Para alguém que havia sido traído tantas vezes, era curioso que fosse aquela noite a trazer a desesperança de que nunca mais conseguiria confiar em ninguém. O melhor amigo de infância, depois os pais, a melhor amiga, então o primeiro namorado. A maior parte das pessoas mais importantes que já haviam passado por sua vida. A diferença era que, todas as outras vezes, ele conseguira acreditar.

Quando Danilo deu as costas a ele, porque estava começando a gostar de coisas que os outros garotos não gostavam, ele não se surpreendeu. Quando a convivência difícil com os pais o obrigou a ir morar com a avó, não foi nada que já não estivesse esperando. Quando a melhor amiga dedurou que havia entendido as coisas errado e acabou com o maior sonho de sua adolescência, ele achou que poderia ter desconfiado antes.

Não era o caso ali. Ali tudo parecia perfeito. Enquanto agarrava o garoto pelo colarinho, empurrando-o diversas vezes contra o portão do prédio, para que talvez assim ele compartilhasse do modo como estava se sentindo, mesmo o maior aviso de todos não havia sido o bastante para prepará-lo.

Leia o início da história do Caíque aqui.

Notas finais
Sejam bem-vindos, leitores antigos e novos! Fico muito feliz de saber que alguns de vocês ainda estão por aqui.

Se você caiu nesta história e não sabe o que está acontecendo, não precisa se preocupar. É uma sequência, mas não necessariamente uma continuação. Você não precisa ter lido o primeiro livro para acompanhar.

Mas se quiser começar a história do Caíque desde o começo, o livro na íntegra está no link que deixei no fim do texto.