Notas iniciais
Bom pessoal, primeiro capítulo da fic, espero que gostem - Bee.

Gizelle’s POV

Estava correndo desde o amanhecer, quando os capangas de Varys descobriram meu último esconderijo há poucos quilômetros. Eu acreditei de verdade que dessa vez eles iriam me pegar, estava com pouco tempo de vantagem e aqueles idiotas estavam a cavalo. Meus membros queimavam como brasa, minha língua estava seca e eu estava mais uma vez coberta de arranhões — por correr feito louca na fechada Mataderrei -, precisava de água, precisava de descanso. Tinha perdido meus malditos perseguidores há bastante tempo, mas eles poderiam surgir a qualquer momento.

De qualquer forma, desacelerei. Não poderia correr para sempre, meu limite tinha ficado para trás e estava exausta. Fui procurar uma fonte de água, e um lugar onde pudesse dormir.

Alys’s POV

Odeio Obara, só queria que ela me esquecesse.

Eu estava pensando em tudo que não devia em vez de me concentrar na caça, repreendi. Tomando cuidado para não quebrar nenhum galho seco, tentava me aproximar da maldita corça, que estivera perseguindo nas últimas horas. Meu estômago roncou ruidosamente, como que para me denunciar e tive que reprimir um gemido. Não comia nada há dois dias — desde que minha última reserva de suprimentos acabou — e decididamente não estava acostumada com isso, que não seria necessário de Obara não fosse louca de pedra.

Claro que eu provavelmente não devia ter espiado nosso tio, mas não acho que esse crime mereça pena de morte, principalmente considerando que se o plano absurdo dele funcionar vai todo mundo morrer, e não estou muito a fim de morrer por enquanto. E concentrada como eu estava em outras coisas, não me surpreendi quando a maldita corça saiu correndo. Bosta. Quase gritando de frustração, fui atrás dela.

Não levou muito tempo até eu desejar ter ficado quieta no meu canto. Depois de tudo, não tinha sido eu quem assustara a presa, e sim esse simpático bando de lobos adoradores de carne! Maravilha, eles decidiram deixar a corça de lado e correr atrás de mim. Pessoalmente eu acho que foi uma péssima escolha de presa, mas não é como se a gente fosse parar e conversar racionalmente sobre isso.

Agora eu estava decididamente ficando ofegante, mas me recusava a gritar por socorro. Não chamaria a atenção da minha meio-irmã, tinha a impressão de que os lobos seriam mais gentis ao me comer viva do que Obara seria se me capturasse, e eu podia ouvir os lobos chegando cada vez mais perto.

Lucy’s POV

Seu eu tiver que olhar mais uma vez para a cara daquele infeliz vou ter que esganá-lo. Lá estava ele, montado em seu cavalo reluzente e assobiando feliz da vida, como se isso fosse só mais um passeio e ele fosse voltar para casa antes do jantar para comer uns biscoitos.

Eu só esperava mesmo que a velha não tivesse mandado ninguém para me arrastar de volta para aquela estalagem fedida, mas até essa preocupação estava no fundo da minha mente. Eu sabia que a velha idiota pouco se importava se eu vivia ou morria. O problema mesmo era se alguém viesse atrás dele e eu fosse considerada cúmplice e tivesse que voltar com o rabo entre as pernas de volta para a casa da velha, isso era um risco muito real. Por isso, me manti a uns bons dez metros a frente do senhorzinho, que guiava o cavalo a passo lento.

- Eu acho que vi um coelho correndo naquela direção... – comecei a falar mas Will me interrompeu.

- Vou atrás dele, sou muito bom em caça – exibido, na verdade ele se achava bom em tudo. – Você fica e, se alguém aparecer, você usa suas armas do jeito que te ensinei.

- Claro – ele então saiu e eu revirei os olhos. Esse idiota realmente acha que é tão bom quanto o Espada da Manhã.

