Sombra
2 O perdido
Notas iniciais
Castelo de Magol, 16 anos atrás...
— Mandou me chamar, pai? – Perguntou um jovem rapaz de longos cabelos brancos espetados ao adentrar a sala do trono, onde seu patriarca se encontrava sentado. Sua constituição muscular era bem proeminente para um garoto de 14 anos. Contudo, era cego desde o dia em que fora concebido e, portanto, usava sempre uma bandagem que cobria a região dos olhos.
Interrompeu os seus passos quando se encontrava a alguns metros do assento de seu pai. Ajoelhou-se e prestou uma vênia perante a ele aguardando suas ordens.
— Sim, Doom, meu honorável primogênito. – Proferiu Innocent Zero que, até então, estivera concentrado lendo um manuscrito em suas mãos. – Quero um relatório da sua missão como um infiltrado.
— O senhor Wahlberg não tem a mesma disposição de antigamente. Não deve demorar muito até que uma enfermidade oportunista se apodere dele, aumentando as suas chances de vitória. – Expôs Doom calmamente e ainda ajoelhado diante de seu progenitor. Seu tom de voz não alterando por absolutamente nada no mundo, denunciando o seu estoicismo característico.
— Ótimo. E quanto à varinha inicial? – Prosseguiu em seu questionamento frígido o mais velho.
— Infelizmente, ela parece estar sendo protegida por uma magia de altíssimo nível dentro daquele baú em Walkis. É algo que está além das minhas capacidades no momento, pai, sinto muito por isso... – Respondeu novamente o primogênito inabalado.
— ... Interessante.
~ * ~
Floresta mágica de Easton, dias atuais...
— Que belo dia para tomar uma boa xícara de chá, combater o estresse e-
— Vovô, ainda temos manteiga pra fazer choux cream? – Questionou um rapaz de cabelos curtos e escuros com uma porta recém-destruída em suas mãos.
— MASH, QUAL A DIFICULDADE DE ABRIR UMA PORTA NORMALMENTE?! – Exclamou o idoso que aparentava ter seus 75 anos de idade, visivelmente preocupado com a falta de noção de seu filho adotivo.
— Eu nunca sei quando é pra puxar ou pra empurrar, bem que poderia ter uma plaquinha em cada uma delas explicando isso... – Replicou o jovem em tom de arrependimento e profunda tristeza, muito embora sua fisionomia permanecesse inalterada. Quem visse de longe pensaria que era apenas uma encenação, mas tendo Regro o criado desde que era apenas um pequeno bebê, ele sabia muito bem que suas palavras eram genuínas. Isso fez com que o ancião se compadecesse do rapaz e suavizasse sua bronca.
— Tudo bem, desde que você repita o seu treino novamente como forma de compensação... – Suspirou Regro em resposta.
— Tá bom, já vou indo então. – Disse monotonamente o rapaz saindo pela “agora não mais existente” porta de entrada no casebre.
“Puxa vida, ele é um garoto tão bom... eu me pergunto o que eu teria feito para merecer um filho tão dócil assim.” – Refletiu o idoso enquanto algumas lágrimas de orgulho desciam pelas suas bochechas. Tão perdido em pensamento estava que mal se dera conta de estar sendo observado por uma sombra do lado de fora.
[...]
- Estou aqui, pai. Para o quê estou sendo requisitado? – Inquiriu uma figura loira, cujos cabelos eram adornados por uma simples coroa de galhos espinhosos. Trajava um longo manto roxo e brincos ornamentados em detalhes dourados. O servo se ajoelhou em frente ao seu senhor aguardando suas ordens.
- Cell War, preciso que encontre “o perdido”. O eclipse se aproxima.
- Entendido, meu senhor. – Retorquiu obedientemente o subordinado. Este levantou-se e se retirou em busca do alvo em questão: Mash Burnedead.
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