Sombras Da Noite - Vingança
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O dia amanheceu bem diferente em Collinwood. Finalmente a reforma da mansão estava acabada, e tudo estava em seu devido lugar. Como era de se esperar, tudo estava pronto para a grande festa de 16 anos de Carolyn. Elizabeth estava ficando louca com os preparativos, já que Carolyn exigia tudo do bom e do melhor.
- Carolyn eu já disse, eu tenho tudo sob controle! – Elizabeth gritou pela décima vez com a garota.
- Tem que estar tudo perfeito! – Ela disse indignada.
- Vai estar tudo perfeito se você parar de me atormentar! Agora vai para o seu quarto e não saia de lá até tudo ficar pronto.
- Mas...
- Agora Carolyn!
- DROGA! – Ela gritou e subiu as escadas batendo o pé.
- Mas que gritaria é essa? – Barnabas desceu as escadas com as mãos na cabeça.
- Adivinha... Carolyn está me deixando louca com essa festa!
- Era de se esperar. – Ele disse se sentando em sua poltrona. – Onde está Victoria?
- Eu não sei. Ela saiu faz algum tempo, e ainda não voltou. – Elizabeth estava tão atarefada que nem sequer pensou em perguntar aonde ela ia. – Não é aí que coloca isso! – Ela gritou com um homem que colocava o ponche em um pinico.
Barnabas saiu a procura de Victoria. Andou pelos terrenos da mansão, e não a encontrou. Ele atravessou a floresta, e foi até a Colina das Viúvas, onde Victória estava sentada.
- Meu amor, por que está aqui? – Ele perguntou sentando-se ao lado dela.
- Eu tive aquela visão de novo. – Ela disse olhando para o mar.
- Igual da ultima vez?
- Sim. – Ela olhou para ele. – Por que está acontecendo isso? Por que agora?
- Eu não sei minha querida. – Ele segurou a sua mão. – Mas nós vamos descobrir.
- Mas que droga David! Eu já disse pra não entrar no meu quarto! – Carolyn corria atrás dele.
- Tia Elizabeth, a Carolyn me passou pulgas! – Ele correu até ela se coçando.
- David, eu já disse para não entrar no quarto de Carolyn. – Ele se abaixou procurando as pulgas no garoto. – Vem, você precisa de um banho. – Ela o puxou e foi até o banheiro com ele.
- Está ficando tudo lindo Carolyn. – Victória entrou na mansão e se deparou com a sala totalmente enfeitada.
- Sim. – Ela disse com os olhos brilhando. – Meus amigos vão adorar.
- E... Você convidou o...
- Sim. – Carolyn a cortou e olhou para Barnadas. – Eu o convidei Vicky.
- De quem estão falando? – Barnabas se aproximou.
- De ninguém. – Carolyn falou rapidamente. – Eu... Vou me arrumar. Vicky, você pode me ajudar?
- Claro. – Vicky sorriu e acompanhou Carolyn até seu quarto.
- Mulheres... Podem mudar os séculos, mas elas continuam as mesmas. – Ele falou com Willie, que concordou com a cabeça.
Finalmente a noite chegou, e com ela, os convidados. A mansão ficou cheia, muita música, e também, muitos adolescentes curiosos.
- Então você é um vampiro de verdade? – Um garoto perguntou olhando para Barnabas.
- Sim. – Ele disse enchendo o peito.
- Então... Você bebe... Sangue?
- Sim, mas não se preocupe, hoje não tem adolescente extremamente irritante no meu cardápio. – Ele disse olhando nos olhos do garoto, que rapidamente deu um passo para trás.
- Querido, não está assustando as crianças novamente não é? – Victoria apareceu em um deslumbrante vestido branco.
- Oh, querida... Como conseguiu ficar ainda mais bela? – Ele pegou sua mão e beijou.
- Você... Também é uma vampira? – O garoto perguntou olhando para ela.
- Não gosto desse termo. – Ela disse carinhosamente. – Podemos fingir que eu sou como você.
- Mas você não é como ele... Você... Você é muito bonita. – Ele disse envergonhado.
- Os jovens de hoje em dia não respeitam? – Barnabas perguntou indignado. – Por que não vai procurar uma dama para te acompanhar nessa dança antes que eu esqueça do meu cardápio? – Ele disse irritado e o garoto saiu correndo.
- Barnabas, o que eu já te falei sobre assustar as pessoas? – Victoria olhou para ele com as mãos na cintura.
- Me perdoe querida, é que minha paciência se vai ao longo dos anos. – Ele sorriu para ela e segurou a sua mão. – Me concede a honra dessa dança?
- Com prazer. – Ela sorriu e os dois foram para o meio do salão. A música era lenta, e eles fizeram uma incrível performance. Os jovens ficaram encantados que muitos foram para o centro do salão dançarem também.
