Soluço, o líder de Berk: A Era dos Dragões
20 A volta do Furioso
Notas iniciais
Eu poderia realmente parar por aqui. Poderia simplesmente dizer que o Furioso esqueceu-se de nós. Desistiu de se vingar dos humanos. Deixou que vivêssemos felizes com os dragões até hoje.
Talvez ele tivesse se lembrado de quem ele realmente era naquelas terras, em seu elemento, e esquecido a promessa. A profecia. Quem sabe ele simplesmente não retornaria mais?
Quem sabe?
Era possível.
Desculpe-me. Mentir não é o meu forte. Sinto dizer que essa não é a realidade dos fatos. Porém é um bom modo de pensar. Um bom modo de sonhar. Mas infelizmente não é real.
Porque o pesadelo recomeçou naquela mesma noite de comemorações. Naquela noite que eu sorri. Dancei. E que acreditei que por 24 horas eu poderia me esquecer dos meus problemas.
O Furioso estava ali para provar o contrário. O dragão estava chegando...
No meio da madrugada um grito me acordou. Um grito assustado que me fez sentir calafrios. Astrid. Ao meu lado Astrid encontrava-se ofegante e com lágrimas descendo incontrolavelmente pelo o seu rosto.
–Soluço desculpa – ela tentava falar e chorava mais.
Envolvi-a em meus braços. Vê-la assim fazia as minhas lágrimas também escorrerem. Mas me mantive firme enquanto tentava acalma-la.
–Calma meu amor. Foi só um pesadelo. Eu estou aqui com você. Eu vou proteger você sempre.
Coloquei-a no meu colo, de lado, e ela afundou sua cabeça em meu peito e eu continuava acariciando os seus cabelos. Ela soluçava e respirava rapidamente com os braços em volta da minha cintura. Eu estava começando a me desesperar, mas então aos poucos ela acalmou a respiração e as lágrimas desciam mais devagar.
Quando senti que ela estava calma e que não estava mais chorando, eu perguntei.
–Você quer me contar sobre o seu pesadelo? Você não tem pesadelos assim há muito tempo Astrid.
A Astrid teve pesadelos desse tipo quando estava grávida de Einar. Todos eram por medo de perder o seu filho antes dele nascer. Medo de roubarem ele depois de ele nascer. Medo de não saber cuidar dele e coisas do tipo. Os medos e pesadelos desapareceram quando ela segurou seu pequeno ruivo nos braços pela primeira vez.
–É eu sei – ela disse. – Desculpe – ela olhou nos meus olhos firmemente.
–Desculpar o que Astrid? – coloquei uma mecha de sua franja atrás de sua orelha. – Apenas conte-me o sonho. Talvez ajude.
–Certo, acho que o sonho era para você de todo o caso. Um recado ou algo do tipo.
–Bom, eu vou buscar um copo de água para você primeiro para você se acalmar e... – eu já estava me levantando, mas ela segurou minhas mãos com força.
–Não, por favor! Ele pode vir aqui, ele pode fazer algo com vocês – ela estava a ponto de se desesperar de novo.
–Está tudo bem, acalme-se Astrid. Vamos lá fora, você precisa tomar um pouco de ar. Estou aqui com você não se preocupe. E o Banguela também pode nos acompanhar, ele está dormindo na sala hoje – abracei-a novamente.
–Está certo, vamos sentar na grama lá fora então – ela acalmou-se novamente.
Há um ponto atrás da nossa casa onde dá para observar o mar com uma vista incrível. É algo reconfortante sentar lá realmente. Nós dois descemos abraçados e Banguela ao ouvir os nossos passos acordou imediatamente.
–O que houve mestre? – ele perguntou preocupado.
–A Astrid teve apenas um pesadelo amigo.
–Desculpe Astrid. O Banguela pensou que só os Strondus de sangue seriam o seu alvo – ele disse tristemente e foi até a Astrid.
–O que ele está falando Soluço? – ela perguntou acariciando-o carinhosamente.
–Ele está te pedindo desculpas, dizendo que pensou que apenas os Strondus de sangue eram os alvos dele – eu disse ainda confuso. Ele? Alvos?
–Ah bem. Vamos lá fora e conversaremos sobre esse pesadelo horrível – ela disse olhando em meus olhos.
–Você vem conosco Banguela?
–É claro mestre – ele saltitou atrás de mim.
Nós sentamos na grama atrás da nossa casa. Banguela sentou atrás de nós em alerta. Esperei que ela começasse por si só, sem pressiona-la. Ela suspirou e começou a contar.
