Notas iniciais
Primeira história. Algo bem leve. Desculpem qualquer erro. Boa leitura!

Acordando após uma noite muito animada, onde eu desfrutei da companhia de duas belas moças, que os nomes quais eu não me lembro. Levanto-me cansado, como se nem tivesse adormecido. – deve ser a tal apneia do sono, ou só a ressaca mesmo – Caminho em passos vacilantes á procura de meu banheiro. Após algum tempo caminhando ás cegas, encontro o banheiro, entro, acendo a luz, lavo meu rosto, escovo meus dentes e vou ao encontro do longo banho, como de costume. Saio do banho, olho-me no espelho e começo a fazer a barba. Coloco a roupa, apago a luz e saio do banheiro. Volto á aquela escuridão, e nada de encontrar o trambolho que acende a luz. Estava começando a ficar irritado, mas em breve a irritação ia de acabar, e em seu lugar, ficara a vontade de espremer uma espinha, um simples hábito que eu herdara de minha mãe. Encontro um espelho e nele refletia uma face horrenda, a minha. Enquanto tentava repetidas vezes repudiar de meu corpo aquele pus que residia em uma camada de pele vermelha, claramente, sem êxito algum, eu vi algo que não pertencera a minha face. Daquela escuridão espelhada jazem grandes olhos cinzentos. Embebido em susto, afastei-me, rapidamente, daquele espelho perverso, e de dentro daquele espelho algo adentra meu apartamento. Um ser estranho, tomado por escuridão.

De uma forma bizarra, aquele ser que eu desconhecera, descerra um sorriso medonho de sua face obscura. Afasto-me mais, e contemplo ao longe aquele sorriso que me perturbara a vista. Tinha algo em meus olhos que não pudera, nem um segundo sequer, afastar-se daquele ser aterrorizante. O medo possuía aos poucos meu corpo perturbado. Eu nada podia fazer apenas meus olhos curiosos e estupefatos podiam se mover. Eles se movimentavam conforme aquela criatura se movia. A criatura aproximava-se, lentamente, de mim, mas nada além de olhos e um sorriso doentio eu pudera ver. Ele me rondeava, como abutres rondeiam uma possível carcaça. Ele cada vez aconchegava-se mais em minha pessoa.

Por um leve instante de desatenção, algo além daquele ser chamou minha atenção. Um miado, mas um miado pouco distante, e reconhecível a minha pessoa. Naquele momento, me passara pela cabeça que pudera ser o meu gato, que me abandonara á muito tempo. – pelo menos era o que eu pensava – Cada vez mais aquele som enjoativo se aproximava, mas num curto instante cessara, e de uma forma inesperada, um vulto negro parou em minha janela. Olhei atentamente e era meu gato, que até então eu pensava que tinha me abandonado. Continuava tão lindo, desde á ultima vez que eu o vira. Era um animal muito grande, de uma raça que chamam, carinhosamente, de “O gigante gentil”. Ele tinha uma pelagem negra e muito afável, e possuía grandes olhos cinzentos. Eu dera a ele o nome de Poe, uma pequena homenagem a um grande escritor.

Aquele gato preto sumiu de minha vista tão rapidamente que, quando meus olhos conseguiram alcança-lo, ele já estava muito próximo da criatura. De uma forma curiosa, o gato parou em frente á criatura, e observou. A criatura nada fez, apenas olhava a mim e ignorava o gato e sua insignificância. O gato pulou em direção á criatura, mas nada aconteceu á aquele espectro assustador. O gato apenas atravessou a ele, como se nada estivesse lá. Eu fiquei cada vez mais assustado, mas nada fiz pra ajudar o gato. O espectro ia se aproximando, e o gato tentara desferir arranhões incessantes vezes, mas conseguira apenas o fracasso, como esperado. Naquele momento fiquei irritado com aquele gato estúpido, mas em seguida me senti um idiota por esperar de mais de um simples gato.

Enquanto aquele gato continuava desfrutando de seu fracasso, eu ouvira outro som. Eram passos se aproximando cada vez mais, mas não eram daquela criatura horrenda e nem do estúpido gato. Eram passos ordenados, e um tanto barulhentos. Seja lá o que fosse tinha certo pesar em seus passos. De uma forma estranha, pararam-se os passos, e no seu lugar um som estridente de um amontoado de chaves roubou minha atenção, e o meu desprezo. A porta de meu apartamento abrira, e com ela a luz sombria entrara iluminando meu modesto apartamento. O ser horrendo sumira – me acredito que foi por causa da luz –, e o gato fujão também. Mas após isso uma sombra elevada aparecera possuindo o teto de minha assombrada morada. Indaguei-me, de uma forma despretensiosa: O que há de ser agora, algo a me perturbar novamente?

Um pouco assustado fiquei, mas ao crescer da sombra, a porta abria-se mais, e uma forma humana ­­­­­­­­– pelo menos eu esperava que fosse – tomava seu lugar. Uma voz animada e um tanto irritante ecoou.

