Solstice - Interativa

46 「XII • Astrid」 Após


Sirenes. Lágrimas. Corpos imóveis jazendo no chão.

O pesadelo de Astrid reuniu vários elementos da trágica noite anterior e acabou impulsionando-a a despertar bem antes que o despertador tocasse.

Sentando na cama, espreguiçou-se e fitou Yeri, que ainda estava dormindo num colchão no chão. Influenciada pelo sono da amiga, Astrid jogou-se na cama novamente e fechou os olhos. Não era mole acordar às seis da manhã se dormiu às três.

Astrid gostaria que a noite passada não tivesse passado de um pesadelo como o que tivera ainda há pouco…

Pelo menos, ainda naquela madrugada Francis havia comunicado (através do recém-criado grupo do Kakao Talk) que ambos Hansol e Alois estavam relativamente bem – o primeiro tinha se machucado bastante com o acidente, mas sua situação clínica era estável; e Alois finalmente estava acordado e lúcido… Mesmo que não lembrasse de como tinha sido dopado.

Será que era realmente uma boa ideia participar do projeto de Marie? Os dois incidentes envolvendo os rapazes não tinham ocorrido por causa dela, mas… Se Hansol e Alois tivessem ficado em suas casas, nada daquilo teria acontecido.

Astrid ainda estava pensando sobre essas coisas quando finalmente seu despertador começou a tocar. Lutando contra a exaustão que a dominava, pôs-se de pé para enfrentar o novo dia. Ela e Yeri precisavam ir para a aula…

Era dia de entrega de boletins, e caso não fossem para alguma avaliação de recuperação, seria o último dia antes das férias de verão.

— Yeri, acorda… — Balançou o braço da amiga. — Hoje não é sábado.

— Hm… Me deixa dormir…

— Okay, vou ao banheiro tomar banho e me arrumar. Te chamo depois que eu estiver pronta.

— Tá…

O tempo passou rapidamente, e logo as duas amigas já estavam devidamente vestidas com seus uniformes e sentadas à mesa da sala de jantar para tomar o café-da-manhã.

Minhyun chegou sorridente da cozinha, carregando uma jarra de suco e uma bandeja com alguns croissants sem recheio.

— Vocês parecem não ter dormido — notou enquanto se sentava à mesa com as duas meninas.

Yeri respondeu a observação do garoto com um bocejo. As duas estavam claramente exaustas.

— Astrid. Ontem, quando vocês estavam fora resolvendo coisas daquele assunto, recebi uma ligação dos nossos pais. Eles vão precisar ficar em Toronto mais uns dias.

Sem graça, Astrid levou o copo de suco aos lábios. A viagem a trabalho de seus pais parecia nunca ter fim...

— Eles estão bem? — perguntou.

— Sim, sim. Ligaram só para avisar isso mesmo.

Ao terminarem de comer, Astrid e Yeri foram escovar os dentes juntas. Pegaram suas bolsas da escola, despediram-se de Minhyun e saíram num instante de casa.

Ir à pé da casa de Astrid até a escola geralmente durava vinte minutos… E isso porque a jovem costumava cortar caminho pelo Parque Nouvelle-Chiaksan. Se não pegasse este atalho, seu percurso duraria mais de meia hora.

Já no colégio, as duas sentaram-se lado-a-lado. Com essa aventura toda, elas ficaram bastante próximas.

Perto da hora dos boletins serem entregues, Astrid levantou-se e foi ao banheiro para se acalmar. Molhou o rosto e olhou seu reflexo no espelho, perguntando-se se daria tudo certo.

Apesar das notas dos exames não terem sido reveladas ao longo do semestre, Astrid sentia que não havia se saído bem.

Seus pais não se importavam muito com as notas da escola… Mas talvez isso se devesse ao fato de que, em toda a sua vida, Astrid sempre teve um bom desempenho. Caso isto se deteriorasse, sua família se decepcionaria?

Hesitante, retornou à sala de aula e sentou-se em sua cadeira. O professor já havia começado a entregar os boletins.

Ao receber o seu, Astrid chegou a se engasgar com o que leu. Em todas as matérias tinha recebido a melhor nota possível… E ainda ganhou um belo “parabéns” da coordenadora. Como é possível?!

Desnorteada, olhou ao seu redor sem saber o que fazer. Sim, um boletim com as melhores notas era algo bom. Muito bom. Porém era impossível. Totalmente fora da realidade.

De repente Yeri jogou o boletim dela na mesa de Astrid. A mesma coisa tinha acontecido com ela.

Sem mais estar em choque, começou a pensar e começar a pensar numa explicação lógica para aquele acontecimento irreal. Os bilhetes.

“Recompensa: MB+CDC”

Tanto Astrid como Yeri tinham “MB+CDC” como recompensa. Já fora descoberto que CDC significava “caixa de chocolates”... Então “MB” significava “melhor boletim”?

Se seu raciocínio estivesse correto, aquilo tudo se tratava de uma grande injustiça... Uma que certamente facilitaria bastante sua vida. Não, não posso pensar assim. Isto não é certo. Mas… Preciso encarar os fatos. Se meu boletim estivesse conforme a realidade, com certeza eu não passaria.

Agora estava questionando sua própria moral. Graças a Marie. No que havia se metido?...

Pelo menos, de uma coisa estava certa. Aquele projeto iria mudar sua vida.