Sombras
16 Capítulo 16 - O começo de um quebra-cabeça.
Notas iniciais
–Tudo bem. Eu aceito Ashley, mas terá algumas condições. -Johnny disse ao telefone após presenciar uma Judith quase decapitada no parque, onde ela cuidava de algumas flores. Judy adora esse tipo de trabalho voluntário.
Eu estava assustada com tudo isso que eu via. Era coisa demais para absorver. Eu teria perdido Judith, se Johnny não tivesse reagido rapidamente.
–Querido, não tem dessas. Vai ser tudo do meu jeito, ou já sabe. Ah! Sugiro que vá falar co... — Johnny desligou o celular interrompendo Ashley.
A cena mudou.
Johnny caminhava até minha casa, na companhia de Dragon, seu doberman. Seus pensamentos saiam em voz alta.
"Não vou fazer isso. Não posso fazer isso"
"Aquela desgraçada vai me pagar, eu juro"
"Não sei se eu consigo."
Johnny me viu no telhado.
"Amy. Tudo que eu irei falar daqui pra frente é mentira"
A nossa conversa saiu da mesma maneira, como era esperado. Depois que eu entrei, Johnny ficou sentado na varanda por um bom tempo. Pensando em várias maneiras de acabar com a chantagem. Foi embora um pouco antes de Judith chegar.
E mais uma vez cena mudou.
–Acabou a palhaçada Ashley. Eu soube do que aconteceu com Amy.
–Johnny a culpa não foi minha. Eu tentei impedir, mas tem outras pessoas a cima de mim. Eu...
–Chega Ashley. Não gaste seu tempo. Era o acordo, você devia ter protegido eles e falhou. Agora da licença. — Johnny abriu a porta e ficou esperando ela sair.
–Mas...
–Agora! Some daqui e eu prometo não ir atrás de vocês, hoje. — ele sorriu com desdém.
A tela se embolou como um papel e sumiu.
Johnny estava me olhando e eu sem jeito.
Lembrei do que Abiah tinha dito, que eu iria descobrir certas coisas sem procurar. Espero que tudo esteja voltando aos seus eixos.
–Diz alguma coisa. -falou Johnny o que fez eu me lembrar de onde estava.
Olhei para ele, Johnny se levantou.
–Eu achei que era o suficiente. — disse cabisbaixo.
Levantei e envolvi seu rosto em minhas mãos.
–E é.
♣♣♣
Acordei com o o celular tocando. Sorte de Judy que eu estava de bom humor, porque ninguém merece ser acordada em pleno domingo, as oito horas da manhã. Aviso: Pessoas que fazem isso estão cometendo um crime. Cuidado! Judy estava louca com o meu sumiço de ontem, demorei séculos para explicar tudo (Não falei sobre a praia).
Depois que Judy ligou, não consegui mais dormir, então levantei e aqui estou sentada na sala com uma xícara de café e minha coberta de retalhos que minha mãe fez, na época que ela se importava em ligar para saber como eu estava.
Eveline apareceu ao meu lado.
–Amy.
–Eveline! O que devo a honra desse grandiosa visita?
–To sumindo muito né. — disse fazendo careta.
–Não, imagina.
–Eu tenho uma coisa pra você. Tá em cima da mesa. Acho que vai te interessar. Levei horas para conseguir trazer esses papéis até aqui.
Levantei depressa, levando a xícara e o cobertor comigo. Os papéis estavam soltos e tinham sido arrancados de algum caderno.
–São as páginas arrancadas do diário de seu pai. Estavam com sua mãe. — ela deu um risinho. — Acho que ela não vai sentir falta, pelo menos não agora.
–Pera. O que isso tava fazendo com minha mãe?
–É evidente que ela não quer que você leie. Você vai ter que juntar as peças do quebra-cabeça. Não posso interferir, desculpe. Agora vai logo pegar o diário.
Subi correndo as escadas até meu quarto com os papéis na mão, me segurando para não ler. Peguei o diário e sentei em minha cama com Eveline do lado. Reli algumas páginas até encontrar onde tinha sido arrancadas.
"–Só que tem uma coisa.Ela não será como as outras crianças. Ela terá um dom, um pouco difícil de conviver com ele, talvez assombroso. Que no futuro poderá colocá-la em grande risco, mas não se preocupe. Ela terá a proteção necessária. Só preciso que você conte a sua esposa e tudo ficará... bem.
A senhora disse essas coisas como se fosse algo super normal. Aliás, ela quem me pediu para começar a fazer um diário. Porque um dia minha filha, que nem nasceu ainda, iria precisar. Talvez ela lerá isso então, filha, eu não sou louco e eu te amo."
Sorri.
"Eu contei para ela. Eu esperava uma Rachel me internando ou coisa parecida, mas não. Ela acreditou em cada palavra, o que me assustou. Caramba! Ela ficou empolgada. Nem eu que ouvi diretamente da senhora, acreditei muito. Rachel disse que iria estudar sobre tudo o que envolvia dons e coisas do tipo. Não acreditei."
"27/09/97
Ela realmente esta estudando sobre isso. Já encheu as prateleiras da sala (antes vazias) de livros grossos e antigos, alguns detonados. Eu espero que ela se canse, é talvez ela se canse."
"02/10/97
Rachel está indo longe demais. Sua amiga da loja de artigos místicos, que nem vinha mais aqui em casa, voltou a frequentar. Aliás, as duas estão lá na sala conversando sobre alguns livros que Rachel "deve" ler para aprofundar seu conhecimento. Rachel não quer eu interfira e nem que eu participe de seus estudos, que não faço a mínima ideia do que pode ser..."
O celular tocou interrompendo minha leitura.
–Oi filha.
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