Sombras
4 Capítulo 4
Notas iniciais

A chuva lá fora piorava cada vez mais. Relâmpagos iluminavam o céu, os raios cortavam-no, e por um momento, senti medo. Esqueci-me rapidamente de tudo isso quando vi Eveline parada na minha frente. Ela tinha seus cabelos claros num rabo de cavalo bagunçado, usava seu vestido branco até o joelho e me olhava sem expressão.
–Amy. – disse ela. – Olá?
–Olá? Como assim, olá? Agora você aparece depois de todos esses anos. E diz olá?
–Amy, eu tenho os meus motivos e...
–Tenho tempo. –sentei-me no sofá e cruzei os braços.
–Hãã... Naquele dia aconteceram muitas coisas além do... acidente. As coisas ficaram difíceis pra mim. Quando descobri que Johnny podia me ver eu...
–Johnny pode ver você? – perguntei surpresa.
–Não exatamente. Digamos que ele sinta a minha presença. – Eveline sentou ao meu lado. – Então, quando eu descobri, eu tive que me certificar que você estaria segura com isso. Sei lá ele era seu único amigo.
–Se certificar se eu estaria segura? Você não pensou em minha família? Em meu pai? Aliás, onde você estava quando tudo aconteceu?
–Eu estava lá, quando aconteceu. – ela disse baixinho.
–Com meu pai? Mas, você não fez nada? Como que... – rapidamente as lágrimas embarcaram a minha visão. – Você disse que nos protegeria, quando a gente se conheceu. Protegeria-nos.
–Amy. – ela me olhou com tristeza no olhar. – Eu não tenho poder para fazer tudo, eu juro que tentei, eu tentei falar com os anci...
–anci... o que? –funguei.
–Eu tentei ajudar. As coisas sempre acontecem por um motivo. Lembra o que sua vó lhe disse naquele dia? Ela de alguma forma sentia que algo ia acontecer.
–Tudo bem, mas justo na hora que eu precisava de alguém, de você. Você não estava lá.
Ela abaixou a cabeça. –E você acha que eu não queria estar lá, para ajudá-la? Como eu disse, nem tudo está em meu alcance Amy. As coisas aconteceram dessa forma, porque deveriam. Quem garante que você teria conhecido Judith e Louis se eu estivesse estado com você nesses seis anos?
–E por que voltar agora? – perguntei secando os olhos com as costas das mãos.
–Amy, tem muitas coisas que eu adoraria explicar agorinha, mas tudo tem seu tempo. E lhe garanto que esse chegará.
Olhei lá fora pela janela aberta. Os raios tinham cessado porem ainda uma fina chuva caia e o vento trazia um gostoso cheiro de grama molhada.
–Tudo bem se você não me quiser por perto, vou entender. Mas saiba que quando o perigo aparecer, eu vou estar com você.
–Não. – escapou da minha boca. Eu a queria por perto, Eveline era um tipo de luz no fim do túnel, eu precisava dela.
Ela sorriu.
–Mas, ainda estou brava com você. – falei segurando um sorriso.
–Ok. – ela riu.
Subi até meu quarto, peguei um livro qualquer da estante e deitei na cama. Li uns dois capítulos e logo meus pensamentos voaram, para quando conheci Eveline.
Nove anos atrás.
–Vamos filha acorda, mamãe vai te levar ao parque pra você fazer amiguinhos, eu sei que você se sente sozinha e que precisa deles.
Bocejei, virando de lado. –To bem mãe.
Mamãe pegou na minha mão e fomos até a pequena praça na esquina de casa. –Pronto filha vai brincar vai. – Esse era o jeito de minha mãe me fazer interagir com o mundo, desculpa mãe, você fez isso errado.
Quando ela se virou para conversar com suas amigas, eu corri para o meu lugar favorito lá, o banquinho. Depois de alguns minutos apareceu uma moça e sentou ao meu lado. Ela era bonita, tinha uma pele clara, seus cabelos loiros estavam soltos e vestia um vestido branco.
–Olá. – disse ela num sorriso.
–Oi. – falei cautelosa. Não era de costume alguém sentar no meu banquinho, do meu lado.
–Vi que você estava sozinha e vim conversar com você.
Conversamos por algumas horas, nunca tinha conversado tanto com alguém. Descobri que seu nome era Eveline e que ela como eu, não tinha muitos amigos e que tinha 17 anos, ah qual é, ela era uma pessoa legal. Ela disse que eu tinha que confiar nela por que ela traria proteção a mim e a meus pais – é um pouco estranho para uma nova melhor amiga, mas concordei. -, ela pediu que eu fosse sua amiga e eu meio que obedeci.
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