- Olha o amigo de Carolyn. – Victoria disse enquanto dançavam e Barnabas olhou para um garoto de cabelos rebeldes dançando com Carolyn.
- Ele é de alguma família nobre? – Ele perguntou olhando com receio.
- Não precisa ser de família nobre. – Ela disse simplesmente. – Eu não sou de família nobre e nós somos um casal.
- Perdoe meu amor, não quis te ofender. Mas na nossa família, todos os homens foram de família nobre, seria um ultraje não mantermos essa tradição.
- A família Collins já conseguiu recuperar todo o dinheiro perdido, junto com os negócios, acho que não tem necessidade de manter essa tradição. Tenho certeza de que se ele for um bom rapaz, irá conseguir administrar os negócios muito bem. – Ela sorriu e Barnabas a olhou.
- Não teria como discutir com você. – Ele sorriu e beijou o rosto dela.
Os dois continuaram dançando animadamente. Agora, o salão estava lotado de jovens dançando com seus pares, inclusive Elizabeth, que dançava com o xerife. Victoria estava se divertindo quando olhou para a escada, e no topo, havia uma mulher. A mesma mulher que aparecia para ela todos os dias. Mas ela não pedia socorro, ela apenas olhava para ela, e dizia: “Ela vai voltar”. Victoria parou de dançar e a observou, até ela desaparecer.
- O que foi querida? – Barnabas olhou para o rosto aflito de sua amada, e depois olhou na direção que ela olhava, não havia nada. – O que está olhando?
- Ela apareceu de novo. – Ela disse ainda olhando para o local. — E disse a mesma coisa de sempre.
- Josette? Josette apareceu?
- Sim.
- E o que será que ela quer dizer com “Ela vai voltar?”
- Eu não sei... Será que ela não estaria falando...
- De Angelique? Não. Ela pode ter sido uma bruxa muito poderosa, mas não pode ressussitar.
- Então de quem...?
- Pessoal, vamos cantar os parabéns agora. – Elizabeth falou no microfone e todos foram se reunir em volta da mesa.
- Venha, vamos sair daqui. – Barnabas puxou Victoria e os dois foram até a sacada, no segundo andar.
- Por que ela diz isso? Por que ela ainda me percegue? Eu pensei que... Depois de Angelique ter morrido, ela iria ficar em paz. – Victoria se apoiou na sacada.
- Nós vamos descobrir, juntos. – Ele segurou sua mão.
- E se... Ela tiver ódio de mim? Por que... Bem... Era para ser ela no meu lugar.
- Não diga isso meu amor. – Ele acariciou o rosto dela. – Josette era uma ótima pessoa, assim como você. Ela nunca teria ódio de ninguém.
- Eu me sinto roubando o lugar dela, as vezes eu... Eu penso se não teria sido melhor se eu...
- Por favor não diga isso. – Ele se aproximou dela. – É nosso destino ficar juntos, você não percebe? O destino te trouxe até aqui Victória. O destino te trouxe para mim.
- Mas, Josette é o seu verdadeiro amor, e não eu.
- Não meu amor. – Ele acariciou seu rosto. – Você é o meu verdadeiro amor. Josette esteve nos ajudando esse tempo todo. Ela mandou você pra mim.
- Tem certeza?
- É claro que tenho. – Ele se aproximou. – Ninguém vai nos separar minha querida, ninguém.
- Promete?
- Prometo. – Ele se aproximou e a beijou.
Os dois saíram da sacada e seguiam de volta para a festa. Ouviram vozes do outro lado do corredor, e Barnabas resolveu checar.
- Não vá causar problemas... – Victoria falou olhando para ele.
- Não vou, só preciso ver uma coisa.
- Tudo bem, te espero lá em baixo. – Ela beijou seu rosto e desceu as escadas.
Barnabas lentamente se aproximou da escada que dava para o quarto de Carolyn. Lá ele pôde ver um rapaz, o mesmo rapaz que conversava com ela. Eles ainda estavam conversando, mas muito próximos dessa vez. Ele se agaichou para não ser visto.
- Eu não sei Carolyn... Seu tio pareceu um pouco... Decepcionado quando me viu conversando com você.
- Ele não é meu tio, eu já disse. E que se dane ele, ele não manda em mim. Nem minha mãe manda em mim.
- Mesmo assim. Ele é... Bem... Um vampiro. E não é qualquer um que gosta de enfrentar um vampiro.
- Ele não vai te fazer mal.
- Tem certeza?
- Absoluta. – Ela se aproximou e o beijou.