– E ai, mano! – meu irritante irmão gritou.

– E ai... – eu disse um tanto desanimado, mas aliviado também. Aquele irritante irmão salvara minha vida. Eu estava muito agradecido, embora não demonstrava um pingo de agradecimento sequer, porque com toda certeza ele não iria entender o agradecimento. Então não agradeci, diretamente. Mas dera a ele um manuscrito de um livro de poesia que eu escrevera – eu nunca tinha presenteado ninguém – há muito tempo atrás, mas não havia publicado por puro desleixe meu. Ele adora poesia, talvez a única coisa que temos em comum, aliás, não era a única, ele também gosta de escrever, mas não é muito bom nisso.

Ele ficou um tanto surpreso com o presente, mas nada falou, apenas aceitou. Ele vira para me acordar e dar noticia de nossa mãe, como faz todas as sextas-feiras. Depois do notificado, ele foi embora, como de costume. Depois da saída de meu irmão, fiquei pensando em voz alta... Nada de muita relevância que deva ser relatado aqui. Apenas muitas perguntas e nenhuma resposta. Depois de ter pensado tudo aquilo, desjejuei. E após isso, como todos os dias, escrevi durante seis horas. Eu tinha um extenso livro pra terminar. Quando me dei de conta, mais um dia estava terminando e eu não terminara aquele livro.

Como uma boa sexta-feira que se preze, eu fui a um bar próximo de minha casa. Bebi como sempre, muito, e voltei para meu humilde apartamento descansar como todos deveriam.

Acordando após um terrível pesadelo com cabras mancas e desbocadas, levanto-me como se a preguiça tivesse possuído meu corpo. Arrasto-me pelo quarto em breu e me deparo com aquilo que eu gostaria de esquecer, mas não me esquecera. Um ser enfadonho, tomado por tristeza e solidão, que me perseguira dia após dia. Uma sombra solitária e curiosa, á procura de uma companhia. Aproximo-me e observo aqueles grandes olhos cinzentos, e penso: Há de ser humano ou demônio?

Os dias estavam se repetindo. A monotonia consumia-me a cada segundo, partia de meu peito um sentimento tedioso. Meus dias repetiam-se em uma infindável rotina grotesca e cansativa. O amanhã, pra mim, nunca existira, as únicas coisas boas de meus dias tediosos eram as longas noites de bebedeira e insaciáveis orgias.

Estranha criatura que me perturbara na manhã inesquecível, não me esquecera de forma alguma. Eu desconhecia seu interesse em mim, talvez, seja apenas infringir terror a mente de um perturbado, no caso eu. Além do terror psicológico e a perturbação física que ela me propunha, ela nada fazia. Apenas um sorriso e nada mais.

Embora um sorriso amedrontador, seus olhos diziam, completamente, o oposto de seu sorriso. Seus olhos não escondiam sua natureza, não escondiam sua dor, seu sofrimento. Seus olhos eram tristes, possuíam uma grande beleza, mas nada mais. Já eliminara a possibilidade de ser um demônio, talvez, por ignorância de minha parte. Mas aquilo não me passara maldade, o medo ainda existia, mas como um mero humano que sou isso é perfeitamente normal, o medo do desconhecido.

A criatura tristonha, como um piscar de olhos, perdeu seu sorriso. Naquele breu, um belo véu apareceu. E nesse mesmo breu, o véu se levantou, e ao levantar-se um belo rosto apareceu. Um rosto de uma jovem moça, embora, com cicatrizes que se ligavam, nada mudara sua mórbida beleza. Ela continha cabelos brancos que se desdobravam ao cinza claro, e terminavam a altura de seu queixo. Ela possuía a sombra de um demônio e a beleza de um anjo.

Um tanto espantado e, ao mesmo tempo, fascinado estava. Sua beleza roubara meus olhos. Tentei aproximar-me dela, mas meu corpo não se movia. De meu corpo foi roubado o calor, a vida, após o frio constante, meu corpo começara a tremer. E dessa tremedeira ele sucumbira ao chão. Eu desmaiei – era o que eu pensava –, apenas lembro-me de acordar com o beijo da bela moça. Naquele beijo possuía esperança, naqueles lábios residia doçura. O frio escapara de meu corpo, e após a fugidia friagem que me possuía, o calor apareceu, avassalador. Meu coração entoava uma sombria canção.

Ela não me perturbara mais, o medo já tinha se esvaído de mim. Após o medo abandonar-me, a moça desgrudou seus doces lábios de mim, e em seguida, subitamente, ela começou a definhar-se, lentamente, em minha frente. Ela transformou-se em pó e sombras. Daquela sombria inexistência, pó e sombras, voltaram-se ao lugar que se refugiavam. Voltaram ao espelho.

Adeus, anjo sombrio.

Notas finais
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Reviews, críticas. O que for, vai ajudar.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!