Notas iniciais
Oii! Vamos ver o Stoico justificando-se para o filho. Bom, espero que estejam gostando meus docinhos... Eu quero agradecer por todos os comentários. E principalmente à Bia Tauro!! Amore não tenho palavras para agradecer!! Obrigada pela recomendação meu anjo, foi perfeita

Meu pai relatou tudo então, enquanto eu sentado escutava atentamente as suas palavras.

–Cada tribo viking possuía uma ou um Ancião e também a Senhora dos Nomes. Eram as pessoas mais sábias de cada tribo. Aqueles que podiam falar do futuro e do passado sem nenhum erro.

“A Senhora dos Nomes era indicada para o cargo pela Anciã da tribo. Ela previa o futuro e a Anciã o passado e o presente. Porém a Anciã perante fatos do passado e do presente poderia fazer uma profecia para o futuro. Que sempre se cumpria.

Mas a Senhora dos Nomes sabia claramente o Futuro. Entretanto você só saberia dele no dia da Escolha do Nome. Depois disso ela não falaria mais nada sobre você.

E então, para não ser influenciada pelos fatos do presente, ela vivia no lugar mais isolado de cada Ilha, de cada tribo. No nosso caso, na Caverna Oculta. No centro da Ilha de Berk.

Toda criança que nascesse devia ser apresentada a ela. Na época da Berk bárbara, em que a força era maior que tudo e onde somente os fortes deveriam permanecer, os bebês considerados fracos demais deviam ser colocados em uma cesta e jogados no mar ou expostos a montanha, por ordem desta mulher.

Ainda bem que nós não vivíamos nessa época, pois eu, e muito menos Valka, faríamos isso com você.

A jornada até a Caverna Oculta era devastadora, cansativa e dura. Ir a pé até lá não era fácil. Era muito longe da vila, dias de caminhada. Localizava-se na parte central da Ilha. No eixo de Berk. Mas nós éramos vikings! Era um risco do ofício.

Eu fui até a Caverna com você para te dar um nome. Você nasceu tão pequeno e frágil, mas eu sabia que você ficaria bem, seria um grande homem e que eu ainda me orgulharia muito de você.

Quando cheguei à caverna, a Senhora dos Nomes pediu que eu entrasse logo. Contou que na história da Tribo Hooligan havia aparecido dois raquíticos. E os dois foram heróis embora as chances fossem improváveis. Mas não era impossível.

E você também seria um herói. Soluço Spansitocus Strondus III. O terceiro Soluço. Mas você sofreria muito por ser esse grande herói. Como os outros Soluços, você mudaria o mundo. Mudaria toda Berk para melhor.

Um dragão te amaria um dia e você o amaria também. Você ganharia um irmão. Um amigo. Porém você seria muito mais. Você seria o Encantador de Dragões como os outros Soluços foram. Você seria aquele que cumpriria a profecia do dragão Furioso.

Aquela profecia odiosa que você conhece e que tomei conhecimento nesse dia. Que a entendi nesse dia. E como ela própria dizia você seria o maior sofredor.

E eu jurei a mim mesmo que mudaria o destino. Mesmo a Senhora dos Nomes dizendo-me que ele já havia sido traçado. Para sempre. Que não poderia ser mudado. Mesmo assim eu tentei manter você a salvo. Eu tentei com todas as minhas forças. Mas quando eu vi o que você fez. Quando eu vi o quanto você estava feliz. Eu rendi-me com aquela alegria. Com tudo que você trouxe e mostrou para nós.

E agora você irá sofrer. E todos nós também.”

Ele terminou a história com ar de tristeza e culpa. Eu permiti-me pensar sobre tudo que ouvi do meu pai.

Berk era repleta de vikings durões onde tudo que importava realmente era a força, a não alfabetização, como ser rude, como ser violento e até mesmo como roubar. E os dragões eram como objetos de luxo. Enfeites. Para cada viking mostrar a sua força.

E mesmo assim, o Soluço Spansitocus Strondus II aparentemente lutou contra tudo e amou um dragão. Ele amou tanto essa raça que se tornou um Encantador de Dragões. E morreu. Só conheceria sua verdadeira história mais tarde, em suas próprias memórias.

Isso era um dos fatos que o meu pai pesou para me proteger. Era um bom argumento na realidade. Morrer não era legal.

