Sombras
12 Capítulo 12 - Depois da tempestade, vem a bonança.
Notas iniciais
–J-johnny?
–Desse aqui? – ele usava um moletom com capuz e vi aflição em seu rosto.
Assenti. Com cuidado voltei para meu quarto. Depois de quase tropeçar nos degraus, consegui chegar são e salva até a porta. Johnny tinha esse poder sobre mim, ele conseguia me deixar vulnerável. Tentei me controlar e abri a porta, encontrando um loiro encapuzado com shorts jeans e Dragon ao lado. Fechei a porta atrás de mim.
–Hã... – comecei perdida. Eu queria xingá-lo e gritar com ele, mas a sua expressão me impediu. Não consegui decifrar se era raiva ou não.
–Precisamos conversar.
–Precisamos. –cruzei os braços.
–Vou ser breve. A aposta está encerrada.
–Você veio até aqui pra me dizer isso? Sério?
–Não terminei.
–Ótimo, continue.
–Estou com Ashley. Então...
Assenti querendo gritar. Como ele pode? Ouvir da boca dele me destruía. O que Ashley tinha dito era mais fácil de escutar, era só provocação. Não era?
–Você é igual a ela. Vocês dois se merecem. Vocês me repulsam. – Eu não iria demonstrar fraqueza, não iria chorar, não iria. Mas as lágrimas já inundaram meus olhos, eu queria socá-lo e quebrá-lo, junto com aquela desgraçada.
–Eu tenho os sonhos de volta, isso que importa. Adeus Amy. –disse ele virando as costas.
Nesse momento as lágrimas já escorriam por meu rosto. Eu senti tanta raiva, que os vultos passaram por mim e quando estavam quase em sua nuca, eu os impedi e eles se esvaíram. Entrei correndo e tranquei a porta. Escorreguei por ela, parando sentada no chão. Apesar do pouco tempo que passamos, eu o amava. Eu precisava dele em minha vida, como necessitava do ar. Ele nunca fora desse jeito, ele não era assim, O Johnny que eu conheço não faria isso.
Depois de me recompor o suficiente para conseguir enxergar as coisas, subi até meu quarto e me joguei na cama, ainda chorando. Eu já não chorava só por Johnny, e sim por tudo. Tudo que me ocorrera. Após minha crise de soluços eu adormeci e acordei com o celular tocando.
–A-alô? – disse tentando não fazer voz de quem estava chorando.
–Amy? Você está bem? – era Judith.
–Esto-ou. Eu... – comecei a chorar novamente. – T-to bem, eu to.
–Meu Deus do céu Amy, o que aconteceu? Não, espera. Eu estou indo aí. Não faz nenhuma loucura, eu já chego.
Sorri mentalmente, eu amava Judith. Ela era doida e chata às vezes, mas quando alguém precisava dela, ela estava lá. Eu não ia deixar ela me ver daquele jeito. Meu cabelo estava bagunçado, meus olhos inchados e minha roupa amassada. Levantei correndo e fui ao banheiro. Despi-me e liguei o chuveiro, deixando a água morna bater em minhas costas.
***
–Amy? Já cheguei. Abri aqui pra mim, ta frio.
Ri. – To indo.
Levantei do sofá e corri até a porta. Abri e logo recebi um abraço desesperado e apertado de Judith.
–Caraca, seus olhos estão inchados. Vem, me conta o que aconteceu.
Contei a ela tudo, desde o ocorrido mais cedo na casa de Johnny. Judith estava apavorada, fora de si. Enfurecida, pegou a almoçada ao lado.
–Ta vendo essa merda aqui?
–To.
–É o Johnny. – ela tirou um canivete da jaqueta e estraçalhou a almofada. –Toma isso, seu cocô. Dane-se, se isso é infantil. Faço mesmo. Seu otário, você perdeu a melhor pessoa que poderia encontrar na vida e na morte, seu bosta.
Ri. – Cara, minha mãe vai querer outra almofada. E qual é desse canivete?
–Nunca se sabe, quando vai precisar de um. – ela deu uma piscadela e riu. Judy juntou o resto da almofada e jogou fora. – Eu trouxe umas coisas. – ela virou uma sacola de cabeça pra baixo, fazendo cair de dentro, pirulitos, chocolates, salgadinhos, mais chocolates, danuts, confetes, mais chocolates, marshmallows... O que minha mãe chamaria de porcaria.
–E o Louis? – perguntei fazendo uma bola com o saco do salgadinho e jogando em Judy.
–A gente se resolveu. – ela riu. – Ele me pediu em namoro. – disse corando.
–Aw. Que lindo. Só que não quero saber de ficar segurando vela não, ok?
Ela riu. – Ai, que vela o que.
–Vai dormir aqui né?
–Claro.
–Tá. Então vem, tenho que arrumar aquela bagunça que é meu quarto.
–Seu quarto é mais arrumado que o meu e o de Louis juntos. – ela riu.
***
Estávamos deitadas em silêncio uma ao lado da outra encarando o teto, até que Judith, sendo Judith riu alto.
–O que foi isso?
–Tive uma ideia. – ela levantou pegou um cd de música e aumentou o volume quase no ultimo.
–Abaixa isso sua louca. –levantei correndo.
–Não. Vem dançar. – ela riu, dançando ao som de Don't You Worry Child. – Não vou abaixar enquanto você não vir.
Bufei. – Tudo bem.
–See heaven's got a plan for you
Don't you worry, don't you worry child
See heaven's got a plan for you
Don't you worry, don't you worry now
Yeah!
Ooh ooh ooh yeah!
–Você é louca. –falei mais alto que sua voz e a música.
–Você também. – ela riu.
Judith tinha abaixado a música e por fim voltamos a deitar, quando começou a tocar A Thousand Miles, aí Judith enlouqueceu outra vez.
– Making my way downtown
Walking fast
Faces passed
And I'm home bound... – e apontou o dedo pra mim.
Revirei os olhos, mas entrei na onda. — Staring blankly ahead
Just making my way
Making my way
Through the crowd...
Cantamos até tarde, e me impressionei de não terem chamado a policia, por causa do barulho. Não foi difícil adormecer, ambos estávamos cansadas. E eu apesar de tudo, estava feliz.
Estava tendo um sonho comum, quando um jardim surgiu. Eu usava o mesmo vestido bege acinzentado. Sabia que tipo de sonho era, só não sabia o que esperar dele. Comecei a andar, até encontrar um chafariz e tinha um homem sentado na borda dele, sorrindo. Era meu pai.
Comecei a chorar e rir ao mesmo tempo, corri e o abracei. –Pai.
Ele sorriu, passando a mão por minha cabeça que estava encostada em seu peito. – Amy. Se acalme Amy, isso vai passar. As coisas vão melhorar, sua vida vai melhorar. Não diga nada, apenas escute. Eu te amo Amy.

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