Sombras

6 Capítulo 6


Notas iniciais
Espero que gostem. Boa leitura :D

Lá estava Lanne, com suas roupas largas, seu sorriso acolhedor que trazia paz. Porém só eu a via.

–Você conseguiu? Ela está aqui? — perguntou Johnny preocupado.

Assenti. — Você não a sente? Como Eveline?

Ele balançou a cabeça triste. — Eu pensei que...- Johnny me soltou e sentou na grama.

–Ela ainda pode te ouvir. — falei, tentando confortá-lo. Olhei para Lanne, que se abaixou ao lado de Johnny.

–Oi vó. — disse ele olhando através dela, além das poucas árvore floridas que preenchiam aquele espaço.

Aquele leve arrepio voltou a minha nuca, fechei os olhos, esperando passar. Não passou.

–Olá Johnny. — saiu da minha boca, porém não era eu que dizia e sim Lanne.

–Hã... É... vó? mas...

–Não tenho muito tempo. O que você tem a me dizer?

–Eu preciso de sua ajuda. Não consigo mais... Não está mais dando certo, simplesmente não acontece mais. O que eu faço vó?

–Confia em Amy. Ela pode te ajudar.

Um tremor passou pelo meu corpo, reabri os olhos. Johnny me observava com as mãos nos meus ombros. Olhei para as suas mãos.

–O que aconteceu? — me sentia confusa, como se tivesse desmaiado.- Cade sua avó?

–Como que você... Ela não está mais aqui? — ele olhou para os lados. — Amy você está pálida. Você está bem? — perguntou franzindo o cenho.

–Me sinto um pouco tonta. — coloquei a mão na cabeça.

–Ah. Então você está bem. — riu

–Idiota.

Johnny me levou até o carro, e saímos do cemitério. E só aí me liguei que não tinha deixado as outras flores, a meu pai. Liguei o rádio e fui trocando de estação até encontrar uma música interessante.

–Gosto dessa. — Johnny começou a cantar alto totalmente desafinado. Talvez de propósito.

–Ei. — ri.- Você está estragando-a.

–Só porque não canto que nem seu amiguinho?

–Louis? Como que...

–Mesma banda. — disse ele por fim.

Encostei a cabeça escutando a música desconhecida que havia começado e eu nem tinha notado.

Lar é onde você está

É meio trágico eu ter saído do seu lado

Saído do seu lado, saído do seu lado

Lembro-me de um sorriso, um beijo

Quando o sol subiu

Do seu lado, eu estava do seu lado

Tenho que te dizer como é a sensação agora

Observei Johnny, ele continuava sério dirigindo o carro pela rua movimentada. Olhando-o e escutando aquela linda música, minha mente vagou por um universo paralelo.

Você é meu ar quando eu sinto que não posso respirar

Pegando-me, quando estou tropeçando nos meus pés

Nós vamos superar isso juntos

Você é meu sorriso quando eu só quero chorar

Tornar tudo melhor enquanto você beija meus olhos tristes

Eu estou dando o meu para sempre

Vendo que eu o observava, ao trocar de marcha ele me olhou e sorriu.

–Você está bem?

–Estou. Só não entendo alguns arrepios que senti antes e depois de Lanne sumir.

–hm.

Precisava falar com Eveline, seria normal isso? Porque não acontecia quando eu falava com ela? Guardei essas e mais algumas perguntas para quando a visse, não podia esquecer.

Johnny me deixou em casa, me despedi e entrei. Deixei a mochila perto da porta e fui até a cozinha, estava morrendo de fome.

–Acabei de esquentar sua comida.

Me virei e minha mãe estava com um suéter azul — sua cor preferida. — e seu cabelo em pé. — sabe quando alguém leva um choque? Então.-Ela me envolveu em um rápido abraço.

–Pra que ir até lá Amy?

–Mãe, de novo isso? Até parece que não se importava, que não o amava. Machuca saber disso.

Ela colocou a mão na testa e andou de um lado para o outro.

–Você acha que eu não a amava? Que eu não me importava? Você não sabe tá, mas eu me arrependo, de tudo que eu fiz e do que não fiz.

As lágrimas encheram os seus olhos, minha intenção não era faze-la chorar. Me partiu o coração aquilo.

–Mãe.

–Não, agora você me escutar. Sabe o porque de todas as brigas?

Balancei a cabeça.

–A culpa era minha. Eu fui uma idiota Amy, ainda bem que ele nunca deixou você saber o motivo. Eu tinha um sério problema com o álcool. — As lágrimas rolavam uma atrás da outra. — ele detestava isso. — ela enxugou o rosto com as costas das mãos. — Você sabe como ele era. — ela sorriu. — A culpa é toda minha, se eu o tivesse escutado ele ainda estaria aqui.

–Mãe, desculpa. Eu não... — abracei-a. Lembrando rapidamente do que minha vó tinha dito naquele dia. — Tudo acontece por um motivo e apesar de tudo você o amava, eu sei que amava. Me perdoe. — Depois de uns minutos ela subiu até seu quarto.

Corri até minha mochila, peguei o Filtra Sonhos que ganhara de Zoey e subi até meu quarto. Tirei um quadro que estava na parede em cima da cabeceira da cama e pendurei-o com suas penas azul-celeste e branco.

–Ficou ótimo. — disse Eveline sentada em minha cama.

Concordei com a cabeça. — Onde você estava? — rapidamente me lembrei de uma das regras: Nunca perguntar o que estava fazendo e onde. Ela não poderia responder. — Ok.

Contei a ela o que aconteceu no cemitério, Eveline prestou atenção em cada palavra e suspirou na parte dos arrepios.

–Fico até feliz por ter conseguido, mas Amy você não sabe o quanto foi arriscado para você. É uma coisa totalmente avançada e que não se faz dessa maneira que você descreveu.

Deitei na cama e logo adormeci. Sonhei com Johnny, no sonho ele estava doente, muito doente e precisava da minha ajuda. E com isso eu o dei um líquido feito por Judith, que o fez melhorar na hora. Acordei com o celular tocando, era uma mensagem de Jud: "tive um sonho muito estranho com aquele garoto do estacionamento, no sonho o nome dele esra Johnny."

Mandei uma mensagem: "Preciso fazer um negócio e depois passo aí para falar com você, pois também tive um sonho e talvez semelhante." Desci as escadas correndo, vestindo um suéter preto de gola V.

–Onde você vai? — perguntou Eveline aparecendo ao meu lado.

–Preciso que você me explique rápido como fazer...

–Amy, não posso. É muito arriscado. Me prometa que não vai mais falar sobre isso de novo.

–Ééve. — vendo o jeito que ela me olhava concordei. — Está bem, prometo.

Peguei a chave do meu Fuscate. — Eu tinha um fusca, verde. — Tenho que falar com Jud. — sai e fechei a porta.

Acontece que eu não estava indo falar com Judith. Eu prometi que não falaria mais sobre aquele assunto e não, que não tentaria de novo.

Entrei com o carro pelo portão de ferro, estacionei e corri até a lápide cinza onde se lia. "Dave Evans. Melhor pai do mundo."

–Tem que dar certo. — sussurrei.

Fechei os olhos e rapidamente pensei em momentos com meu pai. Como quando ele me levou para pescar pela primeira vez, do seu sorriso ao me ver apresentar aquelas peças de Natal na escola e desejei o ver novamente. Visualizei com a sua camiseta do Yankees e seus cabelos negros ajeitados.

Senti o leve arrepio novamente na nuca, abri os olhos esperançosa, mas já não enxergava nada, amoleci e caí por ali mesmo.