Não muito tempo depois, ouço um barulho estranho, como se várias pessoas viessem correndo na minha direção. Pego meu par de pequenos tridentes de forma desajeitada e me preparo para o pior. De repente surge uma garota de pele cor de ébano e cabelos cacheados, correndo feito louca.

- AAAAAAAAAHHHH... CORREEEEE!!! – ela gritou.

- Mas o q... – eu ia perguntar o que estava acontecendo, mas não foi necessário pois a fonte dos problemas estava bem atrás dela.

Uma matilha de lobos de aspecto feroz a perseguia, liderados por um lobo gigantesco. Fiquei paralisada, minhas pernas tremiam e prendi a respiração. Quando estavam prestes a me alcançar, eles subitamente pararam. O lobo gigante de olhos dourados e pelo cinzento ficou me observando e os outros começaram a rosnar. Do nada um filhote de lobo branco, com apenas as orelhas, as patas e o focinho pretos, se aproximou e começou a lamber minha mão. Os lobos então pararam de rosnar e o lobo gigante também se aproximou. Criei coragem e – depois de guardar as armas – passei a mão em seu focinho e ela não me atacou.

Ouvi um barulho atrás de mim e me virei. Uma garota quase tão branca quanto eu, com cabelos pretos lisos e olhos verdes pulou do topo de uma árvore e caiu com agilidade.

Como que por reflexo, peguei minhas armas, e a garota fez o mesmo, com muito mais habilidade que eu. Percebi que seria burrice tentar qualquer coisa contra ela, pois podia se ver de longe que tinha mais prática que eu e que me mataria sem muito esforço. A observei um pouco e resolvi guardar as armas, para mostrar que não queria brigar. Ela pareceu um pouco confusa, mas baixou a guarda. Tentei dar um sorriso, mas tudo que consegui foi fazer uma careta, e a menina de olhos verdes fez o mesmo. Notei que a menina que antes estava correndo havia parado perto da árvore e agora também tentava sorrir.

Subitamente, vejo Will chegar por trás da menina de pele escura e colocar uma faca em seu pescoço.

- NÃO! – eu grito, tarde demais.

Alys’s POV

A matilha chegava cada vez mais perto, liderada por um lobo que parecia mais um urso, era algo anormal. Eu corria o mais rápido possível, apesar do meu treinamento não conseguiria manter esse ritmo para sempre, meus músculos já estavam doloridos. Eu vou morrer – pensei — até que vi uma garota alta, parada bem no meio do caminho, eu tinha que avisá-la.

- AAAAAAAAAHHHH... CORREEEEE!!! – ela me olhou atordoada como se eu fosse uma louca.

Continuei correndo, mas parei um pouco quando percebi que o barulho de perseguição havia cessado. Procurei a tal garota ao perceber que ela não estava atrás de mim. Quando virei de costas, lá estava ela, parada e cercada pela alcatéia. Ela vai morrer, tenho que ajudá-la.

Saquei meu arco, peguei uma flecha e mirei no alfa. Estava super concentrada, até que vi a garota tocar em uma bola de pelos — um filhote — e não ser devorada. Abaixei o arco, mas ouvi o som de um cavalo trotando não muito longe dali.

Obara.

Aponte meu arco na direção geral do som e soltei a flecha para a escuridão. Estou ficando paranóica, pensei, e perdendo flechas também, é melhor ficar quieta. Mas isso não durou muito, depois que virei de volta meu olhar para a-garota-que-por-algum-motivo-não-foi-devorada, vi algo se mexendo no topo de uma árvore próxima.

A forma pulou da árvore e depois pegou uma adaga em cada mão, me fazendo levantar o arco outra vez. Quando a situação ficou menos tensa e as duas garotas resolveram baixar as armas, nós trocamos olhares e rimos juntas de alívio, pelo menos ninguém queria matar ninguém. Ao olhar de novo para a garota dos lobos, percebi sua cara pasma.

- NÃO! – senti algo afiado em meu pescoço e gelei de medo.

Notas finais
Eai, gostaram? Digam nos reviews! Obrigada por lerem :) - Bee.
- Créditos: Natália e Ruanna.