–Eu estava andando numa praia completamente deserta. Eu andava rapidamente. Estava atrás de você Soluço. Acho que você estava em perigo, pela maneira que eu estava desesperada para encontrá-lo.
“Eu só o vi quando estava totalmente submerso do mar ao meu lado. Um enorme dragão verde. Olhos impiedosos. Perfeita descrição sua do Furioso. Era ele na minha frente, eu podia ter certeza.
Eu estava paralisada. Eu não me atrevia a dar mais nenhum passo. Falar mais nada. Recuar. Nem ao menos respirar. Medo. Pavor. Não sabia o quê exatamente eu sentia. Apenas o olhava. Eu parecia hipnotizada.
Então ele começou a falar comigo. Sua voz me dava calafrios e o fato dele estar falando norueguês comigo era ainda mais assustador.
–Olá querida – ele começou a dizer. As pupilas tão finas e os olhos tão intimidadores. – Deve estar perguntando o porquê de eu estar falando contigo.
Eu recuperei-me e quis me mostrar forte.
–Talvez – eu disse com a voz mais firme que eu consegui.
–Tentando utilizar a força dos Hoffersons? Eu posso ler a sua mente Astrid Hofferson Strondus... Mas de qualquer forma eu lhe explicarei meus motivos.
‘Na realidade, confesso que eu gostaria de estar no sonho do Encantador querida Hofferson. Porém o Banguela me bloqueou. E bloqueou o Einar. E bloqueou a Ágda. Bloqueou todos os Strondus de sangue. Mas vejam só. Você ele deve ter se esquecido de bloquear. Para a minha alegria.
E agora você está se perguntando Hofferson? Bloquear-me? Como assim me bloquear?
Todos os dragões da minha espécie podem utilizar a telepatia. Então eu posso entrar na mente de quem eu quiser. Amedrontar quem eu quiser. O pai de Soluço já estava amedrontado o suficiente para usar o meu jogo. Preferi passar a outros Strondus.
Ah, claro. O Banguela entrou no meu caminho.
Bom, vou lhe contar uma pequena história sobre esse certo Fúria da Noite muito intrometido...
Os pais do Banguela e todos os seus ancestrais eram dragões da minha espécie. Dragonusmarinhus Gigantescus Maximus. Isso faz dele de certa forma também um de nós. Porém ele veio diferente. Eu diria que ele veio com defeito.
Características de dragões terrestres. Asas com uma grande envergadura. Velocidade. E negro. Todos os Dragonusmarinhus Gigantescus Maximus são coloridos. Roxo, vermelho, amarelo, verde... E ele era negro como a noite. Ele possuía apenas glândulas para facilitar a respiração em baixo da água.
Mas eu o bani das águas. Da nossa volta. Há 35 anos se não me engano.
Ele passou a viver na terra. Mas para o meu ódio, os dragões terrestres o acolheram. Mas pelo menos ele estava sozinho.
E então ele se esqueceu de como respirar debaixo da água. Não se lembrava de nós, dos seus pais. Apenas uma habilidade dos Dragonusmarinhus Gigantescus Maximus ele manteve. A capacidade de se comunicar por telepatia.
E por isso bloqueava os meus pensamentos e... Invasões. Mas se esqueceu da Hofferson. Isso foi bom para mim. Aquele defeito serviu para alguma coisa além de me atrapalhar. De libertar o Encantador. Os dragões deviam viver em guerra com vocês por muito mais tempo. Se não fosse por ele...
Enfim, essa é a história desse dragão. Ele não é um de nós. Deixe-o solitário então. Como o Fúria da Noite. ’
O rancor em sua voz era tanto, que eu tinha certeza que se o banguela estivesse em sua frente ele o destruiria. Eu sabia que a culpa não era dele, do Banguela. O Furioso só queria alguém para culpar a morte de seu mestre o tempo inteiro.
–O que você quer comigo?- perguntei cansada daquilo tudo.
–Ah. Eu queria mandar um recado para o Encantador de Dragões.
‘Eu o escutei naquele dia, gritando para o mar. Eu senti a vitória em minhas mãos. Acredito que não tem nenhum plano. Mas eu não tenho certeza. O Banguela me bloqueia. E a Astrid não fez nenhum plano pelo que vejo em sua mente.
Mas caso o tiver... Você não pode comigo querido Soluço. Você me libertou. Arque com a sua culpa. Você é sim o culpado por isso tudo. A culpa é sua Soluço Terceiro... ’
E eu acordei com os olhos deles ainda sobre mim.”
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