Os dois ficaram se beijando, e Barnabas pensou se seria prudente interromper. Mas aí se lembrou que Victória ficaria muito brava com ele, e então optou por voltar para a festa. Chegando no andar de baixo, ele foi se encontrar com Victoria, que percebeu que seu pensamento estava longe.
- Meu bem, o que foi? – Ela o olhou. – Aconteceu alguma coisa?
- Sim. – Ele tomou um gole de sangue que havia em sua taça. – Eles estavam se beijando.
- Eles quem?
- Carolyn e o plebeu.
- Ah... Espera. Você estava espionando?
- Não... Eu... – Ele a olhou e ela colocou as mãos na cintura. – Foi por uma boa causa, eu juro.
- Barnabas!
- Me desculpe querida, eu não pretendia. Mas eles falavam sobre mim. Ele se atreveu.
- Eles são jovens. Você mesmo disse que na sua época, com 15 anos, as meninas já deviam estar casadas.
- Mas não com um plebeu.
- Ele não é um plebeu.
- Então qual a riqueza da família dele? Beijar jovens mulheres inocentes?
- Carolyn sabe o que faz... E cá pra nós... Ela não é inocente.
- Eu não admito que nenhuma Collins se case com um plebeu. – Ele bateu forte na mesa fazendo alguns convidados que estavam ao lado olharem para ele.
- Bom... Se isso é tão importante para você, mate-o. – Ela disse calmamente.
- O que? Eu não posso... Matá-lo. Nós dois combinamos que não mataríamos ninguém.
- Mas se ele te irrita tanto, é só matá-lo.
- Victoria, está se sentindo bem? Por que está pedindo isso?
- Quem sou eu para poder te proibir de alguma coisa? Se você mal me escuta... – Ela olhou para ele e lhe deu as costas, indo conversar com Elizabeth.
- Eu não posso... Matá-lo. – Ele disse para si mesmo, olhando para a escada, onde Carolyn e o garoto desciam. Ele se apressou para encontrar com os dois. – Aonde estavam?
- No meu quarto. – Carolyn disse. – Por que está com essa cara?
- Não fomos apresentados. – Barnabas esticou a mão. – Barnabas Collins.
- Er... August. August Vincent.
- Ah... Vincent... Que alívio ouvir isso. A família Vincent a várias gerações tem um ótimo negócio de tecidos.
- Sim. – O rapaz disse com a voz rouca.
- Ah que bom. – Ele “respirou” aliviado.
- O que deu em você Barnabas? – Carolyn perguntou.
- Nada. Só queria conhecer seu novo... Amor.
- Ah... – Ela segurou o riso. – Vamos voltar pra festa. – Ela puxou August e foram dançar. Quando ele se virou, deu de cara com Victoria.
- Querida, você me assustou.
- Desculpe. E então... Está satisfeito?
- Sim, muito.
- Que bom. – Ela sorriu. – Mas talvez queira saber... – Ela andou um pouco, de costas para ele. – Que a família Vincent faliu a mais ou menos dez anos. Agora August e o pai dele trabalham no barco que restou da família. E trabalha para você Barnabas.
- O que? – Ele perguntou indignado. – Você sabia disso a quanto tempo?
- Sempre soube.
- E por que não me contou?
- Por que eu queria ver se você realmente ia matá-lo. – Ela se virou para ele e acariciou seu rosto. — Estou orgulhosa.
- Eu não o matei por que não sabia que ele era pobre.
- Sei... E agora que sabe, por que não foi matá-lo?
- Por que... Por que... – Ele olhou para ela, que sorria como um anjo. – Ah, quem sou eu para enganar-te? Você me mudou por completo. – Ele se aproximou dela e beijou o seu rosto.
- Então, vamos voltar para a festa. – Ela sorriu e saiu andando.
Barnabas olhou para sua esquerda, e viu Carolyn conversando com August animadamente. Ele ergueu uma sombracelha, e deu um sorriso de lado. Talvez deveria ter uma conversa a sós com o rapaz.
Um homem andava pela cidade praticamente deserta. Grande parte das pessoas estavam na festa em Collinwood. Ele andava cambaleando, efeito da bebida. Ele se escorou em um muro próximo ao mar para tomar folego. Quando ele virou a esquina, deu de cara com uma mulher, totalmente molhada.
- Que isso moça. Nadando essa hora da noite? – Ele perguntou com a voz de bebado.
- É... Digamos que me agrada a agua à essa hora.
- Sei...
- Pode me dizer aonde estão todos?
- Estão em uma festa na mansão dos Collins.
- E por que você não está la?
- Por que eu odeio aquela família. São todos uns idiotas. Apenas meu filho está lá, claro, sem a minha permissão.
- Que triste. – Ela colocou sua mão no ombro do homem. – Então acho que pode me ajudar.
- Em que?
- Já ouviu falar em... Vingança?
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