não conseguia descansar. Seus pensamentos estavam com Joshua, imaginando como ele estava, se estava se recuperando, se sentia sua falta tanto quanto ela sentia a dele.
A porta da pensão abriu-se lentamente, um rangido baixo quebrando o silêncio. Kim Min Jae entrou com passos leves, quase imperceptíveis. Ele fechou a porta atrás de si e caminhou até o sofá, sentando-se ao lado de Di sem olhar diretamente para ela.
"Eu sei sobre você e Joshua," começou ele, sua voz séria e direta. "Você sabe o que isso significaria se vazasse para Seul, não sabe? Um estrangeiro, um garoto tão jovem… seria um escândalo terrível."
Di continuou olhando para o vazio, ignorando suas palavras. Seus pensamentos eram mais importantes, uma tempestade de emoções que ela mal conseguia controlar.
Assumindo um tom mais profissional, o homem chegou a pergunta que desejava fazer. “Daeun… eu preciso saber… vocês foram além do que eu acho que foram? Vai ser muito difícil lidar com a repercussão se as revistas começarem a fazer reportagens sobre você ter vindo para a América para ter relações… casuais…” Disse, enquanto tentava não magoar os sentimentos da jovem.
Ela respirou fundo, não desejava ter essa conversa, nem ao menos sabia se deveria responder, mas precisava ser sincera. Balançou a cabeça negativamente, antes de completar, com um tom triste. “Nós… não. Não fizemos nada. Eu não queria forçar nada… estragaria tudo com o Joshua.”
O silêncio reinou por um segundo.
"Eu não vou puni-la," disse Min Jae após um momento. "Eu entendo que você se apaixonou de verdade desta vez. Mas você precisa pensar no bem, tanto seu quanto do garoto. Afastar-se é a melhor coisa a fazer."
Di segurou as lágrimas que ameaçavam cair, sua voz trêmula, mas firme. "Eu sei o que preciso fazer, Min Jae. Mas não é fácil."
Min Jae observou Di de relance, vendo a luta interna que ela enfrentava. Ele havia visto muitas coisas em sua carreira, muitas emoções reprimidas e corações partidos, mas a dor que via nos olhos de Di era genuína, profunda.
"Se isso tornar as coisas mais fáceis," ele continuou, "posso conseguir um quarto em outra cidade para você. Talvez um pouco de distância ajude."
Di não respondeu imediatamente. O silêncio se estendeu entre eles, pesado e carregado de significados. Finalmente, ela assentiu lentamente, aceitando a oferta sem palavras.
Min Jae levantou-se do sofá, a madeira rangendo sob seu peso. Ele olhou para Di uma última vez, sua expressão inalterada, mas seus olhos mostrando um lampejo de compaixão. Ele se dirigiu à porta, mas parou por um momento, vendo Di finalmente ceder às lágrimas que ela tanto lutava para conter. Ele sentiu um aperto no peito, uma rara emoção de empatia, mas rapidamente recobrou sua postura de gerente.
Ele pensou em voltar, abraçá-la, oferecer algum conforto, mas sabia que isso só complicaria as coisas. Com um suspiro resignado, Min Jae saiu pela porta, deixando Di sozinha com sua dor.
Di se encolheu no sofá, as lágrimas rolando livremente pelo rosto. Ela sabia que Min Jae estava certo, que se afastar de Joshua era o melhor para ambos. Mas isso não tornava a decisão menos dolorosa. Cada lágrima que caía era um reflexo de seu coração partido, da esperança que ela tinha e da realidade que precisava enfrentar.
E enquanto a madrugada avançava, Di se permitiu chorar, sabendo que as lágrimas eram uma forma de libertação, um passo necessário para encontrar a força que precisava para seguir por um caminho que não desejava.
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