E ainda havia a Senhora dos Nomes...

Uma mulher que decidia o nome do seu filho perante os fatos que ela previa do futuro (perceba que o nome dos gêmeos foram muito bem escolhidos).

Hoje nós não temos alguém que escolha os nomes dos nossos filhos para nós. Pelo menos temos essa liberdade. E ela previu um futuro de sofrimento para mim.

Bom, segundo fato para o meu pai pensar bem em mudar o meu destino...

E eu pensei que havia mais gente sabendo do meu futuro, do meu destino do que eu mesmo sabia. O Ancião (que naquela época era o meu melhor amigo, o Olavo). A Senhora dos Nomes. O dragão Furioso. Meu pai. Minha mãe. Quem mais sabia de algo sobre mim?

Eu não aguentava que as pessoas escondessem as coisas de mim. Com medo que eu sofresse. Para me proteger. Eu sentia-me fraco. Frágil. Parecia que eu quebraria em mil pedaços ao descobrir coisas ruins. Que eu não era forte o bastante para me defender e enfrentar as coisas com cabeça erguida.

Ninguém protege ou impede o outro de sofrer à base de mentiras. Posso entender o que meu pai passou quando de uma hora para outra descobriu tudo isso sobre o seu filho. Mas não concordo com a maneira que ele reagiu a isso.

Meu pai olhava-me esperando por algo. Que eu dissesse algo. Que gritasse. Extravagasse.

–Eu não gosto que me escondam nada. E vocês sabem disso – eu olhei para os dois, meu pai e minha mãe. Minha voz era a mais calma impossível para a situação. Eu sentia-me calmo pela primeira vez naquele dia. Porque sabia tudo. – Eu posso ver que estavam preocupados. Desesperados talvez. Mas eu não esconderia isso dos meus filhos. Em nenhuma circunstância. Essa não é a melhor forma para proteger alguém.

–Eu sei filho – meu pai disse solenemente. – Eu sei que errei. Que devia ter te contado. Mas do que adianta agora? Se eu tivesse contado ou não o seu destino seria o mesmo. Não podemos muda-lo. E agora tudo que eu quis impedir... Todos vão sofrer. Você vai sofrer meu filho – ele estava tão triste, ele sentia-se tão culpado. Eu o abracei da maneira mais carinhosa que podia.

–Não se preocupe. Eu estou bem e não se sinta culpado – olhei em seus olhos. – Eu não vou deixar os dragões serem extintos. Eu não posso.

–Isso não cabe a você Soluço. Mais do que ninguém no mundo você sabe que não poderá mudar o destino – eu podia sentir no seu olhar o seu cansaço.

–Eu vou tentar. Não importa como, eu vou lutar. Eu vou achar o Furioso, fazer alguma coisa. E você mais do que ninguém sabe que eu sou um viking teimoso.

–Você só pode estar louco. Eu nunca irei permitir que você faça isso.

–Desculpe pai. Mas não preciso mais da sua permissão – ele deu um longo suspiro. E antes que ele gritasse, virei-me para minha mãe e segurei as suas mãos. – Você sabe onde posso encontra-lo? Qualquer coisa que possa me ajudar mãe...

–Não – ela respondeu-me tristemente. – Mas o dragão Alpha sempre me fez pensar que havia um dragão ainda mais sábio que ele. Que detinha todo o conhecimento do mundo. Ele conhecia, mas como ele poderia me dizer algo?

–Você sabe de alguma coisa Banguela? – virei-me e perguntei a ele. Ele pensou um pouco e o seu rosto pareceu iluminar-se.

–O Dragão de Fogo. Ele saberá de tudo. Ele sabe de tudo. Mas é quase impossível falar com ele. A menos que você tenha o que ele mais quer. A menos que você dê a ele a Pedra de Fogo.

Notas finais
E aí queridos, gostaram?? A Senhora dos Nomes existe sim. No livro. Bom, isso não foi exatamente igual a visita do livro, mas eu escrevi assim. Livro do capítulo: *Como treinar o seu viking Tem a identidade do Soluço nesse livro. claro que modifiquei a história, o Stoico nunca jogaria o filho no mar ou algo do tipo. E é nesse livro que aparece a Senhora dos Nomes também. Enfim, espero que tenham gostado do capítulo. Obrigada por tudo e até o próximo capítulo... Temp